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nº 9 - Missão Interplanetária


Autor: A. E. Van Vogt  
Título original: The Voyage of  the Space Beagle  
1ª Edição: 1950  
Publicado na Colecção Argonauta em 1954  
Capa: Cândido Costa Pinto - curiosamente esta edição não traz a informação relativa ao autor da capa, mas a concepção é em tudo semelhante às anteriores, pelo que se presume que seja o mesmo autor. Além disso, na obra nº 13 a informação retorna e o autor continua a ser Costa Pinto.   
Tradução: Fernando Moutinho

Súmula - foi apresentada no livro nº8 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

A. E. Van Vogt, o autor desta obra-prima de ficção-científica, é considerado desde há muito, nos Estados Unidos - a par de Robert Heinlein, Isaac Asimov e Edmond Hamilton - como um dos grandes, senão o maior, dos escritores que cultivam este género literário. Van Vogt, cuja produção de romances de ficção-científica é quase inestimável, na larga quantidade e na superior qualidade, é especialmente celebrado pelo valor das suas novelas, verdadeiros modelos de "suspense", duma imaginação incomparável, entre as quais avultam "Far Centaurus", "The Monster", "Dormant", "The Search", e "Slan".
Vogt é um experimentado mestre na delicada e dificílima arte de combinar o dinamismo, a originalidade e o virtuosismo da narração, cujo equilíbrio caracateriza o que há de melhor nesta nova forma literária. Nascido no Canadá, vive agora em Los Angeles, cidade em que, com pouco mais de trinta anos, é considerado um autor de fecunda e prodigiosa fantasia. Mas não é só na América - onde o seu nome é conhecido de toda a gente - conseguiu Vogt extraordinária publicidade. Por todo o mundo civilizado o elevado nível das suas obras conquistou admiradores, e até imitadores, consagrando-se assim a sua glória, e ajudando a firmar definitivamente a literatura de ficção-científica.
Van Vogt é traduzido em quase todas as línguas e o facto de a Colecção Argonauta apresentar agora em Portugal uma obra sua, constitui um motivo de justificado orgulho para esta Colecção, que se tem esforçado por trazer ao conhecimento do público português os nomes mais representativos da ficção-científica.
A propósito da sua invulgar capacidade de criação, conta-se que, um dia, perguntaram a Van Vogt o que pensava dos "Discos Voadores", ao que ele teria respondido: E possível que venham, de facto, de outros Mundos, mas, se assim é,  o seu nível científico é bem rudimentar, comparado com o enorme avanço atingido nos nossos romances do género".
De entre todas as suas produções, destacaremos, por merecedores de especial referência, os livros "The World of A", uma das primeiras obras de Van Vogt, "Destination Universe!", e "Mission Interplanetary", que constituirá o próximo volume desta Colecção, e que são todos eles romances de fôlego. 
Neste último, A. E. Van Vogt conta a aventura da imensa nave espacial chamada "Galgo", que percorre o Universo numa missão de estudo científico, transportando a bordo o jovem cientista Elliot Grosvenor, diplomado por uma admirável escola que, num mundo de especialização crescente, conseguira o feito de criar representantes duma saudosa cultura geral, aptos a encarar qualquer aspecto e perspectiva da mais remota ciência.
Na heterógena equipagem daquele navio do espaço, em que cada homem era um especialista e um perito, Elliot Grosvenor constituía, de facto, um caso à parte, uma excepção, um estranho, pois o seu treino no Instituto Nexialista dava-lhe uma mentalidade diferente, um ponto de vista diverso e mais lúcido para analisar não só os problemas do vácuo interplanetário, como os próprios conflitos humanos, resolvendo-os com perfeito bom senso, serenidade e decisão. Nem todos, porém, o compreenderam, de início. Como representante do Nexialismo - a nova ciência-síntese, esquema dos vastos conhecimentos humanos - Grosvenor tomava pela primeira vez o comando dum departamento a bordo dum navio sideral em missão de investigação nos espaços inter-galácticos. Chefe e ao mesmo tempo único membro dessa secção, Elliot Grosvenor pouca influência teria no ânimo e nas opiniões daquele milhar de técnicos que iam viver isolados nas insondáveis profundezas do Universo. Daí as dramáticas circunstâncias em que se desenrola a arrebatadora aventura do grupo de cientistas que a nave espacial "Galgo" transportava, a fim de desvendar os segredos dos mundos, e que depressa se viram envolvidos numa desesperada luta pela sobrevivência.
A incontáveis anos-luz do seu globo natal, lá longe entre as estrelas, aqueles homens viram-se rodeados por estranhars formas de vida que ultrapassavam os seus mais horríveis pesadelos - um monstro de aparência felina, com uma coroa de tentáculos saindo-lhe dos ombros, que se alimentava de seres vivos; uma raça de criaturas com o aspecto de aves e de extraordinários poderes hipnóticos; uma "Coisa" diabólica e pavorosa que podia atravessar a matéria sólida e que pretendia fazer do navio a sua própria habitação; e, por último, um "Ser" ilimitado e difuso, gasoso e inteligente, que preenchia totalmente o espaço duma galáxia.
Nas desesperadas lutas que travaram, com essas formidáveis e poderosas formas vivas, os exploradores constataram variadíssimos defeitos básicos nas suas ciências terrestres. E Grosvenor - o único de entre eles que lhes podia valer - quando se viu impedido de aplicar os seus conhecimentos, verificou com amargura que no espaço, como na Terra, o maior inimigo do Homem é o próprio Homem. 
Eis o ambiente rico de peripécias e expressão verdadeiramente humana em que decorre a viagem do "Galgo do Espaço" na sua "Missão Interplanetária".

nº 23 - Slan


Autor: A. E. Van Vogt
Título original: Slan
1ª Edição: 1946
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: A. Maldonado Domingues

Súmula - foi apresentada no livro nº 22 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

A mãe fora morta... mas ele era Jommy Cross, o herdeiro da ciência de seu pai; era o mais importante de todos os Slans. Tinha o dever de não se deixar apanhar para que a sua raça pudesse um dia conquistar o lugar que lhe pertencia. A velha era má, perversa, só via nele um meio de conquistar a fortuna que lhe permitisse satisfazer os seus torpes vícios, mas salvara-o de uma morte certa e permitir-lhe-ia esconder-se dos seres humanos até ao dia em que fizesse quinze anos... o dia maravilhoso em que entraria na posse dos segredos de seu pai. Até lá, teria que pôr ao serviço da megera as suas naturais possibilidades telepáticas, as excepcionais propriedades dos seus músculos de Slan, que não conheciam a fadiga, as admiráveis vantagens que o distinguiam dos seres humanos; tinha que servir-se da superioridade da sua inteligência para roubar, para satisfazer a cupidez da velha e evitar que ela tivesse a tentação de o entregar á vingança dos seres humanos, que só desejavam matá-lo, porque ele era um Slan. Jommy não lhes queria mal, apesar disso. Só pretendia, no íntimo do seu coração, acabar com aquela luta entre Slans e seres humanos que ainda se tornava mais complicada pelo facto da existência de uma segunda raça de Slans -  os Slans sem fibrilas - que dominavam virtualmente a Terra, confundidos com os seres humanos a quem odiavam tanto como aos Slans verdadeiros, a que Jommy pertencia. Era uma guerra em triângulo, uma guerra sem quartel que só poderia trazer desgraça à Humanidade. Era um mistério, a existência dos Slans. Onde se esconderiam? Jommy nunca conseguira encontrar um único dos seus semelhantes, até atingir a idade de entrar nas catacumbas para tomar posse dos segredos do seu pai! E, no entanto, devia haver milhões deles espalhados pelo Mundo...
Era esse também o problema de John Petty, o chefe da polícia secreta do Ditador do Mundo, Pier Gray. Mas John Petty procurava os Slans para os exterminar, movido por um ódio sem limites, que a presença de Katleen Layton no Palácio ainda mais exacerbava. Katleen era uma Slan... Vivia no meio dos seres humanos, graças à protecção do Ditador, Pier Gray, que afirmava conservá-la viva para fins de estudo. A pobre rapariga sentia o ódio pesar sobre ela como uma cortina asfixiante. A sua vida estava em perigo iminente a todos os instantes. Não podia contar muito com a protecção de Pier Gray - o tradicional inimigo dos Slans, segundo a opinião geral. Sentia sempre suspensa sobre a cabeça uma sentença de morte. e uma noite, o seu cérebro de telepata deu o alarme. Entrara-lhe no quarto um assassino a soldo do terrível John Petty que queria, com a sua morte, atingir um duplo fim: saciar nela o seu ódio pelos Slans e diminuir ao mesmo tempo o prestígio do Ditador de forma a conquistar por sua vez o poder supremo. O assassino rastejava, tentando conservar a sua mente vazia de pensamentos... mas o cérebro supersensível de Katleen, uma vez alerta não podia deixar-se enganar: "Louco... Acaso pensas que podes agarrar um Slan na escuridão...?", perguntou ela com desprezo , ao mesmo tempo que abria a porta secreta que ia dar ao gabinete de Pier Gray. Luta política. Os membros do Conselho de Estado pagam com a vida a sua adesão ao traidor John Petty. Só este escapa e continua na chefia da polícia secreta, porque Pier Gray assim o decide. A vida de Katleen fora salva por essa vez, mas não tardará muito que esteja novamente em perigo mortal.
Entretanto, Jommy Cross chegara à tão desejada idade dos quinze anos. Eis o dia em que devia dirigir-se às catacumbas e, seguindo a orientação que o pai lhe imprimira hipnóticamente no cérebro, apoderar-se da caixa que continha os apontamentos e a arma que o transformariam no homem mais poderoso do Universo. Nesse dia as ruas estavam desertas, porque se esperava que uma nave Slan sobrevoasse a cidade. As autoridades tinham declarado o estado de sítio. A expectativa era tremenda.
Mas a nave passou sobre a cidade como um grande pássaro de prata, limitando-se a deixar cair sobre o Palácio uma mensagem dos Slans. Jimmi fica desiludido porque aquela nave, embora bela, não passava de um brinquedo em comparação com as formidáveis astronaves que os Slans sem fíbrilas possuíam secretamente. Jommy entra nas catacumbas. Uma campainha de alarme começa a tocar desesperadamente. Corre, ansioso por chegar ao esconderijo pelo caminho que o seu subconsciente conhece. Finalmente: uma laje desloca-se e aparece uma caixa. É preciso abri-la. Vários segundos decorrem, inexorávelmente, e a todo o instante podem aparecer guardas atraídos pelo barulho das campainhas de alarme. Eis, enfim, aberta a caixa. A arma e os apontamentos onde o pai resumira as conquistas científicas, estavam por fim à sua disposição. Nesse momento, os sentidos supersensíveis de Jommy Cross revelaram-lhe a proximidade de vários guardas. Um momento depois apontavam-lhe uma arma ordenando-lhe "Mãos ao ar!". Os guardas tinham ordem para matar os Slans onde quer que os encontrassem, mas Jommy sabia que nenhum ser humano podia competir com ele em rapidez de reflexos. E numa fracção de segundo, rápido como o relâmpago, apontou e disparou a pequena mas poderosíssima arma e os guardas desapareceram... volatilizaram-se.
Jommy tinha o caminho livre. Foi buscar a velha e apoderou-se de uma das astronaves dos Slans sem fibrilas. Julgava-se a salvo, mas quando se encontrava a estudar o quadro de instrumentos, foi de súbito atacado por um Slan sem fibrilas que se escondera a bordo da astronave. o perigo era mortal: durante horas a vida de Jommy esteve presa por um fio, mas esse frágil fio era também o suporte de toda a vida inteligente da Terra, porque Jommy era a única esperança que restava aosSlans, aos Humanos e aos Slans sem fibrilas, empenhados numa tríplice luta sem tréguas. Se a ciência do seu pai caísse em poder daqueles implacáveis Slans, que diferiam dos verdadeiros por não terem capacidades telepáticas, a raça humana seria destruída e com ela a raça dos Slans verdadeiros à qual Jommy Cross pertencia. Embora tivesse dominado a mulher Slan, continuava em perigo, porque uma esquadra de poderosas astronaves seguia em sua perseguição. Mas a superior inteligência de Cross indicava-lhe o caminho da salvação.
Decorrem anos. Cross empenha-se no seu sobre-humano trabalho de interpretar os dados científicos que recebera como herança.
No Palácio do Ditador do Mundo, Katleen está novamente ameaçada de morte. O fanático John Petty, que jurara matá-la, convence o Ditador a entregá-la à "protecção da sua polícia secreta. Katleen sabe bem o que a espera, e decide fugir para um dos antigos esconderijos dos Slan.
Seis anos tinham passado desde a fuga de Jommy Cross na Nave Slan. Era agora um Slan adulto, na posse de todas as faculdades das sua raça e dispondo do poder quase ilimitado que a aplicação integral da energia atómica lhe conferia. O seu carro, embora vulgar de aparência, era invulnerável em relação às armas que o Mundo conhecia. Só uma incógnita continuava a barrar-lhe o caminho: onde se esconderiam os Slans verdadeiros? Anos e anos de buscas incessantes e nem sequer conseguira encontrar um outro ser da sua raça! De súbito, porém, descobre que a polícia anda no encalço de uma rapariga Slan! Tem que a encontrar! Quem sabe se estará ali o elo de ligação? Jommy percorre velozmente as estradas silenciosas dos arredores da cidade, indiferente ao perigo, no seu carro inexpugnável, e de súbito sente no cérebro o inconfundível toque de uma outra comunicação telepática proveniente de outro Slan. Finalmente! Chegara o momento. Num convívio de breves horas, Katleen Layton e Jommy Cross já sentem, recíprocamente, um profundo amor. Mas a vingança implacável de John Petty não os poupa: Katleen é ferozmente abatida à sua vista.
Jommy Cross sentiu naquele momento que a sua vida só podia ter um objectivo: acabar com aquela terrível luta. A bordo da sua nave, arrisca-se a ir a Marte, onde os Slans sem fibrilas se estão a preparar para atacarem a Terra e destruir a Humanidade. Esperava lá encontrar os verdadeiros Slans, os da sua raça, escondidos entre os humanos. Mas as suas esperanças foram iludidas e Jommy está em perigo de ser descoberto... o que seria, sem dúvida, o fim. No entanto, Johana Hillory, a mulher que tentara matá-lo a bordo da nave Slan de que ele se apoderara, resolve ajudá-lo, já convencida de que era Jommy quem tinha razão e que aquela luta racial, em que três facções andavam empenhadas, não tinha qualquer sentido, porque afinal os Slans tinham resultado da evolução com os humanos. E Jommy regressa à Terra. Vai procurar decifrar o mistério no único sítio em que ainda não tinha penetrado: o Palácio do Ditador do Mundo. Atravessar a rede de fortificações que protegiam o Palácio foi a maior proeza de toda a vida de Jommy. Balas chovem à sua volta, como granizo. A entrada secreta está, porém, próxima e Jommy mergulha de um salto no escuro poço que o conduzirá ao subterrâneo secreto. De repente fica aprisionado entre duas paredes de aço. Sente-se a subir, lenta mas inexorávelmente. Caíra na teia da monstruosa aranha que dominava o mundo dos homens? As trevas que o rodeavam desfazem-se bruscamente e Pier Gray, o Ditador estava à sua frente... E, por inacreditável que parecesse, o mistério ia desvendar-se e a felicidade esperava-o, quando a julgara para sempre perdida!

nº 31 - Xadrez Cósmico


Autor: A. E. Van Vogt
Título original: The Worl of Null-A
1ª Edição: 1948
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: T. Araújo

Súmula - foi apresentada no livro nº 30 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

O não-aristotelismo era então não já uma filosofia, mas uma política. A Máquina escolhia, sem se enganar, aqueles que haviam de governar, no dia em que se realizavam os Grandes Jogos. Gilbert Grosseyn dirigiu-se também à cidade, para participar, como todos os cidadãos, no Jogo da Máquina. Mas não o pôde fazer; ele não era Gilbert Grosseyn, segundo o detector de mentiras afirmava. Nesse caso, quem era ele? Todas as suas recordações estavam certas e condiziam com a vida de um tal Gilbert Grosseyn que diziam não existir. Expulso de toda a parte, por suspeito, Gilbert viu-se envolvido na própria política da conquista do poder. Temido, sem saber porquê, foi perseguido e abatido ocmo um cão raivoso. Por que razão não morreu? Em vez disso, encontrou-se em Vénuns, possuidor do mesmo corpo que tivera, sem sinal do ataque sofrido. A luta desencadeou-se e Gilbert, sempre ignorando a verdade a seu respeito, nela teve de intervir pela própria contingência da sua ignorância. O poder do homem e o poder da máquina estavam em choque; Gilbert sabia-o. Mas por que fora ele o escolhido para intervir na luta, ele que nem sequer sabia o seu verdadeiro nome?
Segunda vez abatido, segunda vez se encontrou em Vénuns. Era a imortalidade, dádiva recebida de lugar ignoto, que nada lhe explicava, nem mesmo o facto de a possuir.
Mas os homens queriam recuperar o seu poder perdido, e um ditador apareceu mais uma vez. A Máquina, atarracada na sua própria infabilidade, distorceu a verdade, falseando as suas próprias ordens. Assim, o equilíbrio perfeito dado pela escolha infalível que da máquina surgia, foi alterado para uma situação instável onde Gilbert, sempre tentando conhecer a própria origem, era o peão de um jogo jogado para além do entendimento. Mas a sua curiosidade, a sua ânsia de conhecer a própria existência, iria ter a sua recompensa...
...e, quando tudo já parecia perdido, quando a própria Máquina pediu auxílio a um homem que tudo ignorava, Gilbert encontrou enfim, para logo o perder, o Jogador de Xadrez Cósmico, o possuidor do segredo da imortalidade e do segredo da própria existência de Grosseyn, aquele que, através da distância, conhecera os segredos do Universo e do Tempo...

nº 62 - Rumo ao Universo



Autor: A. E. Van Vogt
Título original: Destination: Universe!
1ª Edição: 1952
Publicado na Colecção Argonauta em 1961
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria


Súmula - foi apresentada no livro nº61 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Rumo ao Universo é o título do próximo volume da Colecção Argonauta. Trata-se dum brilhante conjunto de contos de ficção-científica, por um dos mais reputados e mundialmente conhecidos autores deste género: A. E. van Vogt.
Uma expedição terrestre dirige-se para a constelação de Centauro. Rumo ao Universo é, na verdade, o conto que inicia este novo volume. Como realizar, dentro do curto período de existência humana, uma expedição que, com os primeiros meios de transporte no espaço postos ao serviço do homem, foi calculada para durar 200 anos? 200 anos a bordo dum dos primeiros foguetões espaciais a percorrer o caminho para constelações e nebulosas distantes, em que três homens vivem o mais louco dos sonhos ou a mais espantosa das realidades, este é o tema. Que exige deles a viagem? E mais: que exige deles a adaptação a uma realidade que existe e simultâneamente não existe? Qual a aventura desses homens que viveram o tempo que se seguiu ao dia da sua morte, ao do desaparecimento na Terra de todos os vestígios da época em que a haviam abandonado e que regressam depois dessa viagem de ida e volta ao futuro, autêntica viagem no tempo em que este se prolonga centenas de anos dentro de ano e meio?
Os contos que se seguem, como é o caso de Aldeia Encantada, são extraordinárias antecipações, lúcidas, num estilo inigualável de ficção, da aventura no espaço exterior. A Aldeia Encantada no planeta Marte, onde apenas o ambiente guarda a memória duma raça desaparecida e aperfeiçoadíssima, é um dos mais notáveis contos que aqui se insere. Ele nos põe a pergunta: é possível adaptar o ambiente a diversas formas de vida, ou é aquele que as gera e as altera de acordo com as suas características?
Vénus, o planeta distante e quase totalmente desconhecido é o cenário do conto Uma Lata de Tinta, autêntico desafio dirigido ao habitante da Terra que a ele aborda.
Caro Correspondente, requinte de imaginação no conto escrito sobre a forma de correspondência trocada, O Som, Os Governantes, etc., são outros tantos contos cuja estrutura, ineditismo, espírito de antecipação e requinte de pormenor entusiasmarão os leitores de Rumo ao Universo, próximo volume da Colecção Argonauta.

Contos publicados na obra:
1 - Longínquo Centauro
2 - A Aldeia Encantada
3 - Defesa
4 - Caro Correspondente
5 - Uma Lata de Tinta
6 - Os Governantes
7 - O Som
8 - O Adormecido

nº 91 - A Guerra com o Rull



Autor: A. E. Van Vogt
Título original: The War Against The Rull
1ª Edição: 1959
Publicado na Colecção Argonauta em 1965
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Fernanda P. Rodrigues


Súmula - foi apresentada no livro nº90 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

A Guerra Contra o Rull, de A. E. Van Vogt, é um dos romances mais notáveis da ficção-científica moderna. A critica especializada tem salientado a audácia deste livro, cujo tema estranho e perturbante vem continuar um dos veios mais ricos deste novo género literário. Fiel ao seu propósito de dar guarida às obras de todas as tendências, proporcionando um panorama rico e variado do sector da FC, a Colecção Argonauta não podia deixar de incorporar o citado romance de Van Vogt, tanto mais que se trata de um autor que dispõe, no nosso país, de muitos leitores fiéis.
A Guerra Contra o Rull, contém um enigma que confere ao romance um interesse palpitante, desde a primeira à derradeira página: o que é o "Rull"? E, dessa interrogação, deriva imediatamente outra pergunta: como travar uma guerra contra esse inimigo misterioso, cuja táctica parece consistir sobretudo na capacidade indefinida de mutação, e na plasticidade com que se reforma e deforma, moldando-se a novos cambiantes.
Não será exagerado dizer-se que A Guerra Contra o Rull   se desenvolve por vezes num clima de pesadelo e suspensão, a que o leitor fica escravizado. A sua leitura, verdadeiramente empolgante, é por isso um grato prazer para todos os que apreciam as boas obras de FC. E, por esse motivo, A Guerra Contra o Rull, o melhor romance de A. E. Van Vogt, já traduzido em várias línguas, vai constituir um grande êxito junto dos leitores, cada dia mais numerosos, que honram com o seu interesse e preferência a Colecção Argonauta.

nº 114 - A Astronave Pirata



Autor: A.E. Van Vogt
Título original: Rogue Ship
1ª Edição: 1965
Publicado na Colecção Argonauta em 1966
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº113 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Mais uma vez, o nome de Van Vogt comparece na Colecção Argonauta com um romance sensacional, A Astronave Pirata. Viajando no espaço, por mais de uma geração, as ocorrências, que perturbam a sua vida interna vêm criar os mais espantosos e inesperados problemas. Por fim, o desfecho encontrado para a situação crítica em que a astronave se encontra, constitui uma solução originalíssima que a fantasia de Van Vogt concebeu.
A Astronave Pirata, que já se encontra traduzida em várias línguas com assinalado sucesso, é mais um título que a Colecção Argonauta se orgulha, com justas razões, de trazer ao contacto dos seus leitores fiéis. 

nº 127 - Colónia de Marte


Autor: A.E. Van Vogt
Título original: The House That Stood Still 
1ª Edição: 1950
Publicado na Colecção Argonauta em 1968
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº126 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

A.E. Van Vogt, um dos mais conhecidos e reputados escritores norte-americanos de Ficção-Científica, regressa à Colecção Argonauta com uma das suas obras mais curiosas e sugestivas.
Colónia de Marte, título que contém, como o leitor verá, uma certa dose de ironia, inscreve-se numa linha de continuidade que é uma constante da obra de Van Vogt, bem representada nesta colecção através dos seus romances mais marcantes: A Guerra Contra o Rull, A Astronave Pirata, Missão Interplanetária, Slan, Xadrez Cósmico e Rumo ao Universo.
Em Colónia de Marte, o poderoso talento de Van Vogt alcança um dos seus momentos mais elevados. A originalidade do enredo, a riqueza de imaginação, o vigor da narrativa, a concisão do diálogo, o inesperado das situações, tornam este romance uma leitura extremamente agradável e sugestiva. A coexistência destas qualidades explicam o assinalado sucesso deste romance de A.E. Van Vogt, best-seller da crítica norte-americana.
Colónia de Marte foi traduzido por Eurico da Fonseca, que à causa da Ficção-Científica tem dado em Portugal o melhor do seu labor, e que muito tem contribuído para o prestígio deste novo género literário. 
A Ficção-Científica, entre nós, vem a ganhar um número cada vez mais amplo de adeptos fervorosos. Os progressos constantes da Ciência e da Técnica, concretizados, dia-a-dia, em realizações espectaculares que ocupam, em cabeçalhos retumbantes, as primeiras páginas dos jornais, vêm comprovar eu muito do que se tem chamado "utopia" em Ficção-Científica vem a materializar-se, pouco depois, em realidade.
Entre os autores de Ficção-Científica de maior projecção, o nome de Van Vogt tem direito a um lugar destacado. E no conjunto da sua obra, salienta-se Colónia de Marte, que a Colecção Argonauta terá a honra de apresentar aos seus Leitores e Amigos no próximo mês.

nº 135 - A Última Fortaleza Terrestre



Autor: A.E Van Vogt
Título original: Earth's Last Fortress
1ª Edição: 1960
Publicado na Colecção Argonauta em 1968
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - foi apresentada no livro nº134 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O nome de A.E. Van Vogt é sobejamente conhecido dos leitores portugueses e brasileiros da Colecção Argonauta, que , por várias vezes, têm tido a oportunidade de contactar com a sua obra e com a imaginação prodigiosa de onde ela deriva.
Em A Última Fortaleza Terrestre, volta A.E. Van Vogt a oferecer-nos mais uma criação que justifica a notoriedade de que disfruta, em elevado número de países onde as suas obras se encontram traduzidas e largamente divulgadas.
A.E. Van Vogt consegue conciliar a imaginação transbordante com um vigoroso sentido de acção e de aventura. Ao mesmo tempo, imprime a todo o conjunto um dramatismo cuja intensidade envolve e mobiliza a atenção do leitor desde a primeira à última página.
É na perspectiva de uma conflagração (ou de um cataclismo?) que A.E. Van Vogt coloca a acção deste seu romance.
O derradeiro reduto defensivo, o derradeiro pólo de resistência quando todos os cartuchos já foram queimados, logrará subsistir? Quais são as forças de que se alimenta? Onde vão procurar-se e haurir-se as energias dos que enfrentam o embate de uma situação hostil e perigosa? Onde termina o heroísmo e começa a loucura?
Em A Última Fortaleza Terrestre, o autor soube criar um clima de emoção que, em todos os momentos, atinge a intensidade extrema sem perder, contudo, a característica possível de um símbolo ou de uma lição programática.
Por mais despegada que se encontre da realidade, esta obra de ficção - que os leitores e a crítica especializada transformaram em best-seller -, não deixa, todavia, de respeitar as fronteiras do verosímil. A Última Fortaleza Terrestre pode constituir, por isso mesmo, uma antevisão prospectiva da eventualidade real que a discutida pluralidade dos mundos e das civilizações já não recambia para os confins das utopias sem sentido. E, pelo mesmo motivo porque não constitui forçosamente um delírio imaginativo carecido de projecção real, A Última Fortaleza Terrestre pode ser também um apelo: um apelo à energia, um apelo à coragem, um apelo à persistência, que as circunstâncias futuras tornarão - quem sabe? -, à escala cósmica, uma realidade. 

Introdução:

A.E. Van Vogt, é um dos mais discutidos autores de ficção-científica. Talvez até o mais discutido. Para alguns, a sua obra é a "demência racionalizada". Para outros, ela é "exemplar". Existem assim os vogtianos e os antivogtianos. Só não existem os indiferentes.
Uns afirmam que o estilo de Van Vogt não é dos melhores, e isso, não podendo ser inteiramente negado, em particular quando aos seus primeiros trabalhos, explica-se pelo facto de a língua original do autor não ser a inglesa. Holandês naturalizado canadiano, a sua fixação nos Estado Unidos  a sua entrada na cena literária surgiram relativamente tarde. outra crítica frequente, mas também aplicável mais às primeiras obras que às recentes, é a de que a ciência - pelo menos a ciência actual - é frequentemente ignorada ou deformada, em proveito de uma imaginação esfuziante e multiforme, ao ponto de se tornar confusa e contraditória.
Outros - a maior parte - vêm exactamente nessa imaginação pasmosa - que no entanto está longe de ser pura fantasia - a característica mais interessante das obras de Van Vogt. E, de facto, bem se poderá dizer que nenhum outro autor é tão audaz, no desvendar do futuro da Humanidade e dos mistérios do espírito humano.
Quanto à aparente confusão dos seus temas, o próprio autor confessa: - "As minhas ideias primitivas para uma história são por vezes tão embrulhadas que parece incrível que a história final seja desenvolvida a partir de uma sombra de tão pouca substância". Mas o autor, também esclarece: "Desde que comecei a escrever ficção-científica, que tomei o hábito de colocar na história em que trabalho todas as ideias que me vêm ao espírito. Frequentemente, uma ideia parece não ter relação com o assunto, mas ruminando-a um pouco, encontro habitualmente uma maneira de a utilizar. Há escritores que aconselham a não se colocarem todas as ideias numa única história. Há que pô-las de lado - dizem eles - porque bem depressa nos pode surgir outra história em que elas talvez sejam mais úteis. Isto tem em si uma certa lógica, mas deixe-me dar um conselho em contrário: o funcionamento do cérebro não tem nada que ver com um processo negativo de colocação de ideias em reserva. Se dermos muita importância a uma só ideia, o cérebro concentrar-se-á sobre ela e deixará de construir ideias novas". 

Donde se conclui que Van Vogt é acima de tudo um escritor honesto, porque entrega aos seus escritos e logo ao seu público todas as ideias que ocorrem à sua imaginação maravilhosa e fecunda. Assim, se explica que, em Portugal como em todo o mundo, esse público o defenda e admire, como bem o prova a já larga representação das suas obras na Colecção Argonauta.

nº 153 - A Guerra dos Deuses



Autor: A.E. Van Vogt
Título original: Two Hundred Million A.D.
1ª Edição: 1964
Publicado na Colecção Argonauta em 1970
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº152 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

A.E. Van Vogt é um dos autores de ficção-científica mais lidos e admirados pelo leitor português. A sua obra, largamente divulgada em Portugal pela Colecção Argonauta, da Editorial "Livros do Brasil", tem-se imposto às mais largas camadas de público leitor, mercê de uma divulgação criteriosa e metódica, que faz de cada lançamento a base de um novo êxito.
A Guerra dos Deuses, é um dos romances em que mais se destaca o talento de Van Vogt e a sua poderosa imaginação. "Best-seller" internacional, ele não poderia deixar de figurar no elenco que a Colecção Argonauta vem seleccionando para os apreciadores de FC.
Eurico da Fonseca, especialista de reconhecida projecção, é, como de costume, o tradutor desta obra de A.E. Van Vogt, recheada de surpresas e de emoções.   

Introdução

A.E. Van Vogt é um dos mais extraordinários autores de ficção-científica. Extraordinário pela sua imaginação, pela versatilidade do seu estilo, umas vezes claro e simples, outras simbólico e enigmático, outras, ainda, brilhante - com um brilho e uma elegância que seria suficiente para o destacar, em qualquer outro género literário.
A Guerra dos Deuses - o célebre Book of Ptath - é um exemplo da luminosidade desse estilo e de uma imaginação que, sendo prodigiosa, não se afasta do razoável. Obra profundamente humana, ainda que situada num futuro longínquo e desumano, relembra na forma e no contexto as velhas lendas egípcias, hindus e aztecas, sugerindo uma pergunta profunda e talvez sem resposta: teriam os tempos nelas descritos sido o reflexo de civilizações superiores, perdidas na noite dos séculos, nas trevas em que a nossa um dia se perderá?
Obras do autor até agora publicadas na Colecção Argonauta: Slan (nº23), Xadrez Cósmico (nº31), Rumo ao Universo (nº62), A Guerra Contra o Rull (nº91), A Astronave Pirata (nº114), Colónia de Marte (nº127), e A Última Fortaleza Terrestre (nº135).

Nota: Segundo a pesquisa que efectuei, The Book of Ptath era o título original, quando a obra foi publicada na Unknown Worlds em 1947. A obra seria publicada novamente em 1976, com o título Ptath.

nº 156 - Os Super-Homens


Autor: A.E. Van Vogt
Título original: The Silkie
1ª Edição: 1969
Publicado na Colecção Argonauta em 1970
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº155 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

A.E. Van Vogt é um dos escritores norte-americanos de mais larga projecção em Portugal através da divulgação da sua obra na Colecção Argonauta da Editorial "Livros do Brasil",. Com Os Super-Homens, a mesma colecção vem oferecer ao público leitor português mais uma oportunidade excepcional de tomar conhecimento com um romance que, sobre ser um dos livros fundamentais deste autor notabilíssimo, é um dos clássicos da ficção-científica do nosso tempo.
Género difícil, em que a imaginação e o sentido da verosimilhança se conjugam, só os escritores de grande gabarito como A.E. Van Vogt logram alcançar a mais larga popularidade não só no seu país de origem, como noutras línguas em que se encontram editados

nº 177 - Os Filhos do Futuro 1



Autor: A.E. Van Vogt
Título original: Children of  Tomorrow
1ª Edição: 1970
Publicado na Colecção Argonauta em 1972
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - foi apresentada no livro nº176 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

A.E. Van Vogt tornou-se num dos mais célebres (e discutidos) autores de ficção-científica pela sua imaginação infinita, muitas vezes divorciada de tudo quanto os homens se habituaram a aceitar como sendo a realidade. Mas Van Vogt, antes do mais, é um talento multiforme, em evolução constante. O melhor testemunho dessa evolução, é exactamente Os Filhos do Futuro (Children of Tomorrow), que será a seguir incluída na Colecção Argonauta, dividida em dois volumes por razões de ordem técnica.
Os Filhos do Futuro não têm por campo de acção os mundos distantes e ignorados que existem para além das estrelas e do conhecimento humano. É uma obra que fala do mundo em que vivemos - mas de um situado num futuro não muito distante. Um futuro em que os filhos, constituindo "maltas" organizadas, são o elemento dominador, impondo a sua vontade aos pais "chatos" - no mais extremo conflito de gerações. Mas terá esse conflito uma origem natural e humana?
Eis a interrogação que Van Vogt lança nas páginas de Os Filhos do Futuro. Uma interrogação cuja resposta é a mais incrível que se pode imaginar. Mas que, paradoxalmente, é também a mais lógica.

Introdução:


A.E. Van Vogt é um dos mais conhecidos (e discutidos) autores de ficção-científica. As suas obras decorrem, de uma maneira geral, nos ambientes mais estranhos, entre seres de pesadelo criados por uma imaginação excepcional, num género literário em que a imaginação é, já de si, de norma. Mas em Os Filhos do Futuro, Van Vogt foi mais além. O seu talento, multiforme apesar de tudo, não se deteve por outros mundos. Preferiu dar-nos uma descrição da Terra, num futuro não muito longínquo - e com problemas que são já bem actuais. Acima de tudo o problema da juventude. Das relações entre pais e filhos.
É um livro profundamente humano, de um autor que se destinguiu paradoxalmetne pelas suas descrições de seres e de universos não humanos. E que, talvez por isso, descreve, como ninguém o fizera, outro universo. O que o Homem, adolescente e adulto, contém em si.

nº 178 - Os Filhos do Futuro 2



Autor: A.E. Van Vogt
Título original: Children of  Tomorrow
1ª Edição: 1970
Publicado na Colecção Argonauta em 1972
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - foi apresentada no livro nº177 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
Ao publicarmos Os Filhos do Futuro, de A.E. Van Vogt, apresentamos ao leitor português mais um aliciante livro da Colecção Argonauta, dividido em dois volumes - damos a seguir um pequeno excerto do segundo:
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Lá fora.
Num instante... o Observador Invisível estava a "fluturar" a 60 metros acima do grande carro. Podia ver uma boa porção do Espaçoporto. Em todas as direcções, longas linhas de ruas iluminadas afastavam-se num brilho que se confundia muito ao longe. Na cidade do espaço não havia edifícios altos, de modo que a aparência era a de uma povoação pacífica, onde nada de imprevisto podia acontecer.
No segundo seguinte... toda a cena se tornou confusa. Depois, a cidade inteira, com os seus quilómetros e quilómetros quadrados de luzes, começou a rodopiar como se fosse vista de uma roda que não girasse como também caísse.
Num veículo blindado, em baixo, a primeira indicação fora o movimento de um ponteiro no painel em frente do primeiro assistente. O homem agarrou nos comandos dos mostradores e quando se voltou para o físico-chefe disse, numa voz inquieta:
- Senhor, creio que deparámos com um campo de energia extremamente poderoso.
- Apanhe-o!
O jovem engoliu em seco e disse:
- Consegui que os magnetes da Unidade A o segurassem. Será melhor pôr em marcha outro motor e passar ao comando principal.
O físico abriu os olhos brilhantes. A sua mão subiu e, com um movimento forte mas seguro, moveu uma alavanca. Todo o veículo estremeceu quando o segundo motor começou a funcionar. 
- Olhem! - gritou o mesmo ajudante que falaara antes - O visor!
A superfície azulada e assetinada era uma massa de configurações coruscantes. O físico-chefe inclinou-se para a frente e os seus olhos mostraram-se especulativos, vivos, com respostas. Por fim, todo o seu rosto tomou uma expressão compreensiva. O seu olhar corria de um mostrador para outro, e ainda para outros dos mostradores. 
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nº 225 - Em Busca do Futuro



Autor: A.E. Van Vogt
Título original: Quest for the Future
1ª Edição: 1970
Publicado na Colecção Argonauta em 1976
Capa: Manuel Dias

Tradução: Eurico da Fonseca 


Súmula - Foi apresentada no livro nº224 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Eram filmes simples, educativos. Tratavam dos alimentos, de motores diesel, de aviários, de tratamento de árvores de fruto e de outras coisas úteis e vulgares. Pelo menos, os nomes indicados nas caixas assim o diziam. E a verdade é que milhares de pessoas tinham visto filmes e não tinham encontrado neles outra coisa, se não o que os títulos diziam. Até que alguém reclamou, porque vira "uma coisa sem pés nem cabeça". Uma reclamação muito estranha, que exigia uma investigação.
E o filme que não tinha pés nem cabeça foi projectatdo, para se averiguar de como e porquê poderia ter desagradado a alguém. Era um filme simples, educativo. Tratava da "Magia dos Alimentos". No nome, mas não de facto. O facto era que ele mostrava sons e imagens que não tinham nada que ver com o mundo presenet. E o mesmo acontecia com outro filme: em vez de motores diesel, falava-se nele de propulsores espaciais, anti-gravitacionais. E ainda o mesmo com outro filme - com todos os filmes.
Uma brincadeira de mau gosto? Por certo que não. Quem dispenderia tanto dinheiro, tanto trabalho, para se rir à custa de quem. Os filmes simples, educativos, do presente, tinham sido substituídos por filmes do futuro. Como e porquê?
Eis o tema apaixonante de  EM BUSCA DO FUTURO, obra de Van Vogt - um dos autores da ficção-científica mais conhecidos do nosso público, e também um dos que mais tem figurado na Colecção Argonauta. 

Prólogo:

O tempo é a grande constante, mas a constância não é uma relação simples. O tempo está onde estamos. Nunca é o mesmo em toda a parte. A luz de uma estrela penetra a atmosfera. Traz consigo uma imagem vinda de sete mil anos no passado. Um electrão descreve uma trajectória de lux através de uma câmara de nuvens. Traz consigo uma imagem de cinquenta, cem ou mais anos no futuro. As estrelas, o mundo do finitamente grande, estão sempre no passado. O mundo do imenso, mas sempre finitamente pequeno, está sempre no futuro. 
Esse é o rigor do universo. Esse é o segredo do tempo. 

Nota: começa com este livro a 3ª série de capas da Colecção Argonauta, a das capas prateadas.

nº 229 - A Batalha da Eternidade



Autor: A.E. Van Vogt
Título original: The Battle of Forever
1ª Edição: 1971
Publicado na Colecção Argonauta em 1976
Capa: Manuel Dias

Tradução: Eurico da Fonseca


Súmula - Foi apresentada no livro nº228 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O volume nº229 da Colecção Argonauta é constituído, mais uma vez, por uma obra de A.E. (Alfred Elton) Van Vogt - um dos grandes mestres da ficção-científica e um dos autores com maior audiência junto do nosso público. Trata-se de A Batalha da Eternidade - (The Battle of Forever), e será interessante citar o que dela disse Jacques Sadoul, na sua Histoire da La Science-Fiction Moderne:
Em 1971, tivemos a surpresa de encontrar de novo Alfred E. Van Vogt na primeira fila dos romancistas desse ano. Durante o Simpósio Internacional de Ficção Científica que se realizou em Março de 1969, no Rio de Janeiro, e no qual eu representava a S.F. francesa, Van Vogt confidenciou-me que tinha recuperado inteiramente a faculdade de escrever, faculdade que o abandonara durante quinze anos. Efectivamente, entre os princípios de 1970 e o fim de 1973, apareceram seis novos romances de Van Vogt, e só um, Quest for the Future - (Em Busca do Futuro, nº235 desta Colecção), utilizou um tema anteriormente publicado. Em 1971 publicou The Battle of Forever, que é muito bom. A acção desenvolve-se num futuro longínquo, em que os homens abandonaram todas as actividades e reduziram o seu número a mil, para viverem numa cidade fechada. Os seus corpos estão atrofiados, as cabeças aumentaram de tamanho, e eles existem únicamente no universo do pensamento e da abstracção. Na Terra, são os animais que representam a civilização. Os animais, dos quais os homens modificaram os genes de modo a dotá-los de palavra, de mãos preênseis e de postura vertical. Os homens decidem então tentar uma experiência, enviando um deles, dotado de um corpo de forma normal, para o exterior da sua cidadela, a fim de saberem com evoluem as coisas. É Modyun quem aceita realizar a experiência, e encontra-se assim no mundo estranho dos homens-animais. Estes julgam-no uma variedade de macaco, desconhecida, e aceitam-no sem dificuldades. Não acontece o mesmo com os computadores que regem toda a vida e o identificam imediatamente como um ser não classificado. O seu caso é assinalado e Modyun não tarda a ver-se em confrontação com um dos senhores do planeta. Sabe, com profunda estupefacção, que a Terra foi conquistada por extraterrestres, sem derramamento da menor gota de sangue, porque os homens se tinham retirado para o seu isolamento. Com a ajuda de quatro homens-animais, Modyun resolver tentar expulsar os invasores extraterrestres e fazer regressar os homens ao seu estado anterior. 
Para Van Vogt, este romance é o do homem não violento por excelência, que, vendo a violência exercer-se à sua volta, estima ter o direito moral de fazer por sua vez uso dela, para que o bem triunfe. 

nº 234 - O Homem dos Mil Nomes



Autor: A.E. Van Vogt
Título original: The Man With a Thousand Names
1ª Edição: 1974
Publicado na Colecção Argonauta em 1977
Capa: Manuel Dias
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - Foi apresentada no livro nº233 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
Steven Masters participara na primeira expedição a Mittend e, por isso, era a única pessoa na Terra que tinha alguma experiência desse estranho lugar. Mas tudo quanto ele sabia era que regressara à Terra a uma velocidade maior do que a luz - e como outro homem.
A única maneira de voltar a ser ele próprio seria a de voltar a Mittend e ali libertar a sua verdadeira personalidade da confusa situação em que se enredara. Mas Steven era "o homem dos mil nomes". Uma designação que A.E. Van Vogt - um dos autores mais conhecidos no campo da ficção-científica e um dos mais representados na Colecção Argonauta - explica na obra do mesmo nome, que constituirá o próximo volume desta Colecção.

nº 247 - Super-Cérebro



Autor: A.E. Van Vogt
Título original: Supermind
1ª Edição: 1974
Publicado na Colecção Argonauta em 1978
Capa: Manuel Dias
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - Foi apresentada no livro nº246 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O homem sentia-se negramente indeciso, enquanto caminhava da sala de comando da nave para o beliche onde a mulher estava deitada, tão hirta e tão imóvel. Debruçou-se sobre ela e disse-lhe, na sua voz profunda:
- Estamos a reduzir velocidade, Merla.
Nenhuma resposta, nenhum movimento, nem um tremor nas faces delicadas e anormalmente brancas. As narinas finas dela dilatavam-se apenas ligeiramente cada vez que respirava, comedidamente. Era tudo.
O Dreegh levantou-lhe o braço e depois deixou-o cair. O braço caíu ao longo do corpo dela como um pedaço de madeira inerte e o corpo dela manteve-se rígido e não-natural. Cuidadosamente, ele levou os dedos a um olho, levantou a pálpebra, espreitou e viu um olho turvado, de um azul cego. Endireitou-se. Ficou ali, no silêncio da nave veloz, tornado na personificação do cálculo amargo e gelado. Pensou tristemente:
Se a faço voltar à vida, ela terá mais tempo e mais força para me atacar. Se eu aguardar, ficará mais fraca. 
Lentamente, acalmou-se. Uma parte da fadiga daqueles anos, que ele e aquela mulher tinham passado juntos na vastidão negra do espaço, surgiu a despedaçar a sua lógica anormal. Sentiu-se tocado por uma simpatia sombria, e tomou uma decisão. Preparou uma injecção e deu-lha. Os seus olhos cinzentos, tinham um brilho de aço quando colocou os lábios perto do ouvido da mulher. Numa voz ressoante disse: - Estamos perto de ums sistema estelar. Teremos sangue, Merla! E vida!

Vampiros interferem nesta acção, acção que se pode centrar em torno da história dum homem que adquire um quociente de inteligência para além de todos os limites. 
Mas a história pode resumir-se duma maneira muito mais "prosaica", que é a maneira como tudo começam, afinal, todas as grandes histórias:
Um astronauta regressa à Terra, depois do mais longo voo de todos os tempos, e descobre que a civilização que conhecia já não existe, destruída que foi pela sua própria ambição.

Nota: as últimas duas frases do texto do editor, sublinhadas, penso que terão sido incluídas na súmula por lapso editorial e se destinariam em vez disso ao volume seguinte, nº 248, intitulado Apocalipse 2000. 

nº 253 - O Colosso Anarquista



Autor: A.E. Van Vogt
Título original: The Anarchistic Colossus
1ª Edição: 1977
Publicado na Colecção Argonauta em 1978
Capa: Manuel Dias -
(terminam neste número as capas concebidas por Manuel Dias)
Tradução: Eurico da Fonseca
 

Súmula - Foi apresentada no livro nº252 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O Colosso Anarquista - (The Anarchistic Colossus) é a última obra de A.E. Van Vogt e é também uma das mais interessantes desse autor, tão estimado pelos amadores da ficção-científica no nosso país. Eis o que o próprio A.E. Van Vogt disse da sua novela:

Nesta novela, eu parti do princípio de que a natureza básica do macho humano (em particular), tal como tem sido observado deste tempos antigos, não se vai alterar para melhor nos próximos tempos. Sendo assim, a minha pergunta não foi: que perfeição podemos antecipar para os seres humanos no futuro? - Foi: que espécie de tecnologia seria necesssária para manter um sistema de anarquismo entre todas as criaturas humanas que se comportam mal, à nossa volta?
Nenhum governo. Nenhuma polícia. Ninguém a cuidar da loja. A operação teria de ser, toda ela, automática.
Dirão que sem dúvida a ficção-científica, que tende demasiadas vezes a criar os seus próprios factos para apoiar a realidade das premissas de uma história, foi finalmente demasiado longe. Dirão que só a apresentação de uma tal questão, resulta ridícula. Os seres humanos são incorrigíveis na sua infinitamente perigosa loucura.
Concordo. É exactamente o que eu disse. Mas como podeeremos criar uma sociedade anarquista apesar dessa loucura?
Bem...
Ao escrever isto, tenho perante mim a cópia de uma patente concedida há alguns anos a uma importante empresa construtora de aviões da costa ocidental dos EUA. Segundo ela, a técnica fotográfica kirliana é combinada com um sistema de relé. Então, ocorre o seguinte: a máquina fotográfica foca: a pessoa fotografada - um actor - finge estar possuído de cólera. A sua representação da emoção, real como é, altera o padrão kirliano. Isso acciona um relé. Do outro lado do edifício, noutro compartimento, um segundo relé liga (ou desliga) uma grande máquina.
Dois pensamentos devem ser expressos à parte. Primeiro: acontece demasiadas vezes que os autores de ficção-científica do nosso tempo, ao predizerem o futuro, surjam com alguma coisa que tenha sido inventada dez anos antes. Teremos também aqui um pouco disso. Segundo: recentemente , li que um grupo de cientistas americanos provara que o efeito kirliano não podia ser conseguido sem o auxílio de humidade, e portanto não era o que se disse. Aepnas posso olhar para a minha cópia de patente já descrita - e abanar a cabeças perante o desmentido deles.
A patente diz que uma máquina pode ser comandada por uma emoção humana, captada por uma máquina fotográfica ou uma câmara de televisão. Creio nisso, para os fins da história. Tenho o direito de deduzir que se uma emoção - a cólera - pode ser usada para um certo fim, então um espectro de outras emoções pode, por meio de microprocessadores - pequenos computadores  determinar um grande número de acções coordenadas.
Podemos portanto visualizar uma unidade completa com o seu microcomputador e os seus sensores kirlianos, mais um sistema de punição laser (que no fim constitui o próprio sistema de defesa da unidade). Imaginem isso, multiplicado por um ou mais milhares de milhões de unidades, todas auto-suficientes mas interligadas e, evidentemente, espalhadas pelo planeta. A minha história começa quando essa é a situação existente na Terra...
...Os invasores alienígenas olharam para essa sociedade ideal. E decidiram que o homem, anarquista como é, não poderia defender o seu planeta.

Introdução:

A introdução da obra, é o texto integral que é apresentado na súmula.

nº 285 - A Última Revolta na Terra



Autor: A.E.Van Vogt
Título original: Renaissance
1ª Edição: 1979
Publicado na Colecção Argonauta em 1981
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº284 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
De A.E.Van Vogt nada é necessário dizer - excepto que mais uma vez estará representado na Colecção Argonauta, agora com A Última Revolta na Terra, versão portuguesa de Renaissance, uma das suas últimas obras. 
Suponha-se um mundo do futuro - um mundo dominado pelas mulheres e em que os homens usam obrigatoriamente óculos que os tornam passivos e submissos.
Um dia, o Dr. Peter Grayson descobre acidentalmente uma maneira de se libertar desse domínio: uma fenda praticamente invisível, nos vidros rosados dos seus óculos, que o torna, de súbito, viril e poderoso. As mulheres desejam-no - porque está vivo!
Mas a fenda terá surgido de facto por um simples acidente? Sem que Grayson o saiba, a sua libertação está a ser vigiada por uma organização revolucionária que pretende servir-se dos seus poderes para expulsar os dominadores do mundo. Dominadores esses que não são mulheres - nem humanos!
Eis um pequeno extracto do início desta empolgante obra:
O físico Grayson ouviu o ruído peculiar - dois estalidos em sucessão rápida.
Ping... Ping - qualquer coisa como isso.
Um ruído muito débil...
Mas o que se seguiu foi instantâneo e inconfundível. As letras que ele estava a ler tornaram-se indistintas.
Grayson abanou a cabeça, impaciente, e aproximou o contrato dos óculos. Pontos dançaram por toda a página. Suspirou, recostou-se e fechou os olhos. Quando os abriu de novo, viu o problema.
Em ambas as lentes dos seus óculos havia uma fenda horizontal através do "vidro" transparente, exactamente ao nível das pupilas. 
Ficou um tanto ou quanto estupefacto. Que estranha coincidência. Ambas as lentes se tinham quebrado com meio segundo de intervalo - lembrava-se agora dos estalidos e esse devia ter sido o momento. Sendo uma pessoa com uma orientação estatística, pensou por um momento muito breve na probabilidade de uma quebra simultânea como aquela. Os números que surgiram no seu espírito eram tão astronómicos, e, de resto, impossíveis, que ele desistiu.
Silenciosamente, retirou os óculos inúteis e colocou-os sobre a secretária. A seguir, como que num nevoeiro, rebuscou numa das gavetas e encontrou um rolo de fita transparente - naturalmente, uma do tipo perfeito produzido pelos Haskett Laboratories para aplicações específicas. Não lhe ocorrera anteriormente utilizar a fita para reparar os óculos, e obviamente só a usaria naquela aplicação imprevista até obter uns óculos novos através do seu oftalmologista.
Como se prometia em letras miudinhas no suporte do rolo, a reparação exigia apenas alguns instantes. Depois, voltou a colocar a fita na secretária e os óculos no nariz - quando a porta se abriu e Miss Haskett entrou.
Era a sua entrada habitual, cheia de vitalidade. Sorriu-se e perguntou:
- Pode dispôr de um momento, Dr. Grayson? - O seu reportório de vitalidade esgotou-se. Deixou-se afundar numa cadeira. E aguardou a resposta com um ar fúnebre à sua volta.
Grayson observou a proprietária dos Haskett Laboratories por detrás dos óculos. Quando o fez, um espantoso pensamento passou através do seu espírito. Ocorreu-lhe que devia sentir-se culpado quanto a Miss Haskett. A vida solitária que ela levava gritava sem palavras por amor e afeição. E quem mais poderia responder a esse grito que o homem que ela confirmara como cientista-chefe quando herdara o negócio da sua falecida tia? As relações deles eram de gabinete, de resto. Mas tinham acompanhado toda a vida adulta dela.
Grayson pigarreou, subitamente inquieto perante os pensamentos que lhe estavam a ocorrer. Na verdade, ficara tão absorto por aquilo que acontecera que nem sequer notou a incongruência do que fez a seguir.
Disse: 
- Olá, Miss Haskett.
O que ele não notou foi a arrogância do seu tom. Como se ele fosse o patrão e ela a empregada. E por certo que ela não estava a pensar ou estava mentalmente bem longe dali. Porque perguntou num tom distraído:
- Que deseja, Doutor?
- Qual é o nome do oftalmologista que usamos para o pessoal masculino?
- Burr. Dr. Aaron Burr.
Grayson moveu a cabeça num gesto de concordância. Lembrava-se agora. A sua impressão de que fora um nome fácil de recordar fora correcta. No entanto, esquecer-se-ia dele novamente.
Deu conta de que o seu pensamento voltara a Miss Haskett. Perguntou-lhe:
- Que faz nos seus tempos livres?
- Oh... Várias coisas. - Subitamente pareceu mais alertada.
- Lê?
- Por vezes.
- Vai ao cinema?