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nº 161 - O Construtor de Universos



Autor: Philip José Farmer
Título original: The Maker of Universes 
1ª Edição: 1965
Publicado na Colecção Argonauta em 1970
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº160 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O Construtor de Universos é uma das mais extraordinárias obras de FC publicadas nesta Colecção. 
Philip Jose Farmer, o seu autor, que pela primeira vez aparece na Colecção Argonauta, patenteia nesta sua criação literária o seu elevado poder de imaginação, dando ao leitor uma história plena de interesse, que o prende da primeira à última página.
O vivo desenrolar da acção neste livro envolvente, faz de O Construtor de Universos um dos romances mais aliciantes da literatura de ficção-científica. 

nº 263 - Mundo Sem Morte



Autor: Philip José Farmer
Título original: To Your Scattered Bodies Go
1ª Edição: 1971
Publicado na Colecção Argonauta em 1979
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº262 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Que Philip José Farmer é um dos maiores autores de ficção científica do nosso tempo, todos o sabem. Mas importa dizer que a série do "Mundo do Rio" - (Riverworld), é a mais importante da sua obra.
Corpos nús, sem cabelos, jovens, à deriva no infinito. Um vivo, sabendo que devia estar morto. Mas para Richard Francis Burton, aventureiro e mulherengo, aquela impossível aventura das suas próprias Mil e Uma Noites, não é um sintoma de loucura, mas um fenómeno novo que importa explorar.
O Mundo do Rio, no entanto, é difícil de suportar, mesmo para o espírito flexível de Burton. Entre as margens dos rios e nas montanhas que os rodeiam, estão reunidos corpos - e possivelmente as almas - de todos os mortos da Terra, desde os tempos de Neanderthal até datas muito longe no futuro de Burton. Há mesmo alguns brincalhões no grupo, como Monat e Grrauttut, um alienígena de Tau Ceti. Mas se aquilo é a vida depois da morte, não é o Céu. Os habitantes acabados de despertar são tão capazes de violar, pilhar e mesmo matar como na sua existência anterior. E muitos morrem e tornam a morrer para depois ressuscitarem como Lázaro das suas sucessivas mortes. Há qualquer coisa infinitamente artificial naquele curioso Limbo, desde a ausência de vida animal até ao contínuo fornecimento de comida, bebida, roupas e drogas. Em qualquer parte, Alguém, para fins inescrutáveis, está a realizar uma complexa experiência. 

É este o tema geral da série Riverworld. É este o tema da primeira obra dessa série, To Your Scattered Bodies Go, que na nossa língua terá o título de MUNDO SEM MORTE.

Nota: o início de uma das sagas mais interessantes da Ficção Científica, conhecida como O Mundo do Rio. Toda ela foi publicada na Colecção Argonauta. Este livro, que reli imensas vezes e juntamente com o seguinte, constituem para mim também uma muito grata memória. Este foi-me oferecido pela minha Avó.

nº 268 - Viagem para Além da Morte





Autor: Philip José Farmer
Título original: The Fabulous Riverboat
1ª Edição: 1971
Publicado na Colecção Argonauta em 1979
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº267 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Poucas séries de ficção-científica têm obtido um êxito tão grande como a de Riverworld, de Philip José Farmer.
Figuras das mais célebres, desde Sir Richard Francis Burton, o autor de As Mil e Uma Noites, a Herman Goering, dominam esse novo mundo em que ninguém morre - porque mesmo o que por crime ou acidente morrem nele, depressam voltam à vida. Tratar-se-á de um milagre, obra de deuses desconhecidos, ou de um simples prodígio de uma tecnologia extremamente avançada, num época futura? Qual o objectivo da criação desse mundo sem morte, onde raças e culturas e ápocas se misturam? Tudo será obra do acaso - ou há em tal mistura um propósito?
As respostas não se poderiam conter num só volume, numa só novela. A segunda parte de Riverworld - que que Farmer deu o título de The Fabulous Riverboat, entre nós substituído pelo  de Viagem para Além da Morte - descreve as aventuras de Sam Clemens - isto é: de Mark Twain - no Grande Rio, a bordo de um barco que lembra os do Mississípi, mas que contém curiosas inovações, numa estranha mistura de avanço técnico e primitivismo. Viagem para Além da Morte não é apenas uma obra forte, literariamente perfeita segundo as melhores tradições de Farmer, mas também um prodígio de movimento e engenho.

Introdução:

Viagem para Além da Morte (The Fabulous Riverboat) é o segundo volume da série de Philip José Farmer iniciada com Mundo sem Morte (To Your Scattered Bodies Go), publicado na Colecção Argonauta com o nº 263 e considerada como uma das mais importantes obras de ficção-científica de todos os tempos, laureada com o prémio Hugo.
Um dia, todos os mortos da Terra despertam para uma nova vida num novo mundo - o Mundo do Rio - assim chamado porque a sua superfície é rasgada por um rio aparentemente sem fim, em cujas margens a humanidade ressuscitada se vê sujeita a uma vida primitiva e brutal, bem distante daquela que as religiões diziam existir para além da morte.
Mas teria sido sobrenatural essa ressurreição Ou tratar-se-ia simplesmente obra da super-ciência de super-criaturas desconhecidas? Qual o seu objectivo?
Eis as perguntas a que algumas das figuras mais conhecidas da História dos povos, das artes, das letras, das ciências, se dispõem a encontrar resposta. De Sir Richard Burton, o autor de As Mil e Uma Noites, até Herman Goering, de Sam Clemens (Mark Twain) até Cyrano de Bergerac, passando por João-Sem-Terra e por Odysseus, por sub-homens de há um milhão de anos e por homens do futuro, todos se juntam para descobrir o tremento mistério do Mundo do Rio. Um tema ambicioso, em cujo tratamento qualquer outro autor poderia falhar, mas que Philip José Farmer soube tratar de modo a tornar toda a série numa das mais belas obras do género. 

nº 272 - Desígnio Negro 1



Autor: Philip José Farmer
Título original: The Dark Design
1ª Edição: 1977
Publicado na Colecção Argonauta em 1980
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº271 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Desígnio Negro (The Dark Design) constitui a terceira obra da célebre série Mundo do Rio (Riverworld) de Philip José Farmer. Na primeira desta série, Mundo Sem Morte (To Your Scattered Bodies Go), o autor apresenta-nos Richard Francis Burton, aventureiro e mulherengo, que inicia a exploração num mundo em que se encontram reunidos os corpos - e possivelmente as almas - de todos os mortos da Terra. Se aquilo é a vida depois da morte, não é o Céu, pois que todos se comportam em conformidade com a sua vida anterior e, quando de novo morrem, tornam a ressuscitar, numa constante sequência do mesmo comportamento. Na segunda obra, Viagem Para Além da Morte (The Fabulous Riverboat), surgem - além de Burton, Herman Goering, Sam Clemens (celebrizado com o pseudónimo de Mark Twain) e outras figuras de renome histórico e literário, subindo o Grande Rio, num barco semelhante aos que singravam, outrora, no Mississipi, mas com curiosas inovações técnicas.
Ainda que estas duas obras tenham sido justamente consideradas como das mais importantes até hoje surgidas no domínio da ficção-científica, Desígnio Negro consegue excedê-las na sua concepção dramática e no estilo. Philip José Farmer agiganta-se nela, alcançando o nível dos grandes mestres, não apenas no seu género, mas quanto aos clássicos.
Em Viagem Para Além da Morte, atrás citada, Sam Clemens fora traído: o seu "Fabuloso Barco do Rio", construído à custa de mil sacrifícios num mundo sem metais e sem tecnologia, fora-lhe roubado e iniciara a sua viagem até à misteriosa origem do Rio, sem o levar a bordo. Em Desígnio Negro assiste-se à sua vingança: a construção de um novo barco e, num passo gigantesco, a de grandes dirigíveis, capazes de voar sobre as altas montanhas do Mundo do Rio e de eliminar as barreiras artificiais, construídas pelos misteriosos criadores desse mundo para dividir a Humanidade ressuscitada e realizar o seu Desígnio Negro
Por razões técnicas, Desígnio Negro será dividido em duas partes, que serão publicadas sucessivamente.

Prefácio

Este livro é o volume III da série Mundo do Rio (Mundo Sem Morte, nº 263 da Colecção Argonauta e Viagem Para Além da Morte, nº 268. A presente obra será dividida em dois volumes, dada a sua extensão). Originalmente devia ser a conclusão de uma trilogia. No entanto o manuscrito tinha mais de 600 000 palavras. Publicado sob uma só capa, seria demasiado pesado e incómodo para o leitor.
Portanto, o editor e eu resolvemos cortá-lo em dois. O volume IV - The Magic Labyrinth, seguir-se-á a este livro (a última das partes aguarda publicação na Colecção Argonauta). Concluirá definitivamente esta fase da série, explicando todos os mistérios aflorados nos primeiros três volumes e juntando todas as pontas num nó. Górdio ou qualquer outro.
Quaisquer novelas sobre o Mundo do Rio depois do volume IV, não devem ser consideradas como fazendo parte do fluxo principal da série. Serão "marginais", histórias não directamente ligadas aos mistérios e anseios das primeiras três. A minha decisão de as escrever baseia-se na minha crença - e de muitas outras pessoas - de que a ideia do Mundo do Rio é demasiado grande para ser comprimida em quatro volumes. No fim de tudo temos um planeta em que um único rio, ou um mar muito longo e estreito, se estende por 16 090 000 quilómetros. Mais de 36 000 milhões de pessoas vivem nas suas margens, seres humanos que existiram desde a Alta Idade da Pedra até ao princípio da Era Electrónica. 
Não há espaço nos quatro primeiros volumes para fazer a crónica de muitos acontecimentos que podem interessar o leitor. Por exemplo: os ressuscitados não foram distribuídos ao longo do Rio segundo a ordem cronológica pela qual nasceram na Terra. Houve uma considerável mistura de raças e nacionalidades de diferentes séculos. Tomem como exemplo um dos milhares de blocos ao longo das margens. Pode situar-se numa área com dez quilómetros de comprimento, compreendendo a sua população de 60 por cento de chineses do 3º século da era de Cristo, 39 por cento de russos do século XVII e um por cento de homens e mulheres de qualquer parte e qualquer época.
Como poderá essa gente formar um estado viável a partir da anarquia? Como poderá ela obter êxito ou falhar nos seus esforços para se entender entre si e para formar um corpo que se possa defender contra estados hostis? Que problemas enfrentará?
Neste livro, Jack London, Tom Mix, Nur ed-din el-Musafir e Peter Jairus Frigate partirão no Razzle Dazzle II, pel'O Rio acima. As personalidades de Frigate e Nur são descritas pormenorizadamente nos volumes III e IV. No entanto não houve espaço bastante para desenvolver por completo as dos outros. Disso se encarregarão as histórias "marginais". 
Elas relatarão como os tripulantes do Razzle Dazzle encontraram alguns maiores e menores representantes de vários campos da aventura humana. Incluindo Leonardo da Vinci, Rousseau, Karl Marx, Ramsés II, Nietzsche, Bakunine, Alcibíades, Eddy, Ben Johnson, Li Po, Nichiren Daishonin, Asoka, uma mulher das cavernas da Idade do Gelo, Joana d' Arc, Gilgamesh, Edwin Booth, Fausto, e outros.
Tornou-se aparente a alguns que Peter Jairus Frigate lembra fortemente o autor. É verdade que eu sou a base dessa personagem, mas Frigate tem comigo aproximadamente a mesma semelhança que a de David Copperfield tem com Charles Dickens. Os caracteres físicos e psíquicos do autor são apenas uma prancha de saltos destinada a lançar a realidade na para-realidade que é a ficção.
Peço desculpa pelos finais suspensos dos primeiros três volumes. A estrutura da série é tal que não me foi possível igualar a da série "Fundação" de Asimov. Nessa, cada volume parecia ter uma conclusão definida, o mistério parecia resolvido, enquanto a sequela revelava que o final anterior era falso ou enganador.
Espero terminar a série, do volume I até ao V (ou talvez ao VI), antes que chegue o meu tempo de me estender e repousar enquanto aguardo a vez de entrar no fabuloso barco do Rio.  

PHILIP JOSÉ FARMER 

nº 273 - Desígnio Negro 2


Autor: Philip José Farmer
Título original: The Dark Design
1ª Edição: 1977
Publicado na Colecção Argonauta em 1980
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº272 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Por razões técnicas, Desígnio Negro (The Dark Design), da célebre série Riverworld de Philip José Farmer, foi dividida em dois volumes.
Há que dizer que o segundo volume é muito diferente do primeiro. A tensão que se acumula nas páginas deste, conduz a uma acção realmente explosiva, raras vezes vista na própria ficção-científica.  

Clemens esquecera-se que as bombas do dirigível ainda não tinham sido largadas.
O segundo avião, um anfíbio de dois lugares, passou como uma bala por baixo dele. O piloto olhou para ele, frustrado. Estavam demasiado perto um do outro e ele seguia demasiado depressa para poder virar para a direita e disparar as metralhadoras da proa. Mas o atirador no posto atrás do piloto estava a virar as duas metralhadoras. Uma bala em cada dez seria tracejante, coberta de fósforo. Bastava uma, numa célula de gás, para incendiar o hidrogénio. O "Minerva" estava apenas a 150 metros do "Mark Twain" e aproximava-se cada vez mais. Os seus motores giravam à máxima velocidade. Além disso, com um vento de popa de 16 kms/h, isso significava que o barco não tinha possibilidades de escapar.
Se ele pudesse lançar as bombas antes de as balas tracejantes o apanharem... talvez o atirador falhasse. Quando acabasse de virar as metralhadoras já o avião estaria longe do dirigível.
O flanco do barco surgiu perante ele, cada vez maior. Mesmo que o dirigível não fosse atingido pelas tracejantes, estava tão perto do barco que um e outro iriam pelo ar. 
Estimando o tempo da passagem do "Minerva" sobre o barco, armou o mecanismo de lançamento das bombas com um movimento do pulso. Depois saltou do assento e mergulhou pela porta aberta. Não tinha tempo para pôr um pára-quedas. Além disso, estava demasiado perto da água para que ele se abrisse a tempo. Quando caiu, foi apanhado por uma onde de ar que parecia soprada por uma tremenda ventoinha. Trambulhou, perdeu a consciência, incapaz de pensar mesmo por um momento em como perdera o seu lugar de imediato, perante João-Sem-Terra. Ou os seus planos para se ver livre de João e assumir a capitania do "Rex Grandissimus"

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Extracto do Diário de Bordo de Peter Frigate, no Mundo do Rio:

(...) Aqui estou eu nesta tarde luminosa, sentado no convés de uma escuna de dois mastros, escrevendo com um aparo feito de um osso de peixe, com tinta de negro de fumo sobre papel de bambu. Quando acabar, enrolarei as páginas, embrulhá-las-ei em membrana de peixe e colocá-las-ei no interior de um cilindro de bambu. Martelarei um disco de bambu para ter o topo aberto. Oferecerei uma prece aos deuses, quaisquer que eles sejam. E atirarei o contentor por cima da borda. Assim ele te alcance através do Correio do Rio.
O capitão, Martin Farrington, o Frisco Kid, está ao leme neste momento. Os seus cabelos castanho-avermelhados brilham ao sol e batem com o vento. Parece meio polinésio e meio céltico, mas não é nem uma coisa nem outra. É um americano de ascendência inglesa e galesa, nascido em Oakland, Califórnia, em 1876. Não me disse isso, mas eu sei-o porque sei quem é ele na realidade. Não posso dizer quem é porque, por qualquer razão, ele viaja sob pseudónimo (o qual, pelo que parece, foi inspirado por duas das suas personagens fictícias). Sim, foi um escritor famoso. Talvez o possas vir a descobrir, ainda que duvide. Uma vez disseste-me que leras somente uma das suas obras: "Contos da Patrulha da Pesca", e tinhas pensado que valia pouco. Fiquei desanimado quando te recusaste a  ler as suas obras principais, muitas das quais são clássicas (como o autor deu a entender no volume I, Martin Farrington é, na verdade, Jack London).
Ele e o imediato, Tom Rider "Tex", e um árabe chamado Nur são os únicos membros que restam da tripulação original. Os outros afastaram-se por uma razão ou outra: morte, aborrecimento, incompatibilidade, etc. Tex e o Kid são as únicas pessoas que encontrei n'O Rio que podem dizer-se famosas. Quase encontrei George Simon Ohm (ouviste falar de "ohms"?) e James Nasmith, inventor do bate-estacas a vapor. Mas há mais: Rider e Farrington estavam perto do cimo da lista das vinte pessoas que eu mais gostava de encontrar. É uma lista muito peculiar, mas eu, sendo humano, sou peculiar. 
O sobrenome autêntico do imediato não é Rider. O seu rosto é dos que não se esquecem, apesar da ausência do chapéu branco de dez galões o fazer parecer menos familiar. Foi o grande herói de filmes da minha infância, imediatamente ao lado dos meus heróis dos livros: Tarzan, John Carter de Barsoom, Sherlock Holmes, Dorothy de Oz e Ulisses. Dos 260 filmes do Oeste em que ele participou, vi pelo menos 40. Eram apresentados em programas duplos ou triplos nos cinemas de segunda classe - Grand, Princess, Columbia e Apollo - em Peoria. (Todos desapareceram muito antes de eu chegar aos cinquenta anos). Os seus filmes deram-me algumas das minhas horas mais douradas. Não me recordo dos pormenores ou cenas de um só - tudo se confunde numa espécie de montagem resplandecente com Rider como uma figura gigantesca, no centro.
Quando eu tinha cerca de cinquenta e dois anos, interessei-me por escrever biografias. Sabes que pensei durante muitos anos escrever uma tremenda biografia de Sir Richard Francis Burton, o famoso ou infame explorador, autor, tradutor, espadachim, antropólogo, etc, do século XIX.
Mas as exigências financeiras ocuparam-me tanto que pouco pude fazer em "Um Duro Cavaleiro para a Rainha". Quando, finalmente, consegui começar a trabalhar em tempo inteiro no Cavaleiro, Byron Farwell surgiu com uma excelente biografia de Burton. Portanto, decidi esperar alguns anos, até que o mercado aceitasse outra biografia de Burton. E, quando ia começar de novo, foi publicada a biografia de Burton por Fawn Brodia - provavelmente a melhor de todas.
Portanto adiei o projecto por dez anos. Entretanto decidi escrever uma biografia do meu herói favorito da infância (ainda que considerasse Douglas Fairbanks, Sénior, como meu igual favorito).
Li muitos artigos sobre o meu herói em revistas de cinema e do oeste e em recortes dos jornais. Apresentavam-no como se tivesse levado uma vida mais aventurosa e esplendorosa que a dos heróis que ele interpretava nos filmes.
Mas eu ainda não tinha o dinheiro para deixar de escrever ficção por tanto tempo que pudesse viajar pelo interior do país a falar com pessoas que o tinham conhecido, mesmo que as pudesse encontrar. Havia algumas que podiam dar-me pormenores das carreira dele, como Texas Ranger, ou como U.S. Marshall no Novo México, ou ajudante de xerife no território de Oklahoma, ou um dos Rough Riders de Roosevelt em San Juan Hill, ou como soldado na Revolta das Filipinas, ou na Rebelião dos Boxers, ou como domador de cavalos para os ingleses, e possivelmente como mercenário na guerra dos Boers, como mercenário de Madero no México, como artista de "show" do Oeste, e como o mais bem pago actor de cinema do seu tempo. 
Os artigos sobre ele não eram dignos de confiança. Mesmo aqueles que diziam tê-lo conhecido bem, faziam relatos diferentes da sua vida. As notícias necrológicas estavam cheias de contradições. E eu sabia que a Fox e a Universal tinham publicado muitas histórias publicitárias sobre ele, a maior parte das quais tinham de ser verificadas por serem exageradas ou por serem mentiras completas.
A mulher que se pensava ser a sua primeira esposa escrevera uma biografia dele. Por ela nunca se poderia saber que ele se divorciara dela e casara depois duas vezes. Ou que tivera duas filhas de outra mulher. Ou que ele tinha um "problema de bebida". Ou um filho ilegítimo que era joalheiro em Londres.
Ela pensou que era a primeira mulher dele mas depois descobriu-se que era a segunda ou terceira. Ninguém tinha a certeza disso.
E ele continuava a ser um herói sem mácula para ela, mesmo depois de se ter dito tudo isso sobre o homem. O que diz ainda mais quanto a ela.
Um bom amigo meu, Coryel Varoll (lembras-te dele, um acrobata de circo, malabarista, equilibrista, grande bebedor de cerveja, entusiasta de Tarzan) escreveu-me por causa dele. Em 1964, segundo creio.
"Lembro-me da primeira vez que o vi pensei que estava a ver Deus... através dos anos, vivendo no mesmo bairro dele (queria dizer que no circo), a reverência desfez-se, mas ele era sempre admirado pela maior parte das pessoas e os garotos olhavam-no sempre como um ídolo, mesmo depois de ele ter abandonado os filmes... Sei que ele era um bom tipo: capaz de andar à pancada quando bêbado logo que encontrasse a mínima desculpa, e que fazia as coisas mais levadas do diabo (mas não é certo que todos nós as fazemos?)... Tenho algumas dúzias de histórias sobre ele que nunca foram publicadas. Contá-las-ei da próxima vez que estivermos juntos".
Mas isso, Cory nunca fez.
Até a data do nascimento dele esteve em dúvida. Os seus estúdios e a mulher dele diziam que nascera em 1880. O monumento perto de Florence, Arizona (onde ele morreu, a 130 km/hora numa estrada de terra batida) diz 1880. Mas há provas em contrário, dizendo que foi em 1870. No entanto, tivesse sessenta ou setenta, parecia que acabara de fazer cinquenta. Mantinha-se sempre em boa forma.
Um amigo que o vira na viagem fatal dissera que ele conduzia um conversível Ford amarelo. A mulher disse que era branco. Assim eram as testemunhas oculares. Os departamentos de publicidade dos estúdios diziam que ele nascera e fora criado no Texas. Descobri por mim próprio que era uma mentira. Nascera perto de Mix Run, Pensilvânia, e saíra de lá aos dezoito anos para ir para o Exército.
Quando eu ia para escrever uma carta ao Departamento de Guerra para obter uma cópia do seu registo militar - e saber o que ele fizera no Exército - surgiu uma novela por Darryl Ponicsan. Senti-me de novo desanimado. Mais uma vez actuara demasiado tarde. Ainda que o livro fosse uma semi-ficção, o autor fizera o trabalho de investigação que eu pensara fazer. 
Portanto o meu herói não era o neto de um chefe Cherokee. Nem nascera em El Paso, Texas. E, ainda que estivesse no Exército, não fora gravemente ferido em San Juan Hill, ou nas Filipinas.

nº 283 - O Dia em que o Tempo Parou



Autor: Philip José Farmer
Título original: The Day of Timestop
1ª Edição: 1960
Publicado na Colecção Argonauta em 1981
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº282 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Philip José Farmer é um dos grandes autores de ficção-científica dos tempos actuais. Controverso por vezes, mas sempre brilhante, a ele se deve, entre outras obras célebres, a surpreendente série Riverworld, que a Colecção Argonauta tem vindo a  publicar.
O Dia em Que o Tempo Parou (na versão original The Day of Timestop) é uma obra invulgar. Referindo-se a ela, Sam Moskowitz disse tratar-se de "uma história vibrante, de espionagem, situada no futuro e comparável a 1984". Sem dúvida, um tema estranho, mas composto numa história como só Philip José Farmer sabe contar:

O Dr. Leif Barker amaldiçoava o "Corpo da Guerra Fria" e a sua ideia de "células", onde um homem não fazia a mínima ideia do seu plano geral e trabalhava no escuro para apenas cumprir a sua missão particular. Ali estava ele, um coronel do CGF da República de March, originador da conspiração que provavelmente enviaria a União de Haijac para o reino do esquecimento. E no entanto, não lhe era permitido conhecer mais do que uma centelha do mecanismo da sua própria campanha!
Era o preço que tinha que pagar por trabalhar no meio do inimigo. Se ele permitisse que os superiores o pusessem atrás de uma secretária em Marsey, poderia observar a guerra no seu todo; seria ele quem a dirigiria. Mas insistira em trabalhar em Paris, que era onde se centrava o perigo.
Esses pensamentos vagueavam pelo seu espírito, enquanto passava as mãos pela carne daquela mulher, outrora firme e vibrante. Os raios X tinham-lhe indicado qualquer coisa muito estranha; qualquer coisa que podia estar ou não ligada com o "Projecto Traça e Ferrugem". Fosse como fosse, queria descobrir o que eram os estranhos objectos detectados no corpo de Halla Dannto.
E tinha de trabalhar depressa - "antes que o tempo parasse"... Eis algumas páginas da obra empolgante de Farmer.  
O Doutor Leif Barker puxou a mulher para junto de si. Ela não resistiu; fora até junto dele para resistir. Até àquele ponto, não. A verdadeira intenção dela, como ele sabia, era ceder até ali e depois gritar para que os homens que por certo estavam à espera perto pudessem entrar de rompante e prendê-lo. Ou tentar prendê-lo.
A mulher olhou para cima, para ele, os lábios pintados meio abertos. Perguntou: - Pensa que isto é real?
- É um facto - respondeu Leaf e depois os seus lábios fecharam-se sobre os dela. Ela respondeu com loucura - com uma loucura demasiada, pois ele sabia que ela estava a representar. A representar de mais ou não? Talvez ela estivesse a gostar mais do trabalho do que aquilo que desejava que os superiores soubessem.
Ele levantou a mão direira. Antes que ela soubesse o que ele estava a fazer, ele pegou na gola de folhos e arrancou-lhe as costas do vestido.
Os olhos dela esbugalharam-se e tentou fugir-lhe, para dizer qualquer coisa, mas ele manteve a boca contra a dela. Antes que ela pudesse mover-se, foi despida até à cintura. Depois largou-a, mas a sua mão direita manteve-se aberta, pronta a bater de quina contra o lado do pescoço dela, se ela tentasse gritar.
No entanto ela parecia aturdida pela rapidez com que a sedução estava a acontecer. E talvez ela não estivesse naquele negócio havia tanto tempo que conseguisse ter uma atitude cínica para com um portador de "lamech". Talvez o seu condicionamento ainda se mantivesse, dizendo-lhe que um homem na posição de Leif Barker era irrepreensível. Talvez fosse isso. 
O que quer que fosse que ela pensasse, a verdade é que ela era adorável. Quem quer que a tivesse enviado, escolhera uma mulher que tornaria difícil qualquer resistência. Era uma loura alta e esbelta com o corpo de uma mulher bem formada, mas com um rosto que dava a ideia de que ela era uma criança inocente. Uma criança apaixonada, sim, exposta como estava agora, com os seios grandes e firmes a roubarem-lhe a aparência imatura e a tornar mais fácil a Leif aquilo que ele pretendia fazer.
As mãos dela estavam caídas, mas quando ela viu o olhar dele fixo sobre os seios, levantou as mãos para os tapar. Ele riu-se.
- O que é isso? Decidiste agora que não me querias para teu amante? Que nem sempre me admiraste de longe e que foi um erro vires aqui e ofereceres-te a mim? Que decidiste não ires contra os mandamentos da Sigreja?
- Não - respondeu ela numa voz trémula. - Acontece apenas que eu... não esperava que... que...
- Que as coisas se acelerassem tanto que no fim tudo podia estar acabado antes de os teus amigos entrarem por aí? - perguntou ele, sempre a sorrir-se.
Ela ficou pálida. Abriu a boca para dizer alguma coisa mas a garganta paralisada recusou-se a permitir que as palavras saíssem.
- É um sinal dos tempos - notou ele.
- Que sinal? - conseguiu ela perguntar, por fim.
Em tempos, um homem que usava o "lamech" - disse ele, tocando o grande "L" hebreu, dourado, que suava pregado no peitilho da camisa - estava acima de todas as tentações. Uma vez que estava acima das tentações, estava acima de todas as suspeitas. Não havia tentativas dos Uzzitas para o levar a provar que a sua conduta era baseada na realidade, tentando seduzi-lo com imoralidades. Mas estes tempos são degenerados e agora nenhum homem está acima da suspeita.
Parou e depois acrescentou, numa voz rouca: - Diz-me uma coisa: foi Candleman que te enviou?
Ela pestanejou; ele soube que acertara em cheio. Portanto - não eram os seus próprios superiores no Corpo da Guerra Fria que o estavam a pôr à prova. Era uma armadilha de Candleman, o chefe dos Uzzitas, a Polícia Secreta da União Haijac.
- Quantos homens estão à espera? - perguntou ele?
Ela não respondeu, e ele pegou-lhe nas mãos e afastou-as com dureza, deixando-lhe os seios a descoberto. Ela virou a cabeça para não olhar para ele, e a palidez da sua pele foi substituída por um rubor que subia das coxas.
- Não queres dizer-me? - perguntou ele, - não importa. Olha!
Largou-a e dirigiu-se à parede. Premiu uma parte dela. Instantâneamente, um quadrado por cima da sua mão iluminou-se e tornou-se num visor, mostrando o interior da sala de espera, naquele último andar. Três homens estavam estendidos, inconscientes, no chão. Envergavam os uniformes negros dos Uzzitas.
- Como portador do "lamech" tenho muitos privilégios - observou ele. - Um deles é o direito de tomar precauções contra a violação da minha pessoa.

nº 289 - O Labirinto Mágico 1



Autor: Philip José Farmer
Título original: The Magic Labyrinth
1ª Edição: 1980
Publicado na Colecção Argonauta em 1981
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº288 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O Labirinto Mágico (The Magic Labyrinth) é a quarta e última novela da célebre série do Mundo do Rio (Riverworld), de Philip José Farmer, iniciada com Mundo Sem Morte (nº263 da Colecção Argonauta); Viagem para Além da Morte (nº268) e Desígnio Negro (nº272 e nº 273).
No preâmbulo de O Labirinto Mágico, Philip José Farmer diz:

Agora termina a série do "Mundo do Rio", todas as pontas soltas atadas num nó górdio que resiste a todas as espadas, todos os mistérios humanos revelados, os milhões de quilómetros de "O Rio" e os muitos anos de buscas e de "A Busca" completados.

Eis como principia o Labirinto Mágico:

O homem conhecido de alguns como "X" ou o "Estranho Misterioso" não se amava nem se temia acima de qualquer pessoa.
Havia três pessoas que ela amava mais do que quaisquer outras.
A sua mulher, já morta, fora por ele amada, mas não tanto como as outras duas.
A sua madrasta e o Operador eram amados por ele com igual intensidade ou pelo menos ele pensara isso em tempos.
A madrasta estava a anos-luz de distância e ele não tivera ainda de a enfrentar e talvez nunca o tivesse de fazer. Se ela soubesse o que ele estava a fazer, sentir-se-ia profundamente envergonhada e preocupada. Não lhe podia explicar porque estava a fazer isso e ao justificar-se a si próprio sentia-se terrivelmente pesaroso.
Ainda amava o Operador, mas ao mesmo tempo odiava-o.
Agora X esperava, por vezes pacientemente, por vezes impaciente ou furiosamente, o fabuloso mas real barco do rio. Perdera o "Rex Grandissimus". A sua única oportunidade era o "Mark Twain".
Se ele não conseguisse embarcar... não, o pensamento era quase insuportável. Tinha de embarcar, fosse como fosse.
No entanto, quando entrasse nele, estaria perante o pior perigo que até então conhecera, menos um. Sabia que o Operador estava mais além, rio abaixo. A superfície do seu "graal" mostrara-lhe a localização do Operador. Mas fora a última informação que pudera obter do mapa. O satélite seguira o rasto do Operador e dos Éticos, excepto ele próprio, e os agentes do "Vale" de "O Rio", retransmitindo as suas mensagens até ao "graal", que era mais do que um "graal". Então o mapa desaparecera da superfície cinzenta, e "X" soubera que alguma coisa falhara no satélite. Daí em diante, podia ser surpreendido pelo Operador, pelos agentes e pelos outros Éticos.
Havia muito que "X" dispusera as coisas de modo a poder seguir todos quantos era da torre e das câmaras subterrâneas. Instalara secretamente o mecanismo no satélite. Os outros também deviam ter instalado um dispositivo para o seguir, mas o seu deformador de aura iludira o mecanismo. O deformador também lhe permitira mentir ao Conselho dos Doze.
Agora estava tão ignorante e impotente como os outros.
No entanto, se alguém naquele mundo podia ser levado para bordo por Clemens, mesmo que a tripulação estivesse completa, era o Operador Um olhar para ele e Clemens pararia o barco e metê-lo-ia a bordo.
E quando o "Mark Twain" surgisse e ele, "X", se tornasse um membro da tripulação, teria de evitar o Operador até o poder apanhar de surpresa.
O disfarce, bom para enganar qualquer outro Ético isolado, não iludiria aquela grande inteligência. Ele reconheceria "X" imediatamente depois "X" não teria oportunidade alguma. Forte e rápido como era, o Operador era ainda mais forte e mais rápido.
Além disso, o Operador disporia de uma vantagem psicológica. "X", frente a frente com a criatura que ele adorava e odiava, sentir-se-ia inibido e podia não ser capaz de atacar o Operador com a fúria e o vigor exigidos.
Covarde que fosse tal acto, detestável que fosse, teria de atacar o Operador pelas costas. Mas os seus actos detestáveis tinham sido muitos desde que se lançara contra os outros e ele era capaz de fazer aquilo. Ainda que ensinado desde a mais tenra idade a detestar a violência, também lhe tinham ensinado que a violência era justificada quando a sua vida se encontrava em perigo. A ressurreição que para todos os efeitos tornava toda a gente indestrutível no "Mundo do Rio" não entrava nisso. Apesar do que os seus mentores tinham dito, os fins justificavam os meios. Além disso, todos quantos ele matara não ficariam realmente mortos para sempre. Pelo menos fora o que ele pensara. Mas não previra aquela situação.

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Por razões técnicas, O Labirinto Mágico será dividido em três volumes.

Prefácio do autor:

Agora termina a série do "Mundo do Rio", todas as pontas soltas atadas num nó górdio que resiste a todas as espadas, todos os mistérios humanos revelados, os milhões de quilómetros de "O Rio" e os muitos anos de buscas e de "A Busca" completados.

nº 290 - O Labirinto Mágico 2



Autor: Philip José Farmer
Título original: The Magic Labyrinth
1ª Edição: 1980
Publicado na Colecção Argonauta em 1981
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº289 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

Eis o começo do segundo volume de O Labirinto Mágico:

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Ele chegara a Virolando havia trinta e três anos. Fora sua intenção ficar ali somente o tempo suficiente para falar algumas vezes com La Viro, se tal lhe fosse permitido. Depois iria a qualquer parte para onde a Igreja o mandasse. Mas La Viro pedira-lhe para ficar ali, ainda que não tivesse dito porquê ou por quanto tempo. Ao fim de um ano ali, Goering adoptara um nome em esperanto, o de Fenikso (Fénix). 
Aqueles tinham sido os mais felizes anos das suas vidas. E não tinha razão para pensar que não passasse mais ali.
Aquele dia seria muito semelhante aos outros, mas a semelhança era agradável e pequenas variedades o embelezariam. 
Depois do pequeno almoço subiu a um alto edifício construído no cimo de uma agulha rochosa na margem esquerda. Ali fez uma prelecção aos estudantes do seminário até meia hora antes do meio-dia. Desceu rapidamente para o solo e juntou-se a Kren numa pedra-graal. Depois disso subiram a outra agulha e suspenderam-se de planadores, lançando-se da agulha a cento e oitenta metros de altura.
O ar acima de Virolando resplandecia com milhares de planadores que subiam e desciam, girando, mergulhando, subindo, rasando, dançando. Hermann sentia-se como um pássaro - ou antes: como um espírito livre. Era uma ilusão de liberdade, toda a liberdade era ilusão, mas aquela era a melhor.
O seu planador era vermelho vivo, assim pintado em memória da esquadrilha que ele comandara depois de Manfred von Richthofen. O escarlate era também o símbolo do sangue dos mártires da Igreja. Havia muitos nos céus, misturando a sua cor com o branco, negro, amarelo, laranja, verde, azul e roxo de outros aparelhos. Aquela terra tinha a bênção da hematite e de outros minérios de que podiam ser obtidos pigmentos. Era abençoada sob muitos aspectos. 
Hermann passou por cima e por baixo das pontes que uniam as casas, cobrinto os espaços entre as agulhas. Passava perto dos pilares de madeira e pedra, por vezes demasiado perto. Era um pecado arriscar a vida, mas ele não podia resistir àquilo. A velha emoção do voo, na Terra, voltara, dobrando de êxtase. Não havia rugido de motor nos seus ouvidos nem fumos de óleo nas narinas, nem sensação de estar encerrado.
Por vezes passava um balão e acenava às pessoas nas barquinhas de vime, por baixo deles. Durante os feriado, ele e Kren embarcavam num balão, subiam a mil metros e deixavam que o vento os levasse Rio abaixo. Nas férias flutuavam todo o dia, falando, comendo, fazendo amor naquele espaço tão pequeno, enquanto vogavam sem um sobressalto, sem um golpe de vento, pois o balão avançava à mesma velocidade dele.
Evacuando o hidrogénio ao pôr do Sol, desciam na margem, metiam o invólucro dobrado na barquinha e regressavam por barco no dia seguinte.
Ao fim de meia-hora, Hermann passou a rasar ao longo d'O Rio, voltou e desceu para a margem. Como centenas de outros, desmontou o planador e depois voltou com um fardo incómodo à agulha da qual saltara.
Um mensageiro com um rosário de flores amarelas e vermelhas deteve-o. - Irmão Fenikso, La Viro deseja vê-lo.
- Obrigado - respondeu Hermann, mas sentiu um pequeno choque. O bispo-chefe teria decidido que chegara o momento de o enviar para outro lado?
O Homem aguardava-o nos seus aposentos particulares, no templo de pedra vermelha e negra. Hermann foi conduzido através das salas de altos tectos até um pequeno quarto e a porta de carvalho fechou-se atrás dele. O quarto estava mobilado de uma maneira simples. Uma grande secretária; algumas cadeiras de couro de peixe; outras mais pequenas de bambu; dois catres; uma mesa com jarros de água e alguém álcool perfumado, copos, caixas de charutos, cigarros, acendedores e fósforos; um bacio; dois "graais"; cavilhas nas paredes nas quais estavam penduradas roupas; uma mesa ao lado de um espelho de mica, na parede; outra mesa com os "batôns", pequenas tesouras e pentes que os "graais" por vezes forneciam. Havia alguns tapetes de fibra de bambu e uma pele de peixe em forma de estrela no chão. Quatro archotes ardiam, as pontas enfiadas em suportes nas paredes. A porta privada na parede do exterior estava aberta, deixando entrar ar e luz. Frestas no tecto forneciam uma ventilação adicional.
La Viro levantou-se quando Hermann entrou. Era enorme, com quase dois metros de altura e muito moreno. O seu nariz era o bico de uma águia gigante.
- Bem-findo sejas, Fenikso - disse ele numa voz profunda. - Senta-te. Queres uma bebida, um charuto?
- Não, Jacques. Obrigado - respondeu Hermann. Sentou-se na cadeira que lhe foi indicada.
O bispo-chefe voltou ao seu lugar. - Ouviste falar no barco gigante de metal que vem pel'O Rio acima? Os tambores dizem que está a cerca de oitocentos quilómetros da fronteira sul. Isso significa que deve alcançar a nossa fronteira centro de dois dias. 
- Disseste-me que conhecias esse homem chamado Clemens e o seu sócio João Sem-Terra. Não sabes o que aconteceu depois de te terem morto, evidentemente. Mas aparentemente eles conseguiram repelir os inimigos e construir o barco. Não tardarão a passar através do nosso território. Pelo que ouvi não são guerreiros e portanto não temos de recear problemas. No fim de tudo dependem da cooperação daqueles que são proprietários das pedras-graal ao longo d'O Rio. Têm o poder bastante para obterem tudo quanto quiserem, mas não o usam a menos que sejam obrigados a isso. No entanto ouvi alguns relatos perturbadores sobre o comportamento de alguns tripulantes quando o barco parou para - como se chama? - a folga em terra. Houve alguns incidentes muito maus, principalmente com bebedeiras e mulheres.
- Perdoa-me, Jacques. Isso não me parece o tipo de pessoas que Clemens teria a bordo. Ele estava obcecado e fez algumas coisas que não devia ter feito para conseguir que o barco fosse construído. Mas não é, ou pelo menos não era, pessoa para aceitar tal comportamento.
- Depois de tantos anos, quem sabe se ele não mudou? Mas há uma coisa: o nome do seu barco não é o que me disseste. Em vez de "Não se Aluga" é "Rex Grandissimus".
- Isso é estranho. Parece mais um nome escolhido pelo rei João.
Pelo que me disseste desse João, ele pode ter morto Clemens e tomado posse do barco. Qualquer que seja a verdade, quero que vás receber o barco na fronteira.
- Eu?
- Conheces os homens que construíram o barco. Quero que vás a bordo quando ele chegar à fronteira. Deverás avaliar a situação e saber que tipo de pessoas há a bordo. Além disso, estimarás o potencial militar do barco.
Hermann mostrou-se surpreendido.
- Fenikso, falaste-me da história que esse gigante narigudo - Joe Miller? - contou a Clemens e que Clemens contou a outros. Se for verdadeira, há uma grande torre no meio do mar no pólo norte. Esses homens querem entrar lá, se puderem. Penso que a intenção é má.
- Má?
Porque essa torre é, por certo, obra dos Éticos. A gente do barco quer penetrar na torre para descobrir os seus segredos e talvez para tornar cativos ou mesmo matar os Éticos.
- Não tens a certeza disso - observou Hermann.
- Não, mas é razoável supor.
Nunca ouvi Clemens dizer que desejasse o poder. Ele queria apenas alcançar as nascentes.
- O que ele diz publicamente e o que pensa em particular podem ser coisas diferentes.
Hermann retorquiu:
- De mesmo modo, que nos importa o que eles façam, mesmo que possam vir a alcançar a torre? Por certo que não pensas que as suas pobres máquinas e armas possam fazer algum mal aos Éticos. Os humanos devem ser como vermes perante eles. De qualquer modo, que podemos fazer quanto a eles? Não podemos usar da força para os deter.
O bispo inclinou-se para a frente, as grandes mãos morenas a agarrarem-se à borda da secretária. Fitou Hermann como se o fosse descascar, camada por camada, até ver o que estava no centro.
- Há qualquer coisa errada neste mundo, terrivelmente errada! Primeiro, as pequenas ressurreições pararam. Parece que isto aconteceu pouco depois da tua última ressurreição. Lembras-te da consternação que essa notícia causou? 

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nº 291 - O Labirinto Mágico 3



Autor: Philip José Farmer
Título original: The Magic Labyrinth
1ª Edição: 1980
Publicado na Colecção Argonauta em 1981
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº290 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

A longa série iniciada com Mundo Sem Morte, de Philip José Farmer, está a chegar ao fim. No terceiro e último volume de O Labirinto Mágico tudo se explica. O que até agora poderá ter parecido uma obra de fantasia e aventura torna-se em verdadeira ficção-científica - da melhor em todos os tempos. Como se poderá apreciar através do seguinte fragmento:

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- Esta porta é um grande visor de TV. Também tenho outros visores que parecem fazer parte das paredes. Estão situados de modo que eu possa ver este corredor para além das suas curvas numa distância razoável.
Entraram com Loga na Sala. A meio ele parou, baixou-se, voltou-se olhando para a parede e disse de novo a palavra de código. Uma parte da parede, ainda que aparentemente formasse uma superfície sem solução de continuidade, recuou e deslizou. O compartimento a que dava acesso estava bem iluminado e continha algum equipamento sobre mesas, um grande armário e dois esqueletos, os quais estavam voltados para a porta como se as pessoas a quem eles tinham pertencido fossem a sair da sala. No chão, perto dos ossos dos dedos, havia uma caixa de metal. Tinha mostradores, botões e um pequeno visor de vídeo de um lado e pernos no outro.
Loga lamentou: 
- Se eu tivesse podido enviar o sinal alguns segundos antes, tê-los-ia apanhado antes de eles retirarem a caixa de comando.
- Mas você não podia saber disso - observou Burton. - Não podia correr o risco de se matar. Já agora, porque estavam as portas fechadas? Esses dois tiveram de as abrir para entrar.
Nur perguntou:
- Como entraram eles, se não deviam conhecer os códigos?
Ao fim de setenta de cinco segundos, as portas fecham-se automaticamente a menos que recebam contra-ordem. O que aconteceu é que os investigadores localizaram esta sala ao traçarem os circuitos. Devia ter sido um trabalho muito longo e muito árduo porque não podiam usar o computador. Quando localizaram esta sala devem ter usado magnetómetros. Voltaram para encontrar a fonte de alimentação e descobriram a caixa de código da programação abrir-fechar. Não devem ter demorado muito a determinar o código.
- Mas quanto à pancada que acompanha o código? Como...
- Também devem ter descoberto isso, ainda que levasse mais tempo.
Apontou para o armário:
- É o ressuscitador.

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nº 318 - Amor no Cosmos



Autor: Philip José Farmer
Título original: The Lovers
1ª Edição: 1961
Publicado na Colecção Argonauta em 1984
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº317 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Amor no Cosmos é a versão portuguesa de The Lovers, de Philip José Farmer - a primeira obra desse autor e desde logo uma das mais importantes em todos os tempos, na ficção-científica.
Curiosamente, The Lovers viu a sua publicação duas vezes recusada, primeiro da Astounding, por John W. Campbell, que não gostou da novidade do tom e pelo aparecimento pela primeira vez - do problema da sexualidade entre seres de natureza diferente, e depois por H.L.Gold, na Galaxy, mas por razões diferentes - por apresentar um mundo futuro em que as "Repúblicas Israelitas" figuravam entre as principais potências do planeta, e a religião oficial fora fundada por um meio judeu, na realidade por um ser desprezível. Por fim, Samuel Mines publicou-a em Startling Stories, numa forma muito condensada.
O mundo descrito por Philip José Farmer em The Lovers é o mesmo que serviu de cenário a The Day of Timestop, publicado na Colecção Argonauta sob o título O Dia em que o Tempo Parou, com o nº283. No entanto, a acção é completamente distinta - e surpreendente. A tese de The Lovers pode resumir-se numa frase: "Nem tudo o que parece é...". Na Terra... e no Cosmos.

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"Tenho de sair daqui" - ouviu Hal Yarrow alguém dizer, a grande distância. - Deve haver uma saída.
Despertou assustado e compreendeu que fora ele que estivera a falar. Além disso, o que dissera quando estava a dormir não tinha qualquer ligação com o sonho. As palavras que dissera meio acordado e o que sonhara eram duas coisas distintas.
Mas o que quisera ele dizer com aquelas palavras murmuradas? E onde estivera ele? Viajara de facto no tempo ou tivera um sonho subjectivo? Um sonho tão vivo que tinha dificuldade em voltar àquele nível do mundo.
Um olhar para o homem que estava a seu lado aclarou-lhe o espírito. Estava no astrocarro que seguia para Sigmen City, no ano 550 A.S. (ou 3050 da Era de Cristo, para falar à moda antiga, recordou o seu espírito escolar). Não estava como na viagem temporal? Sonho? Num planeta estranho a muitos anos-luz dali e a muitos anos daquele dia. Nem ia ver-se face a face com o glorioso Isaac Sigmen, o Precursor, real fosse o seu nome. 
O homem que estava a seu lado olhou de soslaio para ele. Era um tipo magro com as maçãs do rosto salientes, cabelos negros lisos, que tinha uma ligeira dobra mongolóide nas pálpebras. Estava vestido com o uniforme azul-claro da classe de engenharia e sobre o peito esquerdo ostentava um emblema de alumínio que indicava que ele se encontrava no escalão superior. Provavelmente era um engenheiro de electrónica diplomado por uma das melhores escolas profissionais.
O  homem pigarreou e disse em americano:
- Mil perdões, "abba". Sei que não lhe devia falar sem a sua autorização. Mas disse-me qualquer coisa quando despertou. E como está nesta cabina, equacionou-se temporalmente. Estava ansioso por lhe fazer uma pergunta. Não é por acaso que me chamo Nosy Sam.
Riu-se nervosamente e acrescentou:
- Não pude deixar de ouvir o que disse à hospedeira quando ela pôs em causa o seu direito de se sentar aqui. Ouvi mal ou disse-lhe na verdade que ela era uma "goat"... uma cabra? 

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Introdução:

A introdução reproduz integralmente o texto da súmula.

nº 340 - Regresso ao Mundo do Rio 1


Autor: Philip José Farmer
Título original: Gods of Riverworld
1ª Edição: 1983
Publicado na Colecção Argonauta em 1985
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - Foi apresentada no livro nº339 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Depois de "To Your Scattered Bodies Go.", "The Fabulous Riverboat", "The Dark Design" e "The Magic Labyrinth", que na Colecção Argonauta tiveram respectivamente os títulos de "O Mundo Sem Morte", "Viagem Para Além da Morte", "Desígnio Negro" e "O Labirinto Mágico", Philip José Farmer apresenta agora "Gods of Riverworld" - a sequência daquelas obras, que por isso recebeu, na nossa língua, o título de "Regresso ao Mundo do Rio". O Mundo do Rio, em que trinta e cinco mil milhões de homens e mulheres acordaram, um dia, para começarem a viver além da morte. Ressuscitados pelo poder de uma espécie alienígena, por razões que só eles conheciam, viajantes inesperados como Mark Twain, Hermann Goering e Cyrano de Bergerac, subiram um rio de dezasseis milhões de quilómetros de comprimento em busca dos seus criadores e das respostas ao mistério.
Algumas das perguntas obtiveram respostas e outras surgiram com a descoberta da torres gigante que existia no mar polar norte do Mundo do Rio. Ali, estava o grande computador que dirigia o processo de ressurreição, e o facto de dominarem esse computador, tornava-os em deuses naquele mundo, com o poder de vida e de morte sobre todos aqueles milhares de milhões de vidas humanas. Mas não estavam sozinhos na torres. Estranhos passos nos corredores, atentados contra as suas vidas, um "acidente" após outro, tudo conduzia à conclusão inevitável: ou havia um assassino oculto na torre - ou um dos membros do grupo era um traidor!
Por razões técnicas, esta obra será publicada em dois volumes.

Prefácio do Autor:

Aqueles que ainda não leram os anteriores volumes da série de Riverworld, To Your Scattered Bodies Go (O Mundo Sem Morte, nº 263), The Fabulous Riverboat (Viagem Para Além da Morte, nº 268), The Dark Design (Desígnio Negro, nº 272 e nº 273) e The Magic Labyrinth (O Labirinto Mágico, nº 289, nº 290 e nº 291), devem ler o resumo no fim deste livro (na Colecção Argonauta, como esta obra foi dividida em dois volumes, o resumo referido pelo autor está, nesta obra, a seguir ao prefácio). Aí o leitor pode tomar conhecimento de alguns acontecimentos e certos dados apenas referidos de passagem neste livro. Escrevi o resumo para evitar uma longa recapitulação. Os que estão familiarizados com a série também gostariam de ler o resumo para refrescar as suas memórias sobre certas coisas.
Disse no quarto volume The Magic Labyrinth que seria o último livro da série. Era essa a minha intenção, mas deixei a mim próprio uma pequena porta de fuga no parágrafo final. O meu inconsciente sabia melhor o que fazia do que o meu consciente, e ele (o demónio) fez-me instalar esta pequena porta. Algum tempo depois de o quarto volume aparecer, comecei a pensar nos vastos poderes possuídos pela gente que entrara na torre e como esses poderes seriam tentadores. 
Além disso, como eu sabia e alguns leitores notaram, as verdades que tinham sido reveladas no quarto volume podiam não ser as verdades finais.
As opiniões e conclusões sobre economia, ideologia, política, sexualidade e outros assuntos no Homo sapiens variam segundo os conhecimentos e os preconceitos das personagens. Não são necessariamente as minhas. Estou convencido de que todas as raças têm um igual potencial mental e que em todas as raças existe o mesmo espectro de estupidez, inteligência medíocre e génio. Estou convencido de que todas as raças têm um potencial igual para o bem e para o mal, para o amor e para o ódio, para a santidade ou o pecado. Estou também convencido por sessenta anos de larga leitura e profunda observação que a vida humana foi sempre selvagem e comicamente absurda., mas que não somos uma espécie impossível de redimir.

nº 341 - Regresso ao Mundo do Rio 2



Autor: Philip José Farmer
Título original: Gods of Riverworld
1ª Edição: 1983
Publicado na Colecção Argonauta em 1985
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - Foi apresentada no livro nº340 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Este segundo e último volume da obra de Farmer, Regresso ao Mundo do Rio, decorre no mesmo estranho planeta onde as pessoas que viveram e morreram na Terra desde os primórdios da humanidade, ressuscitam, amalgamadas no Tempo e na Cultura social: caçadores primitivos, da Idade da Pedra; bárbaros da Ásia, de há três mil anos atrás; Americanos do século XX, destacando-se a intervenção de múltiplas figuras históricas proeminentes na Ciência, na Literatura, na Arte e na Política.
Tudo o que parece não ser mais do que uma fantasia, começa a tornar-se profundamente lógico, visto concluir-se que alguém criou esse estranho mundo de ressuscitados, com um fim determinado. 
Os ocupantes da Torre do Pólo Norte do Mundo do Rio analisaram as suas vidas... e esqueceram todo o desejo de Passar ao êxtase que estaria para além da morte e da vida. Dispondo de poderes imensos, dispondo até da possibilidade de criar os seus próprios mundos e de povoá-los com os seus amigos ressuscitados ou com andróides, sentem-se como verdadeiros deuses - esquecendo-se do Snark, o desconhecido que os fechou na Torre e que domina o Computador, o espantoso cérebro artificial que contém todos os registos das vidas humanas, e que pode criar e recriar tudo o que pode ser desejado.
Na Torre, Richard Burton e os seus companheiros sentem-se como no céu. Mas podem também investigar o passado. Por exemplo: - Quem foi Jack, o Estripador? A verdade surge, espantosa, nunca sonhada. Mas então e subitamente, criminosos surgem entre os ressuscitados - e ninguém sabe quem os ressuscitou. E uma festa inspirada no célebre Chá Louco, de Alice no País das Maravilhas, torna-se em algo realmente louco - num drama sangrento, tremendo. Ao mesmo tempo que, sobre os mundos privados que os ocupantes da Torre tinham construído, se abate algo  como o Juízo Final. 
Mas quem será o Juiz? 

nº 343 - Universos Paralelos



Autor: Philip José Farmer
Título original: Two Hawks from Earth
1ª Edição: 1979
Publicado na Colecção Argonauta em 1986
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - Foi apresentada no livro nº342 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
De Philip José Farmer pode dizer-se que é um criador de mundos. Desde os que têm um rio que os percorre de lés-a-lés, numa extensão de milhões de quilómetros (série Riverworld) até aos mundos de patamares, onde moram semi-deuses (World of Tiers).
É um mundo desses que surge em Two Hawks of Earth - uma obra que, na versão portuguesa, recebeu o título de Universos Paralelos. Exactamente porque descreve um universo em que a Terra é bem diferente da que conhecemos: uma Terra em que ainda se luta com facas e setas, e em que os continentes têm outras formas e se situam mais ao sul. Enquanto a Índia, é uma ilha...
Universos Paralelos é uma obra de imaginação - uma obra que só poderia ser escrita por Philip José Farmer.