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nº 6 - O Mundo Marciano


Autor: Ray Bradbury  
Título original: The Martian Chronicles  
1ª Edição: 1950
Publicado na Colecção Argonauta em 1954  
Capa: Cândido Costa Pinto  
Tradução: Fernando de Castro Ferro

Súmula - foi apresentada no livro nº5 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Naquele momento era Inverno em Ohio. Todas as casas tinham as portas e janelas fechadas, e os vidros cheios de geada; os telhados estavam cobertos dum espesso manto branco, e as crianças faziam bonecos de neve; as donas de casa caminhavam apressadamente pelas ruas geladas, agasalhadas em grandes casacos de peles que lhes davam um aspecto de enormes ursos polares.
E então uma colossal onda quente atravessou a pequena cidade, num mar de calor que parecia não ter fim, como se alguém tivesse deixado aberta a porta de um forno descomunal. O calor entrou pelas casas e pelos jardins e aqueceu as crianças e as donas de casa. O gelo caiu dos telhados e começou a derreter. As portas abriram-se. As janelas abriram-se. As crianças tiraram os agasalhos. As donas de casa penduraram os casacos de peles nos armários. A neve derreteu-se e pôs a descoberto a relva do Verão passado.
O foguetão trouxera de novo o Estio.
Janeiro de 1999. Os homens persistem na sua luta para a conquista de Marte. Os modelos de aeronaves accionadas por energia atómica fazem tentativas sobre tentativas. Cada vez o Homem se aproxima mais dos seres vivos que sabem já, existir em Marte. mas o primeiro contacto vai por fim estabelecer-se nesse mesmo ano, quando um grupo de seres humanos se dispõe à mais temerária de todas as  viagens interplanetárias.
Fevereiro de 1999. O senhor e a senhora K vivem numa casa com pilares de cristal mesmo à borda de um mar extinto. Os seus antepassados tinham vivido na mesma casa, que girava sobre si e seguia o Sol, como as flores o fizeram, durante séculos. O senhor e a senhora K não eram velhos, tinham a pele de um loiro escuro, próprio de verdadeiros marcianos, olhos de um amarelo doirado e vozes suavemente musicais.
Já o ano 2009 rondava, quando se deu o choque das duas civilizações. O casal K - como milhares de outros marcianos, puderam assistir à chegada de uns seres estranhos, com olhos azuis e castanhos, cabeços pretos e loiros, vestindo trajes que eles jamais viram. Os homens atingiram Marte e a partir daí começaria uma luta constante, cada um com a sua mentalidade. A nova conquista foi sentida de várias formas e provocou reacções diferentes, e os  marcianos puderam assistir, apavorados, a um mar de paixões que se entrechocaram... O estudioso, sempre atento a novas descobertas e vivendo alheio aos interesses materiais; o militarista, que tudo destrói na sua paasagem para conquistar o novo planeta; o comerciante, que procura novas formas de negócio com as maravilhas postas ao seu alcance; o antropologista, que encontrava ao seu dispôr um novo manancial de estudo - todos, cada um seguindo os seus sentimentos, procuram alojar-se no novo planeta.
Os homens da Terra, tinham finalmente conquistado o fantástico.

Nota: Ray Bradbury, é considerado por muitos como "O Poeta da Ficção Científica", tendo a Colecção Argonauta publicado algumas das suas obras mais extraordinárias.

nº 18 - O Homem Ilustrado


Autor: Ray Bradbury
Título original: The Ilustrated Man
1ª Edição: 1951
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto 
Tradução: Eurico da Costa

Súmula - foi apresentada no livro nº17 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Depois de "O Mundo Marciano", que foi recebido com tanto agrado pelo nosso público, a "Colecção Argonauta" orgulha-se de apresentar o segundo livro famoso do mais cotado escritor de Ficção Científica da América do Norte: Ray Bradbury.
Ray Bradbury é um prosador poeta, ou um poeta prosador. Todas as suas obras rescendem a uma filosofia muito de admirar no género de literatura que escolheu, onde se espraia em considerações sobre a sabedoria do Universo, o segredo das pontes perdidas, dos mares azuis, dos sóis-rubros, dos cometas, das constelações, das galáxias, que se alongam até ao Infinito, dos homens perante o futuro e as incógnitas traçadas pela cibernética.
Mas, dê-se antes de mais nada a palavra ao próprio autor que, no prólogo da sua obra, nos apresenta magistralmente o seu infeliz protagonista:

Foi por uma tarde quente de princípios de Setembro que encontrei, pela primeira vez, o Homem Ilustrado. Percorria a última etapa de uma viagem a pé, de quinze dias, pelo Wisconsin. Ao cair da noite, parei para comer alguma carne de porco fria, com feijões e um biscoito. Preparava-me para me estender a ler quando o Homem Ilustrado surgiu no alto da colina e ficou um momento imóvel, a silhueta recortada contra o céu.
Ignorava nesse momento, que ele estava Ilustrado. Reparei, unicamente, que era alto, que outrora fora bem musculado, mas, agora, por qualquer razão, tinha tendência para engordar. Lembro-me que possuía uns braços longos e umas mãos grossas, mas o rosto, no alto do corpo maciço, era como o de uma criança.
Pareceu-me pressentir a minha presença, pois não me olhou na altura em que pronunciou as primeiras palavras:
- Sabe onde posso arranjar trabalho?
- Lamento, mas não sei – disse eu.
- Ainda não conseguium emprego durável nestes últimos quarenta anos.
Fazia calor. No entanto o colarinho da sua camisa de lã estava abotoado e as mangas fechadas em redor dos grossos punhos. O suor escorria-lhe pelo rosto, mas não abria a camisa.
- Bem – disse ele finalmente – este sítio é tão bom como qualquer outro para passar a noite. 
- Importa-se que lhe faça companhia?
- Tenho ainda alguma comida que gostaria de repartir consigo – ofereci eu.
Sentou-se pesadamente, resmungando.
- Vai arrepender-se de me pedir para ficar. Toda a gente se arrepende. É por causa disso que não páro. Estamos em princípios de Setembro, a melhor época para divertimentos. Ganharia montões de ouro numa feira de qualquer pequena cidade. Mas aqui estou, sem nenhum contrato.
Descalçou um enorme sapato e examinou-o de perto.
- Geralmente, aguento-me num emprego dez dias. Depois, acontece sempre a mesma coisa e despedem-me. Nesta altura, em nenhuma feira da América me queriam tocar nem mesmo com a ponta de uma vara.
- Mas o que é que se passa consigo?
Como resposta, desabotoou lentamente o apertado colarinho. Com os olhos cerrados, abriu a camisa e, com a ponta dos dedos, tacteou o peito.
- É curioso – observou ele – não se podem sentir, mas a verdade é que estão cá. Tenho sempre a esperança de que um dia desaparecerão. Durante horas seguidas caminho ao Sol, sob o mais escaldante calor, queimo-me, na esperança que o suor as faça desaparecer, que o Sol as derreta; mas à noite ainda cá estão.
Voltando ligeiramente a cabeça na minha direcção, mostrou-me o peito.
- Ainda cá estão. As Ilustrações.
- Uma outra razão porque eu conservo o colarinho abotoado são as crianças – disse ele, abrindo os olhos. “Perseguem-me pelos caminhos, pelos campos. Querem ver as imagens, e todavia, ninguém a não ser elas, tem curiosidade nisso”.
Despiu a camisa e torceu-a. Estava coberto de imagens, desde o anel tatuado, à volta do pescoço, até à cintura.
- E isto continua – prosseguiu ele, adivinhando o meu pensamento. “Sou inteiramente Ilustrado. Veja!”.
Abriu a mão. Na palma havia uma rosa; tinha acabado de ser colhida e nas delicadas pétalas via-se ainda orvalho cristalino. Estendi o dedo para a tocar, mas era uma imagem!
Quanto ao resto do seu corpo… Não poderei explicar como fiquei ali com os olhos esgazeados. Era um turbilhão de astronaves, fontes e gentes, com tão entrelaçados pormenores e cores que se podiam ouvir os murmúrios e as vozes abafadas das multidões que habitavam aquele corpo. Quando estremecia, as pequenas bocas animavam-se, os minúsculos olhos verdes ou doirados moviam-se, as pequenas e rosadas mãos agitavam-se. Havia prados amarelos, rios azuis, montanhas, estrelas, sóis e planetas, dispersos numa Via Láctea que lhe descia pelo peito. As figuras estavam dispersas, em grupos de vinte ou trinta, nos braços, nas espáduas, no dorso, nos flancos, nos punhos, no plexo solar. Havia-as, também, numa floresta de pêlos, escondidas entre uma constelação de sardas, espiando do fundo das cavernosas axilas, os olhos faíscando como diamantes. Cada grupo parecia ter uma actividade própria; cada um era constituído por uma galeria diferente de figuras.
- São belas! – exclamei.
Como descrevê-las? Se Greco, no auge do talento, tivesse pintado miniaturas não maiores que a mão, com as suas cores sulforosas, com a sua morfologia especial, a anatomia alongada, talvez tivesse aproveitado o corpo deste homem para a sua obra. As cores brilhantes em três dimensões. Aí, reunidas como numa parede, recortavam-se as cenas mais extraordinárias do Universo. Este homem era um museu ambulante. Não era o trabalho tricromado de um tatuador de feira, de hálito avinhado; era a obra-prima inspirada, vibrante, límpida e bela de um génio.
- Oh, sim! - Disse o Homem Ilustrado, sou tão orgulhoso das minhas Ilustrações que até gostaria de lhes lançar fogo. Já tentei o esmeril, o ácido, a navalha...
O Sol escondia-se. A Lua estava já alta, a Oriente.
- Porque, veja - continuou o Homem Ilustrado - estas Ilustrações predizem o futuro.
Olhei-o em silêncio.
- Durante as horas do dia, ainda vá - prosseguiu ele; posso arranjar trabalho por um dia. Mas à noite, elas movem-se. As imagens ganham vida própria.
Creio que sorri.
- Desde quando está Ilustrado?
- Em 1900, tinha eu vinte anos, trabalhava numa feira e parti uma perna. O acidente imobilizou-me. Tinha que arranjar trabalho para me manter. Então decidi fazer-me tatuar.
- Mas quem o tatuou? O que aconteceu ao artista?
- Ela voltou para o futuro... É exactamente isso que quero dizer. Uma velha mulher, numa casinha algures no Wisconsin, em algum sítio não longe daqui. Uma velha e pequena feiticeira que tinha o ar de ter mil anos em certos momentos, e vinte no instante imediato. Mas afirmava que se podia deslocar no Tempo. Ri-me. Mas, já não o faço agora!
- Como a  encontrou?
Relatou-me, então, a história. Tinha visto na margem de uma estrada, uma tabuleta pintada: "Ilustrações sobre a pele!" Ilustrações, e não tatuagens! Foi no decorrer de uma noite que as agulhas mágicas da mulher o morderam como vespas, o picaram como abelhas, o sugaram como sanguessugas. Chegada a manhã, tinha o aspecto de um homem que tivesse passado sob uma prensa polícroma, muito liso, multicolor, cintilante.
- Procurei-a todos os Verões durante cinquenta anos - terminou ele estendendo os braços. "Quando encontrar a feiticeira, matá-la-ei!"
O Sol desaparecera. As primeiras estrelas brilhavam no firmamento e a Lua iluminava os campos de trigo e os prados. As imagens do Homem Ilustrado brilhavam como carvões, na penumbra, como rubis e esmeraldas, com as cores das telas de Van Gogh, de Klee e os corpos alongados de Greco.
Quando as imagens se movem, as pessoas mandam-me embora. Ninguém gosta de as ver, tanto mais que nas minhas Ilustrações se passam coisas espantosas. Cada uma delas é uma históriazinha. Se as observar, elas contar-lhe-ão, em poucos minutos, uma história. Em três horas, verá desenrolar-se uma vintena de histórias sobre o meu corpo. Poderá ouvir vozes, aperceber pensamentos. Tudo aí está, basta que olhe. Mas há, sobretudo, um certo local.
Mostrou-me o dorso.
- Está a ver? Não há um único desenho regular na espádua direita. Está tudo misturado.
- Realmente, assim é!..
- Sempre que estou muito tempo com alguém, esta zona cobre-se de sombras, depois aparece isso. Se estou com uma mulher, a sua imagem surge ao fim de uma hora no meu dorso, e ela vê aí retratada toda a sua vida: como vai viver, como morrerá, como terá o rosto aos sessenta anos. E se é um homem, a imagem surge no meu dorso ao fim do mesmo tempo. Pode ver-se caído de uma falésia ou esmagado por um comboio. Então, mandam-me de novo embora.
Enquanto falava, percorria as mãos pelas Ilustrações, como para ajeitar as molduras, limpar-lhes o pó; gesto de conhecedor, de amador de arte. Estava agora estendido ao comprido, sob o luar. A noite estava quente, sufocante, até, sem uma aragem. Tínhamos tirado as camisas.
- E nunca mais encontrou essa mulher?
- Nunca mais!
- Acredita que ela veio do futuro?
- Se assim não fosse, como poderia conhecer as histórias que pintou no meu corpo?
Cerrou os olhos, fatigado. A sua voz tornou-se menos distinta. 
- Por vezes, durante a noite, sinto-as moverem-se como formigas sobre o corpo. Sei, então, o que têm a fazer. Nunca as olho. Tento, somente, ter algum repouso, porque durmo pouco. Não as olhe também, previno-o. Volte-se para o outro lado para dormir.
Deitei-me a alguma distância. O homem não me parecia capaz de violência e as imagens eram muito belas. Se não fosse isso ter-me-ia ido embora, acabando com a conversa. Mas as Ilustrações...
 Deixei os olhos percorrê-las. Podia ouvir o Homem Ilustrado respirar, banhado pelo luar. Ao longe, os grilos trilavam suavemente nas ravinas. Deitei-me de lado para observar as imagens. Decorreu talvez uma meia-hora. Não poderia dizer se o Homem Ilustrado dormia, mas de repente ouvi-o dizer num murmúrio:
 - Estão a mover-se, não é verdade?
 Esperei um momento. Depois murmurei:
 - Sim, movem-se.
 As imagens animavam-se, cada uma por sua vez, durante um ou dois minutos. Ali, sob a Lua, com pequenos pensamentos, que vibravam e vozes distantes como as do mar, vi desenrolar-se cada um daqueles pequenos dramas. Uma hora, duas horas, até quando? Será difícil dizê-lo. Sei somente que ali fiquei, fascinado, sem me mover, sob as estrelas que rodavam no céu.
Dezoito Ilustrações. Dezoito histórias. Contei-as uma a uma. 
Fixei os olhos numa cena: uma grande casa com duas figuras no interior. Vi o ovvo de abutres num céu tórrido de leões. E ouvi vozes. 
A primeira imagem estremeceu e animou-se.

E assim principia a maravilhosa e extraordinária aventura de O Homem Ilustrado, cujo corpo marcado por sacrílega operação, nos faz desfilar diante dos olhos dezoito histórias assombrosas, que se interligam, condicionadas no espaço material de um livro. Tal como o Universo, essas dezoito histórias poder-se-iam expandir pelo Infinito, desenvolverem-se sobre si próprias... mas, esse trabalho competirá à imaginação do leitor depois de ter lido, até ao fim.  

Contos publicados na obra: 

  1 - A Selva
  2 - Caleidoscópio 
  3 - O Encontro
  4 - A Auto-Estrada
  5 - O Homem
  6 - A Chuva
  7 - O Homem do Espaço
  8 - As Bolas de Fogo
  9 - A Derradeira Noite
10 - Os Banidos
11 - Sem Tempo, no Espaço
12 - A Raposa e a Floresta
13 - O Visitante
14 - A Betoneira
15 - Autómatos Sociedade Anónima
16 - A Cidade
17 - A Hora H
18 - O Foguete

nº 33 - Fahrenheit 451


Autor: Ray Bradbury
Título original: Fahrenheit 451

1ª Edição: 1953
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Lima de Freitas
(iniciam-se nesta obra as capas de Lima de Freitas)
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº32 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Fahrenheit 451 - a temperatura a que um livro se inflama e consome...

O mundo está organizado e a felicidade é obrigatória. Todos possuem paredes com imagens animadas, robots domésticos, casas climatizadas e ignífugas. Os bombeiros, guardas da ordem social, nada mais têm que uma função: queimar os livros, fonte de todos os perigos e descontentamentos. Para quê livros, num mundo em que todos são felizes, para quê ler quando as paredes da sala passam o dia, ininterruptamente, a dar espectáculos a três dimensões, coloridos, devertidíssimos... para quê ler, quando basta introduzir o micro-rádio na orelha para a música, os anúncios, os discursos nos acompanharem por toda a parte...
Mas, ao encontrar Clarisse, uma estranha e misteriosa rapariga, o bombeiro Montag sente nascer em si bizarros pensamentos. Faz perguntas a si mesmo, quer saber onde estão as verdadeiras riquezas da vida. Enfim, rouba livros em vez de os queimar e começa a ler. Todas as desgraças em potência se vão abater sobre ele. O mundo da felicidade desmorona-se e o absurdo de uma existência demasiado perfeita é-lhe patenteado. Depressa vê a sua própria casa  a arder, queimada por ele mesmo, a sua mulher partir sem o olhar. Depressa se torna um assassino e um perseguido, um fora da lei fugindo, através da cidade, de um cão-polícia mecânico e infalível.

É então que encontra aqueles que ainda conservam em si o conhecimento e a sabedoria... Mas a guerra, a guerra que ninguém espera porque ninguém quer ver para além da sua felicidade em série, rebenta, explode num inesperado que tudo destrói.
E Montag segue o caminho do futuro, com aqueles que, de olhos bem abertos, se propõem, um dia, "a construir a maior pá mecânica da História, cavar o maior túmulo de todos os tempos, e enterrar a guerra"...

Esta obra foi adaptada para o Cinema em 1966, por François Truffaut:

 

nº 55 - Os Frutos Dourados do Sol


Autor: Ray Bradbury
Título original: The Golden Apples of the Sun
1ª Edição: 1950
Publicado na Colecção Argonauta em 1960
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº54 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

É este o último livro de Ray Bradbury, o autor de Crónicas Marcianas, O Homem Ilustrado e Farhenheit 451, que a Colecção Argonauta já teve o prazer de apresentar aos leitores portugueses.
Ray Bradbury é hoje, indubitávelmente, uma das figuras de proa da Ficção-Científica e até mesmo uma das mais notáveis figuras da mais recente geração literária americana. Dele disse o grande escritor inglês Angus Wilson: "é um dos mais brilhantes e fascinantes escritores que tenho conhecido"; e Christopher Isherwood afirmou: "Crónicas Marcianas é, até agora, o meu livro favorito entre todos os dos jovens escritores americanos contemporâneos".
Em Os Frutos Dourados do Sol reúnem-se doze dos mais notáveis contos em que a poesia, a crítica social, a imaginação e a realidade se combinam perfeitamente, para nos transportar a um mundo que, sendo o nosso, é igualmente um mundo mágico em que pessoas e coisas adquirem um valor particular e se transformam em seres que nos parecem existir simultâneamente em um ou vários universos diferenciados.
Desde a realidade ao mesmo tempo irónica e lírica de O Grande Incêndio até ao extraordinário conto que encerra e dá o nome ao livro, Os Frutos Dourados do Sol, onde se reencontra mais uma vez o mito de Prometheu trazendo o fogo aos homens - e, com o fogo, o conhecimento -, todos os doze contos são pequenas obras-primas de um estranho sabor que pedem, podemos dizer, paladares requintados para a sua completa apreciação.
Um homem que assassina a sua casa... um outro que insistia em passear à noite, passear apenas, quando já não havia quem passeasse... Um monstro pré-histórico que vem dos fundos do passado e dos abismos para responder ao apelo da voz que o chama, a voz de um farol... O caçador que procura, mergulhando no tempo, sensações violentas na caça ao Tiranossauro e que, por pânico, altera paradoxalmente o futuro... um homem do lixo que se recusa a limpar o liso de uma possível futura guerra atómica...
São estes outros tantos motivos para Ray Bradbury nos dar a sua visão do mundo, ora amarga, ora cheia de esperança, mas sempre pessoal, sempre feita de "um mundo de curiosa beleza, fulgurante de simpatia, atravessado pelo humor", conforme diz dele a revista Punch
São estes Frutos Dourados do Sol que a Colecção Argonauta se orgulha de apresentar no seu próximo volume. 

Contos publicados na obra:

   1 - A Sereia entre o Nevoeiro
   2 - O Homem que Passeava
   3 - O Deserto
   4 - O Criminoso
   5 - Bordado
   6 - O Grande Jogo entre Negros e Brancos
   7 - Um Som de Trovão
   8 - A Campina
   9 - O Homem do Lixo
 10 - O Grande Incêndio
 11 - Adeus e Boa Viagem
 12 - Os Frutos Dourados do Sol

Nota: o conto intitulado Um Som de Trovão, inspirou o filme com o seu título, realizado em 2005 por Peter Hyams, com Edward Burns, Ben Kingsley e Catherine McCormack nos principais papéis. O dvd, tem edição nacional.


 

nº 93 - As Máquinas da Alegria



Autor: Ray Bradbury
Título original: The Machineries of Joy
1ª Edição: 1964
Publicado na Colecção Argonauta em 1965
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Braga e Maria Isabel Morna Braga

Súmula - foi apresentada no livro nº92 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Ray Bradbury é mundialmente considerado um poeta da ficção-científica, embora as suas obras sejam publicadas como prosa. Mas não é essa a razão única do seu incomensurável prestígio em todos os países - e são muitos - em que os seus livros se encontram publicados. É que, além do indisputável valor formal das suas criações, a que uma radiante e comunicativa fantasia confere a graça alada de  um sorriso maravilhado, é Ray Bradbury um escritor que encara o mundo com um olhar crítico, inserindo nos seus romances um insinuante sentido social. Em As Máquinas da Alegria, o seu livro mais recente, Ray Bradbury manifesta, em sumo grau, as qualidades que o fizeram célebre e que o tornaram um dos escritores favoritos dos leitores portugueses de FC. 

Nota: embora esta colectânea tenha sido intitulada pela Colecção Argonauta, ao que parece, inspirada na obra The Machineries of Joy, esta obra originalmente tem 21 contos e não  apenas os 11 que aqui aparecem. Posteriormente, no nº 97, a Colecção Argonauta publica mais 8 contos, num livro a que dá o título de O Abismo de Chicago. No entanto, a obra de Isaac Asimov foi publicada em apenas um volume, tendo a Colecção Argonauta optado pela sua divisão em duas partes, penso que por razões editoriais. Teria sido na minha opinião de bom tom, terem contextualizado a opção aos leitores, em vez de lhes fazer crer tratar-se de duas obras distintas.

Verifica-se aliás, que mesmo assim, apesar da publicação da obra original em dois volumes (nº 93 e nº 97), faltam dois contos relativamente à obra original, intitulada The Machineries of Joy, pois esta tem 21 contos, enquanto o total de narrativas nas duas edições publicadas pela Colecção Argonauta, somam apenas 19 contos. Relativamente à obra original, faltam os contos:

* Some Live Like Larazus
* A Miracle of Rare Device 
 
Os contos publicados nesta obra são:

  1 - As Máquinas da Alegria
  2 - Aquele que Espera
  3 - Tyrannosaurus Rex
  4 - As Férias
  5 - O Tambor de Shiloh
  6 - Cultivem Cogumelos, Rapazes!
  7 - Ia Sendo o Fim do Mundo
  8 - Teremos de Nos ir Embora Daqui
  9 - O Marinheiro que Deixou o Mar
10 - Dia de Finados
11 - A Mulher Ilustrada

 Capa da obra original (com 21 contos):

nº 97 - O Abismo de Chicago


Autor: Ray Bradbury
Título original: The Machineries of Joy
1ª Edição: 1964
Publicado na Colecção Argonauta em 1965
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Braga e Maria Isabel M. Braga 

Súmula - foi apresentada no livro nº96 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Ray Bradbury regressa à Colecção Argonauta com mais um volume de contos, na sequência de As Máquinas da Alegria, cujo sucesso ultrapassou todas as previsões.
Como nesse volume, a graça, o lirismo, o perfeito senso de humor de que Ray Bradbury é dotado, aliam-se a uma prodigiosa fantasia, conduzindo o leitor a um reino maravilhoso, cuja realidade é tão viva como a de um nosso mundo.
Mantendo-se no interior dos limites da FC, novo género literário que dia-a-dia alcança novas e cada vez mais vastas camadas de leitores, Ray Bradbury tem uma voz pessoal e inconfundível, que o elevou ao primeiro plano dos mestres de FC do nosso tempo.
A Colecção Argonauta, que se orgulha de ter editado, em Portugal, obras valiosas como Os Frutos Dourados do Sol, Farenheit 451, O Homem Ilustrado, O Mundo Marciano e As Máquinas da Alegria, honra-se de apresentar agora, em escrupulosa tradução do escritor Mário Braga e de Maria Morna Braga, esse livro extraordinário, que se intitula O ABISMO DE CHICAGO.

Nota: embora esta colectânea tenha sido intitulada pela Colecção Argonauta, ao que parece, inspirada no conto A Caminho do Abismo de Chicago (o penúltimo conto da obra), o título original da mesma é The Machineries of Joy, exactamente o mesmo título da obra publicada com o nº 93. Esta obra de Isaac Asimov foi publicada em apenas um volume, tendo a Colecção Argonauta optado pela sua divisão em duas partes, penso que por razões editoriais. No entanto, teria sido na minha opinião de bom tom terem contextualizado a opção aos leitores, em vez de lhes fazer crer tratar-se de duas obras distintas.

Verifica-se aliás, que mesmo assim, faltam dois contos relativamente à obra original, intitulada The Machineries of Joy, pois esta tem 21 contos, enquanto o total de narrativas nas duas edições publicadas pela Colecção Argonauta, somam apenas 19 contos. Relativamente à obra original, faltam os contos:

* Some Live Like Larazus
* A Miracle of Rare Device

 Os contos publicados nesta obra são:

1 - E Assim Morreu Riabouchinska
2 - O Mendigo da Ponte
3 - A Morte e a Donzela4 - Um Bando de Corvos
5 - O Mundo Ideal
6 - O Ganha-Pão de Juan Diaz
7 - A Caminho do Abismo de Chicago
8 - A Corrida do Hino

Os contos publicados no total das duas obras da Colecção Argonauta, são:

  1 - As Máquinas da Alegria
  2 - Aquele que Espera
  3 - Tyrannosaurus Rex
  4 - As Férias
  5 - O Tambor de Shiloh
  6 - Cultivem Cogumelos, Rapazes!
  7 - Ia Sendo o Fim do Mundo
  8 - Teremos de Nos ir Embora Daqui
  9 - O Marinheiro que Deixou o Mar
10 - Dia de Finados
11 - A Mulher Ilustrada 
12 - E Assim Morreu Riabouchinska
13 -  O Mendigo da Ponte
14 - A Morte e a Donzela
15 - Um Bando de Corvos
16 - O Mundo Ideal
17 - O Ganha-Pão de Juan Diaz
18 - A Caminho do Abismo de Chicago
19 - A Corrida do Hino 

Capa da obra original (com 21 contos):


nº 108 - A Cidade Fantástica



Autor: Ray Bradbury
Título original: Dandelion Wine
1ª Edição: 1957
Publicado na Colecção Argonauta em 1966
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Jorge Rosa

Súmula - foi apresentada no livro nº107 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

No seu estilo vigoroso e poético, reminiscente de Caldwell e Steinbeck, Ray Bradbury dá-nos em traços sóbrios o retrato de uma pequena cidade perdida na planura escaldante do Illinois, nos anos vinte. Através de uma galeria de personagens típicas de recorte magistral, revela o que de fantástico alberga em cada alma humana, em cada comunidade, desde que se tenha bem apurada a faculdade cada vez mais rara de ver para além do aspecto exterior, comezinho, das coisas. Um aglomerado banal surge-nos assim como um caleidoscópio fascinante de destinos humanos, interactuando no enquadramento físico da pradaria deserta, coberta de erva calcinada pelo Sol ardente. O sentimento de solidão e mistério é, por vezes, esmagador. Dois garotos, os irmãos Tom e Douglas Spaulding, servem de traço de união entre episódios sem qualquer relação entre si, que eles comentam e em que intervêm. Oscilando entre o trágico e o cómico, ora sério, ora faceto, mas sempre profundo e absorvente, Ray Bradbury vai traçando em pinceladas seguras, de notável fidelidade psicológica, um quadro inolvidável da epopeia do quotidiano, com as suas grandezas e misérias, num contraponto constante entre o sonho e a realidade. Leo Auffmann e a máquina da felicidade, o Corolnel Freeleigh e a sua nostalgia da juventude irremediávelmente perdida, as irmãs Fern e Roberta e a sua máquina verde, a tocante despedida de John Huff e Douglas Spalding, Elmira Brown e a sua magia negra, o extraordinário episódio de amor entre Helen Loomis e Bill Forrester, Lavinia e o Solitário, a boneca de cera que predizia o futuro, o ferro-velho e a sua milagrossa faculdade de curar, e, como uma constante sinistra, a presença ameaçadora da ravina - nestes e noutros episódios Ray Bradbury afirma-se como um escritor de garra, em que a sobriedade corre parelhas com um estilo altamente  poético e acentua a sua visão subtil e profunda da vida.
Depois de obras como Fahrenheit 451, O Homem Ilustrado, O Mundo Marciano, Os Frutos Dourados do Sol, As Máquinas da Alegria, (todas elas incorporadas na Colecção Argonauta da editorial "Livros do Brasil", é uma honra poder apresentar mais um romance - um romance do "estranho" e do "fantástico" -, que é, ao mesmo tempo, um poema extraordinário desse grande escritor da Ficção-Científica chamado Ray Bradbury.

Nota do Editor:

Pareceu indispensável ao Editor português de Ray Bradbury antepôr uma breve nota a este romance estranho, e a mais de um título perturbante, deste grande escritor de Ficção-Científica. Estanho e perturbante não só pelo clima, a um tempo real e maravilhoso que Ray Bradbury soube criar, com mestria consumada, nas páginas densas e arrebatadoras de A Cidade Fantástica, como também porque este romance pode porventura despertar no leitor algumas interrogações pertinentes sobre a índolo autêntica desta obra.
É a esse propósito que gostaríamos de nos deter, em franca e despretensiosa palestra. sobre alguns problemas referentes à difícil definição deste novo género literário.
Digamos desde já, que as fronteiras da Ficção-Científica não se encontram delimitadas com rigorosa precisão. De resto, talvez não haja nenhum género literário cujos limites se encontrem codificados para todo o sempre. Todas as pretensões realizadas nste sentido acabam por desvanecer-se perante o génio. Os escritores dotados de espírito criador poderoso e forte - e são esses que marcam os momentos culminantes da História Literária - não raro se não eximiram à tarefa de estilhaçar tranquilamente os moldes canónicos que lhes aprisionavam a imaginação.
O mesmo sucede no campo da Ficção-Científica e desse facto é Ray Bradbury um dos exemplos mais assinalados. A Ficção-Científica não se caracteriza, se não estamos em erro, nem pela antecipação nem pelo facto de a acção - quando existe - se desenrolar em planetas diferentes da Terra ou em zonas do Universo que se não confinam às nossas dimensões de seres terrestres. Tão pouco se caracteriza pelo tipo de episódios e de heróis que habitualmente, e de forma predominante, povoam as criações dos seus cultores. Além desse tipo de obras, aliás devidamente representadas na Colecção Argonauta, na qual têm  por igual o seu devido lugar, há obras lídimamente de Ficção-Científica que, representando uma incursão no reino do possível, do ainda não-realizado, podem com justos motivos incluir-se neste novo género literário.
Estão nesse caso os livros mais recentes de Ray Bradbury, o escritor a quem já se chamou "o Poeta da ficção-científica". Pelo que respeita à Cidade Fantástica, parece ter sido preocupação essencial do seu Autor o mostrar até que ponto o real quotidiano esconde o maravilhoso e o  possível, até que ponto a imaginação e a sensibilidade podem revelar o fantástico existente, sem disso nos apercebermos, na nossa experiência quotidiana. Foi desse ângulo que, por nossa parte, lemos A Cidade Fantástica e decidimos da sua inclusão na Colecção Argonauta, certos de que a sua publicação viria contribuir para o conhecimento mais profundo de uma das suas linhas dominantes. Além disso, como seria possível ficarmos insensíveis à beleza de um estilo cujo valor se impõe a qualquer leitura, de um estilo que é dos mais puros e da mais rara beleza entre os mais belos e mais puros da Literatura Contemporânea?
Os caminhos da Ficção-Científica são vários e diversos. Esforçamo-nos por que todos eles tenham na Argonauta o seu lugar: desde o romance de acção e aventura nos astros ignotos, em sistemas desconhecidos, até aos romances-previsão, aos romances-problemas, e também aos livros de Ficção-Científica poética, como são os de Ray Bradbury, e entre os quais avulta A Cidade Fantástica, que temos a honra e o prazer de apresentar. 

Nota: uma obra fantástica do Poeta da ficção-cientifica... e uma capa lindíssima, na minha opinião!

nº 224 - A Árvore Sagrada



Autor: Ray Bradbury
Título original: The Halloween Tree
1ª Edição: 1972
Publicado na Colecção Argonauta em 1975
Capa: Manuel Dias

Tradução: Maria Emília Ferros Moura


Súmula - Foi apresentada no livro nº223 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Bradbury, um verdadeiro monstro sagrado da antecipação e da ficção-científica, regressa ao convívio dos leitores da Colecção Argonauta com uma das obras que lhe tem trazido mais renome: A ÁRVORE SAGRADA. Trata-se de um texto conseguido na mais pura tradição da novela de terror, mas veiculado para as sendas menos aproveitadas da ficção de antecipação, resultando num complexo em que a magia, o suspense, o horror e o macabro acabam por definir um universo desenquadrado da realidade mas amplamente documentado no mundo da aparência, da inverosimilhança e do encanto trágico. Algumas personagens de A ÁRVORE SAGRADA ficarão indelévelmente inscritas na teoria da ficção fantástica, recordando Poe, Bierce e Washington Irving, em suma, os melhores clássicos de uma tendência da novelística moderna cuja história nos ofereceu já alguns momentos maiores da Literatura. 

Nota: uma das obras de referência do Ray Bradbury. Uma obra fascinante que quem gosta do universo cinematográfico do Tim Burton não pode deixar de apreciar. Um bocadinho do Estranho Mundo de Jack relativamente ao encantamento e ambiente algo tenebroso... e (para mim) um bocadinho também dos Esteiros (Soeiro Pereira Gomes) em termos da amizade e companherismo entre as crianças... com o Caldeiro a substituir o Gineto!

nº 246 - O País de Outubro



Autor: Ray Bradbury
Título original: The October Country
1ª Edição: 1948
Publicado na Colecção Argonauta em 1978
Capa: Manuel Dias
Tradução: Maria Emília Ferros Moura

Súmula - Foi apresentada no livro nº245 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

A imaginação de Ray Bradbury e a efabulação que lhe dá estrutura parece não conhecerem limites! O campo dos possíveis, que, no grande escritor, se vai expandindo como um universo, é explorado, de obra para obra, com crescente audácia.
Em O País de Outubro, Bradbury quer fazer reviver - é essa, pelo menos, a sua intenção aparente - o velho tema do narcisismo. Mas, enquanto Narciso se apaixonou pela sua própria imagem reflectida nas águas, o "herói" deste romance apaixona-se por... (E, aqui, nada mais antecipamos para o Leitor).
Nas mãos de Bradbury, os milenários fantasmas que povoam o psiquismo humano ganham corpo e esqueleto para se movimentarem, objectivamente, num mundo que só por ilusão ou candura se tomará como regido pela mais desenfreada fantasia. O absurdo tem, com efeito, as suas leis. Caberia aqui, falar de Jung e do seu conceito do inconsciente colectivo. Mas talvez que os espíritos mais delicados achassem escandalosa a aproximação, mesmo que só por hipótese, entre o grande sábio suiço e o popular autor de ficção-científica norte-americano...
De qualquer modo, o acenar a esse longínquo antepassado que usou, literáriamente, o pseudónimo de Lewis Carroll, não parecerá despropositdo a propósito da obra de Ray Bradbury. Na realidade, o que é a Alice no País das Maravilhas senão, de uma ponta a outra, uma projecção fantasmagórica que dá corpo e dimensão, no écrã deste nosso mundo, à lógica de um mundo que sabemos ser outro, outro e acaso mais real do que as aparências por entre as quais nos movemos, como se elas fossem mesmo a realidade? Neste aspecto, as hipóteses de indagação tornam-se quase infinitas...
O País de Outubro vem, mais uma vez, confirmar o génio sem limites de Ray Bradbury!

Nota: os contos publicados são os seguintes:

  1 - O Anão
  2 - O Monóculo Vigilante de H. Matisse
  3 - O Esqueleto
  4 - O Frasco
  5 - Nem Todos Viajam da Mesma Maneira
  6 - O Mensageiro
  7 - A Mulher Demoníaca
  8 - A Foice
  9 - O Tio Einar
10 -  O Vento
11 - Era uma vez uma Velha
12 - Regresso a Casa
13 - A Morte Maravilhosa de Dudley Stone

nº 254 - As Vozes de Marte



Autor: Ray Bradbury
Título original: I Sing the Body Electric
1ª Edição: 1969
Publicado na Colecção Argonauta em 1978
Capa: A. Pedro - (começam neste número as capas idealizadas por A. Pedro)
Tradução: Maria Emília Ferros Moura

Súmula - Foi apresentada no livro nº253 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Ray Bradbury não é um escritor vulgar no campo da ficção-científica. Notável cosmógrafo e constante prescrutador de problemas cosmonáuticos, escreveu mais de 350 novelas e contos neste âmbito literário, dando provas de uma fertilíssima e inesgotável imaginação.
Mas não se dedicou sómente à aventura planetária. Filmes como Moby Dick e 451º Fahrenheit, para os grandes realizadores John Huston e François Truffaut, brotaram da sua incansável pena, em magistrais adaptações cinematográficas. 
Livros do Brasil, sempre na vanguarda das publicações best-seller internacionais, honra-se de já ter apresentado ao público português, através da sua Colecção Argonauta, sete obras deste incomparável criador de mistério e acção na imensa órbita do Espaço e do Tempo: 
O Mundo Marciano (nº6); O Homem Ilustrado (nº18); Fahrenheit 451 (nº33); Os Frutos Dourados do Sol (nº55); As Máquinas da Alegria (nº93); Os Abismos de Chicago (nº97) e a A Cidade Fantástica (nº108). 
Ray Bradbury alcança combinar maravilhosamente o estímulo excitante dos temas com uma forma literária clara a simples e simultâneamente eivada de uma poética preocupação quanto aos problemas sociais, que noutras galáxias são espelho da insatisfação, insegurança e revolta que afligem os "terrestres" contemporâneos, na eterna esperança de uma nova Utopia.
Este livro, compilação de 10 contos profundamente bem concebidos, vem, uma vez mais, demonstrar a elevada dimensão do autor como mágico da ficção espacial.
Bradbury consegue jogar com factos insólitos e estados psicológicos como se movesse figuras de xadrez no tabuleiro imaterial de uma vida futura, que - conquanto incógnita, inventada - somos impelidos a pressentir emocionalmente.
As Vozes de Marte, constitui uma obra ímpar, que o leitor dificilmente poderá esquecer.

Índice dos Contos:

   1 - Rumo a Quilimanjaro
   2 - O Terrível Incêndio da Mansão
   3 - Uma Criança do Amanhã
   4 - As Mulheres
   5 - O Motel das Galinhas Inspiradas
   6 - Ventos de Gettysburg
   7 - Sim, Todos Nos Reuniremos Junto ao Rio
   8 - Brisa de Verão, Vento de Inverno
   9 - As Vozes de Marte
 10 - A Casa que Expulsava os Indesejáveis  

Nota: A primeira parte de uma excelente colectânea de contos que li e reli imensas vezes. Chamo a atenção para o conto Uma Criança do Amanhã, muito original e de uma grande sensibilidade, que me impressionou bastante. Esta é a segunda parte de uma antologia de contos referente à obra de Ray Bradbury intitulada I Sing the Body Electric, publicada na Colecção Argonauta em dois volumes. O segundo é o nº260, publicado com o nome A Última Cidade de Marte. Li estes livros em várias férias grandes imensas vezes.
Deixo o link que fala mais sobre o original: I Sing the Body Electric

nº 260 - A Última Cidade de Marte



Autor: Ray Bradbury
Título original: I Sing the Body Electric
1ª Edição: 1969
Publicado na Colecção Argonauta em 1979
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº259 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Diz-se muitas vezes que Ray Bradbury é o maior escritor de ficção-científica. Mas não é. Ray Bradbury não é, sequer, um escritor de ficção-científica. Pode ser que tal afirmação pese a muitos dos seus admiradores. No entanto, essa é a verdade.
Ray Bradbury é um poeta. O facto de ele escrever em prosa a maior parta das suas obras, é apenas um pormenor sem importância. Ray Bradbury é um poeta. E um filósofo. Um filósofo de cuja grandeza só os amantes da ficção-científica podem hoje aperceber-se. Um filósofo que não se server de teorias obstrusas, mas sim de parábolas - como os grandes filósofos de outrora - para dar uma ideia das novas dimensões que se abrem para o homem. Das dimensões que o progresso tecnológico lhe traz e que o homem mal consegue avaliar.
Por isso, quando o Autor fala de Marte, não se trata necessariamente deste planeta do sistema solar.
No campo da imaginação, o ambiente de aventura e especulação científica pode situar-se em qualquer outro mundo de uma muito mais distante galáxia.
Ao preferir-se a designação marciana, apenas se pretendeu aproximar, no Espaço, a acção temática - decerto porque esse planeta se nos torna mais familiar na vastidão cósmica a que o olhar humano tem acesso. 
Para além da dissecação da Ciência exacta - em perpétua evolução, consoante o homem vai progredindo na investigação técnica - deve prevalecer a manifestação criadora, o génio inventivo, a divagação poética.
Ray Bradbury é o poeta. Ray Bradbury é o filósofo. Do futuro presente. Do futuro futuro. Do "hoje" que está a ser, mas ninguém quer ver. Do "amanhã" que vem aí, mas ninguém vê. O poeta-filósofo que criou "The Martian Chronicles - (O Mundo Marciano, nº6 da Colecção Argonauta), um poeta-filósofo para quem a ficção-científica não é um fim, mas um meio. Um poeta-filósofo para quem Marte é um símbolo. 
Assim, Livros do Brasil orgulham-se de apresentar mais uma obra do magistral Autor: A ÚLTIMA CIDADE DE MARTE.

Índice dos contos:

1 - Eu Canto o Corpo Eléctrico
2 - O Dia dos Túmulos
3 - Todos os Amigos de Nicholas Nickleby são Meus Amigos
4 - Forte
5 - O Homem com a Camisa Rorschach
6 - Henrique o Nono
7 - A Última Cidade de Marte
8  - Cristo Apolo

Nota: Esta obra é a segunda parte de uma antologia de contos referente à obra de Ray Bradbury intitulada I Sing the Body Electric, publicada na Colecção Argonauta em dois volumes. O primeiro é o nº254, publicado com o nome As Vozes de Marte. Este conjunto de obras, corresponde a uma excelente colectânea de contos do Poeta da Ficção Científica. Li este livro em várias férias grandes imensas vezes.
 Deixo o link que fala mais sobre o original: I Sing the Body Electric

nº 331 - Muito Depois da Meia-Noite 1



Autor: Ray Bradbury 
Título original: Long After Midnight
1ª Edição: 1974
Publicado na Colecção Argonauta em 1985
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº330 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Uma obra de Bradbury, é sempre um acontecimento.
Ray Bradbury é o mais celebrado autor de ficção-científica - diz-se frequentemente. Não obstante, o aspecto científico, sem ser puramente negado, não é fundamental no seu trabalho. Os outros mundos, os progressos da tecnologia - mais do que os da ciência -, são simultâneamente o pano de fundo e a mola real dos problemas humanos que ele analisa com um toque de poesia jamais igualado.
Muito Depois da Meia-Noite - a versão portuguesa de Long After Midnight - contém 22 histórias, versando temas tão inesperados como o da Garrafa Azul do planeta Marte, até ao da barra de chocolate abençoada pelo Papa, bem guardada numa igreja, não se sabe onde... Histórias bizarras, sem dúvida. Histórias pungentes, algumas. Histórias de Bradbury, todas elas. E, como tal, magistrais. Por razões técnicas, Muito Depois da Meia-Noite será dividido em dois volumes.
Eis como se inicia a presente colectânea: 
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Os relógios de sol tinham-se tornado em pedrinhas brancas. As aves do ar voavam agora em velhos céus de rocha e areia, enterradas, as suas canções paradas. Os fundos do mar morto eram atravessados por correntes de poeira que inundavam a terra quando o vento decidia reviver uma velha lenda de absorção. As cidades estavam no fundo de celeiros de silêncio, onde o tempo era armazenado e mantido, lagoas e fontes de quietude e memória.
Marte estava morto.
Então, da grande calma, de uma grande distância, veio um som de insecto que se tornou maior entre as colinas cor de canela e se moveu pelo ar queimado pelo Sol até a estrada tremer e a poeira ser sacudida e cair num murmúrio, nas velhas cidades.
O ruído cessou.
No silêncio tremeluzente do meio-dia, Albert Beck e Leonard Craig estavam num velho carro de superfície, olhando uma cidade morta que não se movia sob o olhar deles, mas aguardava o seu grito:
- Olá!
Uma torre de cristal caiu numa chuva de poeira fina.
- Quem está aí?
E outra tombou. E outra e mais outra abateram-se, quando Beck gritou por elas, chamando-as à morte. Em voos estilhaçantes, animais de pedra com grandes asas de granito mergulharam para chocar contra os pátios e as fontes. O grito dele chamou-os como se fossem bestas vivas, e os animais deram resposta, roncaram, estalaram, ergueram-se, rebolaram, trémulos, hesitantes e, depois, cortaram o ar e mergulharam com a boca num esgar e os olhos vazios, com dentes afiados e eternamente esfomeados, subitamente imobilizados e atirados como metralha sobre os mosaicos.
Beck aguardou. Não caíram mais torres.
- Agora estamos em segurança. Podemos sair.
Craig não se moveu. - Pela mesma razão?
Beck moveu a cabeça afirmativamente.
- Por uma maldita garrafa! Não compreendo. Porque é que toda a gente a quer?
Beck saíu do carro.
- Aqueles que a encontraram, nunca o disseram. Mas... é antiga. Antiga como o deserto, como os mares mortos... e ninguém faz ideia do que ela contém.
- É o que diz a lenda. E como ninguém sabe o que ela contém... bem, isso desperta a fome de um homem.
- A tua e não a minha - notou Craig. A sua boca mal se moveu; tinha os olhos meio-fechados, um pouco divertidos. Espreguiçou-se. - Vim somente pelo passeio. É melhor observar-te do que estar aí ao calor.

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Indice dos Contos:

A Garrafa Azul ................................................................... 5
Uma Primavera Intemporal .............................................. 21
O Papagaio que Conheceu o Papa................................... 33 
O Homem Ardente ........................................................... 55
Um Pedaço de Madeira .................................................... 67 
O Messias ........................................................................ 77
G.B.S. - Tipo V .................................................... ............. 93
O Assassínio Absolutamente Perfeito ............................ 109 
Castigo Sem Crime ................................................. ....... 121
Passando o Domingo de Algum Modo ............................ 135 
Beba Tudo: Contra a Loucura das Multidões....... ..... ..... 149 


Nota: esta obra é uma das melhores colectâneas de contos do Poeta da Ficção Científica, Ray Bradbury. Absolutamente imperdivel.

nº 332 - Muito Depois da Meia-Noite 2



Autor: Ray Bradbury 
Título original: Long After Midnight
1ª Edição: 1974
Publicado na Colecção Argonauta em 1985
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº331 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O segundo volume e último de Muito Depois da Meia-Noite contém também onze histórias surpreendentes - onze histórias como só Ray Bradury pode escrever. 
Eis como começa a primeira:
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Intervalo à Luz do Sol

Entraram no Hotel de Las Flores numa tarde quente e verde dos fins de Outubro. O pátio interior ardia com flores vermelhas, amarelas e brancas, como chamas, que iluminavam o pequeno quarto deles. O marido era alto, de cabelos negros e pálido, e parecia que tinha andado vinte mil quilómetros para dormir: atravessou o pátio de tijoleira, levando consigo alguns cobertores, atirou-se para o pequeno leito do pequeno quarto com um suspiro de fadiga e ficou ali. Quando cerrou os olhos, a mulher de cerca de vinte e quatro anos, com cabelos amarelos e óculos de tartaruga, sorrindo ao gerente, Mr. Gonzales, correio do quarto para o carro e deste para o quarto. Primeiro transportou duas malas, depois uma máquina de escrever, agradecendo a Mr. Gonzales, mas recusando com firmeza a sua ajuda. E depois transportou um grande pacote de máscaras mexicanas que tinha arranjado na vila do lago de Patzcuaro, e voltou ao carro outra vez para ir buscar mais caixas e pacotes pequenos, e até um pneu sobresselente que eles tinham medo que algum nativo fizesse rolar pela rua empedrada, durante a noite. O rosto corado do esforço, cantarolou baixinho quando fechou o carro, examinou as janelas e correu de volta para o quarto onde o marido estava deitado, os olhos fechados, numa das duas camas.
- Meu Deus - disse ele, sem abrir os olhos. - Disse-te para escolheres um colchão "Simmons". - Deu uma palmada fatigada na cama. - É duro como uma pedra.
- Não falo espanhol - observou a mulher, ali parada, começando a mostrar-se desesperada. - Devias ter entrado e falado tu próprio ao proprietário.
Ele abriu os olhos cinzentos apenas um pouco e, voltando a cabeça, observou:
- Olha, conduzi durante toda a viagem. Limitaste-te a permanecer sentada a olhar para a paisagem. Tu é que tratas do dinheiro, dos alojamentos, da gasolina e tudo o mais. É o segundo lugar onde chegamos e encontramos colchões duros.
- Lamento muito - disse ela, ainda de pé, nervosa.
- Gosto de pelo menos dormir de noite, é tudo quanto peço.
- Disse que lamentava muito.
- Nem sequer apalpas as camas?
- Parecem boas.
- Tens de as apalpar. - Deu uma palmada na cama e um soco do seu lado.
A mulher sentou-se na sua cama e experimentou-a:
- A mim parece-me muito bem.
- Bem, não.
- Talvez a minha cama seja mais macia.
Ele rolou sobre si próprio e estendeu a mão para dar um soco na outra cama.
- Podes ficar com esta, se quiseres - disse ela, tentando sorrir.
- Também é dura - retorquiu ele, suspirando, e deitou-se de costas, fechando de novo os olhos.
Ninguém mais falou mas o quarto estava a tornar-se frio, enquanto lá fora as flores ardiam nas moitas verdes e o céu era imensamente azul. Por fim, ela levantou-se, pegou na máquina de escrever e na mala e dirigiu-se para a porta.
- Onde é que vais? - perguntou ele?
- Vou voltar ao carro. Vamos procurar outro sítio.
- Senta-te, vamos ficar aqui esta noite, meu Deus, e amanhã mudar-nos-emos.
Ela olhou para todas as caixas, caixotes e bagagens, para as roupas, para o pneu, os olhos a faiscarem. Pousou a máquina de escrever no chão.
- Raios partam isto! - gritou ela, de repente. - Podes ficar com o meu colchão. Dormirei sobre as molas.
Ele não disse nada. 
- Podes ficar com o meu colchão - repetiu ela. - Só te peço que não fales mais nisso. Toma! - Puxou a coberta e começou a tirar o colchão.
- Talvez seja melhor - concordou ele, abrindo os olhos, muito sério.
- Tu podes ficar com os dois colchões, por Deus! Eu posso dormir num leito de pregos! - Gritou ela. - Basta que deixes de te lamentar.
-Cá me arranjarei. - Ele voltou a cabeça. - Não seria justo para contigo.
- Será muito justo se deixares de te queixar por causa da cama; não é tão duro como isso, meu Deus, e dormirás se estiveres de facto cansado. Jesus, Joseph! 

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Nota do Editor: neste segundo e último volume de Muito Depois da Meia-Noite, Ray Bradbury afasta-se algumas vezes da ficção-científica pura, entrando no domínio do insólito. Mas Bradbury é Bradbury...

Índice dos Contos:

Intervalo à Luz do Sol ........................................................................  7
Uma História de Amor .......................................................... ............. 41
O Desejo ........................................................................................... 55
Para Sempre e a Terra ...................................................................... 67
A Melhor Parte da Sabedoria ............................................................ 89
Querido Adolfo .................................................................... ........... 107
Os Milagres de Jamie ........................................................... .......... 129
Os Jogos de Outubro ........................................................... .......... 141
O Pão de Centeio ................................................................... ....... 153
Muito Depois da Meia-Noite ................................. .................... ..... 159
Trouxe Uma Barra de Chocolate para Si .............................. .......... 167