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nº 11 - O Homem Que Vendeu a Lua

Autor: Robert Heinlein
Título original: The Man Who Sold the Moon
1ª Edição: 1950
Publicado na Colecção Argonauta em 1954
Capa: Cândido Costa Pinto (mais uma vez não é referida na edição o nome do autor da capa, mas como anteriormente deve ter sido por lapso, já na obra nº 13 volta a ser referido o nome de Cândido Costa Pinto)
Tradução: José Correia Ribeiro 

Súmula - foi apresentada no livro nº10 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Robert Heinlein - que também usa os nomes de Anson Mac Donald, Caleb Saunders, John Riverside, Lyle Monroe e Simon York - é uma das figuras mais curiosas da moderna literatura norte-americana. Nascido na cidade de Butler, no Estado do Missouri, em 1907, recebeu a sua primeira educação escolar no colégios públicos de Kansas City. Porém, facto invulgar que muito contribuiu para o desenvolvimento da sua personalidade, aprendeu a jogar o xadrez muito antes de ter aprendido a ler. E é o que tenciona continuar a fazer "quando ficar cego" - segundo ele próprio afirma, numa manifestação pessimista do que o futuro pode reservar-lhe para os seus órgãos visuais, nos quais, pelo menos, aparentemente, não tem grande confiança.
Inicialmente, Heinlein era um apaixonado pelas estrelas. Quis ser astrónomo. Todavia a vida pregou-lhe uma daquelas "partidas" que quase todos nós conhecemos e Robert Heinlein acabou por ir parar à Academia Naval dos Estados Unidos.
Prestou serviço na Marinha de Guerra norte-americana durante mais de dez anos. Mas, um dia adoeceu com gravidade. Levado a uma junta médica, passaram-no à reforma. Nesta situação, experimentou diversas profissões - mineiro, agente de compra e venda de propriedades, político e esporádicamente, estudante de Física e Matemáticas. Por último, mais ou menos ocasionalmente, escreveu uma novela de ficção científica, a que pôs o titulo de "Life-Line" (Linha da Vida). Vendeu-a à revista "Astounding Science Fiction", que a publicou em 1939. Entusiasmado com este resultado, fez uma nova tentativa literária, que foi igualmente bem sucedida e, asim, descobriu, de acordo com as suas próprias palavras, "uma maneira agradável de viver sem trabalhar".
De 1939 a 1942, Heinlein escreveu numerosas novelas sob os seus vários nomes e pseudónimos. A entrada dos Estados Uniddos na Segunda Guerra Mundial interrompeu temporáriamente a sua carreira literária.. Os anos de guerra passou-os na Estação Experimental da Marinha de Guerra de Filadélfia, ocupado em trabalhos de engenharia aeronáutica.
Com o fim do conflito, Robert Heinlein voltou à literatura de ficção, como se não tivesse havido qualquer interrupção na sua carreira. em rápida sucessão, vendeu contos, novelas e romances de ficção científica ao "Gollier's", ao "Saturday Evening Post", ao "Argosy" e a todas as outras publicações da especialidade. Depois, as suas obras tiveram a honra de passar a ser incluídas em todas as antologias de ficção científica, elaboradas pelos mais categorizados críticos do seu país. Seguiram-se traduções em diversas línguas e reedições na escala dos milhões de exemplares.
Pois é uma obra deste autor que a  "Colecção Argonauta" apresenta aos seus fiéis leitores no seu próximo volume. Conforme haverá ocasião de verificar, trata-se de uma obra arrojada e revolucionária. Mas, outra coisa não é de esperar de um escritor de faculdades tão brilhantes e de preparação intelectual tão ecléctica. Com o próximo volume da "Colecção Argonauta" o leitor adquire um passaporte para o Mundo de Amanhã, um bilhete para o incrível e fascinante mundo do futuro - um mundo onde a energia do Sol se transforma em força motriz, onde os automóveis e os comboios desaparecem para dar lugar a uma rede nacional de estradas rolantes, onde os homens anseiam pela conquista de novos mundos... e hão-de atingir as estrelas.
E tudo isto encontrará, numa maravilhosa e extraordinária antecipação, em... "O Homem que Vendeu a Lua".

Nota: um números antigos que me foi mais difícil de encontrar. O Robert A. Heinlein é um dos meus autores de obras da Colecção Argonauta preferidos, tal como é também Clifford D. Simak.

nº 20 - A Sexta Coluna


Autor: Robert Heinlein
Título original: Sixth Column
1ª Edição: 1941
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto 

Tradução de: Manuel de Sepúlveda

Súmula - foi apresentada no livro nº19 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":


Súbitamente, uma vaga amarela invade os Estados Unidos: os Panasiático que dominam todas as forças militares mercê de um avanço prodigiosamente rápido. A sólida defesa dos Estados Unidos (ou que era considerada como tal) afunda-se rápidamente, sem que tenha tempo de recorrer às suas poderosas armas, que os Panasiáticos conhecem perfeitamente.
Um homem (major Ardmore) surge na "Cidadela" - o reduto em que um grupo de cientistas orientados por Ledbetter trabalha no sentido de dar aos Estados Unidos uma arma inigualável - para lhes dar a notícia do desastre e transmitir as últimas ordens do governo de Washington antes de se afundar: "continuar a lutar". Mas a "Cidadela" deixara de ser a assembleia de sábios que fora. Ledbetter tinha morrido quando procedia à experiência de um aparelho. Com ele, e sob os efeitos da poderosa máquina, tinham perecido centenas de homens.
E Ardmore encontra-se perante a inesperada situação: em vez de um grande e escolhido grupo de sábios, meia dúzia de homens, dos quais só três são sábios; em vez de uma máquina poderosa e concluída - ou em vias de conclusão - um engenho de efeitos incontrolávelmente poderosos, mas que ninguém sabe controlar. Como cumprir, pois, as últimas ordens que Washington pudera dar: "continuar a lutar?"
Mas em Ardmore personifica-se o indomável espírito de luta da América e das suas ordens nasce uma alma nova, que afasta os sobreviventes do desânimo inicial. Sabido que os Panasiáticos apenas concedem aos americanos a liberdade religiosa, tendo eliminado todos os vestígios de cultura e educação tipicamente americanos, ao mesmo tempo que eliminam todo o espírito de revolta pelos massacres a que procedem, quando surge qualquer protesto, funda-se uma nova religião. Religião que, abandonada a Casa-Mãe, alastra por todo o território dos Estados Unidos. Religião que tem como mais poderoso auxiliar a máquina de Ledbetter (que Calhoun e Wilker tinham conseguido ultimar e que passara a designar-se o "Ledbetter") e que consegue a protecção oficial dos Panasiáticos. Religião que entre os seus sacerdotes e os seus fiéis forma uma poderosa rede de espionagem: A Sexta Coluna. Rede de espionagem que penetra pelas mínimas frinchas do sistema de ocupação e que consegue penetrar no palácio imperial. E alcançado o palácio, abre-se uma nova perspectiva para a luta.
A Sexta Coluna encontrou soluções inesperadas para o combate e a ordem de Washington pôde continuar viva. E o "Ledbetter" e a audácia, o engenho, criam o inesperado, o fantásticamente real em que se move toda a população de uma grande potência.
E são estes valores que fazem do livro de Robert Heinlein uma leitura apaixonante e instrutiva, onde se ligam os valores científicos aos valores humanos, em que o fantástico imbrica com o real.

nº 30 - Gerações do Amanhã

  
Autor: Robert Heinlein
Título original: Beyond This Horizon
1ª Edição: 1942
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: L. de Almeida Campos

Súmula - foi apresentada no livro nº 29 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Tinham encontrado a solução de todos os seus problemas: já não existiam pobres; os doentes, os cegos, os estropiados nada mais eram do que recordações; todas as velhas coisas de guerra tinham sido esquecidas. Nunca o Homem tinha gozado de tal liberdade. Deviam ser todos muito, muito felizes...

Depois da guerra atómica de 1970 e da guerra genética que terminada pela destruição do Império do Grande Khan, o Homem tinha conseguido eliminar totalmente a destruição em massa. O aperfeiçoamento biológico quase total da raça tinha, no entanto, mantido, como necessidade fundamental, o espírito combativo. E a liberdade de acção de que o homem gozava, permitia-lhe servir-se dessa liberdade para exteriorizar a sua necessidade de luta. Sim, de facto uma liberdade completa, até mesmo a de se abaterem pública e mútuamente. O duelo era permitido e até, frequentemente, aconselhável. Apenas aqueles que usavam a "braçadeira de paz" estavam livres de se verem de repente abatidos... mas esses eram olhados com um certo desprezo.
Nesse mundo de homens genéticamente perfeitos, Hamilton Felix não era feliz. A sua carta cromossomática era esplêndida; devia portanto ser pai. Bastava para isso que depositasse alguns milhões de gâmetas no Banco Genético, para ajudar a realizar o "bebé óptimo". Mas Hamilton Felix não desejava ter um herdeiro. Não lhe parecia valer a pena...
E, no entanto, ainda havia descontentes. O Clube dos Sobreviventes propunha-se subverter a ordem estabelecida, acabar com a selecção genética, dar ao Homem a possibilidade de ser infeliz e ser doente... e também a de ser homem. Hamilton Felix entrou para o clube. Mas valeria a pena destruir o trabalho de séculos? Valeria a pena voltar para trás, à procura do paraíso perdido em que o homem nascia de uma mulher, em que tinha constipações e dores de dentes, em que morria de variadíssimas doenças e em que tinha o pleno direito de não concordar com a existência?
Dessa experiência de Hamilton Felix e do seu encontro com Johg Darlington Smith, homem primitivo de 1926 (que fora encontrado congelado, por uma expedição científica) resulta a solução da vida do próprio Hamilton Felix e também a certeza de que um mundo perfeito nem sempre é o melhor.

nº 39 - Estrela Dupla


Autor: Robert Heinlein
Título original: Double Star
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1957
Capa: Lima de Freitas
Tradução: H. dos Santos Carvalho

Súmula - foi apresentada no livro nº38 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Se um homem entra, vestido como um vagabundo, e agindo como se fosse o dono da casa, é com certeza um astronauta. É uma necessidade lógica. A profissão fá-los sentir donos da Criação inteira; quando pousa o pé nesta imundíce, é como se estivesse a fazer a roda dos pobres entre os aldeões. No que respeita à sua conhecida deselegância, não se pode esperar que um homem que passa nove décimas partes do seu tempo em uniforme e está mais habituado ao espaço profundo do que à civilização, saiba como vestir-se decentemente. É uma vítima dos pseudo-alfaiates que enxameiam em redor de todos os espaçoportos, apregoando: - Vestuários de terra.
Eu podia facilmente ver que esta grande carga de ossos tinha sido vestida por Omar, o Mercador - para começar, uns enchumaços demasiado grandes nos ombros, uns calções cortados de tal maneira que cada vez que ele se sentava, lhe deixavam à mostra as coxas cobertas de pêlos, uma camisa amarrotada que talvez tivesse ficado bem a uma vaca. 
Mas guardei a minha opinião para mim mesmo, e paguei-lhe uma bebida com o meu último meio Imperial, considerando isto um emprego de capital, sendo os astronautas como são no que diz respeito ao dinheiro. - "Jactos ardentes" - disse eu tocando no seu copo. Deitou-me uma rápida olhadela. Este foi o meu primeiro erro no meu trato com Dak Broadbent. Em vez de me responder "Espaço livre" - ou - "Aterrisagem segura"  - como devia ter feito, olhou-me e disse-me brandamente: "Um belo brinde, mas engana-se no homem. Nunca estive fora.
Era outra bela ocasião para fechar o bico. Astronautas não costumam vir ao bar da Casa Manana, não é o género de hotel para eles, e está a quilómetros do espaçoporto. Quando um deles se mostra em vestuários terrenos, procura um canto escuro num bar e não quer que digam que é um astronauta, isso é lá com ele. eu próprio tinha arranjado aquele cantinho para poder ver sem ser visto - devia nessa ocasião uns dinheiros por aqui e por ali, nada de importância mas um pouco aborrecido. Devia ter compreendido que ele também teria as suas razões, e respeitá-las. Mas as minhas cordas vocais viviam a sua vida pessoal, selvagem e livre. "Deixe-se de lérias, colega" - repliquei - "Se você é uma minhoca da Terra, eu sou o Governador Civil de Tycho City. Ia apostar que você já bebeu mais copos em Marte" - acrescentei, ao ver a maneira cautelosa como ele levantava o copo, indício seguríssimo dos hábitos de baixa gravidade - "que na Terra". "Fale baixo" - interrompeu ele sem mover os lábios - "O que é que o faz estar seguro que eu sou um voyageur? Você não me conhece". "Desculpe" - disse eu - "Você pode ser aquilo que lhe apetecer. Mas eu tenho olhos. Você denunciou-se no momento em que aqui entrou". - Ele disse qualquer coisa entre os dentes - "E como?" - "Não se apoquente com isso. Duvido que seja quem for tenha dado por isso. Mas é que eu vejo coisas que outras pessoas não podem ver". - Dei-lhe o meu cartão de visita, talvez um bocado presunçosamente. - "Só há um Lorenzo Smythe, o Homem-Companhia de Teatro. Sim, eu sou o Grande Lorenzo - Estéreo, ópera gravada, clássicos - Extraordinário Artista de Pantomina e Bufonaria".

Lorenzo Smythe, aliás Lorenzo Smith, não podia saber a estranha actuação profissional que começava naquele momento. Aquele encontro num bar, com um desconhecido, ia resultar para Smythe no mais extraordinário, o mais importante, se bem que o mais perigoso papel que respresentara na sua carreira profissional.
Lorenzo não o podia saber. Estando desempregado, sem casa, estava disposto a aceitar tudo o que se lhe deparasse - tudo o que fosse honesto e profissional, claro, como ele se repetia a si próprio. Mas o que ele não podia supôr era que daquele encontro resultaria como consequência imediata a sua participação num triplo assassinato, que seria raptado e levado para Marte - ele que não podia tolerar a presença de marcianos, que lhe davam náuseas. E não sonhava também que ia ser envolvido numa história de rapto político, em que poderosos interesses estavam em jogo. E Lorenzo Smythe, encontrou-se envolvido na mais fantástica luta política do século, contra misteriosos inimigos sem escrúpulos, decididos a usar todos os meios apra alcançar os seus fins: a direcção do Império Galáctico.
Como poderia Lorenzo, que nunca se metera em políticas - como ele dizia - levar a cabo a sua tarefa: combater e vencer esses poderosos inimigos? Em primeiro lugar, ele fora contratado para um simples trabalho artístico: dobrar uma estrela do firmamento político, John Joseph Bonforte, o homem mais amado e mais odiado de todo o Sistema Solar, raptado pelos seus adversários. Mas o pior quando se tem uma gata, é que ela tem gatinhos... E Lorenzo Smythe, o actor, encontrou-se adoptado pelo Ninho Kkkah, em Marte, tornando-se assim cidadão marciano, com todas as prerrogativas e deveres que isso comportava. Depois, após uma viagem atormentada, em queda livre em pleno espaço, Lorenzo é recebido pelo próprio Imperador, e obrigado a formar governo, devido aos princípios constitucionais que regiam o Império. Vivendo em New Batávia, na Lua, a capital Imperial, Lorenzo é posto diante da necessidade de tomar a decisão mais importante da sua vida, uma decisão que tinha importância para oito biliões de seres...
"Estrela Dupla", o novo romance de Robert A. Heinlein que a Colecção Argonauta agora traz a público, é a fascinante história de um actor desconhecido que, a mercê das circunstâncias, chega a ocupar a mais elevada posição do Império: Supremo Ministro de Sua Magestade Imperial Willem, Príncipe de Orange, Duque de Nassau, Grão Duque do Luxemburgo, Cavaleiro da Comenda do Santo Império Romano, Almirante General das Forças Imperiais, Conselheiro dos Ninhos Marcianos, Protector dos Pobres e, Pela Graça de Deus, Rei das Terras Baixas e Imperador dos Planetas e dos Espaços Intermédios.
Robert A. Heinlein, cientista, engenheiro, antigo oficial da marinha, viajante, autor de argumentos cinematográficos, novelista e crítico, é um dos mais fecundos e considerados escritores de ficção científica dos Estados Unidos. "Estrela Dupla" é um romance de trama imaginosa e extraordinariamente bem urdida, com um desenho de persongens que coloca o seu autor à altura de um dos mestres da escola americana de ficção-científica. Estilo quente, um apurado sentido de humor, um romance que prende e não desilude até ao seu inesperado desfecho.

nº 63 - O Tempo das Estrelas


Autor: Robert Heinlein
Título original: Time For The Stars
1ª Edição: 1956
Publicado na Colecção Argonauta em 1961
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria  


Súmula - foi apresentada no livro nº62 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Uma expedição de naves interestelares movidas por reactores atómicos parte para o espaço, numa missão de interesse vital para o género humano: a população da Terra, aumentando num ritmo incessante e extraordinário, levou à necessidade de colonização do espaço exterior.
Com a partida do primeiro navio do espaço começa O Tempo das Estrelas, o tempo do futuro.O Tempo? Que Tempo? Enquanto na Terra gerações se seguem umas às outras num período aproximado dos cem anos (tempo calculado para a viagem da expedição), os astronautas e exploradores de mundos envelhecem poucos anos a bordo das suas naves. As possibilidades de regresso, são de uma para trinta e seis. Os astronautas sabem-no. Na Terra, sabe-se também. E sabe-se, ainda, que o problema das comunicações foi satisfatóriamente resolvido. 
Como?
Vogando a uma velocidade aproximada da da luz (800.000.000 metros por segundo) a comunicação pela rádio com a Terra torna-se a partir de dada altura absolutamente impraticável. Como resolver esse problema que, por si, é suficiente para decidir do futuro da expedição?
A FLA é um organismo poderoso. Conquanto a viagem no Espaço seja praticável e segura desde há um século, os progressso da engenharia em matéria de comunicações eram reduzidos e a Fundação sabia desse facto. Era uma questão de simples lógica e dos termos a empregar nessa equação lógica...
Os termos foram Pat e tom Bartlett, dois gémeos idênticos que só a determinada altura descobriram possuírem o suave dom da telepatia.
Na verdade, como dizia a Dra. Mabel da Fundação de Longo Alcance e o Dr. Babcock (este a bordo do foguetão Lewis e Clark, irmão gémeo do Vasco da Gama), o pensamento desloca-se a velocidades superiores à da própria luz. Um gémeo telepata a bordo, poderia fácilmente transmitir por telepatia para o seu irmão gémeo que ficasse na Terra, as mensagem desejadas. Absolutamente lógico, para desespero dos especialistas de comunicações mecânicas. Simplesmente os gémeos deveriam ser novos de idade, porque, enquanto o que ficasse na Terra envelheceria considerávemelmente durante a viagem, o que nela participasse sofreria apenas o efeitos de mais alguns anos e seria ainda jovem ao regressar ao planeta-base... se regressasse!
Que se passa a bordo da Lewis e Clark? Que mundos são descobertos? Que perspectivas se abrem à humanidade? Qual a utilidade final do seu esforço?
Robert A. Heinlein, enriquece esta colecção com mais uma obra sua, que iguala em certos aspectos e noutros ainda supera, os outros trabalhos seus já publicados. 

nº 111 - Escala no Tempo



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: The Door Into Sumer
1ª Edição: 1957
Publicado na Colecção Argonauta em 1966
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº110 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Robert A. Heinlein é um dos escritores mais apreciados pelo público leitor português de FC. Romances como A Sexta Coluna, Estrela Dupla, Gerações de Amanhã, O Homem que Vendeu a Lua, O Tempo das Estrelas, constituíram outros tantos êxitos em todo o Mundo, tendo sido recebidos entre nós com o mais vivo interesse.
Com Escala no Tempo, o nome de Robert. A. Heinlein vai regressar à Colecção Argonauta, mostrando novamente o talento pujante desse extraordinário criador cuja imaginação parece inesgotável.
Traduzido em numerosos países, o presente romance de Robert A. Heinlein é uma das suas obras mais aclamadas e felizes, sendo dos livros deste autor que maior número de edições alcançaram. 
Um enredo sábiamente entretecido na base das modernas concepções científicas do Tempo, apresenta-nos situações complexas e inesperadas que nos envolvem e arrebatam a atenção. Por isso não é surpreendente que já se tenha afirmado que Robert A. Heinlein alcançou, com este romance, um dos mais elevados pontos da sua carreira, realizando um dos livros mais perturbantes da FC norte-americana.
A tradução de Escala no Tempo, foi confiada à proficiência de Eurico da Fonseca. 

Nota: outra das minhas obras preferidas da Colecção Argonauta. Um livro de ficção científica muito bem conseguido por parte de Robert A. Heinlein, que na minha opinião daria um belíssimo filme, com algo de noir... e com viagens no Tempo e também um gato chamado Petrónio!

nº 119 - Revolta na Lua 1



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: The Moon is a Harsh Mistress
1ª Edição: 1966
Publicado na Colecção Argonauta em 1967
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº118 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Robert A. Heinlein, um dos autores mais apreciados desta Colecção, volta à Argonauta com um dos seus romances mais sensacionais: Revolta na Lua - 1. Motivos de ordem técnica forçam-nos a distribuir este romance por dois números sucessivos da nossa Colecção, na certeza de que o interesse palpitante do assunto justifica plenamente a iniciativa.
Revolta na Lua - 1, transporta-nos a um ambiente de aguda crise histórica no satélite da Terra. As peripécias deste drama, que Robert A. Heinlein nos descreve com inultrapassável realismo, são narradas de uma forma empolgante, que, uma vez mais, impõe este conhecido autor entre os mais reputados do nosso tempo. 

nº 120 - Revolta na Lua 2


Autor: Robert A. Heinlein
Título original: The Moon is a Harsh Mistress
1ª Edição: 1966
Publicado na Colecção Argonauta em 1967
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº119 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Neste volume continuamos a publicar o sensacional romance de Robert A. Heinlein, que prossegue a sua narrativa pelas páginas que a seguir inserimos.

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Uma onda patriotismo varreu a nossa nação e unificou-a.
Não é o que dizem os livros de História? Francamente!
Maldito seja eu, mas organizar uma revolução não é uma coisa tão complicada como vencê-la. A vitória surgiu-nos demasiado depressa, antes que tivéssemos ocasião de preparar fosse o que fosse e quando ainda tinhamos mil e uma coisas a fazer. A Administração desaparecera n- na Lua - , mas a Administração Lunar na Terra e as Nações Federadas continuavam de perfeita saúde. Se tivessem enviado um transporte de tropas e posto em órbita um cruzador, em qualquer momento das duas semanas seguintes teriam reconquistado a Lua, sem dificuldades. Éramos apenas uma multidão desordenada.
A nova catapulta fora ensaiada, mas podíamos contar pelos dedos de uma só mão - da minha mão esquerda - o número de mísseis, de rocha enlatada, prontos a lançar. E a catapulta não era uma arma que pudesse ser usada contra naves ou tropas. Sabíamos como combatê-las fora das naves - ou melhor: tinhamos apenas noções disso. Dispúnhamos de algumas centenas de espingardas laser - baratas -, armazenadas em Hong-Kong-na-Lua, mas poucos eram os homens treinados para as usarem.
Além de tudo isso, a Administração tinha funções úteis. Comprava o gelo e o trigo, vendia o ar, a água e a energia, era proprietária de uma dúzia de pontos vitais, ou dominava-os. O que quer que se fizesse no futuro, importava que as engrenagens continuassem a funcionar. Talvez tivesse sido precipitada  a decisão de destruir as instalações da Administração, nas cidades (eu, pelo menos, pensava isso), porque os regists tinham-se perdido. Entretanto, o Professor afirmava que os Lunáticos, todos os Lunáticos, necessitavam de um símbolo que pudessem odiar e destruir, e que aquelas instalações eram muito públicas e pouco valiosas
Mas o Mike dominava as comunicações e isso significava o domínio de quase tudo. O Professor começava por fiscalizar a transmissão de notícias entre a Terra e a Lua e vice-versa, deixando a censura e a falsificação de informações a cargo do Mike, até que soubéssemos o que dizer lá para baixo, e adicionámos a subfase "M", que desligava o Conjunto do resto da Luana, e com ele o Observatório Richardson e os laboratórios anexos - o Radiotelescópio Pierce, a Estação Selenofísica, etc, os quais constituíam um problema pois os cientistas Terrenos estavam sempre a chegar e a partir, permanecendo ali seis meses no máximo, graças à centrifugadora. A maior parte dos Terrenos que se encontravam na Lua, salvo alguns turistas - trinta e quatro -, eram cientistas. Era necessário fazer qualquer coisa, quanto a eles, mas, entretanto, bastava evitar que falassem para a Terra. 
Entretanto, as comunicações telefónicas com o Conjunto permaneciam interrompidas e o Mike não permitia que as cápsulas parassem ali, mesmo depois do tráfego ter sido restabelecido, o que aconteceu logo que Finn Nielsen e os seus homens terminaram a tarefa de que haviam sido incumbidos.
Afinal, o Guardião não morrera - nem nós tínhamos pensado em matá-lo; o Professor concluíra que um Guardião vivo poderia morrer quando fosse necessário, mas que um morto não podia voltar à vida quando precisássemos dele. Por isso, havíamos planeado deixá-lo meio-morto - assegurarmo-nos de que ele e os seus guardas não estariam em condições de resistir - e depois procedermos a um assalto fulminante enquanto o Mike voltava a fornecer o oxigénio.
O Mike calculara que, com os ventiladores a funcionar a toda a velocidade, seriam necessários pouco mais de quatro minutos para reduzir o oxigénio ao zero efectivo - cinco minutos de hipóxia crescente, cinco minutos de anóxia e depois forçar a porta estanque inferior enquanto o Mike injectava oxigénio puro para restabelecer o equilíbrio. Assim não mataria ninguém - mas todos ficariam tão inconscientes como se houvessem sido anestesiados. O único perigo para os atacantes era de alguns ou de todos quantos se encontravam lá dentro terem vestido escafandros. Mas mesmo isso era improvável: a hipóxia é traiçoeira, pode-se desmaiar sem dar conta de que há falta de oxigénio. É a asneira fatal favorita dos novatos. 
De facto o Guardião sobreviveu, assim como três das suas mulheres. Mas, ainda que vivesse, era como se não existisse: transformara-se num vegetal. O cérebro estivera demasiado tempo sem oxigénio. Nenhum dos guardas voltou a si, ainda que fossem mais novos do que ele, dir-se-ia que a anoxia lhes quebrara os pescoços.
No resto do Conjunto, ninguém sofrera fosse o que fosse. Uma vez que as luzes se acenderam e o oxigénio voltou, todos ficaram bem, incluíndo os seis violadores e assassinos que se encontravam nos calabouços do quartel. Finn resolveu que fuzilá-los era um castigo demasiadamente leve; por isso tornou-se em juiz e serviu-se dos seus homens como jurados.
Os assassinos foram despidos, atados de pés e mãos e entregues às mulheres do Complexo. Até me sinto agoniado quando penso no que aconteceu em seguida, mas não creio que tenham sofrido tanto como Marie Lyons sofrera. As mulheres são criaturas interessantes - doces, suaves, gentis e muito mais selvagens do que nós.
Quanto aos espias, Adam Selene limitou-se a anunciar que certas pessoas haviam sido empregadas como informadores por Juan Alvarez, o falecido chefe dos Serviços de Segurança da Administração - e deu os seus nomes e endereços.
Um homem conseguiu sobreviver durante sete meses, mudando de abrigo de de nome. No princípio de 77, encontraram-no em Novylen, fora da porta estanque do sul. Mas a maior parte deles durava apenas algumas horas.
Durante as primeiras horas, depois do golpe de Estado, enfrentámos um problema em que nunca havíamos pensado: o próprio Adam Selene. Quem era Adam Selene? Onde estava? Era a sua revolução; tratara de todos os pormenores e todos conheciam a sua voz. Já não necessitávamos de actuar em segredo... portanto, onde estava Adam?
Discutimos isso durante quase toda a noite, no quarto L do Hotel Raffles - entre as decisões que tivemos de tomar sobre centenas de coisas que surgiram e quanto a pessoas que queriam saber o que fazer, enquanto "Adam", através de outras vozes, tratava de outras decisões que não requeriam discussão, compunha informações falsas para a Terra, mantinha o Conjunto isolado e faziam muitas outras coisas. (Não há dúvida: sem o Mike não nos teríamos apoderado da Lua nem a teríamos conservado.)
Por mim, pensava que o Professor devia tornar-se em "Adam". Fora sempre o nosso teórico e o nosso planeador; toda a gente o conhecia; alguns dos elementos mais importantes da nossa Organização, sabiam que era ele quem se ocultava sob o pseudónimo de "Bill" e todos os outros respeitavam o Professor Bernardo de la Paz - palavra de honra, ensinara metade dos principais cidadãos da cidade de Luna, muitos de outros abrigos e era conhecido de todas as pessoas importantes da Lua.
O Professor disse:
- Não!
- Porque não? - perguntou Wyoh. - Professor, optámos por si. Diz-lhe, Mike.
- Reservo o meu comentário - disse o Mike. - Quero ouvir o que o Professor tem para dizer.
- Vi que analisaste a minha questão, Mike - respondeu o Professor. - Wyoh, minha querida amiga, não me recusaria se isso fosse possível. Mas não há maneira de tornar a minha voz igual à de Adam - e todos os nossos amigos conhecem Adam pela voz: Mike tornou-a inconfundível exactamente por essa razão.
Pensámos então em fazer o Professor assumir de qualquer maneira a personalidade de Adam, mostrando-o apenas no vídeo e deixando que o Mike transformasse a voz dele na de Adam.
A ideia não foi aceite. Havia muitas pessoas que conheciam o Professor e que o tinham ouvido a falar; a voz e a maneira de falar dele não podiam ser conciliadas com a personalidade de Adam. Depois consideraram a mesma possibilidade quanto a mim... eu e o Mike tinhamos voz de barítono e não eram muitas as pessoas que me tivessem ouvido através do telefone e nenhuma que me houvesse visto no vídeo
Opus-me a isso. Já seria grande a surpresa quando soubesse que eu era um dos principais auxiliares do nosso Presidente; ninguém acreditaria que eu fosse o número um.
Disse-lhes:
-  Temos um recurso. Adam tem sido sempre um mistério, pode continuar a sê-lo. Vê-lo-ão apenas através do vídeo - com uma máscara. Professor, você dará o corpo; Mike, tu darás a voz.
O Professor abanou a cabeça.
- Creio que não haveria uma maneira mais segura de destruir a confiança que têm em nós do que possuir um chefe que usasse uma máscara. Não, Mané.
Falámos em arranjar um actor que interpretasse a figura de Adam. Não havia actores profissionais na Lua, mas dispúnhamos de bons amadores nos Artistas Populares de Luna e na Sociedade do Novy Bolshoi.
- Não - disse oProfessor -, além de necessitarmos de um actor com um carácter muito particular - um que não se resolvesse a ser um novo Napoleão -, não podemos esperar. Adam terá de começar a desempenhar as suas funções amanhã de manhã, o mais tardar.
- Nesse caso - disse eu - você encontrou a resposta. Teremos de fazer uso do Mike e nunca o apresentaremos em video. Só na rádio. Temos de encontrar uma desculpa, mas Adam nunca deve ser visto.
- Sou forçado a concordar - disse o Professor.
- Homem, meu mais velho amigo - disse o Mike - Porque dizes que nunca devo ser visto?
- Ouviste-nos? Mike, temos de mostrar um rosto e um corpo no vídeo. Tens um corpo... mas formado por toneladas de metal. E falta-te um rosto - feliz de ti, que não tens de te barbear.
- Mas porque é que não posso mostrar um rosto, homem? Neste instante estou a mostrar uma voz. Mas não há qualquer som por detrás dela. Posso mostrar um rosto do mesmo modo.
Fiquei tão estupefacto que nem respondi. Fitei o receptor de vídeo, instalado quando haviamos alugado aquele quarto. Um impulso eléctrico é sempre um impulso eléctrico. Electrões a correr atrás uns dos outros. Para o Mike, o mundo inteiro era uma série de impulsos eléctricos, enviados ou recebidos, ou circulando atrás uns dos outros nas suas entranhas.
Disse-lhe:
- Não, Mike.
- Porque não, homem?
- Porque não podes! Tratas muito bem da voz. Isso implica apenas alguns milhares de decisões por segundo, o que nada é para ti. Para formares imagens de vídeo necessitarias, digamos, de tomar dez milhões de decisões por segundo. Mike, tu és fantásticamente rápido. Mas não és tão rápido como isso.
O Mike disse suavemente:
- Queres apostar, homem?
Wyoh exclamou, indignada:
- Se o Mike diz que o pode fazer, é porque o pode! Mané, não deves falar dessa maneira. (Wyoh pensava que os electrões eram coisas semelhantes às ervilhas...)
Concordei a custo:
- Mike, não me sinto disposto a ripostar. Muito bem, queres experimentar? Ligo o vídeo?
- Posso ligá-lo - respondeu ele.
- Tens a certeza que ligarás este? Não irás apresentar o espectáculo a mais alguém?
- Não sou estúpido. Agora deixa-me trabalhar, homem, porque confesso que isto necessita de todo o meu saber.
Aguardámos em silêncio. Depois, o receptor mostrou um cinzento neutro, com um leve vestígio de linhas de varredura. Tornou a enegrecer e então uma luz suave apareceu ao meio e formou áreas nebulosas, claras e escuras, numa forma elipsóide. Não um rosto, mas sim a sugestão dele, como a que por vezes surge nas nuvens que cobrem a Terra.
A imagem tornou-se um pouco mais clara e lembrou-me as fotografias que diziam ser de um ectoplasma. O rosto de um fantasma.
De repente tornou-se nítida, e vimos Adam Selene.
Era a imagem fixa de um homem maduro. Nada havia no fundo; tratava-se apenas de um rosto, como que recortado de uma fotografia. Sim, para mim era Adam Selene. Não podia ser mais ninguém.
Depois ele sorriu, movendo os lábios e o queixo. Passou a língua pelos lábios. Tive medo.
- Que tal pareço eu? - perguntou ele.
- Adam - disse Wyoh -, o teu cabelo não deve ser tão encaracolado. E deve recuar um pouco de cada lado, sobre a testa. Assim, parece que usas um capachinho.
Mike corrigiu a imagem.
- Está melhor?
- Menos mal. E não tens covinhas nas faces? Ia jurar que te apareciam, quando ris entre dentes. Como o Professor.
Mike-Adam voltou a sorrir-se. Dessa vez, apareceram-lhe as covinhas.
- Como devo vestir-me, Wyoh?
- Estás no teu gabinete?
- Ainda estou. Nem podia deixar de ser, numa noite como esta. - O fundo tornou-se cinzento e depois surgiu em foco e a cores. Um calendário de parede, atrás dele, indicava a data: quinta-feira, 19 de Maio de 2076; um relógio indicava a hora exacta. Junto ao cotovelo dele via-se um copo de papel, com café. Na secretária estava uma imagem sólida, um grupo de família: dois homens, uma mulher e quatro crianças. Ouvia-se o ruído da Praça da Redoma Velha, abafado, mas mais alto que o usual. E também gritos e, à distância, alguém que entoava uma das canções do Simão.

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nº 124 - O Mundo Que Nos Espera 1



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Farnham's Freehold
1ª Edição: 1964
Publicado na Colecção Argonauta em 1967
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Fernanda Pinto Rodrigues 

Súmula - foi apresentada no livro nº123 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O Mundo que nos Espera é mais um grande romance de Robert A. Heinlein, um dos autores americanos de Ficção-Científica que a Colecção Argonauta apresentou entre nós e que maior sucesso tem obtido entre o público leitor português.
O Mundo que nos Espera, dividido em dois tomos na Colecção Argonauta por motivos de ordem técnica, é um romance sensacional, descrevendo as consequências fatais de um conflito nuclear.
A imaginação de Heinlein nunca foi mais viva e vigorosa do que neste romance extraordinário, cuja inclusão na Colecção Argonauta vai constituir certamente mais um alto sucesso.

nº 125 - O Mundo Que Nos Espera 2



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Farnham's Freehold
1ª Edição: 1964
Publicado na Colecção Argonauta em 1967
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Fernanda Pinto Rodrigues 

Súmula - foi apresentada no livro nº124 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
Dividido em dois tomos, por motivos de ordem técnica, segue neste número da Colecção a continuação deste famoso romance de Robert A. Heinlein, porventura um dos mais célebres deste consagrado escritor de Ficção-Científica.
Em O Mundo que nos Espera, Robert A. Heinlein dá-nos a visão apocalíptica de um mundo em derrocada, depois de um conflito à escala cósmica. A riqueza e o rigor dos pormenores, a exactidão das previsões, os dramas humanos nesse universo onde a vida subsiste por milagre, conferem a esta obra de Robert A. Heinlein um valor inestimável.
O Mundo que nos Espera não é apenas um extraordinário romance de Ficção-Científica: é também uma terrível premonição, um aviso lançado ao futuro. Dele reproduzimos algumas passagens, que nos introduzem na narrativa:
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A vida continuou. Duke caçava, Duke e Joe cultivavam a terra. Hugh trabalhava mais do que nunca. Grace também trabalhava e os seus cozinhados tinham melhorado - e o seu apetite também. Estava mais gorda. Nunca aludia à sua convicção de que o marido fora responsável pela morte da filha.
Não lhe falava, sequer. Quando era preciso discutir determinado problema, falava com o filho. Deixara, também, de assistir aos serviços religiosos.
No último mês da gravidez de Bárbara, Duke procurou o pai, numa ocasião em que estava sózinho.
- Pai, uma vez disse-me que quando eu quisesse partir, ou qualquer de nós, o podia fazer.
Hugh sobressaltou-se.
- É verdade.
- Com uma divisão equitativa... Munições, ferramentas, etc.
- Somos uma sociedade em progresso, Duke, uma companhia florescente. Tencionas partir?
- Tenciono... mas não irei sózinho. A mãe também vai, é ela que está empenhada nisso. Eu tenho as minhas razões, mas os desejos da mãe foram o factor decisivo.
- Sim... Falemos nas tuas razões. Estás descontente com o modo como dirijo as coisas? De boa vontade me afastarei, se quiseres, e estou certo de que convencerei o Joe e a Bárbara a aderirem, para que recebas apoio unânime. - Suspirou e concluíu: - Estou ansioso por entregar o fardo.
Duke abanou a cabeça. 


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nº 129 - Soldado no Espaço



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Starship Troopers
1ª Edição: 1959
Publicado na Colecção Argonauta em 1968
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº129 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

Soldado no Espaço, valeu a Robert A. Heinlein a alta e desejada consagração do Prémio Hugo, galardão reservado às obras de Ficção-Científica de maior projecção.
Soldado no Espaço é, com efeito, um dos melhores romances de Robert A. Heinlein, um dos mais discutidos e mais apreciados de uma carreira todavia escalonada dos mais retumbantes sucessos.
Robert A. Heinlein, cuja obra se encontra largamente representada na Colecção Argonauta, tem neste romance uma das suas mais felizes recordações, tendo obtido junto do público um assinalado sucesso.
Soldado no Espaço, foi traduzido por Eurico da Fonseca, que soube enfrentar as dificuldades do texto com a sua reconhecida proficiência.  

Introdução:

Nada há que seja vulgar nesta obra de Robert Anson Heinlein, um dos mais antigos e conhecidos autores de Ficção-Científica.
Em Soldado no Espaço (Starship Troopers), naõ são os progressos da Ciência e da Técnica que importam, Heinlein não tem sequer por objectivo principal contar-nos uma história. Pede-nos, sim, que ponhamos de parte o nosso romantismo e tomemos por base da moral humana o facto de sermos fundamentalmente "animais selvagens", impelidos pela necessidade de sobreviver.
Quanto ao valor literário da obra - que bem demonstra que, na actualidade, a Ficção-Científica está muito longe de ser dirigida sómente aos jovens -, bastará dizer que foi a primeira que mereceu nos Estados Unidos, aquando da sua publicação em 1959, as atenções dos críticos de maior nomeada. Além disso, foi através dela que, pela primeira vez, um escritor de Ficção-Científica influiu, pelo seu estilo, na corrente geral da literatura, e, pelas suas ideias, na vida intelectual norte-americana.
Na verdade, a proposição, defendida por Heinlein, de que o direito de voto só seja concedido aqueles que servirem a Humanidade como voluntários nos serviços militares ou civis, porque aprenderam assim a colocar os interesses da comunidade acima dos seus interesses pessoais, foi - e é - objecto de acesa discussão em todos os meios norte-americanos, tendo adquirido especial importância em face da crise do Vietname.
Assim se compreende que Soldado no Espaço haja merecido o tão cobiçado prémio "Hugo" na XVIII Convenção Mundial de Ficção Científica, e que no inquérito feito em 1966 pela revista "Analog", haja sido classificado como uma das dez melhores obras do género, em pé de igualdade com as Crónicas Marcianas, de Bradbury, e As Cidades Mortas, de Simak, apesar de não serem poucos os que consideram intoleráveis as mordentes críticas que nela se fazem à hipocrisia dominante na vida social e política dos Estados Unidos e as soluções que, para os males da mesma, Heinlein aponta.
É que, como Heinlein diz, a moralidade do leão tem de ser diferente da do carneiro. Para o leão não é imoral matar para comer. Senão, morreria de fome. 

Nota: uma obra de referência do Robert A. Heinlein, de que gostei muito como relato de aventuras. Esta obra foi a deu origem muitos anos depois, em 1997, ao filme de Paul Verhoeven, com o mesmo título da obra: Starship Troopers:

nº 132 - Revolta em 2100



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Revolt in 2100
1ª Edição: 1953
Publicado na Colecção Argonauta em 1968
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº131 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Robert A. Heinlein, um dos mais célebres autores norte-americanos de Ficção-Científica, volta à Colecção Argonauta com um dos seus mais célebres romances.
Revolta em 2100 revela, mais uma vez, a imaginação prodigiosa deste consagrado escritor, e o seu forte e surpreendente poder de efabulação e, ao mesmo tempo, a agilidade com que estrutura fortemente as suas narrativas, conferindo-lhes todos os pormenores indispensáveis à sua concatenação interna. É devido ao concurso destas qualidades que Robert A. Heinlein consegue impregnar os seus romances daquela atmosfera que invade o leitor e o persuade de que se encontra perante os factos como uma espécie de testemunha presencial.
Em Revolta em 2100, Robert A. Heinlein conduz-nos a um mundo futuro e tumultuoso, em cujas coordenadas sopra a violência e impera a força da reinvindicação e de contestação. Narrativa impressionante, desenvolvida a um ritmo de alucinação que não exclui o comedimento, Revolta em 2100 introduz-nos no âmago de um conflito em que as paixões tumultuam e os ventos sopram com incontida energia.
Altamente aclamado pela crítica e pelo público dos muitos países em que se encontra editado, Revolta em 2100 não tardou a tornar-se um best-seller, sucesso que vai certamente repetir-se em Portugal, onde o seu autor conta numeroso grupo de admiradores.   

Introdução:

"Robert A. Heinlein, é provávelmente o melhor narrador no campo da Ficção-Científica", diz Henry Kuttner. E acrescenta: "se me metessem num canto e me obrigassem a dizer porquê, numa só frase, responderia: - Heinlein tem um senso de proporção. - Bem, como se consegue ter um senso de proporção? - Pela experiência, creio eu. E há apenas um tipo de experiência que conta como necessária para um escritor competente: a experiência da humanidade".

Uma das características mais curiosas da obra de Heinlein - e a que mais revela, exactamente, a sua experiência da humanidade, é a tentativa que fez para escrever uma "História do Futuro", dividida em vários volumes, focando em apontamentos de tamanho variável, mas de igual dramatismo, a possível e provável evolução do Mundo e em particular dos Estados Unidos, durante os próximos setecentos anos.
Outro autor, ter-se-ia talvez deixado arrastar pelas descrições utópicas de supercivilizações. Mas Heinlein - como Henry Kuttner também diz - é um humanista romântico. "A sua atitude para com a ciência, é uma atitude racional: nem de idolatria nem de pânico, e isso talvez porque ele sabe alguma coisa das ciências sociais: o elo entre o homem e a máquina."
Assim, a "História do Futuro", longe de ser um simples relato de maravilhas do progresso mecânico, é principalmente, no seu conjunto, uma análise impressionante - esmagadora - dos problemas que esse progresso trará à Humanidade. Mas Heinlein não condena a máquina - nem a defende. Mostra apenas que o Homem tem de ser tanto mais íntegro quanto maior for o poder de que dispõe. Por isso - porque o homem, com o progresso mecânico disporá sempre de maior poder, mas não necessáriamente de uma moral maior e melhor - a "História do Futuro" não é uma epopeia, mas sim uma sucessão de esperanças, de vitórias e de derrotas, de luz e de trevas.
Daquilo a que quase se poderá chamar a clarividência de Heinlein, ao definir a estrutura dessa "História", é boa prova o que, desde a publicação do primeiro volume - "O Homem que Vendeu a Lua" (nº111) -, em 1950, ele previa para a década de 60 - os "anos loucos", em seu entender:
Consideráveis avanços técnicos durante este período, acompanhados por uma gradual deterioração dos costumes, da orientação e das instituições sociais, terminando em psicoses colectivas...
Mesmo nos pormenores técnicos, a precisão é impressionante. Heinlein previa os foguetes e mísseis intercontinentais, como começo de uma "Falsa Alvorada" que terminaria com a primeira viagem à Lua. Então, depois de uma tremenda crise financeira no fim da década de 60, começaria a reconstrução, que coincidaria com o "Período de Exploração Imperial", isto é: com a conquista e colonização do sistema solar, entre 1970 e 2020. Esse período, terminaria com a rebelião e a independência das colónias extraterrestres - um tema que Heinlein planeara tratar nas novelas "Eclipse" e "Logic of Empire", e que desenvolveu em muito maior profundidade, se bem que não em amplitude, numa sua obra mais recente: "Revolta na Lua" (nºs 119 e 120).
A subsequente interrupção das viagens interplanetárias (entre 2020 e 2072), conduziria a uma reacção que, nos Estados Unidos, se traduziria pelo ressurgimento do fanatismo religioso, terminando pelo estabelecimento de uma teocracia. Seria esse o tema de outra "novela nunca escrita", The Sound of His Wings, em que Heinlein contaria a história de um "evangelista da televisão", o Reverendo Nehemiah Scudder, o "Primeiro Profeta", Presidente dos Estados Unidos, destruidor da sua Constituição e fundador da Teocracia.
Não foi a procura da originalidade que conduziu Heinlein a tal hipótese. É ele próprio que explica:
... a ideia de que nós (americanos) podemos perder a nossa liberdade sucumbindo a uma vaga de histeria religiosa... lamento dizer que ela é possível. Tenho esperança de que não seja provável. Mas há uma tensão latente e profunda de fanatismo religioso na nossa cultura; está enraízada na nossa história e tem explodido muitas vezes no passado. Está agora connosco; tem havido um desenvolvimento vertical de seitas fortemente evangelistas neste país, nos últimos anos, algumas das quais reflectem crenças teocráticas em extremo, anti-intelectuais e anti-científicas...
A verdade é que todas estas seitas, cultos e religiões, transformam os seus credos em leis se adquirem o poder político para o fazerem... a transformação das crenças religiosas em leis tem tido sucesse esporádico neste país - as leis de fechar as portas ao domingo... a experiência da Lei Seca, os enclaves temporários da teocracia, como o Zion de Volliva, o Nauvoo de Smith e alguns outros. O país está dividido numa tal variedade de fés e seitas que agora existe um certo grau de compromisso; as minorias constituem uma maioria ao oporem-se umas às outras.
Poderá acontecer outra coisa? Poderá qualquer seita obter uma maioria definida nas eleições e apoderar-se do país? Talvez não - mas a combinação de um evangelista dinâmico, da televisão, de dinheiro suficiente e das modernas técnicas de publicidade e propaganda... Misturem isso, em boa medida, com uma depressão económica, prometam-lhe um céu material aqui na Terra, acrescentem-lhe uma pitada de anti-semitismo, de anti-catolicismo, de anti-negroísmo e uma dose bastante grande de anti-estrangeiros em geral e dos anti-intelectuais em particular e o resultado pode ser qualquer coisa assustadora - em particular quando nos recordamos que o sistema de voto nos Estados Unidos permite que uma minoria distribuída por diferentes estados possa constituir uma maioria actuante em Washington.
Imaginei Nehemiah Scudder como um evangelista sertanejo que combinaria algumas características de John Calvin, Savonarola, do juíz Rutherford e do governador Huey Long. A sua influência tornara-se nacional depois da morte de Mrs. Rachel Biggs, uma das primeiras convertidas, que teria a única virtude de ser viúva de um homem extremamente rico que não compartilhava de modo algum a sua miopia religiosa - ela deixara ao Irmão Scudder alguns milhões de dólares para montar uma estação de televisão. Pouco depois, Scudder juntara-se a um ex-senador do seu estado natal; os dois teriam colocado os seus assuntos nas mãos de uma importante empresa de relações públicas e veriam abrir-se na sua frente o caminho da fama e da fortuna. Por fim, necessitariam de tropas de assalto: consegui-las-iam fazendo ressuscitar a Ku Klux Klan em tudo menos no nome: lençóis, palavras de passe, apertos de mão e tudo... Fora "uma boa artimanha" e continuava a servir. Sangue nas assembleias de voto e nas ruas. Mas Scudder venceria as eleições. As últimas eleições.
Impossível? Recordem-se do Klu Klux Klan nos anos vinte - e até onde ele chegou sem ter sequer um chefe dinâmico... A capacidade de espírito humano para engolir disparates e vomitá-los depois sob a forma de uma acção violenta e repressiva nunca foi sequer sondada.
Não, provávelmente nunca escreverei a história de Nehemiah Scudder: desgosta-me demasiado, de princípio ao fim. Mas espero que me acompanhem na ideia de que ele pode vir a existir... (Recorde-se de que se esboçou nos Estados Unidos um movimento para a candidatura de evangelista Billy Graham às eleições presidenciais de 1968). 

Se Heinlein se recusou a escrever a história de Nehemiah Scudder, já o mesmo não aconteceu com a do desenvolvimento, decadência e ocaso da teocracia nos Estados Unidos. Seria um período caracterizado por:
Reduzida investigação e sómente progressos técnicos sem importância. Extremo puritanismo. Desenvolvimento pela classe sacerdotal, de certos aspectos da psicodinâmica e da psicometria, da psicologia colectiva e do governo social.
Até à Revolta, em 2100. 

nº 137 - Os Filhos de Matusalém


Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Methuselah's Children
1ª Edição: 1941
Publicado na Colecção Argonauta em 1968
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº136 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Os membros das Famílias eram seres humanos vulgares, semelhantes aos seus vizinhos em todos os aspectos menos num, muito perturbante: tinham uma longevidade extraordinária.
No ano ultracivilizado de 2125 d.C. essa distinção era intolerável. Perseguidas por um segredo que não possuíam, as Famílias foram obrigadas a escolher: ou a tortura e a extinção pelos outros homens - os de vida curta - desesperados pela inveja, ou uma nava interstelar ainda não ensaiada.
Escolheram a nave. Mas, para seu horror, descobriram que nas estrelas havia uma ameaça ainda mais terrível do que aquela que os forçara a fugir da Terra. 
É este o tema de Os Filhos de Matusalém, o último volume da História do Futuro de Robert Heinlein, da qual os dois volumes anteriores - O Homem que Vendeu a Lua e Revolta em 2100 - foram já publicados na Colecção Argonauta.

Introdução:

Ainda que constituindo uma obra independente, Os Filhos de Matusalém são o último volume da chamada "História do Futuro", de Robert Heinlein, da qual também fazem parte, além de alguns contos e novelas, dispersos por revistas de ficção-científica, as obras de O Homem que Vendeu a Lua (nº11) e Revolta em 2100 (nº132), igualmente publicadas na Colecção Argonauta.
Como se disse na introdução de Revolta em 2100, a "História do Futuro", ainda que representando apenas uma pequena parte da actividade de Heinlein - um dos autores mais representados nesta Colecção - tem-se revelado invulgarmente profética, mesmo nos seus mais pequenos pormenores, o que não é de estranhar, porque Heinlein, além de uma sólida formação científica e de uma honestidade extrema na exposição dos seus temas, é um mestre no estudo da psicologia dos povos - e particularmente no conhecimento das qualidades e defeitos do povo norte-americano.
Assim se compreende que problemas que não são inteiramente novos nos domínios da ficção-científica - como o da vida eterna ou quase eterna e da realização de viagens interstelares e dos primeiros contactos com outras civilizações no espaço - possam ser tratados de maneira absolutamente original em Os Filhos de Matusalém. Uma maneira que, sem deixar de mostrar um profundo respeito pelas limitações da ciência e da técnica, separando a realidade da especulação, é acima de tudo - e como acontece com todas as obras de Heinlein, profundamente humana.
E também - quem sabe, e mais uma vez - profética, pois que a sua publicação entre nós coincide com a notícia de que cientistas americanos procuram actuar sobre o mecanistmo de auto-reparação das células humanas, garantindo a sua eficiência permanente, o que significa a detenção do envelhecimento e logo a vida eterna ou quase eterna...
Nota: Robert Heinlein havia mais tarde de prosseguir esta saga, em livros também publicados na Colecção Argonauta, nomeadamente com a trilogia com o mesmo nome que o editor deu no texto a estas três obras iniciais "História do Futuro", uma verdadeira obra de fundo que posteriormente Heinlein continuaria com "O Gato que Atravessa as Paredes". Acompanhamos com estas edições a saga de Lazarus Long, naquela que é uma das obras mais importantes de Robert A. Heilein, (toda publicada na Colecção Argonauta), a par de outra famosa obra de referência do autor: Um Estranho Numa Terra Estranha (nº 217, 218 e 219). Com Lazarus, começamos a acompanhar algumas pessoas caracterizadas por uma sobre-inteligência e quase imortalidade no seu percurso ao longo da História. Interessantíssima obra, uma das que mais prazer me deu ler. Robert A. Heinlein é um dos meus autores favoritos de Ficção Científica.

nº 182 - Estrada da Glória 1



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Glory Road
1ª Edição: 1963
Publicado na Colecção Argonauta em 1972
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - foi apresentada no livro nº181 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

Para além das estrelas, numa dimensão estranha e longínqua, estava um mundo de perigos, aventura e encantos. E estava também A Estrada da Glória, com todos os perigos que Scar Gordon iria encontrar depois de salvar essa civilização longínqua e ganho a sua rainha e o seu império...
Tolkien ou Burroughs - os mestres das aventuras épicas nos mundos mais ignorados e surpreendentes - poderiam ter escrito A Estrada da Glória. Mas só Robert Heinlein, quatro vezes galardoado com o prémio Hugo, um dos melhores, se não o melhor dos autores de ficção-científica seria capaz de escrever tal obra com tão fulgurante perfeiçao. 
A ESTRADA DA GLÓRIA será dividida, por razões técnicas, em dois volumes, o primeiro dos quais constituirá o número 182 da Colecção Argonauta.  

nº 183 - Estrada da Glória 2



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Glory Road
1ª Edição: 1963
Publicado na Colecção Argonauta em 1972
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - foi apresentada no livro nº182 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

As aventuras de Scar Gordon - o senhor herói da Imperatriz Vinte Universos - poderão parecer ter mais de ficção e de fantasia que de ciência. Mas importa não esquecer que Robert A. Heinlein é um dos maiores, se não o maior autor de ficção-científica da actualidade, e que, mesmo quando se decide pela ironia e pela crítica subtil dos costumes do nosso mundo, enveredando pelo caminho do maravilhoso de que Burroughs e Tolkien foram mestres, se torna ainda mais alto mestre - e acaba por provar que da ciência, afinal, os homens não sabem tanto quanto julgam...
A segunda parte da Estrada da Glória - tão lógica quanto a primeira pareceu fantástica. 

nº 190 - Agência de Mágicos



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Waldo & Magic, INC.
1ª Edição: 1940-42 (publicado inicialmente como dois contos diferentes, em 1941 e 1942)
Publicado na Colecção Argonauta em 1973
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº189 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

Robert A. Heinlein é um dos autores mais representados na Colecção Argonauta. E é também um dos mais representativos autores de ficção-científica. Todos os géneros são dominados por ele, desde a pujança dramática de Soldado no Espaço (nº129) até à fantasia alegórica de A Estrada da Glória (nº182 e 183), desde o pragmatismo de O Homem que Vendeu a Lua (nº11) até à sua profética História do Futuro (nº243-244-245)- visão gigantesca e incrivelmente exacta do amanhã da Humanidade, de que Revolta em 2100 (nº 132) é um exemplo.
Entre as suas muitas obras-primas, situa-se Magic, Inc. e Waldo. A primeira (e também a primeira parte do próximo volume da Colecção Argonauta, é a história de uma "Agência" de mágicos, que a pouco de pouco domina o "mercado" da magia, até dominar também o Congresso dos Estados Unidos... Um tema incrível. Em qualquer autor que não se chame Heinlein.
Porque Heinlein - que previu a bomba atómica e descreveu a sua natureza e efeitos de tal modo que a CIA até se alarmou (é um facto histórico e uma das coroas de glória da ficção-científica) - raras vezes sacrifica a realidade à fantasia, mesmo quando aborda temas aparentemente fantásticos. Os técnicos de hoje, chamam waldos às mãos e braços artificiais que nos laboratórios nucleares, nas fábricas de explosivos, nas indústrias químicas, permitem realizar à distância os trabalhos mais perigosos, como um prolongamento mecânico do Homem. O que nem todos sabem, é que a ideia desses aparelhos se deve a Robert A. Heinlein e foi descrita em Waldo - a história clássica que constitui a segunda parte do número 190 da Colecção Argonauta, e se intitula AGÊNCIA DE MÁGICOS.

Introdução:

Robert A. Heinlein é um dos maiores mestres da ficção-científica. Todos o sabem. Mas, paralelamente ás suas obras mais longas, há uma multidão de novelas, curiosas pela invulgaridade do tema. O presente volume, encerra duas delas: Agência de Mágicos - uma bem humorada descrição de um futuro não muito distante, em que a magia terá substituído a ciência, e Waldo - a história pungente de um ser tão fraco que só pode viver num lugar onde não há peso: no espaço. O drama desse homem anormal que, por tremenda ironia do destino tem literalmente o Mundo a seus pés, é um dos mais célebres clássicos da ficção-científica. E o nome da novela, foi imortalizado pelos cientistas. Os aparelhos que, prolongando as mãos dos operadores, servem os laboratórios e os reactores nucleares, ou estudam o solo lunar, são designados por waldos.