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nº 211 - Entre Planetas



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Between Planets
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1975
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº210 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Hoje sabe-se que Vénus é um mundo de pesadelo, coberto por nuvens espessas, e em cuja superfície, varrida por ventos de pesadelo, há temperaturas tão altas como as do Inferno. Quando Robert A. Heinlein escreveu ENTRE PLANETAS, supunha-se que Vénus bem era diferente - uma segunda Terra, talvez habitada, talvez coberta d seres semelhantes aos que tinham existido no nosso planeta, milhões de anos atrás. Ou talvez inteligentes.
Poderá considerar-se ultrapassada uma obra de ficção-científica que apresenta Vénus sobre essa visão que foi clássica? Certamente que não. O que importa são os pormenores, não é o sonho. É a análise das relações entre os homens, tal como os conhecemos, e as inteligências que não conhecemos. É, acima de tudo, o autêntico cântico em louvor da liberdade, que se encontra em ENTRE PLANETAS. Porque essa obra de Heinlein - talvez o autor de ficção-científica mais admirado no mundo - é um verdadeiro panfleto anti-colonialista. Ainda que situado num futro em que as colónias são os planetas do Sistema Solar.
Reproduzimos em seguida alguns trechos bem eloquentes. Trechos que mostram que a ficção-científica, longe de ser uma "literatura de evasão", é uma literatura de reflexão:

Mr. Reeves fitou as unhas.
- Tem a certeza absoluta do lado a que é leal? - disse ele, numa voz arrastada.
Don meditou por um instante. O pai nascera na Terra: a mãe era uma colona venusiana, da segunda geração. Mas nenhum dos planetas era a verdadeira pátria deles. Tinham-se conhecido e casado na Lua e tinham prosseguido os seus estudos de planetologia em muitos sectores do Sistema Solar. O próprio Don nascera no espaço e a certidão de nascimento, passada pela Federação, deixara em aberto a questão da nacionalidade. Podia atribuir-se uma dupla nacionalidade por derivação paternal. Não se considerava um colono de Vénus; passara-se tanto tempo desde que a sua família visitara Vénus que o planeta se tornara irreal no seu espírito. Por outro lado, só depois dos onze anos de idade os seus olhos tinham visto pela primeira vez as adoráveis montanhas da Terra.
- Sou um cidadão do Sistema - disse, numa voz rouca.
- Hummm - disse o director do colégio - é uma bela frase e talvez um dia signifique alguma coisa. Entretanto, falando como amigo, concordo com os teus pais. Marte virá provávelmente a ser um território neutro, ficarás aí em segurança. Mais uma vez, falando como amigo... as coisas podem tornar-se um pouco duras aqui para qualquer pessoa cuja lealdade não seja perfeitamente clara.
- Ninguém tem o direito de pôr em dúvida a minha lealdade! Perante a lei, sou como se tivesse nascido aqui!
O homem não respondeu. Don explodiu.
- Tudo isto é estúpido! Se a Federação não tencionasse sangrar Vénus até à morte, não se falaria em guerra.
Reeves ergueu-se.
- Basta, Don. Não pretendo discutir política contigo.
- É a verdade! Leia a Teoria da Expansão Colonial, de Chamberlain!
Reeves pareceu estupefacto.
- Onde foi que puseste as mãos nesse livro? Por certo que não na biblioteca da escola!
Don não respondeu. O pai enviara-lho, mas avisara-o de que não deixasse que alguém o visse; era um dos livros proibidos- na Terra, pelo menos.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...... ... ... ... ... ... ... ... ... ...... ... ... ... ... ... ... ... ... ...... ... ... ... ... ... 

O comodoro prosseguiu:
- A piedade detém a nossa mão. As cidades da Terra não serão bombardeadas. Os cidadãos livres da República de Vénus não querem massacrar os seus irmãos na Terra... Ao fazê-lo, afirmamos a nossa posição de homens livres e oferecemos o nosso auxílio a todas as nações oprimidas e empobrecidas que sigam o nosso exemplo. Olhem para o céu... Os gordos estúpidos chefes da Federação fizeram da Circunterra o chicote de um capataz. A ameaça desta base militar no céu protegeu o seu império da justa fúria das suas vítimas durante mais de cem anos.
"Destrui-la-emos agora!
Povos escravizados da Terra, nós, homens livres da República Livre de Vénus, vos saudamos com este sinal!"

Introdução:

Entre Planetas é mais um clássico de Robert A. Heinlein, o mais antigo e mais célebre dos autores de ficção-científica. Sendo um clássico, dá de Vénus a Marte a imagem clássica, bem diferente da que a ciência, ajudada pelas sondas cósmicas nos trouxe. Mas o que verdadeiramente importa é que Heinlein soube, nesta obra, apresentar o problema do imperialismo e do colonialismo sob um novo aspecto. Que acontecerá quando os habitantes da Terra construirem colónias noutros planetas? Que dimensão terão esses problemas? Qual será o carácter da luta?
Eis o tema de Entre Planetas, o tema de uma obra que não é apenas mais uma novela de ficção-científica, mas sim um verdadeiro libelo.

Nota: uma das obras de Robert A. Heinlein que gostei mais. Um autêntico ritual de passagem de um jovem da juventude até à idade adulta, num contexto de guerra político-militar tipico do autor, ele próprio militar da Academia Naval dos Estados Unidos, uma experiência que foi determinante na sua produção literária.

nº 217 - Um Estranho Numa Terra Estranha 1



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Stranger in a Strange Land
1ª Edição: 1961
Publicado na Colecção Argonauta em 1975
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca 


Súmula - Foi apresentada no livro nº216 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Robert Heinlein é o mais antigo dos escritores de ficção-científica norte-americanos. É também o mais discutido. Ao escrever Soldado no Espaço (nº120 da Colecção Argonauta), foi acusado de defender o fascismo - mas hoje reconhece-se que se antecipou aos pensadores actuais, quanto à defesa da responsabilidade colectiva e ao respeito pelo valor dos soldados - entendidos como homens vindos do povo e representando o povo. Em Revolta em 2100 (nº132 da Colecção Argonauta), Heinlein mostrou pela primeira vez o seu excepcional poder de previsão sociológica, denunciando o fanatismo e a hipocrisia em geral e, muito principalmente, nos Estados Unidos. Em Revolta na Lua (nºs 119 e 120 da Colecção Argonauta e Entre Planetas (nº211), Heinlein foi além de si próprio, revelando-se um panfletário sem paralelo, condenando a colonização e a opressão, defendendo conceitos políticos quase sempre originais e profundamente revolucionários.
Mas a obra máxima de Robert A. Heinlein - obra máxima também do underground norte-americano, que um dia os homens perguntarão a si próprios porque razão não figurou entre os Prémios Nobel - é Stranger in a Strange Land. História imaginária, mas viva, do mais marginal dos homens - do homem que, criado por seres não humanos, nem sequer é considerado homem pelos homens - só agora pode ser publicada no nosso país. E por uma simples razão: Charles Manson, o protagonista do "caso Manson", identificou-se, desde muito novo, com Valentine Michael Smith - o Estranho Numa Terra Estranha.

Introdução:
  
Um Estranho Numa Terra Estranha é, talvez, a mais célebre obra de ficção-científica: a famosa Stranger in a Strange Land, verdadeira bíblia do underground norte-americano; análise poderosa e pungente do drama do verdadeiro marginal - do homem colocado à margem da humanidade pela sua cultura, pela diferente apreciação d valores, pela busca de uma pureza que contrasta com a cobiça, a ânsia de poder, a brutalidade da vida de todos os dias e de todos os "homens-bons".
Compreende-se, por isso, que Um Estranho Numa Terra Estranha, ainda que houvesse sido escrita em 1961, só agora seja publicada entre nós. Para além da força da sua mensagem - para além do seu carácter de "Bíblia dos Hippies" - havia o conhecimento das suas estranhas ligações com o caso Manson-Tate. Averiguou-se que Charles Manson - que nos fins de 1969 assassinou Sharon Tate - se deixara influenciar por Um Estranho Numa Terra Estranha, ao ponto de tentar reproduzir na sua vida muito do ambiente da obra. Assim, a "família" Manson não era mais do que a reprodução da "família" ou "ninho" em que o protagonista da obra teria sido criado, noutra "terra" - a de Marte. A submissão sexual e o abandono do ego ao chefe da "família", descritos também na obra, foram iguamente parte essencial do sistema de Manson. Mesmo a identificação de Manson com "Deus", Jesus ou "Satanás", tantas vezes afirmada no seu processo, nada mais era do que o reflexo de um período do livro: Entre os marcianos, há apenas uma religião - e essa não é uma Fé, é uma certeza: "Tu és Deus!".
Para Manson não havia a morte, mas apenas a "desencorporação", o "envio para o fim da fila, para tentar de novo" - a teoria da reencarnação, exposta na obra. O que, de certo modo, explica os seus crimes, cometidos como "simples castigos". Manson chegou até a dar ao seu filho o nome de Valentine Michael Smith - o mesmo do protagonista da obra, senhor de poderes hipnóticos e mágicos, a ele transmitidos pelos marcianos. E certo é que Manson possuía - ou fazia crer que possuía - fortes dons hipnóticos.
A identificação do caso Manson com o tema de Um Estranho Numa Terra Estranha não significa, todavia, que a obra seja doentia, anómala, maldita, no verdadeiro sentido de tais palavras. É antes, como se disse, uma obra profundamente humana, pois nela são desnudados todos os profundos valores e toda a profunda perfídia da alma humana. Que o seu autor seja Robert A. Heinlein, o mais antigo e o mais rebelde autor de ficção-científica norte-americano, é apenas natural para quem tem acompanhado a carreira daquele que escreveu páginas de génio como as de Soldado do Espaço, Revolta na Lua, Revolta em 2100, Sexta Coluna, Escala no Tempo, e tantas mais, e que, nessas páginas, se afirmou como um dos mais clarividentes sociólogos do nosso tempo - e dos tempos futuros.
Por razões técnicas, Um Estranho Numa Terra Estranha será dividido em 3 volumes.

Nota: uma das obras mais importantes de Robert A. Heinlein, ou pelo menos uma das que é  mais conhecida. Como referido no texto acima, tem uma espécie de maldição associada, visto ter constituído uma referência (segundo consta e referido pelo próprio), para o tristemente célebre Charles Manson, o responsável pelo assassínio da Sharon Tate, na altura esposa do realizador Roman Polanski. Todavia Manson, ao contrário do que é referido pelo editor, não assassinou Sharon Tate, embora tenha sido considerado responsável pelo acto. Quem cometeu o acto foi um grupo de indivíduos pertencentes ao seu grupo, à sua "família". Foram encontradas grandes quantidades de droga no local e o caso adquiriu contornos ainda mais dramáticos devido ao facto de Sharon estar grávida. Charles Manson foi condenado a prisão perpétua, estando preso no Estado da Califórnia, na prisão de Corcoran, onde também se encontra detido o assassino do Senador Robert Kennedy. As audiências para aferir a possibilidade de liberdade condicional têm tido ao longo do tempo sempre resposta negativa. A próxima será em 2027. Nesse ano, se ainda for vivo, Charles Manson fará 93 anos.

nº 218 - Um Estranho Numa Terra Estranha 2



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Stranger in a Strange Land
1ª Edição: 1961
Publicado na Colecção Argonauta em 1975
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca 


Súmula - Foi apresentada no livro nº217 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Quando o homem apontou para Jill e os dois homens que o ladeavam correram para ela com as suas armas de grande maldade, Smith prolongou-se através do seu Doppelgânger e deu-lhes aquele pequeno torcegão que levava as coisas a afastarem-se. 
O primeiro homem olhou estupefacto para o sítio onde eles tinham estado, puxou pela sua arma... e desapareceu também.
Os outros quatro começaram a aproximar-se. Smith não queria torcê-los. Sentiu que Jubal ficaria satisfeito se ele apenas os parasse. Mas para uma coisa, mesmo que fosse um cinzeiro, era trabalho - e Smith não tinha o seu corpo. Um Velho poderia ter conseguido isso, mas Smith fez o que pôde, o que tinha que fazer.
Quatro toques leves como uma pena - eles desapareceram.
Ele sentiu uma intensa maldade do carro que estava no chão e dirigiu-se a ele - grokkou uma decisão rápida, e o carro e o piloto desapareceram.  
Quase se esqueceu do carro que pairava, em patrulha. Smith começava a acalmar-se - quando, subitamente, sentiu a maldade aumentar, e olhou para cima.

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Eis um dos mais emocionantes trechos do segundo volume de Um Estranho Numa Terra Estranha - a mais célebre obra de ficção-científica da actualidade, e o mais discutido trabalho de Robert A. Heinlein. 

nº 219 - Um Estranho Numa Terra Estranha 3



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Stranger in a Strange Land
1ª Edição: 1961
Publicado na Colecção Argonauta em 1975
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca


Súmula - Foi apresentada no livro nº218 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

A proposta de uma nova vida - comunitária e feliz -, eis o que encerra o terceiro volume de Um Estranho Numa Terra Estranha (o célebre Stranger in a Strange Land), considerado a melhor obra de Robert A. Heinlein e também a mais significativa novela do underground americano, a "Bíblia dos Hippies".

Introdução:

O terceiro e último volume de Um Estranho Numa Terra Estranha - o célebre Stranger in a Strange Land, a obra-prima de Robert A. Heinlein, considerado como a "Bíblia dos Hippies" - é mais do que um simples texto de ficção-científica. É uma análise extremamente dura e objectiva de todos os defeitos, de todas as qualidades e de todos os mitos da espécie humana.
As interrogações sucedem-se: ... há três lugares para onde olhar, diz Valentine Michael Smith, o Homem de Marte, o Estranho Numa Terra Estranha. A Ciência - e eu aprendi mais sobre o funcionamento do universo enquanto estive no ninho do que os cientistas humanos podem por enquanto considerar. Por isso não lhes posso falar, nem mesmo sobre coisas tão elementares como a levitação. Não estou a amesquinhar os cientistas. Eles fazem as coisas como devem ser feitas... Mas o que eles buscam, não é o que eu procuro. Não se grokka um deserto contando os seus grãos de areia. Depois há a Filosofia - que se supõe permitir enfrentar tudo. E fá-lo? Todos os filósofos acabam por sair com aquilo que começaram - excepto os que se iludem a si próprios, provando as suas teses com as suas próprias conclusões. Como Kant. Como outros que correm atrás da sua própria cauda. Portanto a resposta devia estar aqui... Mas não está. Há trechos que grokko para serem verdadeiros, mas nunca obedecem a um plano - ou, se ele existe, pedem-nos para confiarmos fortemente na Fé. Fé! Que monossílabo mais sujo!
O terceiro caminho, para Valentine Michael Smith, é a Religião. Que fará das religiões humanas o Homem de Marte - Um Estranho Numa Terra Estranha, com concepções diferentes, estranhas e poderes também diferentes e estranhos? Sobrenaturais?

nº 226 - Os Manipuladores




Autor: Robert A. Heinlein
Título original: The Puppet Masters
1ª Edição: 1951
Publicado na Colecção Argonauta em 1976
Capa: Manuel Dias

Tradução: Eurico da Fonseca 


Súmula - Foi apresentada no livro nº225 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Em Grinnell, no estado do Iowa, desce uma nave espacial. Ninguém conhece a sua origem. NInguém conhece o seu tipo. Tem a forma aproximada de um disco e cerca de quarenta e cinco metros de diâmetro...
É a primeira prova concreta da existência dos discos voadores? Assim parece. Um agente dos serviços secretos, informa que "a nave está a abrir-se e que estão a sair dela pequenas criaturas"...
Mas o agente cala-se subitamente. E não tarda que se saiba que a "nave" fora construída com chapas de metal e de plástico, por dois jovens, com a cumplicidade de um produtor de televisão. Os discos voadores continuam a ser o produto da imaginação de oportunistas e sonhadores. Apenas isso. Ou frandes ou ilusões.
Até que Washington se vê obrigada a compreender que por detrás da "fraude" e da "ilusão" está em curso uma invasão autêntica, realizada por "criaturas" que podem dominar o espírito das pessoas, manipulando-as como se fossem simples bonecos.
E os manipuladores têm o poder de se multiplicarem, mesmo quando as armas mais modernas são utilizadas para os destruírem. Poderá a Humanidade resistir aos manipuladores vindos dos confins do espaço? Como se poderá combater um inimigo que pode dominar todos os pensamentos e acções dos homens?
Eis o tema de Os Manipuladores - título português de The Puppet Masters, um clássico de um autor clássico: Robert A. Heinlein, de que a Colecção Argonauta publicou recentemente "Um Estranho Numa Terra Estranha".
De Heinlein, disse um dia The New Herald Tribune que "era o único escritor de ficção-científica, no sentido de que ninguém "alcança sequer o seu nível". De The Puppet Masters, apenas se pode dizer que é uma das melhores obras de Robert Heinlein. 

Nota: ao longo dos anos, esta obra tem servido de inspiração para várias adaptações tanto na TV como no Cinema, sendo as mais relevantes:

Invasion of the Body Snatchers (1956)
Realizado por Don Siegel (com Kevin McCarthy, Dana Wynter, Larry Gates, King Donovan, entre outros).

Invasion of the Body Snatchers (1978) 
Realizado por Phillip Kaufman (com Donald Sutherland, Jeff Goldblum, Brooke Adams e Leonard Nimoy, entre outros).

The Faculty (1998)
Realizado por Robert Rodriguez (com Salma Hayek, Piper Laurie, Josh Hartnett, Robert Patrick, Jon Stuart, Elijah Wood, entre outros) .

The Invasion (2007)
Realizado por Oliver Hirschbiegel (com Nicole Kidman, Daniel Craig, Jeremy Northam, Jackson Bond, Jeffrey Wright, entre outros).
A Colecção Argonauta publica neste número mais uma obra muito interessante, que deu origem a vários filmes. Aliens parasitas tomam conta dos terrestres sem que ninguém se dê conta, passando a manipulá-los como entendem, enquanto estes mantêm a personalidade, a consciência, o aspecto e as memórias. Simplesmente têm que fazer tudo o que os parasitas querem. Muito suspense, muitas aventuras, um livro que se lê muito depressa, ficando-se no final com pena que não haja continuação. Uma história fabulosa e personagens fascinantes, sobretudo a de "Sam" e a do "Velho". Realmente uma das melhores obras de Robert Heinlein, na minha opinião.

nº 236 - Equipagem Espacial



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Have Space Suit, Will Travel
1ª Edição: 1958
Publicado na Colecção Argonauta em 1977
Capa: Manuel Dias
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - Foi apresentada no livro nº235 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Robert A. Heinlein não é apenas o mais antigo e um dos melhores autores de ficção-científica. É um escritor multiforme. Desde os contos e novelas que constituem a sua História do Futuro e que, uma a uma, têm vindo a revelar o seu espantoso poder de previsão, não apenas no plano técnico mas também no da sociopolítica, até aquelas obras que ficaram na história geral da literatua, como Soldado no Espaço (nº129), Escala no Tempo (nº211), e Um Estranho Numa Terra Estranha (nºs 217-218-219), Heinlein tentou os mais diversos estilos, os mais diversos assuntos, e em todos eles se mostrou (e continua a mostrar) um mestre. 
Em Equipagem Espacial - no original, Have Space Suit, Will Travel -, e segundo a crítica insuspeita do New York Times, Heinlein usa a imaginação como se esta fosse um fato talhado especialmente para ele. O que torna o seu trabalho tão rico é o seu vivo sentido criativo, juntamente com um estilo que é literário, informado e excitante. Equipagem Espacial transporta o leitor através do universo na companhia de Kip Russel, cuja ambição é ir à Lua, e a sua inesperada companheira de viagem, Peewee Reisfeld, uma garota de dez anos que é um verdadeiro génio e que tem um pendor para criar problemas que é, pelo menos, igual ao seu quociente de inteligência. Quando os dois se juntam com uma criatura estranha de vastas capacidades, chamada simplesmente a Coisa Mãe, contra certos intrusos conhecidos como os Vermes, o leitor é lançado numa fantasia efervescente - mas por vezes muito sóbria.

Nota: um dos livros que mais li e gostei na Colecção Argonauta. Aventuras espaciais muito imaginativas e divertidas, que dariam sem dúvida um bom argumento para a realização de um filme.

nº 243 - A História do Futuro I



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Time Enough for Love
1ª Edição: 1973
Publicado na Colecção Argonauta em 1977
Capa: Manuel Dias
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - Foi apresentada no livro nº242 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Robert A. Heinlein mostrou-se sempre fascinado pela possibilidade de vir a escrever a História do Futuro. Para isso, estabeleceu um plano de obras - novelas, contos e  "histórias não escritas" - descrito em pormenor na sua introdução à Revolta em 2100 (nº132 da Colecção Argonauta) E, mais tarde, em Os Filhos de Matusalém (nº137), recorreu a um processo indirecto de relato dessa história, contando a vida de Lazarus Long e dos seus companheiros quase imortais, testemunhas da evolução da sociedade humana - da sua ascensão e da sua decadência, dos seus momentos de glória e dos seus momentos de miséria.
Historiar o futuro é não só uma operação de imaginação, como também de fidelidade a um processo de verosimilhança que, uma vez estabelecido, tanto pode funcionar, em rigor, de trás para diante, como de diante para trás. Mas nada se passa, nas mãos de um escritor dotado e inteligente, de maneira tão mecânicamente infalível. Por mais previsível que seja, o comportamento humano - e não há história sem a "figuração" do humano! - não pode deixar de conter o "desenquadramento", a imprevisibilidade que caracterizam, afinal, o existir da  pessoa, projecte-se ele do passado, projecte-se ele do futuro. Interrogar a esfinge - mito e computador - é, no fundo, prolongar até aos limites do imaginável, do inimaginável as potencialidades contidas naquilo que, na tragédia clássica, se chamou de destino. Não mais manifestações das "forças obscuras", o destino será, agora, dentro da fatalidade biológica a cujos parâmetros parece não se poder fugir, construção por obra e graça do livre arbítrio. Admitamos, pois, o futuro como o fluxo de uma realidade que constantemente nos atravessa do facto que se avizinha à memória que se armazena - e os nossos fantasmas serão apenas aquela parte de nós que se recusa à dissolução ou, no pior dos casos, à evolução.
Agora em Time Enough for Love, obra que na nossa língua recebeu o título de A História do Futuro, Robert A. Heinlein vai além de tudo quanto antes escreveu. É de facto a história dos homens - vista através dos olhos de Lazarus Long retrospectivamente, desde o ano 4272 até à Primeira Guerra Mundial. Uma história feita não de acontecimentos, mas sim de emoções, de relações humanas, do amor entre os sexos - amor novo num mundo novo, sem complexos.
Time Enough for Love - (A História do Futuro), é a obra de ficção-científica até hoje mais traduzida (em francês, alemão, italiano, japonês, sueco, finlandês e português). Por razões técnicas - é a mais extensa obra de Heinlein até hoje publicada - será dividida em três volumes.

Nota: continua a saga de Lazarus Long, iniciada com Os Filhos de Matusalém (nº 137), um conjunto de obras de Robert A. Heilein de grande profundidade e extremo interesse. Lêem-se extraordinariamente bem e foram para mim todas elas uma grande companhia, durante muito tempo.

nº 244 - A História do Futuro II



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Time Enough for Love
1ª Edição: 1973
Publicado na Colecção Argonauta em 1977
Capa: Manuel Dias
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - Foi apresentada no livro nº243 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
No segundo volume da História do Futuro - (Time Enough for Love), Lazarus Long, o Mais Antigo - o mais velho dos seres humanos, mais velho que Matusalém, mais velho que o Judeu Errante, continua a divagar, através das suas recordações, umas vezes reais, outras mais ou menos inventadas (a "ficção é mais autêntica do que a realidade - é a melhor maneira de transmitir uma experiência, fora a própria experiência"). Discretamente, nessas historietas que assumem o carácter de parábolas, surge a história da Humanidade depois da Grande Diáspora - da sua expansão pela Galáxia e da multiplicação de culturas que pouco ou nada têm com as da Velha Terra-Mãe.
Acima de tudo, é o espírito de Lazarus Long (ou de Robert A. Heinlein?) que surge, numa crítica constante aos costumes humanos dos tempos futuros (e, afinal, de todos os tempos):
Segundo os dados existentes até à data, só há na Galáxia um animal perigoso para o Homem - o próprio Homem. Portanto, ele deve fornecer a sua própria - e indispensável competição. Não tem inimigo que o ajude.  

Introdução:

Este é o segundo volume de A História do Futuro - (Time Enough for Love), a mais ambiciosa obra de Robert A. Heinlein. Trata-se da biografia de Lazarus Long, o herói de Os Filhos de Matusalém (publicado na Colecção Argonauta nº137), um homem quase imortal, que de uma maneira algo alegórica mas profundamente humana, vai descrevendo não apenas as suas muitas aventuras, mas também a evolução dos costumes entre os tempos anteriores à primeira guerra mundial e o ano de 4272. Escrita num estilo muito peculiar - na forma do trabalho meticuloso de um cronista do futuro -, é, entre todas as obras de Heinlein, a mais traduzida.

nº 245 - A História do Futuro III



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Time Enough for Love
1ª Edição: 1973
Publicado na Colecção Argonauta em 1977
Capa: Manuel Dias
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - Foi apresentada no livro nº244 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

No terceiro e último volume da obra de maior fôlego de Robert A. Heinlein - a que mais traduções teve até hoje - entra-se no campo tradicional da ficção-científica. Lazarus Long, depois de ter evocado os factos principais da sua longa vida - histórias de amor e pioneirismo nos novos mundos do Espaço -, realiza o seu sonho de viajar através do tempo.
O relato dessa viagem espantosa - feita não para conhecer batalhas, sangue e morte, mas sim para conhecer sentimentos humanos e maneiras de viver - é o momento mais alto da História do Futuro.
Assim, levando em conta os dados do comportamento humano dentro dos parâmetros tradicionalmente conhecidos e aceites, Robert A. Heinlein consegue antecipar os rasgos que, humanamente, o humanóide classificado como "homem" será capaz de produzir em circunstâncias assaz diferenciadas das que, habitualmente, condicionam a sua actuação.
A História do Futuro procura, deste modo, cotejar o homem com os seus possíveis. Daí que o adjectivo a aplicar, neste caso, possa perfeitamente revestir a forma estranha, mas já consagrada, de "o futurível". O paradoxal título de História do Futuro, será assim que se explica e impõe - sobretudo aos fiéis leitores de Robert A. Heinlein.

Introdução:

O presente volume, é o terceiro da maior e mais traduzida obra de Robert A. Heinlein: Time Enough for Love, que em português recebeu o título de A História do Futuro, pois nela, através da descrição da longa vida de Lazarus Long - o Mais Antigo dos humanos - se assiste à evolução da Humanidade, ao longo de mais de 5000 anos, desde a primeira guerra mundial até ao ano de 4272.
Nos dois primeiros volumes, Heinlein preocupou-se principalmente com os aspectos filosóficos e morais da vida no futuro, sem deixar - como é seu hábito - de expressar desse modo uma crítica feroz mas subtil relativamente aos conceitos que dominam a vida na actualidade. No terceiro volume, acentua-se a antecipação, através da proposta de um método original de viajar no tempo, que permite a Lazarus Long deslocar-se no passado e no futuro e assim fazer, com a sua infinita experiência dos valores (e dos contravalores) humanos,  uma análise ímpar da História, real e possível. O que torna a História do Futuro na mais adulta das suas obras de ficção-científica.

nº 269 - Cidadão da Galáxia



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: Citizen of the Galaxy
1ª Edição: 1957
Publicado na Colecção Argonauta em 1979
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº268 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Robert A. Heinlein é um dos autores mais representados na Colecção Argonauta. É também um dos mais concentuados autores de ficção científica - talvez o mais prestigiado entre todos. O número das suas obras é muito grande - todas elas da mais alta qualidade. Cidadão da Galáxia (Citizen of the Galaxy) não podia fugir a essa regra.
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- Lote Noventa e Sete - anunciou o leiloeiro - Um rapaz.
O rapaz sentiu-se tonto e meio agoniado por causa da sensação de ter terra debaixo dos pés. A nave de escravos viajara mais de quarenta alnos-luz; transportara nos eus porões o fedor de todas as naves de escravos, um cheiro de corpos amontoados e não lavados, de medo, de vómitos e de velhas tristezas. No entanto nela o rapaz fora qualquer coisa, um membro reconhecido de um grupo, com direito à sua refeição todos os dias, com direito a lutar pela possibilidade de comer em paz. Até tivera amigos. 
Agora ele era de novo ninguém e nada, agora ia de novo ser vendido.

Nota: uma das obras de Robert A. Heinlein que mais gostei. Lembro-me sempre da figura do e do percurso efectuado pelo jovem vagabundo na sua ascensão.

nº 294 - o Número do Monstro 1



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: The Number of the Beast
1ª Edição: 1980
Publicado na Colecção Argonauta em 1981
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº293 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O Número do Monstro é a versão portuguesa da última obra de Robert A. Heinlein: The Number of the Beast, sendo a continuação de Os Filhos de Matusalém (nº 137) e História do Futuro (nº243, ºnº244 e nº245), a renovação da maravilhosa epopeia de Lazarus Long - o Primeiro Imortal, o Mais Antigo.
Quem é O Monstro? Quem é The Beast?
Recordemos uma passagem do Apocalipse:

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Vi então outra fera subir da Terra; esta tinha dois chifres como um cordeiro, mas falava como o dragão.
Ela exercia todo o poder da primeira fera, na sua presença, e fez com que a Terra e os seus habitantes adorassem a primeira fera, cuja ferida de morte havia sido curada.
Operou grandes prodígios, que até fez descer fogo do Céu sobre a Terra, à vista de todos.
E seduziu os habitantes da Terra a fazerem uma imagem da fera que, ferida de morte, voltara à vida.
Foi-lhe dado, também, comunicar espírito à imagem da fera, de modo que essa imagem se pusesse a falar, e fizesse com que fosse morto todo aquele que não adorasse a imagem da fera.
E conseguiu que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, tivessem um sinal na mão direita e na fronte. 
E que ninguém pudesse comprar ou vender, se não tivesse o sinal, o nome da fera, ou o número do seu nome. 
Eis aqui a sabedoria! Quem tiver inteligência, calcule o número da fera, porque é número humano, e esse número é seiscentos e sessenta e seis.

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Porque será esse o Número da Fera, o Número do Monstro? Que significa o número 666?

Por razões técnicas, O Número do Monstro será dividido em 3 volumes.

Introdução:

O Número do Monstro é a versão portuguesa de The Number of the Beast, a última obra de Robert A. Heinlein. 
Não apenas a sua última obra, mas a sua melhor obra.
Nela se encontra de novo Lazarus Long, o protagonista de Os Filhos de Matusalém (Colecção Argonauta nº137) e de A História do Futuro (nº243, nº244 e nº245), mas a história de O Número do Monstro é bem diferente. Uma história que vem da noite dos tempos, porque faz parte do Apocalipse. Recordemos o último versículo do seu capítulo XIV:

Eis aqui a sabedoria! Quem tiver inteligência, calcule o número da fera, porque é número humano, e esse número é seiscentos e sessenta e seis.

Porque é 666 o número da fera, o número do monstro, The Number of the Beast? Eis o que Robert A. Heinlein nos diz.
Por razões técnicas, O Número do Monstro será dividido em três volumes.

nº 295 - O Número do Monstro 2



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: The Number of the Beast
1ª Edição: 1980
Publicado na Colecção Argonauta em 1981
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº294 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
A fantástica viagem de Zebbie, Jake, Deety e Sharpie de Universo em Universo está ainda longe do fim. No segundo volume da mais recente obra de Robert A. Heinlein, os quatro aventureiros explorarão o planeta Marte - um planeta bem diferente, em que se enfrentam russos e britânicos, em nome dos respectivos Impérios. E como os universos são inúmeros, inúmeros são também as suas variantes. Tudo pode existir - desde uma Terra onde Hitler ganhou a Segunda Guerra Mundial com o auxílio da bomba atómica, até à Terra maravilhosa de Oz. 
Introdução:
Este é o segundo volume de O Número do Monstro - a versão portuguesa de The Number of the Beast, a última obra de Robert A. Heinlein e talvez aquela em que a fantasia e os conhecimentos do autor melhor se expressam.
A teoria básica de The Number of the Beast é, para dizer o menos, revolucionária, não apenas no plano científico, mas em muitos outros planos. E bom será recordar que Heinlein foi o homem que previu a bomba atómica - em plena Segunda Guerra Mundial e com tal soma de pormenores que alarmou os serviços secretos dos EUA. Heinlein não só é um grande autor, um homem de imaginação prodigiosa e - há que dizê-lo, um filósofo audacioso, provocativo, a que são emprestadas todas as conotações políticas desde o fascismo ao anarquismo. É alguém que não sacrifica a ficção à ciência. The Number of the Beast é uma lição de informática - e de muito mais coisas.
Neste segundo volume, Zebedeu, Deety, Jake e Sharpie vão viver muitas aventuras. Não apenas em Marte - em Marte 10, um mundo muito diferente do planeta vermelho que conhecemos, mas em lugares que, até agora, apenas existem na imaginação dos autores de ficção-científica. O que parecerá simples fantasia, mas para Heinlein não é. Se o número de universos for ilimitado, que impedirá que entre eles existam aqueles que a imaginação concebeu?  

nº 296 - O Número do Monstro 3



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: The Number of the Beast
1ª Edição: 1980
Publicado na Colecção Argonauta em 1981
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº295 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
Finalmente, no terceiro e último volume de The Number of the Beast, a tripulação do Gay Deceiver encontrará Lazarus Long, o protagonista de Os Filhos de Matusalém e de A História do Futuro. E não só ele, mas também o iate espacial Dora e Elizabeth Long. E Ishtar. E muitas mais das personagens inesquecíveis de A História do Futuro.
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Durante dez minutos - cento e treze mudanças - tivemos uma espécie de "projecção de dispositivos" de universos, dos mais comuns aos mais estranhos, para além de toda a compreensão, quando subitamente Gold disse a si própria "Suspender!" e acrescentou "Nave à vista!"
- Iate privado Dora - foi a resposta. - És tu, Gay? Porque demoraste tanto tempo?
Ordenei:
- Astrogador, tome os comandos. - Fiquei estupefacta e assustada. Mas um capitão comanda... ou admite que não é capaz disso e salta pela borda. Um capitão não pode errar... nem pode hesitar.
Gay dizia rapidamente:
- Capitão, não estou a transmitir. Aconselho perguntar pelo capitão de Dora. Transmiti: "Sim, é Gay. Não estou atrasada, viemos pela estrada turística. Cala-te, pequena e liga ao teu chefe". Capitão, o microfone é seu. Eles não podem ouvir-me ou a qualquer voz dentro de mim.


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nº 379 - O Gato que Atravessa as Paredes 1



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: The Cat Who Walks Through Walls
1ª Edição: 1985
Publicado na Colecção Argonauta em 1989
Capa: A. Pedro
Tradução: Clarisse Tavares 

Súmula - Foi apresentada no livro nº378 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Robert Heinlein, um dos mais celebrizados autores de obras de Ficção-Científica, bem conhecido dos leitores da Colecção Argonauta, e mundialmente apreciado, deu-nos, com o romance O Gato Que Atravessa as Paredes, em dois volumes, uma obra-prima dos domínios da imaginação e da organização da intriga. Espectacular, ousadíssimo e impregnado de verdadeiro suspense, O Gato Que Atravessa as Paredes é já um clássico da Ficção-Científica e um título que se torna imprescindível na Colecção Argonauta. Eis as páginas iniciais do primeiro volume de O Gato Que Atravessa as Paredes, o próximo lançamento da Colecção Argonauta:

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Precisamos de si para matar um homem.
O estranho olhou-me nervosamente. Eu achava que um restaurante cheio não era o lugar indicado para semelhante conversa, uma vez que o ruído permitia apenas uma privacidade limitada.
Abanei a cabeça: - Não sou um assassino. Matar é mais um passatempo para mim. Já jantou?
- Não vim aqui para jantar. Deixe-me só...
- Ora, vá lá... Eu insisto - ele tinha-me irritado, ao interromper-me a noite com uma senhora encantadora; eu estava a pagar-lhe na mesma moeda. Não se devia encorajar a má educação; deve-se retaliar, educadamente, mas com firmeza.
Esse senhora, Gwen Novak, tinha manifestado o desejo de empoar o nariz e havia abandonado a mesa, após o que Herr Desconhecido se tinha materializado e sentado à minha frente, sem ter sido convidado. Estava mesmo para lhe dizer para se ir embora, quando ele mencionou um nome: Walter Evans. 
Não existe nenhum Walter Evans.
Pelo contrário, esse nome é, ou deverá ser, uma mensagem de uma de seis pessoas, cinco homens e uma mulher, um código, para me lembrar de uma dívida. É concebível que a prestação devida pudesse ser paga com a morte de um homem - possível, mas no entanto, improvável. 
Mas o que não era concebível era que eu matasse alguém por ordem de um estranho, apenas porque ele invocara aquele nome.
Conquanto me sentisse na obrigação de o ouvir, não tencionava deixá-lo estragar a minha noite. Já que estava sentado à minha mesa, podia muito bem comportar-se como um convidado. -Se não desejar um jantar completo, pode pedir o menu das ceias. O "lapin ragout" na tosta é muito capaz de ser rato em vez de coelho, mas este chefe consegue fazê-lo saber a ambrósia. 
- Mas eu não quero...
- Por favor - olhei em volta, e vislumbrei o empregado -, Morris!...
Morris apareceu por trás de mim, de repente.
Três doses de "lapin ragout", por favor, Morris, e peça a Hans que nos escolha um vinho branco seco.
- Sim senhor, Dr. Ames.
- Não comece a servir antes de a senhora chegar, por favor.
- Com certeza.
Esperei que o empregado se afastasse: 
- A minha convidada deve estar a chegar. Tem, pois, um breve espaço de tempo para me explicar em particular. Por favor comece por me dizer o seu nome.
- O meu nome não é importante. Eu...
- Vamos lá! O seu nome, por favor.
- Disseram-me para referir apenas Walter Evans. 
- Tudo certo. Mas o seu nome não é Walter Evans, e eu não negoceio com um homem que não me diz o seu nome. Diga-me quem é, e é melhor que traga um cartão de identificação que condiga com as duas palavras.
- Mas... Coronel, é muito mais urgente explicar-lhe quem deve morrer, e porque é o senhor quem o deve matar! Tem de admitir isso!
- Eu não tenho de admitir nada. O seu nome! E o seu cartão de identificação. E por favor, não me chame coronel; eu sou o Dr. Ames - tive de levantar a voz, para não ser afogado pelos tambores. O show dessa noite ia começar. As luzes baixaram, e um clarão iluminou o mestre-de-cerimónias. 
Está bem, está bem! - o meu inesperado interlocutor levou a mão ao bolso, e tirou uma carteira. - Mas Tolliver tem de morrer no domingo ao meio-dia, ou estaremos todos mortos! 
Ele abriu a carteira para me mostrar a sua identificação. Uma pequena mancha escura alastrou sobre o peitilho da camisa branca. Olhou-a, surpreendido, e depois disse, brandamente: - Lamento muito - e inclinou-se para a frente. Parecia querer acrescentar algo mais, mas o sangue começou a sair-lhe em golfadas da boca.
Levantei-me imediatamente e pus-me do seu lado direito. Quase tão depressa como eu, Morris encostou-se do lado esquerdo. Talvez Morris estivesse a tentar ajudá-lo; eu não - era tarde de mais... 

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Nota: o retorno à saga de Lazarus Long, em mais uma grande obra de Robert A. Heinlein. Recomendadíssimo. Nota-se no entanto o pouco cuidado no entanto da nota editorial acerca da obra, ao não referirem que se trata da continuação da saga de Lazarus. Igualmente há erros no texto e nos nomes, que eu emendei. Como já referi, penso que os textos das sinopses na maior parte das vezes, infelizmente, preocupam-se mais em escrever apressadamente elogios sonantes para potenciar as vendas, muitas vezes sem ter porventura lido sequer as obras, do que em escrever algo realmente sobre elas, com conteúdo interessante - como por exemplo neste caso referir que esta obra faz parte da saga iniciada em Os Filhos de Matusalém (nº137) e prosseguida em A História do Futuro (nº243; 244; 245 da Colecção Argonauta).

nº 380 - O Gato que Atravessa as Paredes 2


Autor: Robert A. Heinlein
Título original: The Cat Who Walks Through Walls
1ª Edição: 1985
Publicado na Colecção Argonauta em 1989
Capa: A. Pedro
Tradução: Clarisse Tavares 

Súmula - Foi apresentada no livro nº379 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Em O Gato Que Atravessa as Paredes - 2, de Robert A. Heinlein, prossegue a extraordinária e inusitada intriga de cujos primeiros elementos, publicados neste volume, os leitores portugueses já tomaram conhecimento, penetrando no mundo estranho, inolvidável e aterrador que o grande ficcionista arquitectou com a sabedoria de um verdadeiro mestre de suspense.
Sem recorrer a fantasias humoristicamente "barrocas", sem se perder nos meandros de antecipações que tendem a esgotar-se em si próprias, O Gato Que Atravessa as Paredes - 2, recorrendo à experiência estilística da grande literatura - excelente sob o ponto de vista psicológico e do comportamento humano - ombreia, em qualidade, com os títulos mais célebres da Ficção-Científica, a ponto de ser considerado como uma indiscutível obra-prima.