nº 55 - Os Frutos Dourados do Sol


Autor: Ray Bradbury
Título original: The Golden Apples of the Sun
1ª Edição: 1950
Publicado na Colecção Argonauta em 1960
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº54 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

É este o último livro de Ray Bradbury, o autor de Crónicas Marcianas, O Homem Ilustrado e Farhenheit 451, que a Colecção Argonauta já teve o prazer de apresentar aos leitores portugueses.
Ray Bradbury é hoje, indubitávelmente, uma das figuras de proa da Ficção-Científica e até mesmo uma das mais notáveis figuras da mais recente geração literária americana. Dele disse o grande escritor inglês Angus Wilson: "é um dos mais brilhantes e fascinantes escritores que tenho conhecido"; e Christopher Isherwood afirmou: "Crónicas Marcianas é, até agora, o meu livro favorito entre todos os dos jovens escritores americanos contemporâneos".
Em Os Frutos Dourados do Sol reúnem-se doze dos mais notáveis contos em que a poesia, a crítica social, a imaginação e a realidade se combinam perfeitamente, para nos transportar a um mundo que, sendo o nosso, é igualmente um mundo mágico em que pessoas e coisas adquirem um valor particular e se transformam em seres que nos parecem existir simultâneamente em um ou vários universos diferenciados.
Desde a realidade ao mesmo tempo irónica e lírica de O Grande Incêndio até ao extraordinário conto que encerra e dá o nome ao livro, Os Frutos Dourados do Sol, onde se reencontra mais uma vez o mito de Prometheu trazendo o fogo aos homens - e, com o fogo, o conhecimento -, todos os doze contos são pequenas obras-primas de um estranho sabor que pedem, podemos dizer, paladares requintados para a sua completa apreciação.
Um homem que assassina a sua casa... um outro que insistia em passear à noite, passear apenas, quando já não havia quem passeasse... Um monstro pré-histórico que vem dos fundos do passado e dos abismos para responder ao apelo da voz que o chama, a voz de um farol... O caçador que procura, mergulhando no tempo, sensações violentas na caça ao Tiranossauro e que, por pânico, altera paradoxalmente o futuro... um homem do lixo que se recusa a limpar o liso de uma possível futura guerra atómica...
São estes outros tantos motivos para Ray Bradbury nos dar a sua visão do mundo, ora amarga, ora cheia de esperança, mas sempre pessoal, sempre feita de "um mundo de curiosa beleza, fulgurante de simpatia, atravessado pelo humor", conforme diz dele a revista Punch
São estes Frutos Dourados do Sol que a Colecção Argonauta se orgulha de apresentar no seu próximo volume. 

Contos publicados na obra:

   1 - A Sereia entre o Nevoeiro
   2 - O Homem que Passeava
   3 - O Deserto
   4 - O Criminoso
   5 - Bordado
   6 - O Grande Jogo entre Negros e Brancos
   7 - Um Som de Trovão
   8 - A Campina
   9 - O Homem do Lixo
 10 - O Grande Incêndio
 11 - Adeus e Boa Viagem
 12 - Os Frutos Dourados do Sol

Nota: o conto intitulado Um Som de Trovão, inspirou o filme com o seu título, realizado em 2005 por Peter Hyams, com Edward Burns, Ben Kingsley e Catherine McCormack nos principais papéis. O dvd, tem edição nacional.


 

nº 56 - Pré-História do Futuro



Autor: Stefan Wul
Título original: Niourk
1ª Edição: 1957
Publicado na Colecção Argonauta em 1960
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria


Súmula - foi apresentada no livro nº55 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:


Numa Terra devastada, seca, onde os grandes oceanos desapareceram e os seus fundos se cobriram de selvas e de pântanos, onde a enorme civilização técnica conseguida pelos homens de mihares de anos atrás desapareceu igualmente deixando apenas os vestígios arruinados das suas cidades abandonadas, os poucos homens que restam vivem em tribos, numa vida semelhante aos seus remotíssimos antepassados de uma pré-história que, afinal, voltou de novo.
Assim vive a tribo de Thôz, o Ruivo, nas suas tendas de pele de cão selvagem, entregando-se á caça e vivendo precáriamente dessa mesma caça, por vezes rara. A tribo deambula pela grande planície coberta de florestas que foi outrora o Oceano Atlântico, junto ao sopé do monte Santiag, entre as cordilheiras de Cuba e de Hait; o monte onde se ergue Santiag, a cidade dos deuses que apenas um único membro da tribo conhece: o Velho.
O Velho é, afinal, o grande senhor da tribo, acatado por todos, venerado e respeitado até por Thôz, o chefe. Quando o Velho vai a Santiag, quando ele se prepara para a grande viagem até às alturas nevadas, toda a tribo executa a dança sagrada e o Velho parte... quando volta, vem cheio de presentes dos deuses: estranhos recipientes metálicos, pedaços de vidro onde a tribo pode ver reflectir-se a cara dos seus membros, caixas com estranhas imagens estampadas, um nunca acabar de maravilhas.
Mas a tribo também tem um outro estranho membro: o rapaz negro, um garoto de quinze anos que nasceu negro entre uma tribo de louros. Esse atavismo biológico vota-o ao ostracismo. O rapaz negro é batido, é apedrejado pelas outras crianças, é desprezado pelos adultos. O Velho odeia-o e, quando parte de novo para uma visita aos deuses de Santiag, afirma que, à sua volta, o rapaz negro será morto.
Mais uma vez a tribo realiza a dança ritual e de novo o Velho segue o caminho de Santiag... mas não volta, e os guerreiros esperam-no em vão junto ao sopé do monte, entre as primeiras neves. 
E então o rapaz negro resolve fugir. Irá procurar o Velho e irá viver a sua vida de homem livre. É assim que o rapaz negro atinge Santiag, a maravilhosa cidade dos deuses e é assim também que dá o primeiro paso para a grande aventura que o levará a encontrar a amizade do urso, a descobrir o caminho dos deuses, a conduzir a tribo para além da terra dos monstros, e até mesmo encontrar os deuses, esses deuses que, afinal, partiram da Terra...
É mais um romance de Stefan Wul, o autor europeu de ficção-científica que se está a revelar um autêntico caso neste ramo da literatura e que a Colecção Argonauta apresenta no seu próximo volume.

Nota: uma excelente obra de Stephan Wul, uma grande surpresa. Cativante, envolvente, emocionante. Merecia ser adaptada para Cinema.

nº 57 - O Robot de Júpiter-9


Autor: Paul French (pseudónimo de Isaac Asimov)
Título original: Lucky Starr and The Moons of Jupiter
1ª Edição: 1957
Publicado na Colecção Argonauta em 1960
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria


Súmula - foi apresentada no livro nº56 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Mais uma vez, encontramos os nossos já conhecidos Lucky Starr e Bigman Jones, desta vez em Adrastea ou Júpiter-9, um dos satélites de Júpiter.
Os técnicos terrestres, instalados numa estação experimental de Júpiter-9, tinham conseguido, após demorados estudos e experiências, realizar o extraordinário motor Agrav, que podia neutralizar os efeitos gravíticos de qualquer planeta e, assim, aplicado a uma astronave, resolver os problemas de aproximação e descolagem dos planetas de alta gravidade, além de proporcionarem uma enorme economia de energia.
Dadas as relações tensas entre o governo terrestre que dominava o Sistema Solar e os planetas sírios, antigas colónias terrestres do sistema de Sírius que tinham adquirido autonomia, o motor Agrav era da maior importância numa eventual agressão ao Sistema Solar. 
Os serviços de espionagem sírios tinham, assim, organizado uma extraordinariamente eficaz rede de informações e todos os segredos de construção do Agrav chegavam infalivelmente a Sirius.
Perante tal estado de coisas, o Conselho das Ciências, responsável pelas realizações técnicas da Federação Solar e, ocultamente, a verdadeira organização directora dos destinos da Terra, resolveu investigar. Vários investigadores foram enviados a Júpiter-9, mas o mistério da fuga de informações não conseguia ser esclarecido. É então que Lucky Starr e o seu inseparável companheiro Bigman Jones entram em actividade. Enviado a Júpiter-9 para uma investigação, vêem-se imediatamente mal recebidos, desde o comandante Donahue, director da base experimental e do "projecto Agrav", até ao mais insignificante membro da equipa técnica. Qual a razão desse desagrado geral perante a presença de Lucky Starr e do seu companheiro? Qual a influência que o oculto espião de Sírius tem entre os homens de Júpiter? E como localizar o espião entre tantos homens hostis? Será Pauner, o engenheiro-chefe, cuja situação lhe permite o acesso a todos os arquivo secretos? Será Summers, o mecânico que desencadeara a hostilidade contra Lucky? Ou Norrich, o engenheiro cego, cjua cegueira lhe permitiria andar, insuspeito, por todos os laboratórios? Ou ainda o comandante Donahue, nitidamente contrário a qualquer investigação que interferisse com os seus serviços?
É nessas condições que Lucky Starr tem de agir, entre hostilidades, falta de informações e nítida má vontade.
Sigam mais esta aventura de Lucky Starr e de Bigman Jones, talvez a mais emocionante de todas, através do próximo livro da "Colecção Argonauta". É mais um livro de Isaac Asimov, sob o pseudónimo de Paul French.

nº 58 - A Raínha Rebelde



Autor: L. Sprague de Camp
Título original: Rogue Queen
1ª Edição: 1951
Publicado na Colecção Argonauta em 1960
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº57 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Iroedh, uma obreira-neutra do estranho e remoto planeta Ormazd, tinha muito que aprender acerca do amor!
Quando o doutor Winston Block e o seu grupo chegaram na nave espacial, o primeiro dever de Iroedh, como boa e leal obreira-neutra, seria tentar convencê-los a tomarem o partido da sua Comunidade na constante luta entre Comunidades que assolava o planeta.
Mas Iroedh estava anormalmente (e ilícitamente) apaixonada pelo zangão Antis, cuja única função era ser consorte profissional da Rainha. Desde que os homens da Terra conseguiram, devido aos seus poderes mágicos, salvar Antis da liquidação emimente, Iroedh não tinha outro caminho senão juntar-se a esses visitantes de outro planeta e tornar-se uma fora-da-lei - uma rebelde.
Foi então que aprendeu os segredos do sexo e da fertilidade e de como uma obreira-neutra se pode transformar - numa mulher fenomenal em carne e osso. E, em companhia de Antis, empreendeu a tarefa de modificar toda a estrutura social de Ormazd com o slogan:
TODA A OBREIRA É UMA RAINHA, UMA RAINHA PARA CADA ZANGÃO
Enquanto o apaixonado casal ia aprendendo tão estranhas coisas acerca de amor e vida sexual, outras aventuras lhes iam também acontecendo. E foi assim que tiveram de enfrentar Wythias, o zangão revoltado, que encontraram Gildakk, o Oráculo falante e assistiram ao duelo de morte entre as Rainhas Intar e Estir, para a conquista do trono.
Este livro é, conforme a opinião do crítico do New York Times, "engenhoso, divertido... e completamente novo dentro da literatura da ficção-científica".

nº 59 - Partida Para O Espaço


Autor: Cyril M. Kornbluth
Título original: Takeoff 
1ª Edição: 1952
Publicado na Colecção Argonauta em 1960
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria


Súmula - foi apresentada no livro nº58 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Para os leitores da Colecção Argonauta, Cyril M. Kornbluth não é um autor desconhecido. Tiveram já ocasião de ler um dos seus mais famosos romances, O SÍNDICO, publicado no nº40 da mesma Colecção e puderam então avaliar o poder imaginativo do conhecido escritor americano de ficção-científica. Encontraram nesse romance uma curiosa América do futuro, em que o gansterismo controlava o Estado e criava uma inesperada organização social. O SÍNDICO é, sem dúvida, uma brilhante concepção da imaginação (a que poderemos chamar torrencial) do autor de PARTIDA PARA O ESPAÇO, romance que agora apresentamos. Mase se a faceta imaginativa de C. M. Kornbluth é de facto excepcional, a sua capacidade para arquitectar um romance estruturalmente baseado em factos científicos não é menor. Podemos verificar isso em PARTIDA PARA O ESPAÇO, romance cuja acção decorre num futuro bastante próximo e onde a movimentação dos acontecimentos está de facto enquadrada numa ciência que é, pode dizer-se, a dos nossos dias. E assim...
O jovem e brilhante engenheiro Michael Novak, vê-se envolvido numa história de intriga e violência ao aceitar um lugar na Sociedade Americana para o Voo Espacial. Ao aceitar esse emprego, provoca inadvertidamente uma série de acontecimentos inesperados que envolvem duas lindas raparigas, altas personalidades de Washington, espionagem e crime, acontecimentos que culminam com a primeira viagem espacial do Homem.
No deserto ao Sul de Barstow, na Califórnia, a S.A.V.A. estava a construir uma astronave com fins puramente de pesquisa científica, mas Novak, ao iniciar o seu trabalho, deparou com uma série de factos que se relacionavam estranhamente com a realização da astronave. Depressa teve a suspeita de que a construção do aparelho era subsidiada por uma potência estrangeira e confiou as suas suspeitas a um colega engenheiro. Vinte e quatro horas depois, esse colega era assassinado. 
Seguidamente, Novak acaba por desmascarar uma encantadora espia e uma cabala política. E, para finalizar, arrisca a própria vida e a da mulher que ama para assegurar ao seu país o primeiro passo nas viagens espaciais.
É esta a súmula do que os leitores da Colecção Argonauta poderão encontrar no excepcional romance de Cyril M. Kornbluth.

nº 60 - O Vagabundo das Estrelas



Autor: Stefan Wul
Título original: L'Orphelin de Perdide
1ª Edição: 1958
Publicado na Colecção Argonauta em 1960
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria


Súmula - foi apresentada no livro nº59 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

A astronave percorria o Espaço. Sobre o seu topo aparentemente imóvel, o nome brilhava à luz das estrelas: O Grande Max. Era também o nome do seu proprietário, um mulato enorme, conhecido em todos os sistemas da constelação de Lira.
O grande Max dormia na sua cabina. Completamente nú, o seu corpo musculoso jazia sobre a cama. Um braço rude pendia, com a mão roçando o solo. O outro estava sobrado sob a cabeça de cabelos azulados, por um sol desconhecido.
Era um pirata magnífico, contrabandista e grande conhecedor de mundos. Pertencia já ao folclore de Lira, como um deus do Espaço. Falava-se frequentemente das suas extravagâncias, da sua violência, do ouro que semeava às mãos cheias pelas luxuosas casas de jogo das capitais. Mas nunca a polícia conseguira reunir provas suficientes que denunciassem as suas actividades ilícitas. Escapava sempre a todas as armadilhas.
Ia de um lugar para outro, desaparecia durante anos, reaparecendo alguns meses mais velho, sempre jovem, conservado pela actividade das suas viagens. Ria na cara dos polícias, punia algum traidor, captava filhas de rei e, de um golpe, aumentava as economias para o dobro ou o triplo, nalgum negócio sensacional e inatacável... chegando a ceder de boa vontade, e sem fazer alarde disso, metade dos seus lucros a um pobre vigarista cujo rosto lhe agradasse. Dentro em pouco, cercado de lenda, tornara-se de certo modo um salteador estimado...
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É a aventura deste vagabundo das estrelas, para quem a amizade estava acima de qualquer lucro ou negócio, acima mesmo do valor da própria vida, que os leitores do próximo volume da colecção ARGONAUTA vão conhecer. Para salvar uma criança, o filho do maior amigo, o grande Max passa por cima de todos os obstáculos, abandona todas as rendosas empresas em que negoceia, e lança-se através dos Espaços.
Mais um romance de Stefan Wul, o best-seller e, sem dúvida, um dos mais notáveis escritores de ficção-científica em língua francesa.

nº 61 - A Superfície do Planeta


Autor: Daniel Drode
Título original: Surface de la Planète
1ª Edição: 1959 
Publicado na Colecção Argonauta em 1961
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº60 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

A radioactividade libertada pelas bombas "H" infestou a superfície do planeta. A civilização necessita de encontrar um local onde a sobrevivência ainda seja possível. Como descobrir, numa superfície da terra infestada por esse veneno invisível e potentíssimo, um local, um único que ofereça refúgio ao que resta ainda duma cultura, duma civilização, dos homens?
Esse local é o subsolo. É no interior da terra que uma máquina prodigiosa jaz instalada, tão complexa ou perfeita que o seu próprio autor ou autores lhe deram o nome de Sistema.
Aí, cada homem vive instalado numa célula própria, isolado da superfície, isolado dos outros, completamente só, em total dependência e sujeição do Sistema. A solidção é  a condição da sua sobrevivência. O homem é produzido para estar de acordo com o Sistema e os maquinismos apenas promovem a subsistência do homem porque essa é a justificação viva e humana da civilização que aquele representa.
Que acontece, porém, quando o Sistema começa a falhar? Instalado no seu sofá automático, o homem apenas tem uma noção arbitrária do tempo, do correr da realidade, pela ejecção sucessiva e regular de pastilhas alimentares. Todo o restante condicionamento artificial  só é de molde a permitir uma única constatação de existência, em si mesma anti-dinâmica. A contradição, o erro e o absurdo manifestam-se quando o maquinismo de distribuição de pastilhas começa a funcionar irregularmente e as geradoras de ar condicionado e de produção de líquido deixam de funcionar.
Por caminhos obscuros, escusos e desconhecidos túneis de ascensão à superfície do Planeta, começa então o êxodo dos humanos. Agora é o humano que procura sobreviver, sendo para isso forçado a abandonar o Sistema. Sinal de libertação, esse êxodo é também o sinal de contacto: cada humano não está mais só, é forçado ao contacto com os seus semelhantes.
Mas só com os seus semelhantes? A subida para a superfície irá forçá-los ao contacto com a Natureza, realidade obsoleta e inexistente no Sistema e com os superficiais, seres que sobreviveram à peste radioactiva.
Aí, novamente os celulares representados na figura central, terão oportunidade de constatar que a sobrevivência é uma eterna fuga e uma eterna oposição e luta ao ambiente. A teoria da adaptação parece definitivamente ultrapassada.
Como poderão os humanos, agora privados duma organização pré-estabelecida de preservação, continuar a sobrevivência?
Como poderão viver uma realidade e suportar o contacto dos superficiais?
Que significado tem essa libertação do Sistema?
Mas... questão crucial: terá essa libertação sido efectiva e realizada, ou não passará apenas de uma reminiscência mental do passado, prolongada no futuro através da talvez única e verdadeira libertação possível: a realização através do pensamento?
Eis o que o leitor só poderá conhecer nas últimas linhas deste excepcional e espantoso romance a quem foi atribuído o Prémio Júlio Verne de 1959, o mais alto galardão atribuído em França a um romance de Ficção-Científica.
Estaremos em face dum romance de pura ficção-científica ou ele encerra mais do que isso: uma dolorosa antecipação científica? A própria linguagem e estilo inéditos que o autor usa, contribuem para colocar o leitor perante uma angustiante questão que exige dele uma atitude activa: estará perante uma antecipação autêntica, que não é de todo inverosímil?
Finalizamos usando as próprias palavras de Drode, numa recente entrevista dada aos jornais:
- À maneira de Kafka - diz-nos o escritor - não senti necessidade de atribuir nomes às figuras do meu livro. Quis dar, assim, a ideia de indeterminação com pleta, não porque goste do processo, mas porque é mais significativo de um sistema de vida que não deixa lugar à individualidade sobre nenhuma forma.
E mais adiante, acrescenta:
- Há em A Superfície do Planeta uma aspecto satírico, não à maneira de Swift ou Huxley, que fizeram a sátira do homem de uma época, mas mamis radical: quis fazer a sátira do próprio Homem fora do tempo.

Nota do Tradutor:

Parecerá ao leitor desprevenido que a alguma dificuldade de leitura deste livro provêm de uma tradução deficiente e de uma série de "gralhas" gráficas. Tal não é a realidade porém. O autor assim o quis, e o tradutor respeitou-o. Este livro que, conquanto difícil (ou mesmo por ser difícil) obteve o mais alto prémio de F.C. em França, o Prémio Júlio Verne de 1959, deu origem a uma série de controversas nos meios da crítica literária francesa. Houve quem lhe chamasse o Kafka da F.C. e, quanto a nós, bastante acertadamente. A linguagem usada pelo autor, uma linguagem por um lado curiosamente barroca e por outro inesperadamente inovadora, pretende (segundo o próprio autor, numa entrevista concedida à imprensa francesa) interpretar uma provável linguagem do futuro. Assim, teremos até o aparecimento de palavras inventadas e de palavras grafadas de uma maneira inusual, assim como uma disposição gráfica que poderá chocar os mais ortodoxos. Não nos esqueçamos portém que, sem ser  em F.C. (ou será?), já Faulkner tem usado um sistema paralelo em alguns dos seus romances.
Portanto, e dadas as dificuldades que a tradução apresentou, o tradutor, querendo respeitar um autor que efectivamente o merece, usou um sistema que, seguindo fielmente o original, adapta a linguagem portuguesa e os jogos de palavras da mesma à cadência e ao ritmo do original. SE o conseguiu, compete ao leitor julgá-lo.

nº 62 - Rumo ao Universo



Autor: A. E. Van Vogt
Título original: Destination: Universe!
1ª Edição: 1952
Publicado na Colecção Argonauta em 1961
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria


Súmula - foi apresentada no livro nº61 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Rumo ao Universo é o título do próximo volume da Colecção Argonauta. Trata-se dum brilhante conjunto de contos de ficção-científica, por um dos mais reputados e mundialmente conhecidos autores deste género: A. E. van Vogt.
Uma expedição terrestre dirige-se para a constelação de Centauro. Rumo ao Universo é, na verdade, o conto que inicia este novo volume. Como realizar, dentro do curto período de existência humana, uma expedição que, com os primeiros meios de transporte no espaço postos ao serviço do homem, foi calculada para durar 200 anos? 200 anos a bordo dum dos primeiros foguetões espaciais a percorrer o caminho para constelações e nebulosas distantes, em que três homens vivem o mais louco dos sonhos ou a mais espantosa das realidades, este é o tema. Que exige deles a viagem? E mais: que exige deles a adaptação a uma realidade que existe e simultâneamente não existe? Qual a aventura desses homens que viveram o tempo que se seguiu ao dia da sua morte, ao do desaparecimento na Terra de todos os vestígios da época em que a haviam abandonado e que regressam depois dessa viagem de ida e volta ao futuro, autêntica viagem no tempo em que este se prolonga centenas de anos dentro de ano e meio?
Os contos que se seguem, como é o caso de Aldeia Encantada, são extraordinárias antecipações, lúcidas, num estilo inigualável de ficção, da aventura no espaço exterior. A Aldeia Encantada no planeta Marte, onde apenas o ambiente guarda a memória duma raça desaparecida e aperfeiçoadíssima, é um dos mais notáveis contos que aqui se insere. Ele nos põe a pergunta: é possível adaptar o ambiente a diversas formas de vida, ou é aquele que as gera e as altera de acordo com as suas características?
Vénus, o planeta distante e quase totalmente desconhecido é o cenário do conto Uma Lata de Tinta, autêntico desafio dirigido ao habitante da Terra que a ele aborda.
Caro Correspondente, requinte de imaginação no conto escrito sobre a forma de correspondência trocada, O Som, Os Governantes, etc., são outros tantos contos cuja estrutura, ineditismo, espírito de antecipação e requinte de pormenor entusiasmarão os leitores de Rumo ao Universo, próximo volume da Colecção Argonauta.

Contos publicados na obra:
1 - Longínquo Centauro
2 - A Aldeia Encantada
3 - Defesa
4 - Caro Correspondente
5 - Uma Lata de Tinta
6 - Os Governantes
7 - O Som
8 - O Adormecido

nº 63 - O Tempo das Estrelas


Autor: Robert Heinlein
Título original: Time For The Stars
1ª Edição: 1956
Publicado na Colecção Argonauta em 1961
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria  


Súmula - foi apresentada no livro nº62 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Uma expedição de naves interestelares movidas por reactores atómicos parte para o espaço, numa missão de interesse vital para o género humano: a população da Terra, aumentando num ritmo incessante e extraordinário, levou à necessidade de colonização do espaço exterior.
Com a partida do primeiro navio do espaço começa O Tempo das Estrelas, o tempo do futuro.O Tempo? Que Tempo? Enquanto na Terra gerações se seguem umas às outras num período aproximado dos cem anos (tempo calculado para a viagem da expedição), os astronautas e exploradores de mundos envelhecem poucos anos a bordo das suas naves. As possibilidades de regresso, são de uma para trinta e seis. Os astronautas sabem-no. Na Terra, sabe-se também. E sabe-se, ainda, que o problema das comunicações foi satisfatóriamente resolvido. 
Como?
Vogando a uma velocidade aproximada da da luz (800.000.000 metros por segundo) a comunicação pela rádio com a Terra torna-se a partir de dada altura absolutamente impraticável. Como resolver esse problema que, por si, é suficiente para decidir do futuro da expedição?
A FLA é um organismo poderoso. Conquanto a viagem no Espaço seja praticável e segura desde há um século, os progressso da engenharia em matéria de comunicações eram reduzidos e a Fundação sabia desse facto. Era uma questão de simples lógica e dos termos a empregar nessa equação lógica...
Os termos foram Pat e tom Bartlett, dois gémeos idênticos que só a determinada altura descobriram possuírem o suave dom da telepatia.
Na verdade, como dizia a Dra. Mabel da Fundação de Longo Alcance e o Dr. Babcock (este a bordo do foguetão Lewis e Clark, irmão gémeo do Vasco da Gama), o pensamento desloca-se a velocidades superiores à da própria luz. Um gémeo telepata a bordo, poderia fácilmente transmitir por telepatia para o seu irmão gémeo que ficasse na Terra, as mensagem desejadas. Absolutamente lógico, para desespero dos especialistas de comunicações mecânicas. Simplesmente os gémeos deveriam ser novos de idade, porque, enquanto o que ficasse na Terra envelheceria considerávemelmente durante a viagem, o que nela participasse sofreria apenas o efeitos de mais alguns anos e seria ainda jovem ao regressar ao planeta-base... se regressasse!
Que se passa a bordo da Lewis e Clark? Que mundos são descobertos? Que perspectivas se abrem à humanidade? Qual a utilidade final do seu esforço?
Robert A. Heinlein, enriquece esta colecção com mais uma obra sua, que iguala em certos aspectos e noutros ainda supera, os outros trabalhos seus já publicados. 

nº 64 - O Mundo dos Draags


Autor: Stefan Wul
Título original: Oms en Série
1ª Edição: 1957
Publicado na Colecção Argonauta em 1961
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria
 

Súmula - foi apresentada no livro nº63 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta: 

Ygam, o mundo dos Draags. Um planeta gigantesco, onde um dia tem a duração de quarenta e cinco dias terrestres. Aí vivem os gigantescos Draags, co ma sua técnica quase perfeita e os seus contientes artificiais... e aí vivem também os Oms, pequenos animais domésticos trazidos do seu planeta de origem, um pequeno planeta perdido nos confins da Galáxia e que tivera o nome de Terra.
Mas os pequenos Oms, até então quase desprovidos de inteligência e que apenas conseguiam decorar umas poucas palavras da língua Draag, começam de súbito a tentar libertar-se de uma servidão milenária, a revoltar-se, a fugir aos seus donos, a formar bandos selvagens que se escondem pelos campos e vivem da pilhagem.
Terr, um Om muito jovem ainda, sente também um dia esse apelo da liberdade e foge aos seus donos para acabar por se reunir ao bando de Bravo. Aí começa então uma odisseia, a desesperada tentativa  dos Oms para obterem uma vida livre e mais digna, lutando com um mundo que lhes é hostil, até porque os considera apenas como pequenos animais desprovidos de qualquer forma de inteligência significativa.
Da maneira como essa luta é conduzida, desde o aparecimento da primeira cidade subterrânea dos Oms, instalada no Velho Porto, até ao encontro final entre duas raças estruturalmente diferentes, dá-nos o curioso livro "O MUNDO DOS DRAAGS" uma visão movimentada e cheia de humanidade, onde o leitor não deixará de encontrar uma espécie de aviso acerca de determinados perigos de que a nossa civilização pode ser a causadora.
"O MUNDO DOS DRAAGS" é mais um livro de Stefan Wul, autor já bem conhecido dos leitores da Colecção Argonauta e talvez um dos livros mais realizados, não só pela forma como a história nos é contada, mas também e principalmente por aquilo que nos conta e pela sua mensagem final de entendimento entre todas as raças, por mais diferentes que aparentemente sejam.

Nota: René Laloux, viria a realizar em 1973 um filme tendo como argumento este romance de Stephen Wul, que ganhou um prémio especial do Júri no Festival de Cannes. Para mim este filme também tem um significado especial... foi o primeiro filme que vi no Cinema! No desaparecido Espaço Ibéria, um Cinema que ficava no Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha. Quanto ao filme em dvd, sou o feliz possuidor de uma edição que me apressei a comprar assim que foi editada. Infelizmente não existe ainda (pelo menos quando escrevo estas linhas, em Setembro de 2011) nenhuma edição nacional, mas felizmente existe a Amazon inglesa, que nos permite comprar edições estrangeiras sem pagar taxas alfandegárias, e muitas vezes a preços inacreditavelmente baixos. Recomendo que leiam o livro! E que depois adquiram e vejam o filme! É uma animação muito bonita, num 2D (graças a Deus não havia ainda 3D!) ao velho estilo, a fazer lembrar aguarelas animadas. É um filme mágico, tal como o livro.


Deixo-vos com o trailer:

E com os pormenores do filme, na IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0070544/

nº 65 - Projectado no Futuro



Autor: Charles Eric Maine
Título original: Timeliner
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1961
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº64 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Uma fantástica aventura no tempo. Eis o leit-motiv deste novo romance de Charles Eric Maine, mestre considerado de ficção-científica. A fantástica aventura do Dr. Hugh Macklin, um pacífico e aplicado cientista, um homem de espírito racional, trabalhando em Brant, próximo de Londres, num protótipo de cápsula para a quadratura dimensional, nos meados do século XX.

A sua vida encontrava-se organizada, amava a mulher, as suas experiências indicavam que o sucesso não estava longe. Depois, numa fracção de segundo, Hugh Macklin perdeu o seu corpo e afastou-se da sua época. Numa fracção de segundo, percorreu oitenta anos, o quarto de milhão de milhas que separa a Terra da Lua, e despertou no corpo de Eddie Rayner, um dos pioneiros da conquista do Espaço.
Mas oitenta anos pouco é no círculo do Tempo. E a morte de cada indivíduo, em cujo corpo reside, é o processo de Macklin conseguir avançar no futuro. Primeiro oitenta, depois quatrocentos, depois dez mil, depois cinco milhões de anos... ele, Macklin, é então a psicocélula D22.
E, de todas as vezes que viajava no Tempo, a sua fronteira era Lydia, a mulher, a imagem de Lydia, vislumbrada nas jovens, como Valerie, Louana, Thoa 802, que encontrava nesses tempos sucessivos. Elas eram Lydia e contudo não eram Lydia. Do mesmo modo, poderia Macklin afirmar que era qualquer dos homens cujo corpo ocupava? Poderia afirmar que não era nenhum desses homens?
Na brilhante aventura através do Tempo, as implicações psicológicas cruzam-se. O centro é Macklin, o homem condenado ao eterno círculo vicioso de progredir para o futuro até este encontrar o passado, de progredir no passado para alcançar o futuro, sua única esperança de reabilitação, sua única esperança de regresso. O eterno regresso e o eterno progresso. Servindo-se destes dois temas, Charles Eric Maine construiu um romance soberbo, do qual a crítica dos Estados Unidos afirmou ser um dos mais originais e sérios romances de ficção-científica que lhe foi dado apreciar.
Como efeito, nada nesta obra é imposto ao leitor. Essa é uma qualidade fundamental de Eric Maine: não declara, propõe. O leitor aceita ou não o jogo, consoante for ou não um leitor de ficção-científica.
É esta história, a história de um homem projectado no futuro por forças incontroláveis por ele próprio criadas, dum homem lutando nas épocas mais remotas do futuro longínquo para regressar à sua época e ao seu mundo, que se oferece ao leitor no próximo volume da Colecção Argonauta.

nº 66 - Ortog



Autor: Kurt Steiner
Título original: Aux Armes d'Ortog
1ª Edição: 1960
Publicado na Colecção Argonauta em 1961
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº65 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

"Enquanto a curva de senescência normal segundo os vestígios de Titan - dissera Hafzen - começava por volta dos vinte anos para decrescer lentamente até aos oitenta, a curva do homem actual começa aos dezassete ou dezoito anos e decresce segundo duas linhas distintas: uma, normalmente oblíqua, até aos quarenta anos: a outra, que desce rápidamente a partir dessa idade.
...Sacudiu a cabeça e continuou:
- A causa é necessáriamente de ordem genética. As radiações da Guerra Azul atingiram a estrutura do DNA, se bem que os genéticos afirmem o contrário.
Os genéticos eram terminantes. Baseavam-se em experiências realizadas sessenta anos antes: nos caixões de Titã, tinham encontrado espermatozóides e óvulos congelados. Tinha-se conseguido trazer à vida um certo número deles e realizar a fecundação in-vitro de metade dos existentes aproveitáveis.
As crianças obtidas por esse processo de ectogénese retardada tinham sobrevivido práticamente todas, mas a sua existência desenrolava-se não segundo a curva do vigésimo segundo século, de que era genéticamente contemporânea, mas segundo a curva actual. Actualmente, todos eles estavam mortos. Esta anomalia não podia ser proveniente das condições artificiais de gestação, porque era sabido que o século vinte e dois conhecera a ectogénese e as curvas de senescência dos produtos de gestação artificial eram nessa época idênticas às outras.
Os geriatras, como Hafsen, opunham a tudo isso a hipótese dum enfraquecimento do potencial vital dos gâmetas após uma longa hibernação... ou então que os genes tivessem sido atingidos aquando da sua transferência para Lassénia, sob a acção da radioactividade residual."

                                                                       * * *
Mas não havia duas opiniões concordantes, nessa futura sociedade feudal do século vinte e dois, acerca do mal que provocava a degenerescência da Raça. As limitações, as intrigas, o mal-estar social e a corrupção dominavam a sociedade feudal do século vinte e dois, surgida após o cataclismo da Guerra Azul com os Venusianos; o espírito geral, à parte algumas excepções, era o de resignação. Os padres "pregavam a resignação" nas práticas purificatórias. A maioria do povo encontrava nisso uma espécie de anestesia e muitos dos nobres mostravam-se satisfeitos com esse facto. Os nobres representavam os descendentes daqueles que tinham reconstruído a sociedade na base duma espécie de aristocracia comunitária, lado a lado com os sábios e os filósofos. 

                                                                        * * *
Mas a resignação não era para Dâl. Perante o corpo do pai, eliminado por ter atingido o limite oficial da longevidade, dâl Ortog, pastor de Galankar, jurou lutar pelo futuro da Raça. E, com a sua rebelião, começou uma nova Odisseia. Dâl, que de pastor se eleva ao mais alto grau da nobreza pelos seus feitos, Dâl, o adolescente, comandante duma Expedição, Dâl, o Cavaleiro-Nauta, fundador das Ordens Perfeitas, é encarregado pelos Sofiarcas de aportar ao planeta dos Arcanjos, de descobrir o Profeta Imortal e, com ele, o remédio para a salvação da Raça.
É com este tema, e num romance recheado de acção, que prenderá o leitor da primeira à última página, que Kurt Steinher nos apresenta a maravilhosa aventura de Dâl Ortog, sem dúvida um dos mais poderosos heróis que a Ficção-Científica tem apresentado.
ORTOG, de Kurt Steiner, é o próximo volume desta colecção.

nº 67 - O Homem Que Vinha do Passado



Autor: Theodore Sturgeon
Título original: Venus Plus X
1ª Edição: 1960
Publicado na Colecção Argonauta em 1962
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº66 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

O homem que vinha do passado é uma das mais brilhantes obras de ficção-científica que se têm publicado e o seu autor, Theodore Sturgeon, um importantíssimo ficcionista dos nossos dias, que ultrapassa a especificidade do género "ficção-científica". É no encontro destas duas coordenadas que reúnem um grande escritor com o vigor e a quase ilimitada liberdade de um género literário como é este, que se situa, como síntese, este livro a um tempo arrebatador de estranheza, inquietante, extraordinariamente rico e por vezes alucinante.
Que é O homem que vinha do passado? É a história - possível - dum homem nú, do deslocado, do "estrangeiro" no tempo, na sociedade, quase em si mesmo. A história de Charlie Johns que grita, angustiado, o seu próprio nome, a certeza incerta da sua própria personalidade num mundo diferente, vertiginosamente diverso, em que desperta.
Charlie Johns desperta, transido, gritando para si próprio eu sou Charlie Johns! Eu sou Charlie Johns! O ambiente, o mundo, não respondem a este grito. Será ele Charlie Johns? Pode a sua personalidade existir só por si, objectivamente, sem a necessária correlação exterior? Interrogação desesperada que leva Charlie Johns a duvidar de si mesmo, contraste entre a subjectividade do seu próprio "eu" e a negativa feroz que lhe impõe o mundo que o cerca.
Charlie Johns inicia então o esforço de adaptação, de compreensão atónita desse mundo ou dessa época estranhíssima, simultâneamente humaníssima e desumana para as coordenadas do seu pensamento retrógrado, não porque o mundo tenha necessidade da sua adaptação, mas porque ele, para subsistir como tal, necessita do que lhe é exterior. 
Raras vezes esta luta fatal entre o homem e o que o nega foi posta com tanto brilhantismo. As implicações filosóficas que o romance apresenta ao leitor não o aborrecem antes o despertam a um ponto de absorção tal, que será difícil interromper em qualquer ocasião a leitura desta obra.
Porque, com um simbolismo todo novo, Theodore Sturgeon não faz mais do que colocar a questão quotidiana do homem de hoje. Cada qual vive um círculo restrito, e, uma vez arrastado para fora dele, a desorientação, a incerteza, a solidão e o medo fazem-no duvidar de si mesmo. Essa também a situação de Charlie Johns, ao despertar num mundo de estranhas invenções, de edifícios estranhos e gente impessoal e diferente, seres que se assemelhavam aos homens mas que não eram homens... nem tão-pouco mulheres, seres de linguagem estranha limitando toda a comunicação que pudesse estabelecer-se entre Charlie Johns e "eles".
A lucidez era algo a que ele podia agarrar-se e, com essa lucidez, a certeza de que era ele próprio. Porém, como o desesperado, quando descobre o que lhe aconteceu, Charlie Johns sacrifica a lucidez em favor de algo mais concreto: a afirmação incessante, momento a momento repetida, da sua identidade.
Alguma coisa havia também que o atraía naquele mundo: coisas que consubstanciavam ideiais, mas para que não estava preparado: a nova raça, os Ledom, tinham criado um mundo que desconhecia a guerra e o medo, um mundo em que os indivíduos eram livres de amar, criar, inventar... Um Paraíso obsessivo, de pesadelo, em que os dois extremos se tocavam, um Paraíso total.
Eu sou Charlie Johns! - gritava Charlie Johns...  
Não sabia, porém, a que ponto se enganava...
É este romance brilhante, assustador e absorvente, vigoroso e compreensivo, em que Theodore Sturgeon atinge as alturas dum George Orwell e acorda remisniscências do Admirável Mundo Novo, de Huxley, que a Colecção Argonauta agora apresenta aos leitores de ficção-científica e recomenda ao público admirador dos romances de extraordinária lucidez e equivalente capacidade de realização literária.
O homem que vinha do passado é um romance que ultrapassa os limites desta colecção e se situa em plano de grande destaque, no meio das mais importantes obras de ficção-científica publicadas em Portugal desde há anos.

nº 68 - O Espaço Será Pequeno



Autor: Fredric Brown
Título original: Space On My Hands
1ª Edição: 1951
Publicado na Colecção Argonauta em 1962
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº67 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta: 


Fredric Brown não é um desconhecido. Autor de livros policiais e de ficção-científica, o leitor teve já certamente a oportunidade de ler na Colecção Vampiro dos Livros do Brasil, entre os livros dele publicados, esse belo exemplo das suas capacidades de ficcionista e que se intitulava O Prazer de Matar, número 137 da citada colecção.
O próximo volume da Colecção Argonauta, é uma colectânea de contos deste autor, em que as suas vastas capacidades nos dois campos se reúnem para provocar redobrado prazer ao leitor.
Imagine-se um jogador de dados misturando no copo estrelas, cometas, nebulosas e planetas, agitando bem os ingredientes, misturando-os e, num gesto rápido mas brilhante, espalhá-los sobre um pano verde, exclamando: "Eis um novo Universo!"
Porque é esse Universo de Fredric Brown, onde o maravilhoso caminha a passos largos para o ainda mias maravilhoso. São diversos contos de ficção-científica, de inexcedível prazer para quem os lê.
Que faria um homem que tivesse ficado só num planeta após o desastre do seu foguetão? Como reage ele, ser terreno num ambiente hostil em que nada lhe recorda o planeta de origem, agora tão longínquo? É esse o tema brilhante dum dos contos desta colectânea, intitulado Verde (porque a côr desempenha realmente papel fundamental e motriz na história). 
Crise 1999, o primeiro conto a abrir a colectânea, é bem o exemplo de como Fredric Brown soube aliar os seus talentos de ficcionista que se exercem nos campos da literatura policial e da ficção-científica. O problema situa-se noutro aspecto: mais do que a perseguição do criminoso e do castigo do crime, fulcro central de quase todo o romance ou conto policial, aqui trata-se de não perseguir mais o criminoso e de deixar impune o crime. Como poderá uma solução destas ser moralmente aceitável para um Universo que não se encontra afinal muito distanciado no tempo, mas ao alcance de todos os jovens de hoje?
1999 é uma época relativamente próxima e os conceitos éticos não sofreram tão radical modificação que os tenham tornado completamente opostos aos de 1962. Por outro lado, naõ se trata de encarar um Universo dominado por forças que são combatidas ainda hoje. A reacção geral mantêm-se idêntica: porquê, então, deixar um criminoso impune, um profissional do crime em liberdade, sem o castigar pela longa série de actos que aguardam expiação?
Fredric Brown introduz um novo elemento, típicamente policiário, no Universo da ficção-científica: a expectativa, o mistério, a descoberta. E é por isso que, quando o leitor chegar ao fim deste conto não se sentirá logrado com a solução que, ao invés do que frequentemente acontece, não depende dum trunfo escondido na manga do investigador e que no final sómente é revelado ao leitor. Trata-se dum problema mais fundo e que já hoje em dia é sériamente estudado pelos psicanalistas e criminologistas. É, simultâneamente, uma revolução total, mas possível e provável, com elementos de que já hoje dispomos. 
Um outro conto desta colectânea, principia desta forma:
O último homem sobre a terra encontrava-se sentado numa sala. Era uma sala muito especial. Acabava de reparar na estranheza que a fazia parecer assim tão especial e procurava saber por que motivo dava essa impressão. A conclusão não o aterrorizou, mas aborreceu-o.   
Não era a aparência da sala que o preocupava. Naquele momento, de resto, as suas impressões eram limitadas. Abstractamente, ELE SABIA QUE, DOIS DIAS ANTES, NO ESPAÇO DE UMA HORA, TODA A RAÇA HUMANA FORA DESTRUÍDA EXCEPTO ELE E UMA MULHER; ALGURES... UMA MULHER... 
Dificilmente se encontrará processo de iniciar um conto ou um romance de forma a atrair mais e a satisfazer a atenção e as exigências do leitor. Mas as conclusões, os desenvolvimentos, progressos e meandros das histórias, sabê-los-á o leitor, com completa satisfação, quando ler O ESPAÇO SERÁ PEQUENO.

Introdução (do autor)

Sentado diante da minha Smith-Corona, preparado para escrever uma introdução para esta colectânea de contos a primeira coisa que me vem à ideia é uma pergunta: "para quê escrever uma introdução?" Nenhum destes contos é suficientemente convencional para que a sua leitura necessite dum prólogo. Sim. Em definitivo, reparo agora que falhei nomeu propósito de escrever estas histórias.
Porque motivo escrevo eu então esta introdução? Porque motivo qualquer escritor - a não ser que tenha uma mensagem importante e receie que o leitor não se aperceba dela, pretendendo desse modo frisá-la - escreve uma introdução para o seu livro? Pois bem, gato escondido com o rabo de fora é batota - veja-se o gato completo: é porque o editor, ávido de mais umas palavras extra, gratuitas, lhe afirmou que o prólogo era absolutamente necessário e pôs os pés à parede, que sim, que sem isso nada feito. Deste modo, o escritor perde uma noite, que poderia ser muito mais bem aproveitada graças aos outros processos bem mais conhecidos de passar as noites. Tantas coisas que nesta altura eu poderia estar a fazer em vez de escrever estas introdução!...
Enfim. Como vêem, já que fui colocado entre a espada e a parede para escrever este prólogo, quero ser honesto. Confesso que detesto escrever - introduções, contos, romances, cartas ou simples bilhetes postais. Nenhum destes contos foi escrito por que me tivesse apetecido fazê-lo ou isso me desse prazer - por mais que tenha apreciado o facto de os ter escrito, depois de os ver completos, mas isso já é outra história.
Uma coisa mais devo confessar: os contos de ficção-cientifica são os que me custam menos a escrever, e, quando escrevo a palafra FIM no termo dum livro deste género, sinto nisso maior satisfação do que se o fizesse noutro qualquer tipo de ficção. Possivelmente, isso deve-se ao facto de eu ter escrito até hoje relativamente poucas histórias de ficção-científica em comparação com os contos policiais, mas ainda assim, essa explicação não me parece suficiente. O motivo mais importante é que a ficção-científica, dando muito maior liberdade à imaginação e abrindo-lhe novos caminhos, ao mesmo tempo que impõe poucas ou quase nenhumas regras ou limitações, se aproxima, mais do que qualquer outro tipo de ficção, do campo em que se pode escrever com honestidade.
O escritor de ficção-científica detém um privilégio que é negado a todos os que não se dedicam a esse género, excepto os que escolhem a pura fantasia: ele pode construir o próprio cenário, o seu universo, pode igualmente elaborar o conto que pretende escrever; pode, por conseguinte, alcançar uma integridade negada ao escritor que possui apenas o normal universo e tem de sujeitar os produtos da sua imaginação a considerações de facto impostas pelo ambiente. "Facto", palavra horrível, quando nega o futuro e as estrelas!
Vejo agora como tenho estado a fazer uso de palavras grandiloquentes a propósito de alguns contos que o não merecem. Mas sinto-me feliz de os ter escrito porque, só depois de terminados, reparei em como eram verdadeiros. Peço-te desculpa, Sasha: hoje sinto-me feliz por me teres obrigado a escrevê-los. Retiro as minhas observações idiotas, a propósito do assunto.
E, como prova de arrependimento, sempre escreverei a tal introdução:
Leitor, apresento-lhe vários contos: o homem que se apaixonou pela projecção mental duma carocha, o detective de fatiota vermelha, a ostra de gravata com nó à La Valiére, o astrónomo Roger Jerome Phlutter, Napoleão Bonaparte e todos os outros que por estas páginas vão desfilar.
E, caro leitor, apenas mais um voto: que sinta tanto prazer na leitura destes contos, como o que eu senti quando recebi, no Banco, os cheques que me pagaram por os ter escrito.
  
Sinceramente vosso,

FREDRIC BROWN     

Contos publicados na obra:

1 - Verde
2 - Crise 1999
3 - Mecânica Celeste
4 - O Último Homem
5 - Sirius Coisa Nenhuma
6 - Vem e Endoidece
  

nº 69 - Geração Galáctica


Autor: E. C. Tubb
Título original: Star Ship (The Space Born)
1ª Edição: 1956
Publicado na Colecção Argonauta em 1963
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Fernando de Castro Ferro

Súmula - foi apresentada no livro nº68 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta: 
Era uma estranha nave espacial, lançada pelos homens para uma viagem de muitos séculos. Prisão metálica, vogando em direcção a um alvo distante, levava dentro de si gerações que se sucediam ao longo do tempo. Os seus habitantes haviam perdido a noção de que se moviam no espaço a uma inacreditável rapidez. Para eles, o interior da nave era estável, permanente, imóvel. Mas não haviam perdido a centelha que os tornava seres dotados de inteligência e vontade. Tinham organizado a vida segundo as condições do ambiente, tinham-se adaptado ao Universo em que lhes era dado viver. Geração Galáctica, de E.C. Tubb, desvenda-nos os acontecimentos que ocorreram no interior da nave espacial, levanta o véu de mistério que os cercava, e dá-nos um do mais belos e emocionantes romances da Colecção Argonauta!

nº 70 - A Ameaça dos Robots



Autor: Isaac Asimov
Título original: The Naked Sun
1ª Edição: 1956
Publicado na Colecção Argonauta em 1962
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Fernando de Castro Ferro

Súmula - foi apresentada no livro nº69 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta: 

Isaac Asimov é um dos grandes mestres da literatura de ficção-científica. Escritor dotado de uma imaginação vivíssima e de uma sólida bagagem cultural, a sua obra ficará brilhando entre as mais belas e puras que se escreveram neste género.
Ameaça dos Robots, cuja tradução portuguesa sairá dentro em breve, é considerado um dos romances mais emocionantes e sugestivos de Isaac Asimov, que nessas páginas nos descreve um Universo ameaçado pelas suas próprias criações mecânicas.
Tudo era perfetio numa estranha civilização: a de Solaria. Todos os homens pertenciam à mesma classe porque só os robots trabalhavam. Todos os contactos pessoais eram proibidos, pois não havia qualquer boa razão para que as pessoas se relacionassem. A procriação estava entregue a provetas e tubos de ensaio. 
Em Solaria, reinavam a tranquilidade e a perfeição. Até que um crime "impossível" veio revelar brutalmente a realidade que se mascarava por detrás das traiçoeiras aparências de uma "felicidade" a que se contrapunha a natureza verdadeiras dos homens.
Romance que é a meditação de um grande tema, e que, ao mesmo tempo, tem o colorido e o ritmo emocionante das boas obras policiais, Ameaça dos Robots é uma das obras mais interessantes de Isaac Asimov. O leitor não perderá esta oportunidade de se entregar a um grande romance de FC, pois não deixará de ler AMEAÇA DOS ROBOTS.