nº 41 - Tiranos da Terra


Autor: Christian Russell
Título original: Les Voyants
1ª Edição: 1956
Publicado na Colecção Argonauta em 1957
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº40 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:


A superfície da Terra fora devastada. Nem uma cidade sobrevivera, nem uma casa ficara intacta. Crateras infernais assinalavam por toda a parte a explosão de poderosas bombas atómicas. Para continuarem a existir, os homens tinham-se encerrado em enormes cidades subterrâneas, a centenas de metros de profundidade sob a terra. E a guerra continuara entre as duas potências mundiais em que o mundo ficara dividido: os Estados do E. e de Centurnia.
Marillia era a capital subterrânea do E. Cidade múltipla, tentacular, com as suas gigantescas avenidas eternamente iluminadas, os seus milhões de habitantes, os seus poderosos laboratórios.
O professor Arnold era o Senhor desses laboratórios. Cientista genial, com o auxílio da sua filha Leda e do seu assistente Carlo, conseguira obter uma arma terrível, o gás Hiperion, com a qual contava aniquilar para sempre o Estado adverso de Centurnia e pôr fim à guerra duma vez para sempre. 
Na superfície da Terra, apenas existiam os sanatórios para tuberculosos, no cume das altas montanhas, onde se refugiavam aqueles cujos pulmões eram atingidos pelas consequências da constante vida subterrânea. Aí se recolheu um dia Carlo, vítima da sua actividade nos laboratórios e de um excesso de trabalho que o esgotara completamente.
Em Marillia, o professor Arnold continuava as suas pesquisas, os seus estudos sobre o Hiperion, esse gás estranhamente vivo. E a catástrofe deu-se. O Hiperion libertou-se da sua pressão, multiplicou-se, invadiu as casas, as ruas, as avenidas de Marillia. As explosões sucediam-se, a cidade desabava sobre o seu próprio peso, as águas subterrâneas invadiam-na. As suas enormes abóbadas abatiam, esmagavam a multidão em pânico. E o gás, sempre aumentando de volume, deixava atrás de si um rasto de sangue e... de cegueira. Sim, porque todos aqueles que por ele eram atingidos, ficavam cegos.
No sanatório da montanha, Carlo e os seus companheiros souberam do desastre. Miraculosamente salvos dos efeitos do Hiperion, pois o gás não atingia as altitudes, partiram em helicóptero, na ânsia de auxiliarem aqueles que tinham sido atingidos pela catástrofe. E, ao aterrarem perto das entradas subterrêneas de Marillia, viram alguns sobreviventes que avançavam para eles, tropeçando, de braços estendidos. Cegos, todos cegos. O Hiperion, espalhando-se pelas cidades subterrâneas do globo, cegara toda a população da Terra. Todos os sobreviventes eram cegos. Com vista, apenas existiam os poucos doentes, espalhados pelos sanatórios das altas montanhas. E, num mundo devastado, destruído, habitado por cegos, os poucos que restavam com vista tentaram organizar novamente a vida.
A reconstrução começou: Nova Marillia deu os primeiros passos e aqueles que viam, os "Vigilantes", iniciaram uma tirania sobre um mundo sem vista, uma ditadura de força e de terror. Como poderiam lutar os cegos contra os seus opressores bárbaros e cruéis? Como conseguiriam eles retomar o seu lugar, que por direito lhe pertencia no mundo? A história apaixonante dessa reconquista, dessa luta apoiada por Carlo, o jovem cientista que escapara com vida, é-nos contada duma forma emocionante neste romance, um dos mais notáveis da ficção-científica francesa.

nº 42 - Mundos Simultâneos


Autor: Clifford D. Simak
Título original: Ring Around The Sun
1ª Edição: 1952
Publicado na Colecção Argonauta em 1957
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº41 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Qual a origem das lâminas de barbear eternas, das lâmpadas que nunca se fundiam, dos automóveis que duravam gerações, dos isqueiros que funcionavam sempre? Onde eram fabricados esse objectos que estavam a destruir totamente a Economia do Mundo? Quem manobrava as empresas distribuidoras de carbo-hidratos sintéticos que eram distribuídos gratuitamente e que salvavam da fome uma percentagem cada vez maior de desempregados?
Esses produtos existiam, mas era impossível encontrar as fábricas que os produziam. Apenas era possível encontrar as lojas de dispositivos que punham à venda por preços incrívelmente baixos todos aqueles objectos de misteriosa origem. E depois foi a vez dos fatos e das casas pré-fabricadas, cujo custo impossibilitava qualquer concorrência.
No meio de tudo isto, Jay Vichers, popular escritor, é chmado por Crawford, aparentemente o director dos Gabinetes de Estudos Norte-Americanos mas, na realidade, o todo poderoso organizador dum trust mundial de indústria, disposto a lutar de qualquer forma contra a progressiva destruição das indústrias de todo o mundo. Assim, Vichers vê-se convidado a escrever um livro que consiga demonstrar as consequências catastróficas do aparecimento dos novos produtos. Vichers recusa, sem mesmo saber a razão porque o faz, apenas movido por um pressentimento. E, de descoberta em descoberta, chega à espantosa conclusão: uma nova raça está a aparecer no mundo, uma raça de Mutantes, seres humanos, sem dúvida, mas com possibilidades físicas e psíquicas bem diferentes das do homem vulgar. Essa raça consegue transportar-se para qualquer dos mundos que precedem ou se seguem à Terra numa cadeia ininterrupta em roda do Sol. Nesses mundos, exactamente idênticos à Terra, mas onde não existe o homem e a Natureza está virgem de qualquer intervenção humana, instalam eles as suas indústrias, o seu império de máquinas e robots, com o fim de acabar com a civilização terrestre que consideram errada e cruel e formar uma nova civilização que povoará essas novas Terras, baseada no entendimento e na paz. Serão essas Terras povoadas por todos aqueles que, pobres e miseráveis na velha Terra, estão dispostos a abandoná-la para viver uma vida melhor e mais feliz. Este abandono em massa, vai enfraquecendo o poder de produção da indústria terrestre e Crawford só tem uma solução: a guerra. E a luta entre Crawford e os grandes senhores da indústria por um lado, e Vichers e os Mutantes por outro começa, violenta e terrível. 
"Mundos Simultâneos" é um estranho e perturbador livro de Clifford D. Simak, autor de esse outro alucinante livro que é "Guerra no Tempo", já publicado na Colecção Argonauta.

nº 43 - A Cidade da Ciência


Autor: Maurice Vernon
Título original: Les Savants Dans L' Arène
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1957
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº42 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:


Depois do Grande Desastre, o mundo unificou-se. O Governo Universal ficou nas mãos de Alan Donnel, tirânico ditador que, instalado na monstruosa cidade de Capitalopolis, dominava com o auxílio das suas tropas Governamentais e dos Serviços Privados. 
A guerra deixara em todos um enorme ódio aos cientistas, sacusados de serem os causadores da carnificina. Todo o cientista apanhado pelo povo era imediatamente executado e, aproveitando-se desse facto, Alan Donnnel reuniu os sábios sobreviventes numa cidade subterrânea, a Cidade da Ciência, sob o pretexto aparente de os proteger, mas para, de facto, servindo-se das suas descobertas, ses tornar o senhor incontestado, o Senhor do Mundo. 
Mas existiam os Oposicionistas, os homens cujo lema era "morte aos cientistas" e que, sob o comando de Sam Sony, faziam uma violenta e feroz oposição a Alan Donnel, acusando-o de proteger os cientistas.
O povo vivia nas cidades do Renascimento, cidades simples donde tinham sido afastados todos os modernos inventos científicos e, juntamente com o seu receio dos cientistas, odiava e temia igualmente Governamentais e Oposicionistas. Foi duma cidade dessas, Agricolaville, que veio Crieg Rayner, filho dum antigo companheiro de Donnel e por este assassinado. Chamado a Capitalopolis pelo chefe dos Oposicionistas, Crieg Rayner viu-se imediatamente envolvido numa luta de morte entre dois partidos, luta essa de que ignorava tudo.
Na Cidade da Ciência, Fritz Alavan, o maior cientista vivo, preparava a fuga e a sua vingança contra Donnel, que o conservara prisioneiro durante vinte e cinco anos. Auxiliado por Falavan, un estranho ser de poderes aparentemente sobre-humanos, Fritz Alavan consegue evadir-se e refugiar-se num abrigo no alto das Montanhas Rochosas, um abrigo há muito preparado e sempre à sua espera.
E é então que começa a luta, luta terrível em que Fritz Alavan, os Oposicionistas e as tropas Governamentais se chocam pelo domínio do mundo.
Qual o papel que Crieg Rayner, o rapaz destinado um dia a ser o Governador Geral do Mundo, representa no meio desta luta? Quem são Falavan e Falavane, os dois seres sobre-humanos que parecem invulneráveis a todos os ataques? Como acharão os homens a paz, uma paz finalmente sólida e duradoura, uma paz sem ditadores e sem lutas fraticidas?
As respostas a todas estas perguntas encontram-se no movimentado e estranho romance de Maurice Vernon, um dos mais curiosos romances da moderna geração francesa de ficção-científica.

nº 44 - História de Dois Mundos


Autor: John MacDonald
Título original: Planet of the Dreamers
1ª Edição: 1951
Publicado na Colecção Argonauta em 1958
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria


Súmula - foi apresentada no livro nº43 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

O Ministro começou a contar os automóveis - um, dois, três, quatro, cinco... depois contou tudo; pessoas, janelas, pregos do chão, moscas. Contou tudo durante dez horas, sem parar, até perder a voz. Ninguém o pôde impedir.
Suicídios, crimes provocados por uma violência súbita e inesperada.
"Martha Needis, a hospedeira de Jersey City que terça-feira passada assassinou seis hóspedes adormecidos com um martelo de amaciar carne, ainda está em fuga."
E outros. O homem sempre foi presa de instintos sanguinários, cruéis, capazes de o levarem a extremos incompreensíveis. 
- Os demónios entraram-lhe no corpo - diziam na Idade Média.
- Alienação temporária - diz-se hoje.
"Dr. Lane: estou a servir-me deste método de comunicação consigo. Não se alarme e não duvide de mim. Fisicamente, estou a cerca de quatro e meio anos-luz de si neste momento. Mas projectei os pensamentos em si e estou a servir-me do seu corpo para o que tenho a fazer. Chamo-me Raul Kinson e há tempo que ando a observar o seu projecto. Estou ansioso por que ele suceda, porque é a única possibilidade que o vosso mundo tem de se libertar daqueles entre vós cujas visitas são de temer, porque só querem destruir. Quero ajudar a criar. Mas há perigos contra os quais posso pô-lo de sobreaviso, perigos dos quais nao tem, por enquanto, ideia. Veja o que sucedeu quando o seu técnico, Kornal, foi possuído por um de nós. Nós somos os sobreviventes do vosso planeta pai. Não lhe quero dizer muitas coisas neste momento. Tenha a certeza que as minhas intenções são amigáveis. Não se alarme. Não caia no erro lógico de supôr que isto é uma indicação de desiquilíbrio mental. Tentarei comunicar consigo de uma maneira mais directa, dentro em breve. Escute-me quando o fizer."
O Dr. Bard Lane, cientista de primeira, encarregado, num vale perdido das montanhas do Sagre de Cristo, no Novo México, de um misterioso projecto, chamado nos meios oficiais Projecto Tempo, pensou ter enlouquecido. Era bem a sua voz que a fita magnética reproduzia, a sua voz e,  no entanto, que discurso tão estranho! O Projecto Tempo fora vítima havia pouco de um ataque de loucura de um dos técnicos que nele trabalhavam, que destruíra durante dez minutos delicada aparelhagem que levara meses a construir. O Projecto Tempo era a aplicação das teorias de Beatty, continuador de Einstein, à locomoção inter-astral. Devido a sair dos moldes clássicos, a ser dirigido por civis, contava com a oposição dos militares, que aproveitavam todas as oportunidades para o desacreditarem.
O Beatty Um, a primeira nave espacial na qual era aplicada a fórmula de Beatty, estava quase terminada. No entanto, parecia que alguma lei misteriosa impedia o Homem de sair do seu planeta. Todos os projectos precedentes não tinha resultado. Por isso, o Projecto Tempo era tão bem guardado. 
Pela mesma razão, ao ouvir a sua voz dizer coisas tão estranhas, o Dr. Bard Lane insistiu com a Dra. Sharan Inly para ser submetido a um exame psiquiátrico aturado. A Dra. Sharan Inly, jovem psiquiatra adida ao projecto tempo, concordou plenamente. Mas quando o major Leeber, delegado do Estado Maior junto do Projecto, entrou mais tarde no seu gabinete e lhe afirmou chamar-se Raul Kinson, já não soube o que pensar. Depois, foi ela própria que sentiu uma força estranha invadir-lhe a mente, foi o Dr. Delane que lhe veio afirmar ser Raul Kinson, sempre Raul Kinson, usando o corpo de qualquer pessoa. Teve que render-se à evidência. Havia um Raul Kinson. Mas quem era ele? O mundo de Raul Kinson tinha paredes. Era um mundo de salas, de rampas, de corredores. Nada mais existia. O pensamento não podia alcançar para além das paredes, para além das mais afastadas salas. Nada mais existia. O único fragmento de realidade no universo era esse mundo. Por isso, quando Raul Kinson começou a fazer perguntas, Jord Orlan, o Dirigente dos Vigias, ameaçou-o de ser expulso do mundo, se continuasse com heresias. O mundo era bom, era agradável. Tudo era automático, tudo existia assim, sempre assim existira, e sempre assim existiria. E sonhar era bom.
Havia os três mundos de sonhos. o primeiro, Marith, era o mais divertido. Ali os homens matavam-se, lutavam em guerras permanentes, lançavam os prisioneiros às feras, apunhalavam-ser, envenenavam-se. Era um mundo bárbaro, mas tão excitante... O segundo, Terra, era um mundo mecanizado. Os homens lutavam por dinheiro, com o qual conseguiam coisas agradáveis. A diversidadde de máquinas e leis permitia brincadeiras divertidíssimas. O terceiro mundo, Ormazd, era o mais aborrecido. Era um mundo de pensamento. As criaturas não falavam, mas transmitiam os pensamentos, toda a estrutura era dirigida no sentido mais abstracto. não se podia fazer nada com ele. 
Ah, como as máquinas eram inteligentes! Criavam criaturas que pareciam completamente reais, que sofriam, morriam, matavam, tudo em sonhos, claro. Os Vigia, ao chegarem a adultos, tinham o direito de sonhar. Introduziam-se no corpo dessas criaturas de sonho, e faziam-nas agir da forma mais incoerente. Que divertido era meter-se no corpo de um pai de família de sonho, e fazê-lo esmagar a cabeça dos seus cinco filhos de sonho, e vê-los, depois, sem compreender o seu gesto, apanhado, espancado, preso. Só era necessário respeitar a Lei. E a Lei dizia que era necessário impedir as criaturas de sonho de construirem aparelhos de sonho que os pudessem levar para fora dos seus mundos de sonho.
Raul dizia heresias, ao pretender que as criaturas de sonho era reais. Raul Kinson tentava provar aos Vigias que as criaturas de sonho eram reais. Bard Lane, tentava provar aos habitantes do seu planeta que os Vigias eram reais. Ambos foram perseguidos, troçados, condenados.
"História de Dois Mundos" é a história desses dois homens. Acusados de loucura ou heresia, ambos se viram na necessidade de suportar as suas afirmações com riscos das próprias vidas. Conseguiriam eles fazer prevalecer a verdade? O misticismo decadentes dos Vigias e a estupidez, a teimosia e a inveja do Governo dos Estados Unidos, opunham-se por todos os meios. Contra essa força dos Vigias, Raul Kinson e a irmã, Lesse Kinson, e um punhado de terrenos, Bard Lane, Sharan Inly,  Walter Howard Path. Só a força do amor fez Raul e Leesa tentarem a grande aventura, arrostarem milénios de superstição, para poderem juntar-se a Sharan e Bard.
É a história desse punhado de pessoas, lutando contra tudo e contra todos, que John D. MacDonald nos dá em "História de Dois Mundos", o próximo volume da Colecção Argonauta. 
Quem eram os Vigias? Porque se chamavam assim? O que eram as máquinas dos sonhos? Porque existiam? Porque proibía a Lei dos Vigias que as criaturas de sonho saíssem dos seus mundos?
Todas estas perguntas se puseram a Raul Kinston e a Bard Lane, e ao destemido grupo de pessoas que queriam impôr a verdade, e foram resolvidas pouco a pouco.
Pouco a pouco as resolverá o leitor também, lendo a "História de Dois Mundos", um romance apaixonante e excelentemente urdido

Nota: um grande livro, este do John MacDonald! Gostei imenso dele e reli-o várias vezes. Original e muito interessante. Mais uma obra publicada na Colecção Argonauta que na minha opinião daria um grande filme!

nº 45 - O Décimo Planeta


Autor: C. H. Badet
Título original: La Dixième Planète
1ª Edição: 1954
Publicado na Colecção Argonauta em 1958
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº44 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

A ficção-científica, rebento mais jovem da família literária, tem tido, apesar da sua tenra idade, cultores e produtores em quase todos os ramos do saber humano. É assim que vamos encontrar escritores provectos e respeitáveis como Aldous Huxley, Alexei Tolstoi e George Orwell entregues à exploração desse ramo da literatura. Também cientistas como Isaac Asimov, conhecido biólogo e professor, Arthur C. Clarke, presidente da Sociedade Interplanetária Britânica e o Prof. Low, escreveram e continuam a escrever livros de ficção-científica. Com o O Décimo Planeta aparece-nos outra profissão - e bem inesperada, por sinal - na galeria dos autores da FC cançonetista! De facto, C. H. Badet é um popular e conhecido cançonetista francês, homem mirabolante, de mil  profissões. Com O Décimo Planeta, consegue ele dar-nos um novo tipo de personagem de FC: o clochard, o vagabundo parisiense.
Com efeito é um vagabundo quem, por uma manobra desajeitada, põe em marcha o foguete que o há-de conduzir ao décimo planeta do sistema solar, um planeta gémeo da Terra mas que, por se encontrar em posição absolutamente oposta a esta, com o Sol no meio, nunca pôde ser referenciado pelos astrónomos da Terra. Nesse planeta a civilização, cuja evolução foi exactamente idêntica à da Terra, encontra-se no entanto com trezentos ou quatrocentos anos de avanço. Reina aí a Razão suprema; tudo é lógico, coerente, eficaz e razoável... mas é também supremamente desumano.
Os homens e as mulheres são fabricados para um fim exacto e determinado e, por sua vez, transformam o planeta em que habitam numa organização em que nada é deixado ao acaso. O Grande Cérebro tudo rege com a sua Razão Total e tudo condiciona e determina, desde a "predestinação" pré-natal até à condenação ao Grande Repouso.
No meio desta metodologia perfeita, é evidente que um alegre vagabundo, um alegre vagabundo parisiense, se vê metido nas mais complicadas situações que o levam até à redescoberta do absinto - bebida ilógica e, portanto desconhecida no "décimo planeta" - e à revolução alcóolica de toda uma digna corporação de cientistas... e o levam também a apaixonar-se, como bom latino.
Romance absolutamente diferente dos habituais moldes da ficção-científica, O Décimo Planeta é um livro que se lê com um sorriso quase permanente nos lábios. Mas não é só o sorriso que ele nos desperta; é também a atenção para o aviso que dele vem: o caminho, o perigoso caminho para uma completa desumanização do homem, que já vemos ir-se processando lentamente à nossa volta, caminho esse que deve ser evitado por todos os homens conscientes da sua existência como seres humanos...

nº 46 - Os Marcianos Divertem-se


Autor: Fredric Brown
Título original: Martians, Go Home
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1958
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº45 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:


Luke Devereaux, escritor de ficção-científica em crise de imaginação, encontrava-se certa noite numa cabana isolada no meio do deserto da Califórnia. Resolvera recolher-se ali para tentar, no meio do sossego e do silêncio, conseguir dar início ao romance de ficção-científica que o seu editor lhe exigia (e que até já lhe pagara parcialmente). As ideias não vinham, nem com a ajuda de whisky. Nessa noite, Luke estava mais desesperado do que nunca. De repente, pareceu-lhe ter imaginado o início de um argumento: "E se os Marcianos..."
Bateram à porta. Luke abriu, espantado com a hora, dado o isolamento da cabana. Era um homenzinho de noventa centímetros de altura, verde e sorridente. 
- Viva, Zé - disse ele a Luke, trocista.
- É aqui a Terra?
Era... um Marciano!
Daí em diante, milhões desses pequenos Marcianos, seres barulhentos, desordeiros, verdadeiramente infernais, invadiram a Terra. Nada lhes escapava. Com o seu poder especial de cuimar, apareciam em toda a parte, metiam-se em todos os assuntos, desvendavam os altos segredos militares, troçavam de tudo e arreliavam todo o mundo. E, contra isto, nada a fazer; pois que, embora visíveis e audíveis, eram impalpáveis, atravessavam a matéria, não podiam ser atingidos nem destruídos.
E foi o caos por toda a parte.
Não podiam existir mais segredos, os negócios desfaziam-se, o mundo caminhava para a mais completa bancarrota de todos os tempos
Como resolver este problema?
Impossível expulsá-los, impossível entrar em contacto com eles, impossível qualquer espécie de combinação.
E os Marcianos divertiam-se...
Como acabou esta invasão de nova espécie e que remédio lhe foi dado?
É isso que o agudo senso de humor de Fredric Brown, numa brilhante sátira, nos explica, embora sem explicar. Neste romance, o autor já famoso de "Loucura no Universo", afirma-se como um dos mais originais escritores de ficção-científica. Os seus Marcianos, incitam-nos à mais saudável reacção possível perante o absurdo quotidiano do mundo em que vivemos: o anti-conformismo da franca hilariedade.

nº 47 - Salto no Tempo


Autor: Yves Dermeze
Título original: Via Velpa
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1958
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº46 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Quando Nel Gavard, verdugo ajuramentado de Altair, decidiu brincar aos experimentadores, não tinha a menor ideia das transformações radicais que ia causar não só na sua constelação, como em toda a galáxia. Mesmo cérebros muito mais desenvolvidos do que o seu, não poderiam ter imaginado a milésima parte daquilo que um pequeno gesto ia provocar.
Nel Gavard era um ente meio animal, a quem seis traços verticais indeléveis ornavam a testa baixa. Sob umas espessas sobrancelhas negras, tinha uns olhos esbugalhados de bovídeo. Quando, na sua adolescência, lhe haviam medido o índice intelectual, tinham-no ridicularizado sem piedade, e Nel Gavard também troçara, incapaz de compreender a ironia ou a piedade. Os testes habituais tinham-no classificado em último lugar. Que fazer com esse degenerado? A partir da sétima categoria, a Lei ordenava que tais entes fossem suprimidos, para que se não tornassem nem uma carga nem um perigo para a civilização. Nel Gavard fora salvo por uma fugaz centelha que subsistia nele. No momento em que o submetiam ao controlo da Máquina de Guerra, ele rira, e tentara delicadamente com a ponta dos dedos desaparafusar um dos parafusos de ajustamento. Com os estalidos habituais, a Máquina dera o seu veredicto: Nel Gavard era ligeiramente superior a um animal doméstico. Subsistiam nele ligeiros vestígios de instinto científico. No painel visual da Máquina haviam aparecido seis traços verticais: seis e não sete. Nel Gavard escapara à morte.
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O Grande Conselho Supremo de Altair governava ditatorialmente sobre um vasto sistema planetário. Além dos planetas habitados, milhares e milhares de outros havia que tinham sido explorados, na mesma e noutras galáxias.
A Lei era severa. Eram admitidas seis categorias de indivíduos: desde os altairianos de "primeira zona", cérebros super-inteligentes, indivíduos de excepção, até aos "sexta zona", verdadeiros animais, obedientes, dóceis, incapazes de pensar.
A unanimidade no Conselho fazia Lei. Simplesmente, essa unanimidade não era fácil de obter. Glarson, "segunda zona", não estava disposto a deixar que a civilização de Altair no sentido da mais completa das ditaduras, segundo os desejos de Kox e Sidan, dois velhos altairianos de  primeira categoria, que pretendiam reduzir o Universo à escravidão. E Glarson lamentava que, pela primeira vez, a tradição que exigia que todos os altairianos de "primeira zona" fossem automáticamente admitidos no Grande Conselho, não tivesse sido respeitada, e Alik Hermes, jovem "primeira zona", o único dessa categoria dessa geração, tivesse sido excluído, por temor e inveja dos dois candidatos a ditadores.
E Alik Hermes fez uma descoberta que poderia modificar a estrutura da civilização altairiana. mas deixêmo-lo explicar ele mesmo:

 - Durante séculos, considerou-se o Tempo como uma noção subjectiva, uma abstracção. Mais tarde, na época das primeiras descobertas atómicas, fez-se dele uma dimensão... Registos  que há do século XXI falam já de Espaço-Tempo, da curvatura do Universo... supunha-se que o Tempo existia, como os comprimentos, as larguras e as espessuras. Que era uma quantidade finita e mensurável... Por Altair! É difícil de explicar! Há mais de dez séculos que vivemos com esta concepção. Conseguimos atingir os planetas que gravitam em redor de Sol 3 e depois, ultrapassando a velocidade da luz, saímos do Universo de Sol 3 para passarmos aos das estrelas mais próximas, e por fim povoámos a galáxia. Mas aquilo que aparentemente ninguém notou, é que tivemos para isso que utilizar veículos interastrais que ultrapassam a velocidade da luz. Porque essa teoria do Espaço-Tempo em que vivemos há mais de dez séculos, é precisamente baseada na premissa de que nada pode ultrapassar a velocidade da luz no vácuo. E na prática, isso foi feito. 

Em suma, Alik Hermes descobrira os "nós do Tempo", pontos onde a intensidade se anula, para a tensão se tornar máxima, tal como as ondas hertzianas. Ora, por esses nós no tempo, é possível passar para outras épocas, talvez para outros mundos.
Devido ao perigo representado pela sua teoria, Alik Hermes é condenado à morte. E Nel Gavard, verdugo ajuramentado de Altair, é quem o deve executar. Mas Alik e Nel foram companheiros de infância. Os dois extremos na escala de valores intelectuais de Altair estão ligados por uma amizade que nada pode quebrar. E é assim que Nel Gavard, que também, à sua maneira descobriu os "nós do Tempo", a que chama a "Grande Passagem", tem a oportunidade de "passar", juntamente com Alik Hermes e Gerda, misteriosa mulher que não se sabe de onde vem, para um "outro mundo", sem relação quer no espaço quer no tempo com o mundo de Altair.
Alik Hermes e Nel Gavard completam-se. Mas isso não fora casual. A Máquina de Guern, formidável cérebro electrónico de Altair, preparou o encontro e sugeriu as teorias.
Os "nós do Tempo" existem na realidade? Sim, afirma Alik Hermes. Não, responde a Máquina de Guern. Seja como for, Alik Hermes, Nel Gavard e Gerda, encontram-se num Universo-antípoda, no planeta Velpa. Os Mobiks, seres de pesadelo, atacam Velpa. Só há um único meio de os vencer definitivamente: destruir no Passado a civilização que os produz. Mas esta civilização, é precisamente a de Altair! Que deve fazer Alik Hermes? Destruir o seu próprio mundo para salvar o Universo-antípoda? Não haverá outra solução, utilizando a Grande Passagem?
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"Salto no Tempo", o romance que a Colecção Argonauta publicará a seguir, é a história de uma aventura fantástica, passada em dois universos distintos, de um homem que quer evitar que o seu próprio mundo se torne no futuro uma civilização de guerra e extermínio.
Um romance de ficção-científica europeu, que foge ao tom de ironia e sátira tão frequentemente presente nas obras deste género escritas por  autores latinos, e pode alinhar ao dao das obras de FC norte-americanas conhecidas pelo à vontade com que se jogam nelas os destinos de galáxias inteiras, de civilizações completas.
"Salto no Tempo" é um livro de Yves Dermeze que não receia confronto e que não deixará de ter por parte do público português o mesmo acolhimento entusiástico que teve junto do público francês, quando da sua publicação.

nº 48 - Mundo de Vampiros



Autor: Richard Matheson
Título original: I Am Legend
1ª Edição: 1954
Publicado na Colecção Argonauta em 1958
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº47 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

O vampiro existe. Existiu desde sempre. É verdade, leitor. E a sua grande força, é que ninguém crê na sua existência. Mas não há fumo sem fogo, não é assim? Ora se a lenda se formou, em alguma coisa se deve ter fundamentado. Pois bem, o fundamento é o seguinte: o vampirismo é uma doença. Uma doença latente. Provocada por um bacilo, o vampiris. Os seus principais sintomas? Muito fáceis de identificar: o gosto pelo sangue humano como dieta exclusiva; a preferência pela noite; o comprimento anormal dos dentes caninos; a repulsa pelo alho: o temor à cruz; a não refracção nos espelhos do indivíduo atacado; a impossibilidade de transpôr a água corrente; um mau hálito pronunciado; a necessidade de repousar, em estado de coma, durante o dia, sob a terra do seu país natal. E chega como enumeração.
Mas cuidado, leitor. Não vá supôr que o vampiro se transforma em morcego, ou em  pluma. Isso é nos filmes de terror. E agora estamos a tratar do facto científico, comprovado. Se não o crê, escute o que lhe diz Robert Neville, o último homem da Terra:

"Quero primeiro assegurar-lhes que não estou louco. Em seguida,quero trazê-los comigo ao ano de 1976. Sou o último homem que existe sobre a Terra. Não sei quanto tempo resistirei. Todas as noites eles cercam a minha fortaleza, estes vampiros de um outro mundo, e eu posso ouvi-los gritar obscenidades durante a noite. Tenho morto tantos deles, e sempre voltam à carga. Quanto tempo se passará antes que me liquidem? Só sei uma coisa: nunca mais ouvirei o som de uma voz humana."

Que sucedeu a Robert Neville? Porque vive ele num mundo de vampiros? A história é simples: após uma guerra atómica da qual nenhum país saíu vencedor, mas toda a humanidade vencida, violentas tempestades de pó assolam a superfície do globo. Arrastados por elas, vêm os esporos do vampiris, o bacilo da vampirite, que se propaga assustadoramente. Imune a este flagelo por uma razão desconhecida, Robert Neville vê morrer-lhe sucessivamente a filha e a mulher, ceifadas pela epidemia. Quando todos os habitantes da Terra são atingidos pelo bacilo, Robert Neville vê-se rodeado de uma multidão de seres sequiosos do seu sangue, e é forçado a defender-se por todos os meios ao seu alcance.
É a extraordinária odisseia deste homem, só num mundo de vampiros, que Richard Matheson nos conta magistralmente, num romance que levou o escritor William Campbell Gault, possuidor de vários prémios de literatura de mistério, a dizer deste livro: "Este pode ser o romance mais aterrador que jamais lerá."  E se quiser ter uma ideia, leitor, imagine-se rodeado de vampiros. Cuidado, não deixe a porta aberta depois do pôr-do-sol. Cuidado com as janelas. Não será melhor entaipá-las? E sobretudo, não endoideça. Lá por estar só no mundo, não é razão para isso. E pode ser que chegue, após alguns anos, à mesma fantástica conclusão que Robert Neville. Nada mais natural.
Mas que conclusão é essa? - perguntará o leitor, um tanto ou quanto desconfiado.  Ah, isso é que não se pode dizer. Se se dissesse aqui, que interesse teria então em ler o livro?
Mas não é necessário imaginar-se num "mundo de vampiros", leitor. Aqui entre nós: conhece alguém que prefira sair de noite e dormir de dia? Alguém que não ponha alho na comida, sob pretexto de que o estômago não o suporta? Alguém que se diga tão modesto que nunca se vê ao espelho? Alguém que recuse uma boa almoçarada na Outra-Banda, dizendo enjoar de barco?
Conhece? Ah! Então tenha cuidado! - Pelo sim pelo não, à sucapa, veja se lhe pode medir os dentes caninos. E se eles forem sensivelmente mais compridos que o normal, pode ter a certeza. É um vampiro. É que antes da epidemia se espalhar, havia casos os esporádicos. E se bem que o perigo não seja tão grande como no caso de Robert Neville, não são de aconselhar passeios nocturnos com tal indivíduo. Nunca se sabe. E o sangue, faz-nos muita falta nas veias. É mesmo o que mais faz falta a uma pessoa: sangue nas veias.  E já agora, uma receita para se livrar de um vampiro: uma estaca de madeira, tem que ser de madeira, que lhe atravesse o coração, pregando-o ao solo. É uma receita provada, utilizada há muitos séculos. Acha difícil de pôr em prática? Então um conselho: compre "Mundo de Vampiros", o próximo romance da Argonauta, e encontrará lá outros mais variados processos de se desembaraçar de tão desagradável companhia como a de um vampiro.

Nota: esta obra é famosa e reconhecida sobejamente na comunidade dos apreciadores de ficção-científica. Este livro deu aliás origem a vários filmes. Em 1964, surgia The Last Man on Earth, dirigido por Ubaldo Ragona e Sidney Salkow, com Vincent Price no papel principal:



http://www.imdb.com/title/tt0058700/?ref_=sr_1

Posteriormente, em 1971, surgia The Omega Man, realizado por Boris Sagal, com Charlton Heston no principal papel:


 http://www.imdb.com/title/tt0067525/?ref_=sr_1

E em 2007, surgia mais uma adaptação para o Cinema, com um filme realizado por Francis Lawrence, com Will Smith no principal papel, e intitulado I Am Legend:

nº 49 - Vuzz...


Autor: P. A. Hourey
Título original: Vuzz...
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1959
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº48 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

No mês de Julho de 1980, Paris é sacudida por um tremendo abalo sísmico. A torre Eiffel fica inclinada como a torre de Pisa e parte do Arco do Triunfo abate. Que se teria passado? 
Um meteoro de enormes dimensões chocara com a Terra. Um fragmento dum astro desconhecido caíra em França, não longe de Paris, cobrindo um número considerável de localidades, grandes e pequenas, destruindo habitações, vegetação e matando várias centenas de milhares de seres humanos. 
Morfil, jornalista do "Paris Jour", é enviado ao local para fazer a reportagem. Juntamente com o seu colega Vicendon, encontra uma monstruosa massa negra, fervendo ainda nalguns sítios, já arrefecida noutros. Após algumas dificuldades, conseguie com o seu Jeep, percorrer parte da superfície do misterioso aerólito e ocmeçar as suas investigações. No meio de uma paisagem alucinante e de pesadelo, formada por blocos monolíticos de uma estranha rocha negra, faz a mais assustadora descoberta da sua carreira de jornalista: essa rocha possui uma inexplicável propriedade. Quando alguém se aproxima dela, emite um pequeno silvo, como um zumbido de um insecto: "Vuzz..." e uma marca negra aparece no rosto da vítima. Depressa uma moleza, uma inércia, uma rápida descida de forças se apodera do atingido, anunciando uma morte próxima. E é a epidemia... Milhares de seres humanos, atingidos pela doença. Os carros abandonados abundam pelas estradas. A polícia intervém, estabelecendo uma barragem que não deixará chegar ninguém até Paris. Mas também a polícia é atacada pela epidemia e deserta do seu posto, deixando o caminho livre. Então, o pânico apodera-se do país. 
Irá a espécie humana ser totalmente destruída por essa doença misteriosa? Mas o cientista Noel Mayen, do Instituto de Pesquisas Cósmicas, e Morfil, declararam guerra ao Vuzz...
Como conseguirão eles combater esse flagelo vindo de outro mundo e, talvez, de outro Universo? É este o excitante drama que atravessa o romance de P. A. Hourey, deixando o leitor em suspenso até à última página...

nº 50 - Os Mares de Vénus


Autor: Paul French(Pseudónimo de Isaac Asimov, que continua as aventuras de Lucky Starr)
Título original: Lucky Starr and the Oceans of Venus
1ª Edição: 1954
Publicado na Colecção Argonauta em 1959
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº48 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Desta vez, o nosso já conhecido Lucky Starr e o seu companheiro, o pequeno marciano Bigman, vêem-se envolvidos em misteriosos acontecimentos, no mundo fantástico de Vénus. 
Lucky Starr é encarregado pelo Conselho das Ciência de uma delicada missão na unidade de Afrodite, a principal das unidades industriais submarinas estabelecidas pelos Terrestres nesse planeta totalmente submerso. Depois de vários incidentes bizarros e inquietantes, um primeiro investigador tinha sido enviado, Evans, um antigo camarada universitário de Lucky Starr. Mas uma mensagem recebida no Conselho e assinada por Morris, o Delegado do Conselho de Vénus, pedia a chamada imediata de Evans, acusado de corrupção. Estava envolvida no caso a segurança dos grupos industriais estabelecidos sob o oceano venusiano que, com os seus formidáveis meios técnicos, transformavam a exuberante vegetação submarina em produtos alimentares sintéticos, os famosos fermentos de Vénus, recurso vital para a Confederação Solar.
Com o seu inseparável companheiro, Bigman, Lucky atinge o Satélite 2 que gira na órbita de Vénus, donde uma astronave anfíbia lhe permitirá atingir o planeta.
Começam aí as complicações...
Porque razão abandonam os pilotos os comandos, quase arrastando Lucky e o seu companheiro para uma morte violenta, por esmagamento? Será uma conspiração dos habitantes de Sirius, os mais encarniçados inimigos da Confederação Solar, como pretende Morris? E, nesse caso, porque razão Evans, membro do Conselho das Ciências da Terra e amigo de Lucky, se tornou culpado de traição? Qual o motivo porque roubou ele as fórmulas ultra-secretas dos laboratórios de fermentos venusianos? E porque recusa ele justificar-se perante o seu antigo camarada? Qual a poderosa organização que consegue controlar o pensamento humano, como e com que fim?
Envolvidos em todos estes aspectos aparentemente contraditórios do mesmo caso, Lucky Starr e Bigman vivem mais uma alucinante aventura em "Os Mares de Vénus".