nº 40 - O Síndico


Autor: C. M. Kornbluth
Título original: The Síndic
1ª Edição: 1953
Publicado na Colecção Argonauta em 1957
Capa: Lima de Freitas
Tradução: H. dos Santos Carvalho

Súmula - foi apresentada no livro nº39 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

O Síndico, estranha personagem quase mística, organizara uma espécie de gigantesca liga protectora que incluía a zona dos que tinham sido outrora os Estados a Este do rio Mississipi.
Nunca a humanidade vivera tão bem, ou pelo menos assim parecia. O dinheiro era abundante, e a felicidade uma coisa real. As inibições morais tinham desaparecido ao mesmo tempo que os cavalos; a maior parte das raparigas eram facilmente abordáveis, e o desporto nacional, o pólo, jogava-se em "jeeps" com metralhadoras de calibre 50 para impelir a bola de aço.
O desesperado, corrupto e velho Governo Norte Americano, completamente desligado da Nação, tinha-se encaminhado literalmente para o mar, mas fazia ocasionais incursões de pirataria no continente, partindo das suas bases nas ilhas costeiras da arruinada e selvagem Europa.
A Oeste do Mississipi ficava o Território Mob, o território da populaça e dos motins, e apesar dos tratados e frequentes encontros oficiais, os governantes de Mob invejavam, temiam e odiavam a abundância e a felicidade de vida sob o governo do Síndico.
Gordo, feliz e hedonístico, o Síndico não estava preparado para encarar as realidades de um sério choque com o velho e desacreditado Governo, e só quando a vaga de crimes, sabotagens e atentados estalou em New York se decidiu, mas já tardiamente talvez, a entrar em acção.
O jovem Charles Orsino, famoso jogador de pólo motorizado e rebento de uma das famílias mais cotadas, aceitou então voluntáriamente, parte por idealismo, parte para matar o tédio, uma perigosa missão de espionagem.
Aqui começa uma das mais fantásticas aventuras que envolve ondas cerebrais, feitiçaria e morte vindas de uma conspiração que engloba membros de um rito Druida esquecido no tempo e trazido de novo à actualidade.
Eis um romance apaixonante e engenhoso do autor dessa obra-prima mundial que se chama Takeoff, que provocou uma verdadeira onda de polémicas entre os mais abalizados críticos de ficção-científica em todo o mundo. As mais desencontradas opiniões chocaram-se, mas todas elogiosass. Romance de aventuras, romance psicológico, uma obra na qual as mais penetrantes faculdades de observação são postas ao serviço da mais fecunda imaginação, ainda hoje discutido, Takeoff éf uma obra que se impõe em todas as bibliotecas de "boa" ficção-cientifica.
O Síndico, próximo livro a editar pela Colecção Argonauta, participa de todas as qualidades de Takeoff, e pode ser considerado, se bem que menos conhecido do público que este, tão empolgante, senão mais.
A imaginação de C. M. Kornbluth apraz-se a imaginar um mundo onde a Europa, completamente arruinada, nada mais serve que de base militar ao Governo dos Estados Unidos, governo fantoche, paradoxal, sem raízes no próprio país, e o seu livro mostra-nos os extremos a que pode chegar um governo que se afasta deliberadamente do seu povo, ficando assim a sua função reduzida a incursões de pirataria e destruição do próprio país que deveria representar.
Por outro lado, o governo do Síndico proporciona à população do leste do Mississipi condições de vida material sem igual. Claro que a Cultura, sob todas as suas formas, passou a plano secundário, mas isso que importância tem, num pais onde todos têm a barriga cheia, e todas as raparigas podem sonhar?!...
E há ainda o Território Mob...
E um culto pré-histórico ressuscitado...
No meio de tudo isto, Charles Orsino, nomeado agente especial do Síndico para uma misisão ainda mais especial, tenta impedir a catástrofe a que levaria o mundo, como sempre tem levado, uma guerra à escala universal.
Há ficção-científica e ficção-científica. A certa e a errada. A crível e a incrível. A "científica" e a que de "científica" nada mais tem que metado do nome, e de "ficção" muito pouco também.
Lugares comuns estafadíssimos, coitadinhos, que já não conseguem chegar ao fim do livro sem estar com três palmos de língua de fora. O "rapaz", super-herói com muitos músculos, capaz de inventar em 30 segundos a super-máquina que salvará a humanidade em geral da destruição pelos "piratas", e a ele próprio de uma situação difícil em que a sua vida está por um cabelo. E a "rapariga", pura, ingénua, valente, presa fácil no entanto de indivíduos sem escrúpulos ou de monstros vindos de outro planeta, de outro sistema, ou de outra galáxia sem se saber como, o que de resto não interessa nada à questão. Esta é a chamada ficção-científica das histórias aos quadradinhos, para miúdos, e miúdos que sejam atrasados mentais, claro. Evidentemente que não é esta a ficção-científica que o leitor prefere; se assim fosse, não estaria agora a ler este resumo, que também não o é.
O leitor prefere, é claro, a verdadeira F.C. É por isso que após nomes como Ray Bradbury, Isaac Asimov, Heinlein, Russell, e tantos outros, a Colecção Argonauta lhe vem agora oferecer mais um livro escrito por um "nome" da F.C. Fiel ao princípio que impôs a si própria, a Colecção Argonauta procura trazer ao público português os escritores já consagrados, que, pela sua seriedade científica, as suas qualidades profissionais, a sua imaginação, se impuseram há muito ao leitor estrangeiro.
Com a publicação de "O Síndico", dá-se a conhecer em Portugal mais um grande nome, o de C.M. Kornbluth, que não deixará de receber o mesmo caloroso acolhimento que recebeu em todos os países onde foi publicado. Se o leitor é apreciador de boa ficção-científica, não deve deixar de ler "O Síndico" e terá uma surpresa. O que se possa dizer sobre este livro nada faz prever do que realmente ele é. 
As peripécias sucedem-se num ritmo tão rápido que empolga o leitor até à última página, prendendo-lhe a atenção, dominando-o, subjugando-o já pelo estilo, já pelo assunto. Imagine-se o leitor num mundo onde os mais adiantados progressos técnicos, tais como a iluminação pública atómica vão de par com uma religião que exige sacrifícios de animais uma vez por mês e sacrifícios humanos duas vezes por ano, e terá uma pálida ideia do mundo onde C.M. Kornbluth o transportará.
A Colecção Argonauta orgulha-se pois, a justo título, de apresentar pela primeira vez em Portugal o nome de C.M. Kornbluth, encimando uma obra de extraordinário interesse e emoção. "O Síndico", a tal personagem de espírito prátio, que só se preocupa com o bem estar dos seus filiados, receberá sem dúvida a melhor recepção por parte do público.

nº 41 - Tiranos da Terra


Autor: Christian Russell
Título original: Les Voyants
1ª Edição: 1956
Publicado na Colecção Argonauta em 1957
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº40 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:


A superfície da Terra fora devastada. Nem uma cidade sobrevivera, nem uma casa ficara intacta. Crateras infernais assinalavam por toda a parte a explosão de poderosas bombas atómicas. Para continuarem a existir, os homens tinham-se encerrado em enormes cidades subterrâneas, a centenas de metros de profundidade sob a terra. E a guerra continuara entre as duas potências mundiais em que o mundo ficara dividido: os Estados do E. e de Centurnia.
Marillia era a capital subterrânea do E. Cidade múltipla, tentacular, com as suas gigantescas avenidas eternamente iluminadas, os seus milhões de habitantes, os seus poderosos laboratórios.
O professor Arnold era o Senhor desses laboratórios. Cientista genial, com o auxílio da sua filha Leda e do seu assistente Carlo, conseguira obter uma arma terrível, o gás Hiperion, com a qual contava aniquilar para sempre o Estado adverso de Centurnia e pôr fim à guerra duma vez para sempre. 
Na superfície da Terra, apenas existiam os sanatórios para tuberculosos, no cume das altas montanhas, onde se refugiavam aqueles cujos pulmões eram atingidos pelas consequências da constante vida subterrânea. Aí se recolheu um dia Carlo, vítima da sua actividade nos laboratórios e de um excesso de trabalho que o esgotara completamente.
Em Marillia, o professor Arnold continuava as suas pesquisas, os seus estudos sobre o Hiperion, esse gás estranhamente vivo. E a catástrofe deu-se. O Hiperion libertou-se da sua pressão, multiplicou-se, invadiu as casas, as ruas, as avenidas de Marillia. As explosões sucediam-se, a cidade desabava sobre o seu próprio peso, as águas subterrâneas invadiam-na. As suas enormes abóbadas abatiam, esmagavam a multidão em pânico. E o gás, sempre aumentando de volume, deixava atrás de si um rasto de sangue e... de cegueira. Sim, porque todos aqueles que por ele eram atingidos, ficavam cegos.
No sanatório da montanha, Carlo e os seus companheiros souberam do desastre. Miraculosamente salvos dos efeitos do Hiperion, pois o gás não atingia as altitudes, partiram em helicóptero, na ânsia de auxiliarem aqueles que tinham sido atingidos pela catástrofe. E, ao aterrarem perto das entradas subterrêneas de Marillia, viram alguns sobreviventes que avançavam para eles, tropeçando, de braços estendidos. Cegos, todos cegos. O Hiperion, espalhando-se pelas cidades subterrâneas do globo, cegara toda a população da Terra. Todos os sobreviventes eram cegos. Com vista, apenas existiam os poucos doentes, espalhados pelos sanatórios das altas montanhas. E, num mundo devastado, destruído, habitado por cegos, os poucos que restavam com vista tentaram organizar novamente a vida.
A reconstrução começou: Nova Marillia deu os primeiros passos e aqueles que viam, os "Vigilantes", iniciaram uma tirania sobre um mundo sem vista, uma ditadura de força e de terror. Como poderiam lutar os cegos contra os seus opressores bárbaros e cruéis? Como conseguiriam eles retomar o seu lugar, que por direito lhe pertencia no mundo? A história apaixonante dessa reconquista, dessa luta apoiada por Carlo, o jovem cientista que escapara com vida, é-nos contada duma forma emocionante neste romance, um dos mais notáveis da ficção-científica francesa.

nº 42 - Mundos Simultâneos


Autor: Clifford D. Simak
Título original: Ring Around The Sun
1ª Edição: 1952
Publicado na Colecção Argonauta em 1957
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº41 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Qual a origem das lâminas de barbear eternas, das lâmpadas que nunca se fundiam, dos automóveis que duravam gerações, dos isqueiros que funcionavam sempre? Onde eram fabricados esse objectos que estavam a destruir totamente a Economia do Mundo? Quem manobrava as empresas distribuidoras de carbo-hidratos sintéticos que eram distribuídos gratuitamente e que salvavam da fome uma percentagem cada vez maior de desempregados?
Esses produtos existiam, mas era impossível encontrar as fábricas que os produziam. Apenas era possível encontrar as lojas de dispositivos que punham à venda por preços incrívelmente baixos todos aqueles objectos de misteriosa origem. E depois foi a vez dos fatos e das casas pré-fabricadas, cujo custo impossibilitava qualquer concorrência.
No meio de tudo isto, Jay Vichers, popular escritor, é chmado por Crawford, aparentemente o director dos Gabinetes de Estudos Norte-Americanos mas, na realidade, o todo poderoso organizador dum trust mundial de indústria, disposto a lutar de qualquer forma contra a progressiva destruição das indústrias de todo o mundo. Assim, Vichers vê-se convidado a escrever um livro que consiga demonstrar as consequências catastróficas do aparecimento dos novos produtos. Vichers recusa, sem mesmo saber a razão porque o faz, apenas movido por um pressentimento. E, de descoberta em descoberta, chega à espantosa conclusão: uma nova raça está a aparecer no mundo, uma raça de Mutantes, seres humanos, sem dúvida, mas com possibilidades físicas e psíquicas bem diferentes das do homem vulgar. Essa raça consegue transportar-se para qualquer dos mundos que precedem ou se seguem à Terra numa cadeia ininterrupta em roda do Sol. Nesses mundos, exactamente idênticos à Terra, mas onde não existe o homem e a Natureza está virgem de qualquer intervenção humana, instalam eles as suas indústrias, o seu império de máquinas e robots, com o fim de acabar com a civilização terrestre que consideram errada e cruel e formar uma nova civilização que povoará essas novas Terras, baseada no entendimento e na paz. Serão essas Terras povoadas por todos aqueles que, pobres e miseráveis na velha Terra, estão dispostos a abandoná-la para viver uma vida melhor e mais feliz. Este abandono em massa, vai enfraquecendo o poder de produção da indústria terrestre e Crawford só tem uma solução: a guerra. E a luta entre Crawford e os grandes senhores da indústria por um lado, e Vichers e os Mutantes por outro começa, violenta e terrível. 
"Mundos Simultâneos" é um estranho e perturbador livro de Clifford D. Simak, autor de esse outro alucinante livro que é "Guerra no Tempo", já publicado na Colecção Argonauta.

nº 43 - A Cidade da Ciência


Autor: Maurice Vernon
Título original: Les Savants Dans L' Arène
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1957
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº42 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:


Depois do Grande Desastre, o mundo unificou-se. O Governo Universal ficou nas mãos de Alan Donnel, tirânico ditador que, instalado na monstruosa cidade de Capitalopolis, dominava com o auxílio das suas tropas Governamentais e dos Serviços Privados. 
A guerra deixara em todos um enorme ódio aos cientistas, sacusados de serem os causadores da carnificina. Todo o cientista apanhado pelo povo era imediatamente executado e, aproveitando-se desse facto, Alan Donnnel reuniu os sábios sobreviventes numa cidade subterrânea, a Cidade da Ciência, sob o pretexto aparente de os proteger, mas para, de facto, servindo-se das suas descobertas, ses tornar o senhor incontestado, o Senhor do Mundo. 
Mas existiam os Oposicionistas, os homens cujo lema era "morte aos cientistas" e que, sob o comando de Sam Sony, faziam uma violenta e feroz oposição a Alan Donnel, acusando-o de proteger os cientistas.
O povo vivia nas cidades do Renascimento, cidades simples donde tinham sido afastados todos os modernos inventos científicos e, juntamente com o seu receio dos cientistas, odiava e temia igualmente Governamentais e Oposicionistas. Foi duma cidade dessas, Agricolaville, que veio Crieg Rayner, filho dum antigo companheiro de Donnel e por este assassinado. Chamado a Capitalopolis pelo chefe dos Oposicionistas, Crieg Rayner viu-se imediatamente envolvido numa luta de morte entre dois partidos, luta essa de que ignorava tudo.
Na Cidade da Ciência, Fritz Alavan, o maior cientista vivo, preparava a fuga e a sua vingança contra Donnel, que o conservara prisioneiro durante vinte e cinco anos. Auxiliado por Falavan, un estranho ser de poderes aparentemente sobre-humanos, Fritz Alavan consegue evadir-se e refugiar-se num abrigo no alto das Montanhas Rochosas, um abrigo há muito preparado e sempre à sua espera.
E é então que começa a luta, luta terrível em que Fritz Alavan, os Oposicionistas e as tropas Governamentais se chocam pelo domínio do mundo.
Qual o papel que Crieg Rayner, o rapaz destinado um dia a ser o Governador Geral do Mundo, representa no meio desta luta? Quem são Falavan e Falavane, os dois seres sobre-humanos que parecem invulneráveis a todos os ataques? Como acharão os homens a paz, uma paz finalmente sólida e duradoura, uma paz sem ditadores e sem lutas fraticidas?
As respostas a todas estas perguntas encontram-se no movimentado e estranho romance de Maurice Vernon, um dos mais curiosos romances da moderna geração francesa de ficção-científica.

nº 44 - História de Dois Mundos


Autor: John MacDonald
Título original: Planet of the Dreamers
1ª Edição: 1951
Publicado na Colecção Argonauta em 1958
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria


Súmula - foi apresentada no livro nº43 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

O Ministro começou a contar os automóveis - um, dois, três, quatro, cinco... depois contou tudo; pessoas, janelas, pregos do chão, moscas. Contou tudo durante dez horas, sem parar, até perder a voz. Ninguém o pôde impedir.
Suicídios, crimes provocados por uma violência súbita e inesperada.
"Martha Needis, a hospedeira de Jersey City que terça-feira passada assassinou seis hóspedes adormecidos com um martelo de amaciar carne, ainda está em fuga."
E outros. O homem sempre foi presa de instintos sanguinários, cruéis, capazes de o levarem a extremos incompreensíveis. 
- Os demónios entraram-lhe no corpo - diziam na Idade Média.
- Alienação temporária - diz-se hoje.
"Dr. Lane: estou a servir-me deste método de comunicação consigo. Não se alarme e não duvide de mim. Fisicamente, estou a cerca de quatro e meio anos-luz de si neste momento. Mas projectei os pensamentos em si e estou a servir-me do seu corpo para o que tenho a fazer. Chamo-me Raul Kinson e há tempo que ando a observar o seu projecto. Estou ansioso por que ele suceda, porque é a única possibilidade que o vosso mundo tem de se libertar daqueles entre vós cujas visitas são de temer, porque só querem destruir. Quero ajudar a criar. Mas há perigos contra os quais posso pô-lo de sobreaviso, perigos dos quais nao tem, por enquanto, ideia. Veja o que sucedeu quando o seu técnico, Kornal, foi possuído por um de nós. Nós somos os sobreviventes do vosso planeta pai. Não lhe quero dizer muitas coisas neste momento. Tenha a certeza que as minhas intenções são amigáveis. Não se alarme. Não caia no erro lógico de supôr que isto é uma indicação de desiquilíbrio mental. Tentarei comunicar consigo de uma maneira mais directa, dentro em breve. Escute-me quando o fizer."
O Dr. Bard Lane, cientista de primeira, encarregado, num vale perdido das montanhas do Sagre de Cristo, no Novo México, de um misterioso projecto, chamado nos meios oficiais Projecto Tempo, pensou ter enlouquecido. Era bem a sua voz que a fita magnética reproduzia, a sua voz e,  no entanto, que discurso tão estranho! O Projecto Tempo fora vítima havia pouco de um ataque de loucura de um dos técnicos que nele trabalhavam, que destruíra durante dez minutos delicada aparelhagem que levara meses a construir. O Projecto Tempo era a aplicação das teorias de Beatty, continuador de Einstein, à locomoção inter-astral. Devido a sair dos moldes clássicos, a ser dirigido por civis, contava com a oposição dos militares, que aproveitavam todas as oportunidades para o desacreditarem.
O Beatty Um, a primeira nave espacial na qual era aplicada a fórmula de Beatty, estava quase terminada. No entanto, parecia que alguma lei misteriosa impedia o Homem de sair do seu planeta. Todos os projectos precedentes não tinha resultado. Por isso, o Projecto Tempo era tão bem guardado. 
Pela mesma razão, ao ouvir a sua voz dizer coisas tão estranhas, o Dr. Bard Lane insistiu com a Dra. Sharan Inly para ser submetido a um exame psiquiátrico aturado. A Dra. Sharan Inly, jovem psiquiatra adida ao projecto tempo, concordou plenamente. Mas quando o major Leeber, delegado do Estado Maior junto do Projecto, entrou mais tarde no seu gabinete e lhe afirmou chamar-se Raul Kinson, já não soube o que pensar. Depois, foi ela própria que sentiu uma força estranha invadir-lhe a mente, foi o Dr. Delane que lhe veio afirmar ser Raul Kinson, sempre Raul Kinson, usando o corpo de qualquer pessoa. Teve que render-se à evidência. Havia um Raul Kinson. Mas quem era ele? O mundo de Raul Kinson tinha paredes. Era um mundo de salas, de rampas, de corredores. Nada mais existia. O pensamento não podia alcançar para além das paredes, para além das mais afastadas salas. Nada mais existia. O único fragmento de realidade no universo era esse mundo. Por isso, quando Raul Kinson começou a fazer perguntas, Jord Orlan, o Dirigente dos Vigias, ameaçou-o de ser expulso do mundo, se continuasse com heresias. O mundo era bom, era agradável. Tudo era automático, tudo existia assim, sempre assim existira, e sempre assim existiria. E sonhar era bom.
Havia os três mundos de sonhos. o primeiro, Marith, era o mais divertido. Ali os homens matavam-se, lutavam em guerras permanentes, lançavam os prisioneiros às feras, apunhalavam-ser, envenenavam-se. Era um mundo bárbaro, mas tão excitante... O segundo, Terra, era um mundo mecanizado. Os homens lutavam por dinheiro, com o qual conseguiam coisas agradáveis. A diversidadde de máquinas e leis permitia brincadeiras divertidíssimas. O terceiro mundo, Ormazd, era o mais aborrecido. Era um mundo de pensamento. As criaturas não falavam, mas transmitiam os pensamentos, toda a estrutura era dirigida no sentido mais abstracto. não se podia fazer nada com ele. 
Ah, como as máquinas eram inteligentes! Criavam criaturas que pareciam completamente reais, que sofriam, morriam, matavam, tudo em sonhos, claro. Os Vigia, ao chegarem a adultos, tinham o direito de sonhar. Introduziam-se no corpo dessas criaturas de sonho, e faziam-nas agir da forma mais incoerente. Que divertido era meter-se no corpo de um pai de família de sonho, e fazê-lo esmagar a cabeça dos seus cinco filhos de sonho, e vê-los, depois, sem compreender o seu gesto, apanhado, espancado, preso. Só era necessário respeitar a Lei. E a Lei dizia que era necessário impedir as criaturas de sonho de construirem aparelhos de sonho que os pudessem levar para fora dos seus mundos de sonho.
Raul dizia heresias, ao pretender que as criaturas de sonho era reais. Raul Kinson tentava provar aos Vigias que as criaturas de sonho eram reais. Bard Lane, tentava provar aos habitantes do seu planeta que os Vigias eram reais. Ambos foram perseguidos, troçados, condenados.
"História de Dois Mundos" é a história desses dois homens. Acusados de loucura ou heresia, ambos se viram na necessidade de suportar as suas afirmações com riscos das próprias vidas. Conseguiriam eles fazer prevalecer a verdade? O misticismo decadentes dos Vigias e a estupidez, a teimosia e a inveja do Governo dos Estados Unidos, opunham-se por todos os meios. Contra essa força dos Vigias, Raul Kinson e a irmã, Lesse Kinson, e um punhado de terrenos, Bard Lane, Sharan Inly,  Walter Howard Path. Só a força do amor fez Raul e Leesa tentarem a grande aventura, arrostarem milénios de superstição, para poderem juntar-se a Sharan e Bard.
É a história desse punhado de pessoas, lutando contra tudo e contra todos, que John D. MacDonald nos dá em "História de Dois Mundos", o próximo volume da Colecção Argonauta. 
Quem eram os Vigias? Porque se chamavam assim? O que eram as máquinas dos sonhos? Porque existiam? Porque proibía a Lei dos Vigias que as criaturas de sonho saíssem dos seus mundos?
Todas estas perguntas se puseram a Raul Kinston e a Bard Lane, e ao destemido grupo de pessoas que queriam impôr a verdade, e foram resolvidas pouco a pouco.
Pouco a pouco as resolverá o leitor também, lendo a "História de Dois Mundos", um romance apaixonante e excelentemente urdido

Nota: um grande livro, este do John MacDonald! Gostei imenso dele e reli-o várias vezes. Original e muito interessante. Mais uma obra publicada na Colecção Argonauta que na minha opinião daria um grande filme!

nº 45 - O Décimo Planeta


Autor: C. H. Badet
Título original: La Dixième Planète
1ª Edição: 1954
Publicado na Colecção Argonauta em 1958
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº44 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

A ficção-científica, rebento mais jovem da família literária, tem tido, apesar da sua tenra idade, cultores e produtores em quase todos os ramos do saber humano. É assim que vamos encontrar escritores provectos e respeitáveis como Aldous Huxley, Alexei Tolstoi e George Orwell entregues à exploração desse ramo da literatura. Também cientistas como Isaac Asimov, conhecido biólogo e professor, Arthur C. Clarke, presidente da Sociedade Interplanetária Britânica e o Prof. Low, escreveram e continuam a escrever livros de ficção-científica. Com o O Décimo Planeta aparece-nos outra profissão - e bem inesperada, por sinal - na galeria dos autores da FC cançonetista! De facto, C. H. Badet é um popular e conhecido cançonetista francês, homem mirabolante, de mil  profissões. Com O Décimo Planeta, consegue ele dar-nos um novo tipo de personagem de FC: o clochard, o vagabundo parisiense.
Com efeito é um vagabundo quem, por uma manobra desajeitada, põe em marcha o foguete que o há-de conduzir ao décimo planeta do sistema solar, um planeta gémeo da Terra mas que, por se encontrar em posição absolutamente oposta a esta, com o Sol no meio, nunca pôde ser referenciado pelos astrónomos da Terra. Nesse planeta a civilização, cuja evolução foi exactamente idêntica à da Terra, encontra-se no entanto com trezentos ou quatrocentos anos de avanço. Reina aí a Razão suprema; tudo é lógico, coerente, eficaz e razoável... mas é também supremamente desumano.
Os homens e as mulheres são fabricados para um fim exacto e determinado e, por sua vez, transformam o planeta em que habitam numa organização em que nada é deixado ao acaso. O Grande Cérebro tudo rege com a sua Razão Total e tudo condiciona e determina, desde a "predestinação" pré-natal até à condenação ao Grande Repouso.
No meio desta metodologia perfeita, é evidente que um alegre vagabundo, um alegre vagabundo parisiense, se vê metido nas mais complicadas situações que o levam até à redescoberta do absinto - bebida ilógica e, portanto desconhecida no "décimo planeta" - e à revolução alcóolica de toda uma digna corporação de cientistas... e o levam também a apaixonar-se, como bom latino.
Romance absolutamente diferente dos habituais moldes da ficção-científica, O Décimo Planeta é um livro que se lê com um sorriso quase permanente nos lábios. Mas não é só o sorriso que ele nos desperta; é também a atenção para o aviso que dele vem: o caminho, o perigoso caminho para uma completa desumanização do homem, que já vemos ir-se processando lentamente à nossa volta, caminho esse que deve ser evitado por todos os homens conscientes da sua existência como seres humanos...

nº 46 - Os Marcianos Divertem-se


Autor: Fredric Brown
Título original: Martians, Go Home
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1958
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº45 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:


Luke Devereaux, escritor de ficção-científica em crise de imaginação, encontrava-se certa noite numa cabana isolada no meio do deserto da Califórnia. Resolvera recolher-se ali para tentar, no meio do sossego e do silêncio, conseguir dar início ao romance de ficção-científica que o seu editor lhe exigia (e que até já lhe pagara parcialmente). As ideias não vinham, nem com a ajuda de whisky. Nessa noite, Luke estava mais desesperado do que nunca. De repente, pareceu-lhe ter imaginado o início de um argumento: "E se os Marcianos..."
Bateram à porta. Luke abriu, espantado com a hora, dado o isolamento da cabana. Era um homenzinho de noventa centímetros de altura, verde e sorridente. 
- Viva, Zé - disse ele a Luke, trocista.
- É aqui a Terra?
Era... um Marciano!
Daí em diante, milhões desses pequenos Marcianos, seres barulhentos, desordeiros, verdadeiramente infernais, invadiram a Terra. Nada lhes escapava. Com o seu poder especial de cuimar, apareciam em toda a parte, metiam-se em todos os assuntos, desvendavam os altos segredos militares, troçavam de tudo e arreliavam todo o mundo. E, contra isto, nada a fazer; pois que, embora visíveis e audíveis, eram impalpáveis, atravessavam a matéria, não podiam ser atingidos nem destruídos.
E foi o caos por toda a parte.
Não podiam existir mais segredos, os negócios desfaziam-se, o mundo caminhava para a mais completa bancarrota de todos os tempos
Como resolver este problema?
Impossível expulsá-los, impossível entrar em contacto com eles, impossível qualquer espécie de combinação.
E os Marcianos divertiam-se...
Como acabou esta invasão de nova espécie e que remédio lhe foi dado?
É isso que o agudo senso de humor de Fredric Brown, numa brilhante sátira, nos explica, embora sem explicar. Neste romance, o autor já famoso de "Loucura no Universo", afirma-se como um dos mais originais escritores de ficção-científica. Os seus Marcianos, incitam-nos à mais saudável reacção possível perante o absurdo quotidiano do mundo em que vivemos: o anti-conformismo da franca hilariedade.

nº 47 - Salto no Tempo


Autor: Yves Dermeze
Título original: Via Velpa
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1958
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº46 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Quando Nel Gavard, verdugo ajuramentado de Altair, decidiu brincar aos experimentadores, não tinha a menor ideia das transformações radicais que ia causar não só na sua constelação, como em toda a galáxia. Mesmo cérebros muito mais desenvolvidos do que o seu, não poderiam ter imaginado a milésima parte daquilo que um pequeno gesto ia provocar.
Nel Gavard era um ente meio animal, a quem seis traços verticais indeléveis ornavam a testa baixa. Sob umas espessas sobrancelhas negras, tinha uns olhos esbugalhados de bovídeo. Quando, na sua adolescência, lhe haviam medido o índice intelectual, tinham-no ridicularizado sem piedade, e Nel Gavard também troçara, incapaz de compreender a ironia ou a piedade. Os testes habituais tinham-no classificado em último lugar. Que fazer com esse degenerado? A partir da sétima categoria, a Lei ordenava que tais entes fossem suprimidos, para que se não tornassem nem uma carga nem um perigo para a civilização. Nel Gavard fora salvo por uma fugaz centelha que subsistia nele. No momento em que o submetiam ao controlo da Máquina de Guerra, ele rira, e tentara delicadamente com a ponta dos dedos desaparafusar um dos parafusos de ajustamento. Com os estalidos habituais, a Máquina dera o seu veredicto: Nel Gavard era ligeiramente superior a um animal doméstico. Subsistiam nele ligeiros vestígios de instinto científico. No painel visual da Máquina haviam aparecido seis traços verticais: seis e não sete. Nel Gavard escapara à morte.
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O Grande Conselho Supremo de Altair governava ditatorialmente sobre um vasto sistema planetário. Além dos planetas habitados, milhares e milhares de outros havia que tinham sido explorados, na mesma e noutras galáxias.
A Lei era severa. Eram admitidas seis categorias de indivíduos: desde os altairianos de "primeira zona", cérebros super-inteligentes, indivíduos de excepção, até aos "sexta zona", verdadeiros animais, obedientes, dóceis, incapazes de pensar.
A unanimidade no Conselho fazia Lei. Simplesmente, essa unanimidade não era fácil de obter. Glarson, "segunda zona", não estava disposto a deixar que a civilização de Altair no sentido da mais completa das ditaduras, segundo os desejos de Kox e Sidan, dois velhos altairianos de  primeira categoria, que pretendiam reduzir o Universo à escravidão. E Glarson lamentava que, pela primeira vez, a tradição que exigia que todos os altairianos de "primeira zona" fossem automáticamente admitidos no Grande Conselho, não tivesse sido respeitada, e Alik Hermes, jovem "primeira zona", o único dessa categoria dessa geração, tivesse sido excluído, por temor e inveja dos dois candidatos a ditadores.
E Alik Hermes fez uma descoberta que poderia modificar a estrutura da civilização altairiana. mas deixêmo-lo explicar ele mesmo:

 - Durante séculos, considerou-se o Tempo como uma noção subjectiva, uma abstracção. Mais tarde, na época das primeiras descobertas atómicas, fez-se dele uma dimensão... Registos  que há do século XXI falam já de Espaço-Tempo, da curvatura do Universo... supunha-se que o Tempo existia, como os comprimentos, as larguras e as espessuras. Que era uma quantidade finita e mensurável... Por Altair! É difícil de explicar! Há mais de dez séculos que vivemos com esta concepção. Conseguimos atingir os planetas que gravitam em redor de Sol 3 e depois, ultrapassando a velocidade da luz, saímos do Universo de Sol 3 para passarmos aos das estrelas mais próximas, e por fim povoámos a galáxia. Mas aquilo que aparentemente ninguém notou, é que tivemos para isso que utilizar veículos interastrais que ultrapassam a velocidade da luz. Porque essa teoria do Espaço-Tempo em que vivemos há mais de dez séculos, é precisamente baseada na premissa de que nada pode ultrapassar a velocidade da luz no vácuo. E na prática, isso foi feito. 

Em suma, Alik Hermes descobrira os "nós do Tempo", pontos onde a intensidade se anula, para a tensão se tornar máxima, tal como as ondas hertzianas. Ora, por esses nós no tempo, é possível passar para outras épocas, talvez para outros mundos.
Devido ao perigo representado pela sua teoria, Alik Hermes é condenado à morte. E Nel Gavard, verdugo ajuramentado de Altair, é quem o deve executar. Mas Alik e Nel foram companheiros de infância. Os dois extremos na escala de valores intelectuais de Altair estão ligados por uma amizade que nada pode quebrar. E é assim que Nel Gavard, que também, à sua maneira descobriu os "nós do Tempo", a que chama a "Grande Passagem", tem a oportunidade de "passar", juntamente com Alik Hermes e Gerda, misteriosa mulher que não se sabe de onde vem, para um "outro mundo", sem relação quer no espaço quer no tempo com o mundo de Altair.
Alik Hermes e Nel Gavard completam-se. Mas isso não fora casual. A Máquina de Guern, formidável cérebro electrónico de Altair, preparou o encontro e sugeriu as teorias.
Os "nós do Tempo" existem na realidade? Sim, afirma Alik Hermes. Não, responde a Máquina de Guern. Seja como for, Alik Hermes, Nel Gavard e Gerda, encontram-se num Universo-antípoda, no planeta Velpa. Os Mobiks, seres de pesadelo, atacam Velpa. Só há um único meio de os vencer definitivamente: destruir no Passado a civilização que os produz. Mas esta civilização, é precisamente a de Altair! Que deve fazer Alik Hermes? Destruir o seu próprio mundo para salvar o Universo-antípoda? Não haverá outra solução, utilizando a Grande Passagem?
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"Salto no Tempo", o romance que a Colecção Argonauta publicará a seguir, é a história de uma aventura fantástica, passada em dois universos distintos, de um homem que quer evitar que o seu próprio mundo se torne no futuro uma civilização de guerra e extermínio.
Um romance de ficção-científica europeu, que foge ao tom de ironia e sátira tão frequentemente presente nas obras deste género escritas por  autores latinos, e pode alinhar ao dao das obras de FC norte-americanas conhecidas pelo à vontade com que se jogam nelas os destinos de galáxias inteiras, de civilizações completas.
"Salto no Tempo" é um livro de Yves Dermeze que não receia confronto e que não deixará de ter por parte do público português o mesmo acolhimento entusiástico que teve junto do público francês, quando da sua publicação.

nº 48 - Mundo de Vampiros



Autor: Richard Matheson
Título original: I Am Legend
1ª Edição: 1954
Publicado na Colecção Argonauta em 1958
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº47 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

O vampiro existe. Existiu desde sempre. É verdade, leitor. E a sua grande força, é que ninguém crê na sua existência. Mas não há fumo sem fogo, não é assim? Ora se a lenda se formou, em alguma coisa se deve ter fundamentado. Pois bem, o fundamento é o seguinte: o vampirismo é uma doença. Uma doença latente. Provocada por um bacilo, o vampiris. Os seus principais sintomas? Muito fáceis de identificar: o gosto pelo sangue humano como dieta exclusiva; a preferência pela noite; o comprimento anormal dos dentes caninos; a repulsa pelo alho: o temor à cruz; a não refracção nos espelhos do indivíduo atacado; a impossibilidade de transpôr a água corrente; um mau hálito pronunciado; a necessidade de repousar, em estado de coma, durante o dia, sob a terra do seu país natal. E chega como enumeração.
Mas cuidado, leitor. Não vá supôr que o vampiro se transforma em morcego, ou em  pluma. Isso é nos filmes de terror. E agora estamos a tratar do facto científico, comprovado. Se não o crê, escute o que lhe diz Robert Neville, o último homem da Terra:

"Quero primeiro assegurar-lhes que não estou louco. Em seguida,quero trazê-los comigo ao ano de 1976. Sou o último homem que existe sobre a Terra. Não sei quanto tempo resistirei. Todas as noites eles cercam a minha fortaleza, estes vampiros de um outro mundo, e eu posso ouvi-los gritar obscenidades durante a noite. Tenho morto tantos deles, e sempre voltam à carga. Quanto tempo se passará antes que me liquidem? Só sei uma coisa: nunca mais ouvirei o som de uma voz humana."

Que sucedeu a Robert Neville? Porque vive ele num mundo de vampiros? A história é simples: após uma guerra atómica da qual nenhum país saíu vencedor, mas toda a humanidade vencida, violentas tempestades de pó assolam a superfície do globo. Arrastados por elas, vêm os esporos do vampiris, o bacilo da vampirite, que se propaga assustadoramente. Imune a este flagelo por uma razão desconhecida, Robert Neville vê morrer-lhe sucessivamente a filha e a mulher, ceifadas pela epidemia. Quando todos os habitantes da Terra são atingidos pelo bacilo, Robert Neville vê-se rodeado de uma multidão de seres sequiosos do seu sangue, e é forçado a defender-se por todos os meios ao seu alcance.
É a extraordinária odisseia deste homem, só num mundo de vampiros, que Richard Matheson nos conta magistralmente, num romance que levou o escritor William Campbell Gault, possuidor de vários prémios de literatura de mistério, a dizer deste livro: "Este pode ser o romance mais aterrador que jamais lerá."  E se quiser ter uma ideia, leitor, imagine-se rodeado de vampiros. Cuidado, não deixe a porta aberta depois do pôr-do-sol. Cuidado com as janelas. Não será melhor entaipá-las? E sobretudo, não endoideça. Lá por estar só no mundo, não é razão para isso. E pode ser que chegue, após alguns anos, à mesma fantástica conclusão que Robert Neville. Nada mais natural.
Mas que conclusão é essa? - perguntará o leitor, um tanto ou quanto desconfiado.  Ah, isso é que não se pode dizer. Se se dissesse aqui, que interesse teria então em ler o livro?
Mas não é necessário imaginar-se num "mundo de vampiros", leitor. Aqui entre nós: conhece alguém que prefira sair de noite e dormir de dia? Alguém que não ponha alho na comida, sob pretexto de que o estômago não o suporta? Alguém que se diga tão modesto que nunca se vê ao espelho? Alguém que recuse uma boa almoçarada na Outra-Banda, dizendo enjoar de barco?
Conhece? Ah! Então tenha cuidado! - Pelo sim pelo não, à sucapa, veja se lhe pode medir os dentes caninos. E se eles forem sensivelmente mais compridos que o normal, pode ter a certeza. É um vampiro. É que antes da epidemia se espalhar, havia casos os esporádicos. E se bem que o perigo não seja tão grande como no caso de Robert Neville, não são de aconselhar passeios nocturnos com tal indivíduo. Nunca se sabe. E o sangue, faz-nos muita falta nas veias. É mesmo o que mais faz falta a uma pessoa: sangue nas veias.  E já agora, uma receita para se livrar de um vampiro: uma estaca de madeira, tem que ser de madeira, que lhe atravesse o coração, pregando-o ao solo. É uma receita provada, utilizada há muitos séculos. Acha difícil de pôr em prática? Então um conselho: compre "Mundo de Vampiros", o próximo romance da Argonauta, e encontrará lá outros mais variados processos de se desembaraçar de tão desagradável companhia como a de um vampiro.

Nota: esta obra é famosa e reconhecida sobejamente na comunidade dos apreciadores de ficção-científica. Este livro deu aliás origem a vários filmes. Em 1964, surgia The Last Man on Earth, dirigido por Ubaldo Ragona e Sidney Salkow, com Vincent Price no papel principal:



http://www.imdb.com/title/tt0058700/?ref_=sr_1

Posteriormente, em 1971, surgia The Omega Man, realizado por Boris Sagal, com Charlton Heston no principal papel:


 http://www.imdb.com/title/tt0067525/?ref_=sr_1

E em 2007, surgia mais uma adaptação para o Cinema, com um filme realizado por Francis Lawrence, com Will Smith no principal papel, e intitulado I Am Legend:

nº 49 - Vuzz...


Autor: P. A. Hourey
Título original: Vuzz...
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1959
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº48 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

No mês de Julho de 1980, Paris é sacudida por um tremendo abalo sísmico. A torre Eiffel fica inclinada como a torre de Pisa e parte do Arco do Triunfo abate. Que se teria passado? 
Um meteoro de enormes dimensões chocara com a Terra. Um fragmento dum astro desconhecido caíra em França, não longe de Paris, cobrindo um número considerável de localidades, grandes e pequenas, destruindo habitações, vegetação e matando várias centenas de milhares de seres humanos. 
Morfil, jornalista do "Paris Jour", é enviado ao local para fazer a reportagem. Juntamente com o seu colega Vicendon, encontra uma monstruosa massa negra, fervendo ainda nalguns sítios, já arrefecida noutros. Após algumas dificuldades, conseguie com o seu Jeep, percorrer parte da superfície do misterioso aerólito e ocmeçar as suas investigações. No meio de uma paisagem alucinante e de pesadelo, formada por blocos monolíticos de uma estranha rocha negra, faz a mais assustadora descoberta da sua carreira de jornalista: essa rocha possui uma inexplicável propriedade. Quando alguém se aproxima dela, emite um pequeno silvo, como um zumbido de um insecto: "Vuzz..." e uma marca negra aparece no rosto da vítima. Depressa uma moleza, uma inércia, uma rápida descida de forças se apodera do atingido, anunciando uma morte próxima. E é a epidemia... Milhares de seres humanos, atingidos pela doença. Os carros abandonados abundam pelas estradas. A polícia intervém, estabelecendo uma barragem que não deixará chegar ninguém até Paris. Mas também a polícia é atacada pela epidemia e deserta do seu posto, deixando o caminho livre. Então, o pânico apodera-se do país. 
Irá a espécie humana ser totalmente destruída por essa doença misteriosa? Mas o cientista Noel Mayen, do Instituto de Pesquisas Cósmicas, e Morfil, declararam guerra ao Vuzz...
Como conseguirão eles combater esse flagelo vindo de outro mundo e, talvez, de outro Universo? É este o excitante drama que atravessa o romance de P. A. Hourey, deixando o leitor em suspenso até à última página...

nº 50 - Os Mares de Vénus


Autor: Paul French(Pseudónimo de Isaac Asimov, que continua as aventuras de Lucky Starr)
Título original: Lucky Starr and the Oceans of Venus
1ª Edição: 1954
Publicado na Colecção Argonauta em 1959
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº48 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Desta vez, o nosso já conhecido Lucky Starr e o seu companheiro, o pequeno marciano Bigman, vêem-se envolvidos em misteriosos acontecimentos, no mundo fantástico de Vénus. 
Lucky Starr é encarregado pelo Conselho das Ciência de uma delicada missão na unidade de Afrodite, a principal das unidades industriais submarinas estabelecidas pelos Terrestres nesse planeta totalmente submerso. Depois de vários incidentes bizarros e inquietantes, um primeiro investigador tinha sido enviado, Evans, um antigo camarada universitário de Lucky Starr. Mas uma mensagem recebida no Conselho e assinada por Morris, o Delegado do Conselho de Vénus, pedia a chamada imediata de Evans, acusado de corrupção. Estava envolvida no caso a segurança dos grupos industriais estabelecidos sob o oceano venusiano que, com os seus formidáveis meios técnicos, transformavam a exuberante vegetação submarina em produtos alimentares sintéticos, os famosos fermentos de Vénus, recurso vital para a Confederação Solar.
Com o seu inseparável companheiro, Bigman, Lucky atinge o Satélite 2 que gira na órbita de Vénus, donde uma astronave anfíbia lhe permitirá atingir o planeta.
Começam aí as complicações...
Porque razão abandonam os pilotos os comandos, quase arrastando Lucky e o seu companheiro para uma morte violenta, por esmagamento? Será uma conspiração dos habitantes de Sirius, os mais encarniçados inimigos da Confederação Solar, como pretende Morris? E, nesse caso, porque razão Evans, membro do Conselho das Ciências da Terra e amigo de Lucky, se tornou culpado de traição? Qual o motivo porque roubou ele as fórmulas ultra-secretas dos laboratórios de fermentos venusianos? E porque recusa ele justificar-se perante o seu antigo camarada? Qual a poderosa organização que consegue controlar o pensamento humano, como e com que fim?
Envolvidos em todos estes aspectos aparentemente contraditórios do mesmo caso, Lucky Starr e Bigman vivem mais uma alucinante aventura em "Os Mares de Vénus".

nº 51 - A Porta do Espaço



Autor: Adrien Sobra 
Título original: Portes Sur L'Inconnu
1ª Edição: 1956
Publicado na Colecção Argonauta em 1959
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº50 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Hoc I, no planeta U 16, martelava, cantando, um grosso bloco de aço na bigorna. Era a peça final da sua máquina que, quase terminada, se erguia numa oficina ao ar livre onde se atarefavam milhares de Robots. Os Robots executavam todos os trabalhos manuais, mas Hoc I não desdenhava dar também o seu auxílio. Os seus músculos poderosos faziam cair cadenciadamente o malho sobre o bloco fulgurante, donde saltava uma nuvem de faíscas.
Hoc I era um "jovem" de 60 anos. Era jovem naquele planeta onde a idade normal era de seiscentos anos. Estava feliz. Ia provar aos Antigos que sabia fazer qualquer coisa. Havia muito tempo que a teoria da "translacção espacial" tinha sido estabelecida, mas ninguém tinha ainda conseguido pô-la em prática. Graças à sua intervenção, HocI ia abrir à curiosidade dos cientistas uma infinidade de Universos.
Quando tudo ficou acabado, Hoc I apresentou-se aos Antigos e disse-lhes: 
-  Desejo explicar-vos com que fim construí esta enorme máquina.
- Já o sabemos, meu filho - disse um dos Antigos.
- Sabem-no? - perguntou Hoc I, aterrado.
- Como não o saberíamos, se as tuas ondas de alegria são tão vigorosas que dão várias vezes a volta ao planeta e vêm também várias vezes vibrar no nosso cérebro? Quanto aos teus pensamentos, são tão violentos que não sabemos onde nos metermos para lhes escapar.
O engenheiro, confuso, baixou a cabeça como um garoto que leva uma reprimenda. Depois tornou a erguê-la, com orgulho. Hoc I era o "enfant terrible" do planeta. Nesse povo de Sábios, fazia o papel de um cachorro turbulento.
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A descoberta de Hoc I era de facto alucinante. A sua máquina abria uma porta no espaço; transladava o espaço de um Universo para outro Universo contíguo.
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E assim, Hoc I encontrou um dia a Terra. Encontrou a Terra através da sua porta, quando por ela entrou o professor Laurent, geólogo em pesquisas no Sahara.
E encontrou também a Matéria V, que tão necessária era no Universo de Hoc I e tão abundante na Terra. Como conseguir que os Terrestres cedessem essa matéria? Como chegar a um acordo para transferir os Terrestres do seu planeta natal para o outro Universo que necessitava do oxigénio e da Matéria V da Terra?
Todos estes estranhos acontecimentos nos conta, como o seu senso de humor latino, o jovem escritor de ficção-científica Adrien Sobra, no seu curiosíssimo romance.

nº 52 - Atenção aos Robots


 

Autor: Jean Gaston Vandel
Título original: Alerte Aus Robots!
1ª Edição: 1952
Publicado na Colecção Argonauta em 1959
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº51 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:


No ano de 3750 a humanidade dominava completamente a máquina. O próprio governo mundial é assegurado por um cérebro electrónico gigante, o Center-World-Brain que, da sua fortaleza de Joe Island, no Pacífico, assegura as ligações com todos os governos nacionais e administrações locais, elas também formadas por cérebros electrónicos. Passeios e estradas rolantes conduzem o homem, casas automáticas acolhem-no e preparam-lhe refeições e bebidas, centros Moto-Clínicos tratam-no e curam-no. O homem nada mais tem a fazer do que controlar esse mecanismo total e gozar a sua própria vida de ser pensante.
Mas eis que inesperados acidentes começam a acontecer: Moto-clínicas descontroladas que matam por excesso de raios X; portas automáticas que esmagam quem passa por elas; passeios rolantes que, num aparente ataque de loucura, deslizam numa velocidade absurda, matando e ferindo milhares de seres humanos.
O doutor Sullen e os seus técnicos da Ordem Electrónica de que ele é o chefe supremo, não conseguem compreender os acidentes e ainda menos controlá-los. Os casos fatais tornam-se mais numerosos; as bebidas dos alimentors automáticos aparecem súbitamente envenenadas. Como resolver a situação?
Nic Vicar, jovem professor de ginástica, é então convidado a entrar nessa luta contra os cérebros electrónicos em revolta, ois de revolta se trata, sem qualquer espécie de dúvida.
Os robots lançam os seus ataques, cada vez mais violentos. As fábricas de alimentos sintéticos param. Quem ordenou essa paragem? E como combatê-los?
As desordens rebentam nas várias cidades do mundo. Os homens, aterrorizados com a revolta das máquinas, tentam destruí-las, mas são aniquilados aos milhares. As cidades têm de ser abandonadas e o frio e a fome começam iguamente a fazer as suas vítimas.
A humanidade está às portas de extinção, para dar lugar ao reino das máquinas perfeitas e superiores ao Homem.
Apenas Nic Vicar e o seu grupo de comandos resistem ainda, tentando evitar a catástrofe final. Mas, cada vez se vêem mais limitados na sua acção, cercados pelas máquinas e pelos robots quase humanos transformados em assassinos profissionais e perfeitos.
Irá assim a humanidade desaparecer do globo terrestre, deixando apenas como prova da sua existência a sua realização, a MÁQUINA, que a ultrapassou em raciocínio e inteligência?
É este um dos mais conhecidos romances do famoso escritor francês Jean-Gaston Vandel, onde, a par de uma lógica científica perfeita, se encontra o suspense intenso de um bom romance de ficção-científica.

nº 53 - A Morte da Terra

 

Autor: J. H. Rosny Aîne
Título original: La Mort De La Terre
1ª Edição: 1910
Publicado na Colecção Argonauta em 1959
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº52 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:


"J. H. Rosny é o maior desconhecido do nosso tempo". Assim começa Daniel Halevy o seu posfácio à Morte da Terra.Também os conhecidos críticos e historiadores da literatura francesa Albert Thibaudet e Henry Clouard reconhecem que "cerca de 1890, era ele o homem de quem mais se esperava, o mais opulento temperamento de romancista da sua época".
Deste romancista que, mercê do seu espírito científico, foi também amigo íntimo dos Curie, dos Langevin, dos Borel e dos Perrin, se apresenta agora a tradução portuguesa do seu romance de antecipação La mort de la Terre, talvez um dos romances que, entre a sua vastíssima produção (para cima de uma centena de obras), mais caracteriza o seu pensamento e a sua forma de encarar os problemas humanos.
No declínio da Terra, milhares de anos no futuro, a população do planeta está reduzida a pequenos núcleos humanos que habitam raros oásis espalhados pela superfície do globo. 
A grande, a principal preocupação é a Água, que se tornou raríssima num planeta absolutamente seco, Água essa que adquire um valor quase místico para os homens de então, aqueles que se chamam a si mesmos os Últimos Homens.
Os grandes adversários dos homens, adversários passivos mas nem por isso menos temíveis, são os ferromagnéticos, espécie mineral em princípio de evolução para a vida animada e talvez os futuros senhores de um planeta já totamente hostil à espécie humana. Esses seres minerais vão invadindo lentamente a superfície da Terra, através de milhares de anos de uma lenta mas segura evolução e, cercando os Últimos Homens, circunscrevem-nos aos seus redutos derradeiros, os oásis onde uma técnica quase perfeita ao serviço do ser humano consegue fazer subsistir a reduzida população do globo.
E no oásis das Fontes Altas vive Targ, o jovem guarda dos Planetários, que sonha ainda com um futuro de abundância para a sua raça. Mas, para além da falta de água, a Terra recusa aos homens até o repouso e, assim, sismos constantes vão destruindo pouco a pouco o que resta da humanidade. 
Nun desses terríveis abalos, o oásis das Terras-Vermelhas é quase totalmente destruído e a tremenda convulsão faz desaparecer a água que tão preciosa era ao oásis.
Targ parte em procura do precioso líquido, como um novo cavaleiro do Graal. Será essa a única forma de fazer persistir uma humanidade moribunda. Água, a força do Homem...
"O neto de J. H. Rosny lembra-se de ter ouvido estas palavras do seu avô, pronunciadas nos seus últimos dias:
- Se pudesse, na minha obra, escolher um livro para o salvar, seria A Morte da Terra".
Asim termina o posfácio de Daniel Halevy. 
É esta obra de J. H. Rosny, um dos maiores escritores franceses do fim do passado século e dos primeiros anos deste, um escritor desconhecido do grande público mas presente na literatura francesa de sempre, que a Colecção Argonauta se honra em apresentar ao leitor português interessado.

nº 54 - Regresso a Zero


Autor: Stefan Wul
Título original: Retour à "O"
1ª Edição: 1956
Publicado na Colecção Argonauta em 1959
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Maria Adelaide Correia Freire e Raúl Correia


Súmula - foi apresentada no livro nº53 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:


"Condenado à pena capital"!
Foi essa a sentença que Jâ Benal ouviu, pronunciada pelo Juíz Supremo da Justiça Terrestre. Jà Benal, jovem e prometedor físico e matemático, era culpado de negligência, de ser o responsável da catástroffe causada pela explosão do seu laboratório, catástrofe essa que, segundo a acusação, destruíra parte da cidade de Lepolvi e causara milhares de vítimas. 
Mas a pena de morte já não existia na Terra. Fora substituída por um castigo talvez mais desumano ainda, pela deportação para toda a vida na Lua, para onde os condenados eram enviados num escafandro-foguete numa viagem que durava três dias e que, na maior parte dos casos, terminava fatalmente no espaço ou na superfície do satélite da Terra. Os sobreviventes, criminosos de direito comum e político tinham conseguido, após dezenas de anos de esforços titânicos, construir uma civilização altamente mecanizada, mercê especialmente dos cientistas deportados como criminosos de guerra e essa civilização "lunar", baseada na ciência e no ódio, detestava a Terra. 
À frente do Conselho que regia os destinos da Lua, encontrava-se o Venerável Antepassado, um dos primeiros homens a chegar à Lua como deportado e que tinha um único desejo e um único fim a alcançar: vingar-se da Terra, atacá-la e dominá-la.
O governo terrestre tinha conhecimento desses planos. Mas como saber dos meios que os "lunares" dispunham para o seu ataque, e para quando estava ele preparado?
Só havia um único sistema: enviar um espião à Lua, um espião que fosse simultâneamente um cientista precioso à técnica lunar e um fiel cidadão da Terra. Mas um espião só poderia ser enviado abertamente se fosse, aparentemente, um criminoso que merecesse a pena capital. Só assim o Conselho da Lua não suspeitaria do enviado.
...Por isso Jà Benal foi condenado à pena capital...
É este o primeiro romance de Stefan Wul, nóvel autor francês de ficção-científica considerado por Igor B. Maslovski, crítico especialista de "Fiction", como um autor que pode ombrear com a maior parte dos mestres anglo-saxónicos e americanos e até suplantá-los. Com este romance, obteve o autor o "Prémiod e Ficção-Científica de 1957".
"Livros do Brasil", sempre interessados em oferecer ao leitor o melhor em cada ramo literário, esperam continuar a apresentar na sua "Colecção Argonauta" os magníficos romances de Stefan Wul.

nº 55 - Os Frutos Dourados do Sol


Autor: Ray Bradbury
Título original: The Golden Apples of the Sun
1ª Edição: 1950
Publicado na Colecção Argonauta em 1960
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº54 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

É este o último livro de Ray Bradbury, o autor de Crónicas Marcianas, O Homem Ilustrado e Farhenheit 451, que a Colecção Argonauta já teve o prazer de apresentar aos leitores portugueses.
Ray Bradbury é hoje, indubitávelmente, uma das figuras de proa da Ficção-Científica e até mesmo uma das mais notáveis figuras da mais recente geração literária americana. Dele disse o grande escritor inglês Angus Wilson: "é um dos mais brilhantes e fascinantes escritores que tenho conhecido"; e Christopher Isherwood afirmou: "Crónicas Marcianas é, até agora, o meu livro favorito entre todos os dos jovens escritores americanos contemporâneos".
Em Os Frutos Dourados do Sol reúnem-se doze dos mais notáveis contos em que a poesia, a crítica social, a imaginação e a realidade se combinam perfeitamente, para nos transportar a um mundo que, sendo o nosso, é igualmente um mundo mágico em que pessoas e coisas adquirem um valor particular e se transformam em seres que nos parecem existir simultâneamente em um ou vários universos diferenciados.
Desde a realidade ao mesmo tempo irónica e lírica de O Grande Incêndio até ao extraordinário conto que encerra e dá o nome ao livro, Os Frutos Dourados do Sol, onde se reencontra mais uma vez o mito de Prometheu trazendo o fogo aos homens - e, com o fogo, o conhecimento -, todos os doze contos são pequenas obras-primas de um estranho sabor que pedem, podemos dizer, paladares requintados para a sua completa apreciação.
Um homem que assassina a sua casa... um outro que insistia em passear à noite, passear apenas, quando já não havia quem passeasse... Um monstro pré-histórico que vem dos fundos do passado e dos abismos para responder ao apelo da voz que o chama, a voz de um farol... O caçador que procura, mergulhando no tempo, sensações violentas na caça ao Tiranossauro e que, por pânico, altera paradoxalmente o futuro... um homem do lixo que se recusa a limpar o liso de uma possível futura guerra atómica...
São estes outros tantos motivos para Ray Bradbury nos dar a sua visão do mundo, ora amarga, ora cheia de esperança, mas sempre pessoal, sempre feita de "um mundo de curiosa beleza, fulgurante de simpatia, atravessado pelo humor", conforme diz dele a revista Punch
São estes Frutos Dourados do Sol que a Colecção Argonauta se orgulha de apresentar no seu próximo volume. 

Contos publicados na obra:

   1 - A Sereia entre o Nevoeiro
   2 - O Homem que Passeava
   3 - O Deserto
   4 - O Criminoso
   5 - Bordado
   6 - O Grande Jogo entre Negros e Brancos
   7 - Um Som de Trovão
   8 - A Campina
   9 - O Homem do Lixo
 10 - O Grande Incêndio
 11 - Adeus e Boa Viagem
 12 - Os Frutos Dourados do Sol

Nota: o conto intitulado Um Som de Trovão, inspirou o filme com o seu título, realizado em 2005 por Peter Hyams, com Edward Burns, Ben Kingsley e Catherine McCormack nos principais papéis. O dvd, tem edição nacional.


 

nº 56 - Pré-História do Futuro



Autor: Stefan Wul
Título original: Niourk
1ª Edição: 1957
Publicado na Colecção Argonauta em 1960
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria


Súmula - foi apresentada no livro nº55 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:


Numa Terra devastada, seca, onde os grandes oceanos desapareceram e os seus fundos se cobriram de selvas e de pântanos, onde a enorme civilização técnica conseguida pelos homens de mihares de anos atrás desapareceu igualmente deixando apenas os vestígios arruinados das suas cidades abandonadas, os poucos homens que restam vivem em tribos, numa vida semelhante aos seus remotíssimos antepassados de uma pré-história que, afinal, voltou de novo.
Assim vive a tribo de Thôz, o Ruivo, nas suas tendas de pele de cão selvagem, entregando-se á caça e vivendo precáriamente dessa mesma caça, por vezes rara. A tribo deambula pela grande planície coberta de florestas que foi outrora o Oceano Atlântico, junto ao sopé do monte Santiag, entre as cordilheiras de Cuba e de Hait; o monte onde se ergue Santiag, a cidade dos deuses que apenas um único membro da tribo conhece: o Velho.
O Velho é, afinal, o grande senhor da tribo, acatado por todos, venerado e respeitado até por Thôz, o chefe. Quando o Velho vai a Santiag, quando ele se prepara para a grande viagem até às alturas nevadas, toda a tribo executa a dança sagrada e o Velho parte... quando volta, vem cheio de presentes dos deuses: estranhos recipientes metálicos, pedaços de vidro onde a tribo pode ver reflectir-se a cara dos seus membros, caixas com estranhas imagens estampadas, um nunca acabar de maravilhas.
Mas a tribo também tem um outro estranho membro: o rapaz negro, um garoto de quinze anos que nasceu negro entre uma tribo de louros. Esse atavismo biológico vota-o ao ostracismo. O rapaz negro é batido, é apedrejado pelas outras crianças, é desprezado pelos adultos. O Velho odeia-o e, quando parte de novo para uma visita aos deuses de Santiag, afirma que, à sua volta, o rapaz negro será morto.
Mais uma vez a tribo realiza a dança ritual e de novo o Velho segue o caminho de Santiag... mas não volta, e os guerreiros esperam-no em vão junto ao sopé do monte, entre as primeiras neves. 
E então o rapaz negro resolve fugir. Irá procurar o Velho e irá viver a sua vida de homem livre. É assim que o rapaz negro atinge Santiag, a maravilhosa cidade dos deuses e é assim também que dá o primeiro paso para a grande aventura que o levará a encontrar a amizade do urso, a descobrir o caminho dos deuses, a conduzir a tribo para além da terra dos monstros, e até mesmo encontrar os deuses, esses deuses que, afinal, partiram da Terra...
É mais um romance de Stefan Wul, o autor europeu de ficção-científica que se está a revelar um autêntico caso neste ramo da literatura e que a Colecção Argonauta apresenta no seu próximo volume.

Nota: uma excelente obra de Stephan Wul, uma grande surpresa. Cativante, envolvente, emocionante. Merecia ser adaptada para Cinema.

nº 57 - O Robot de Júpiter-9


Autor: Paul French (pseudónimo de Isaac Asimov)
Título original: Lucky Starr and The Moons of Jupiter
1ª Edição: 1957
Publicado na Colecção Argonauta em 1960
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria


Súmula - foi apresentada no livro nº56 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Mais uma vez, encontramos os nossos já conhecidos Lucky Starr e Bigman Jones, desta vez em Adrastea ou Júpiter-9, um dos satélites de Júpiter.
Os técnicos terrestres, instalados numa estação experimental de Júpiter-9, tinham conseguido, após demorados estudos e experiências, realizar o extraordinário motor Agrav, que podia neutralizar os efeitos gravíticos de qualquer planeta e, assim, aplicado a uma astronave, resolver os problemas de aproximação e descolagem dos planetas de alta gravidade, além de proporcionarem uma enorme economia de energia.
Dadas as relações tensas entre o governo terrestre que dominava o Sistema Solar e os planetas sírios, antigas colónias terrestres do sistema de Sírius que tinham adquirido autonomia, o motor Agrav era da maior importância numa eventual agressão ao Sistema Solar. 
Os serviços de espionagem sírios tinham, assim, organizado uma extraordinariamente eficaz rede de informações e todos os segredos de construção do Agrav chegavam infalivelmente a Sirius.
Perante tal estado de coisas, o Conselho das Ciências, responsável pelas realizações técnicas da Federação Solar e, ocultamente, a verdadeira organização directora dos destinos da Terra, resolveu investigar. Vários investigadores foram enviados a Júpiter-9, mas o mistério da fuga de informações não conseguia ser esclarecido. É então que Lucky Starr e o seu inseparável companheiro Bigman Jones entram em actividade. Enviado a Júpiter-9 para uma investigação, vêem-se imediatamente mal recebidos, desde o comandante Donahue, director da base experimental e do "projecto Agrav", até ao mais insignificante membro da equipa técnica. Qual a razão desse desagrado geral perante a presença de Lucky Starr e do seu companheiro? Qual a influência que o oculto espião de Sírius tem entre os homens de Júpiter? E como localizar o espião entre tantos homens hostis? Será Pauner, o engenheiro-chefe, cuja situação lhe permite o acesso a todos os arquivo secretos? Será Summers, o mecânico que desencadeara a hostilidade contra Lucky? Ou Norrich, o engenheiro cego, cjua cegueira lhe permitiria andar, insuspeito, por todos os laboratórios? Ou ainda o comandante Donahue, nitidamente contrário a qualquer investigação que interferisse com os seus serviços?
É nessas condições que Lucky Starr tem de agir, entre hostilidades, falta de informações e nítida má vontade.
Sigam mais esta aventura de Lucky Starr e de Bigman Jones, talvez a mais emocionante de todas, através do próximo livro da "Colecção Argonauta". É mais um livro de Isaac Asimov, sob o pseudónimo de Paul French.