nº 19 - Os Caminhos do Espaço


Autor: Charles Eric Maine
Título original: Space Ways
1ª Edição: 1953
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução de: A. Maldonado Domingues

Súmula - foi apresentada no livro nº18 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":


Conway, um agente do Departamento de Segurança de Washington estava satisfeito com o serviço que desempenhava na grande capital americana. Era um homem da cidade, como ele próprio dizia. Já contava no seu activo uma boa quantidade de transferências e sentia que tinha, por fim, direito a gozar os prazeres da civilização e a companhia da encantadora Vera Hartman. Mas o destino estava contra ele. Teria que trocar a cidade pelo deserto; os prazeres de uma existência amena, pelo inferno da vida no Nevada do Sul, onde os pioneiros do espaço estavam a construir o primeiro satélite artificial da nossa velha Terra.
O empreendimento era importante e de uma natureza altamente secreta, visto que o primeiro país a dispôr de um satélite artificial, dominaria potencialmente toda a Terra. Porém, o Dr. Klein, Director do campo experimental de foguetões, nãos e adaptava às exigências da Segurança. Essa iria ser a missão de Conway. Além disso convinha afastá-lo de Washington. Porquê?... Mistério. A razão só a sabia quem estava no segredo dos deuses. A vida em Nevada era monótona. O deserto actuava duma forma perigosa sobre os seres humanos. O foguetão satélite tomava forma, peça por peça, equipamento sobre equipamento. O cientista electrónico, George Hills, inventara uma série de aparelhos que permitiriam dirigir o foguetão e conhecer a sua posição no espaço. O seu espírito de observação, que lhe permitia descobrir os mais recônditos segredos da Electrónica era, porém, completamente cego perante os complexos meandros da alma humana. A jovem e bela Marion Hills, sua esposa, tecia sob os sseus olhos uma teia amorosa com o técnico de estruturas, Colby, amigo e colega do marido. E mais uma vez se prova que as paixões humanas são potencialmente mais perigosas que os mais potentes explosivos. Conway andava preocupado com aquela situação, que podia resultar na perda de um dos melhores técnicos de que dispunha o Governo. Klein, porém, não atendia os seus avisos. O próprio Hills reagira violentamente quando ele lhe chamara a atenção para o comportamento da mulher. Helen, a secretária de Conway avisara-o de que os dois pombinhos pretendiam fugir. Ele não podia permitir tal coisa, visto que Colby era um importante cientista do Governo.
O foguetão foi finalmente lançado, num inferno de fogo e fumo. A Terra tinha, por fim, um satélite artificial. O empreendimento não fora, porém, um sucesso completo: para desespero do Dr. Klein o aparelho não atingira a órbita prevista, e uma parte do equipamento de Radar avariara-se. Para complicar as coisas, o parzinho amoroso desapareceu na noite da largada. Hills, o marido de Marion, pareceu com um olho negro cuja proveniência não queria explicar. Conway é chamado a Washington. O F.B.I. mete-se no assunto e um dos seus agentes volta com Conway para Nevada. Hills é acusado de ter assassinado a esposa e o amante dela, escondendo os cadáveres a bordo do foguetão. Pela primeira vez na história do crime, um assassino esconde dois cadáveres a bordo de um foguetão que ficará para todo o sempre no espaço interplanetário. O julgamento de Hills tem uma repercussão mundial. O Dr. Klein prova matemáticamente que o desvio da órbita calculada para o foguetão correspondia á substituição de certas peças de equipamento pelos cadáveres. A condenação de Hills é quase certa. No dia em que a sentença deve ser lida, todo o mundo está debruçado sobre os aparelhos de telefonia e de televisão. A expectativa é tremenda. Hills parece irremediávelmente perdido, tanto mais que nem sequer se defende. No último momenot porém, faz uma proposta sensacional ao juiz. Visto que o acusam de ter escondido os cadáveres no foguetâo, ele iria buscá-lo ao espaço interplanetário para provar que estava inocente. A incrível audácia de uma tal iniciativa, num momento em que a construção de foguetôes interplanetários estava na infância, era fantástica.  O Dr. Klein, porém, não se deixou convencer, e afirmava, obstinadamente, que Hills tinha intenção de sabotar o segundo foguetão e regressaria à Terra sem trazer o outro, mas transformado em herói: o primeiro homem que viajara no espaço interplanetário!
Alguns meses depois, Hills partia para a sua formidável aventura. O mundo vibrava de ansiedade. Em Nevada a expectativa atingira o clímax. Hills subiu para o foguetão, metido no rudimentar escafandro do espaço. O barulho dos motores de jacto atroou os ares. A grande agulha de aço tremia de potência, pronta para o grande salto no infinito e na Torre de Controlo o telefone tocava... Klein proibira que atendessem porque o mais importante era o lançamento do foguetão. Mas o telefone tocava... Tocava... Insistente e interminávelmente, enquanto os apocalípticos pilares de fogo empurravam para o espaço mais uma máquina construída pelos homens. E o som daquelas campaínhas era a voz do destino, que chegara muito tarde...

nº 20 - A Sexta Coluna


Autor: Robert Heinlein
Título original: Sixth Column
1ª Edição: 1941
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto 

Tradução de: Manuel de Sepúlveda

Súmula - foi apresentada no livro nº19 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":


Súbitamente, uma vaga amarela invade os Estados Unidos: os Panasiático que dominam todas as forças militares mercê de um avanço prodigiosamente rápido. A sólida defesa dos Estados Unidos (ou que era considerada como tal) afunda-se rápidamente, sem que tenha tempo de recorrer às suas poderosas armas, que os Panasiáticos conhecem perfeitamente.
Um homem (major Ardmore) surge na "Cidadela" - o reduto em que um grupo de cientistas orientados por Ledbetter trabalha no sentido de dar aos Estados Unidos uma arma inigualável - para lhes dar a notícia do desastre e transmitir as últimas ordens do governo de Washington antes de se afundar: "continuar a lutar". Mas a "Cidadela" deixara de ser a assembleia de sábios que fora. Ledbetter tinha morrido quando procedia à experiência de um aparelho. Com ele, e sob os efeitos da poderosa máquina, tinham perecido centenas de homens.
E Ardmore encontra-se perante a inesperada situação: em vez de um grande e escolhido grupo de sábios, meia dúzia de homens, dos quais só três são sábios; em vez de uma máquina poderosa e concluída - ou em vias de conclusão - um engenho de efeitos incontrolávelmente poderosos, mas que ninguém sabe controlar. Como cumprir, pois, as últimas ordens que Washington pudera dar: "continuar a lutar?"
Mas em Ardmore personifica-se o indomável espírito de luta da América e das suas ordens nasce uma alma nova, que afasta os sobreviventes do desânimo inicial. Sabido que os Panasiáticos apenas concedem aos americanos a liberdade religiosa, tendo eliminado todos os vestígios de cultura e educação tipicamente americanos, ao mesmo tempo que eliminam todo o espírito de revolta pelos massacres a que procedem, quando surge qualquer protesto, funda-se uma nova religião. Religião que, abandonada a Casa-Mãe, alastra por todo o território dos Estados Unidos. Religião que tem como mais poderoso auxiliar a máquina de Ledbetter (que Calhoun e Wilker tinham conseguido ultimar e que passara a designar-se o "Ledbetter") e que consegue a protecção oficial dos Panasiáticos. Religião que entre os seus sacerdotes e os seus fiéis forma uma poderosa rede de espionagem: A Sexta Coluna. Rede de espionagem que penetra pelas mínimas frinchas do sistema de ocupação e que consegue penetrar no palácio imperial. E alcançado o palácio, abre-se uma nova perspectiva para a luta.
A Sexta Coluna encontrou soluções inesperadas para o combate e a ordem de Washington pôde continuar viva. E o "Ledbetter" e a audácia, o engenho, criam o inesperado, o fantásticamente real em que se move toda a população de uma grande potência.
E são estes valores que fazem do livro de Robert Heinlein uma leitura apaixonante e instrutiva, onde se ligam os valores científicos aos valores humanos, em que o fantástico imbrica com o real.

nº 21 - As Correntes do Espaço


Autor: Isaac Asimov
Título original: The Currents of Space
1ª Edição: 1952
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: Alfredo Margarido e Manuel de Sepúlveda

Súmula - foi apresentada no livro nº 20 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

- Uma vez disseram-me que o espaço é o vácuo. E isso quer dizer que não há lá nada. É mentira?
- Não inteiramente. Não há lá quase nada. Mas, bem vês, eu era um Analista Espacial, e isso quer dizer que andava atrás do espaço a recolher as pequeníssimas quantidades de elementos que lá existem para as analisar. Quer dizer, era eu um dos que resolvem a questão de saber que quantidade há de hidrogénio, que quantidade há de hélio e que quantidade há de outros elementos.
- Porquê?
- Bem, isso é complicado. Sabes, a distribuição dos elementos não é a mesma em todo o espaço. Numas regiões, há uma pouco mais de hélio do que o normal, noutras, há mais sódio que o normal, e assim sucessivamente. Estas regiões de especial composição estendem-se e ondulam pelo espaço como correntes. É importante saber como se distribuem estas correntes, porque isso pode vir a explicar como se formou e evolui o Universo.

...e uma transformação ameaça as correntes do espaço, a ponto de analista espacial antever a total destruição do planeta Florina e dos milhões de habitantes que nele vivem. Prevendo o perigo que todos correm, ele pretende chamar a atenção para os seus concludentes estudos, mas é capturado e submetido a uma operação que lhe rouba a memória e o torna um ser apático e desprezível; passam a chamar-lhe o "Tonto Rik". Mas há alguém que o procura salvar: uma floriana que por ele se apaixona e o ampara carinhosamente. Ela defende-o da chacota das crianças florianas, que gostam de o assustar para se divertirem com os seus choros e as suas atitudes infantis. É que, de facto, a operação a que o submeteram, uma brutal cilindragem psíquica, fá-lo regressar à primeira infância; e assim se vai arrastando nos detritos do kyrt.
E, contudo, esse detrito humano detém as possibilidades de salvação do planeta; esse "tonto" sabe da fatalidade imanente que os espera. Valona March, a floriana que dele se apaixonara, instintivamente também "sabia" que ele não era, não podia ser, o ente desprezível que aparentava. E o próprio Rik, que lentamente se ia recompondo da cilindragem a que fora submetido, recuperava, o domínio das suas faculdades mentais. Mas esta evolução cria uma série de situações que estimula a luta que os florianos sustentam contra o despótico domínio de Sark, que a todos escravizava.
E começa um duelo feroz contra uma imensa conjura galáctica, duelo onde Rik é figura central. É a sua inteligência que defronta a dos governantes do Universo, homens monstruosos que, fingindo ignorar o perigo que o planeta Florina corria, o votavam, irremediávelmente, à destruição. E o espaço vivo agita-se em lances de um vigor extraordinário, numa luta hercúlea pela sobrevivência.

nº 22 - Vigilância Sideral

  
Autor: Pierre Versins
Título original: Les Étoiles Ne S' En Foutent Pas
1ª Edição: 1950

Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: Alfredo Margarido 


Súmula - foi apresentada no livro nº 21 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Quando, certa manhã, o professor Balleret se instalou diante da sua câmara de televisão para dar início à sua lição, estava muito longe de supôr em que extensa série de acidentes iria ser envolvido. Nem mesmo as interrupções (vindas todas de um sobrinho do professor Martinet, o seu mais feroz opositor em questões de antropologia comparada) lhe despertaram um leve pressentimento. Os alunos, é claro que receberam com temor enorme, com tremendo receio a sua afirmação de que ó em 783,6 por mil dos casos as formas de vida eram sensívelmente iguais às dele; e enumerara os Pássaros, as Aranhas, as Lagostas, as Lesmas, os Antropóides, os Vegetais Fugazes (que descobrira numa das suas viagens de estudo), estranhos seres que povoavam a Roda, a Roda que constituía a Confederação dos Sistemas Estelares Rotativos, e à margem da qual existiam os Sistemas Inferiores e os Estados Não-Concorrentes.
Nesse mesmo dia, o professor Balleret recebeu uma chamada de Claude Martinet. A descoberta do seu aluno era espantosa, um foguetão de linhas antiquadas despenhara-se na superficie de IN 6002 Oeste. Dada a sua estranha posição e o seu aspecto há muito caído em desuso, o foguetão só podia signifiar que era originário de qualquer ponto, dentro ou fora da Roda, onde existiria um povo já capaz de dominar as longas distâncias interestelares. Uma imensa máquina de vigilância sideral é posta em acção, e os investigadores partem para o planeta onde se despenhara a extravagante astronave. E qual não é a surpresa, ao depararem com uma realidade totalmente inesperada; são brancos, os tripulantes do foguetão! Os habitantes da Roda, retintamente pretos, ficam aturdidos. Com efeito, os brancos existentes na Confederação são seres sem capacidade mental, alheios a qualquer espécie de civilização, dados a religiões diversíssimas, desde as sanguinárias ao culto do amor universal. A notícia de que um segundo foguetão acaba de aparecer em outro planeta, lança todos numa imensa aventura, em que são percorridos mundos e mundos a velocidades incríveis.
E porque os brancos são inimigos figadais dos brancos, como se verifica, os habitantes da Roda estudam cuidadosamente a forma de eliminar o que parece pôr em perigo a boa harmonia existente. E a missão atravessa os mundos para chegar à Terra, situada nos Confins laterais, e lançar um aviso solene à loucura, à imprudência dos brancos.
Mal se pode resumir em livro denso, transbordante de aventuras espaciais, onde abundam os seres mais inesperados, as mais invulgares situações, os mundos infinitos, e que é denominado pela civilização dos Negros da Roda, um povo que coordena harmónicamente as possibilidades de uma civilização material extraordinariamente desenvolvida, com um equilóbrio espiritual que é uma lição de paz e de concórdia universal.

nº 23 - Slan


Autor: A. E. Van Vogt
Título original: Slan
1ª Edição: 1946
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: A. Maldonado Domingues

Súmula - foi apresentada no livro nº 22 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

A mãe fora morta... mas ele era Jommy Cross, o herdeiro da ciência de seu pai; era o mais importante de todos os Slans. Tinha o dever de não se deixar apanhar para que a sua raça pudesse um dia conquistar o lugar que lhe pertencia. A velha era má, perversa, só via nele um meio de conquistar a fortuna que lhe permitisse satisfazer os seus torpes vícios, mas salvara-o de uma morte certa e permitir-lhe-ia esconder-se dos seres humanos até ao dia em que fizesse quinze anos... o dia maravilhoso em que entraria na posse dos segredos de seu pai. Até lá, teria que pôr ao serviço da megera as suas naturais possibilidades telepáticas, as excepcionais propriedades dos seus músculos de Slan, que não conheciam a fadiga, as admiráveis vantagens que o distinguiam dos seres humanos; tinha que servir-se da superioridade da sua inteligência para roubar, para satisfazer a cupidez da velha e evitar que ela tivesse a tentação de o entregar á vingança dos seres humanos, que só desejavam matá-lo, porque ele era um Slan. Jommy não lhes queria mal, apesar disso. Só pretendia, no íntimo do seu coração, acabar com aquela luta entre Slans e seres humanos que ainda se tornava mais complicada pelo facto da existência de uma segunda raça de Slans -  os Slans sem fibrilas - que dominavam virtualmente a Terra, confundidos com os seres humanos a quem odiavam tanto como aos Slans verdadeiros, a que Jommy pertencia. Era uma guerra em triângulo, uma guerra sem quartel que só poderia trazer desgraça à Humanidade. Era um mistério, a existência dos Slans. Onde se esconderiam? Jommy nunca conseguira encontrar um único dos seus semelhantes, até atingir a idade de entrar nas catacumbas para tomar posse dos segredos do seu pai! E, no entanto, devia haver milhões deles espalhados pelo Mundo...
Era esse também o problema de John Petty, o chefe da polícia secreta do Ditador do Mundo, Pier Gray. Mas John Petty procurava os Slans para os exterminar, movido por um ódio sem limites, que a presença de Katleen Layton no Palácio ainda mais exacerbava. Katleen era uma Slan... Vivia no meio dos seres humanos, graças à protecção do Ditador, Pier Gray, que afirmava conservá-la viva para fins de estudo. A pobre rapariga sentia o ódio pesar sobre ela como uma cortina asfixiante. A sua vida estava em perigo iminente a todos os instantes. Não podia contar muito com a protecção de Pier Gray - o tradicional inimigo dos Slans, segundo a opinião geral. Sentia sempre suspensa sobre a cabeça uma sentença de morte. e uma noite, o seu cérebro de telepata deu o alarme. Entrara-lhe no quarto um assassino a soldo do terrível John Petty que queria, com a sua morte, atingir um duplo fim: saciar nela o seu ódio pelos Slans e diminuir ao mesmo tempo o prestígio do Ditador de forma a conquistar por sua vez o poder supremo. O assassino rastejava, tentando conservar a sua mente vazia de pensamentos... mas o cérebro supersensível de Katleen, uma vez alerta não podia deixar-se enganar: "Louco... Acaso pensas que podes agarrar um Slan na escuridão...?", perguntou ela com desprezo , ao mesmo tempo que abria a porta secreta que ia dar ao gabinete de Pier Gray. Luta política. Os membros do Conselho de Estado pagam com a vida a sua adesão ao traidor John Petty. Só este escapa e continua na chefia da polícia secreta, porque Pier Gray assim o decide. A vida de Katleen fora salva por essa vez, mas não tardará muito que esteja novamente em perigo mortal.
Entretanto, Jommy Cross chegara à tão desejada idade dos quinze anos. Eis o dia em que devia dirigir-se às catacumbas e, seguindo a orientação que o pai lhe imprimira hipnóticamente no cérebro, apoderar-se da caixa que continha os apontamentos e a arma que o transformariam no homem mais poderoso do Universo. Nesse dia as ruas estavam desertas, porque se esperava que uma nave Slan sobrevoasse a cidade. As autoridades tinham declarado o estado de sítio. A expectativa era tremenda.
Mas a nave passou sobre a cidade como um grande pássaro de prata, limitando-se a deixar cair sobre o Palácio uma mensagem dos Slans. Jimmi fica desiludido porque aquela nave, embora bela, não passava de um brinquedo em comparação com as formidáveis astronaves que os Slans sem fíbrilas possuíam secretamente. Jommy entra nas catacumbas. Uma campainha de alarme começa a tocar desesperadamente. Corre, ansioso por chegar ao esconderijo pelo caminho que o seu subconsciente conhece. Finalmente: uma laje desloca-se e aparece uma caixa. É preciso abri-la. Vários segundos decorrem, inexorávelmente, e a todo o instante podem aparecer guardas atraídos pelo barulho das campainhas de alarme. Eis, enfim, aberta a caixa. A arma e os apontamentos onde o pai resumira as conquistas científicas, estavam por fim à sua disposição. Nesse momento, os sentidos supersensíveis de Jommy Cross revelaram-lhe a proximidade de vários guardas. Um momento depois apontavam-lhe uma arma ordenando-lhe "Mãos ao ar!". Os guardas tinham ordem para matar os Slans onde quer que os encontrassem, mas Jommy sabia que nenhum ser humano podia competir com ele em rapidez de reflexos. E numa fracção de segundo, rápido como o relâmpago, apontou e disparou a pequena mas poderosíssima arma e os guardas desapareceram... volatilizaram-se.
Jommy tinha o caminho livre. Foi buscar a velha e apoderou-se de uma das astronaves dos Slans sem fibrilas. Julgava-se a salvo, mas quando se encontrava a estudar o quadro de instrumentos, foi de súbito atacado por um Slan sem fibrilas que se escondera a bordo da astronave. o perigo era mortal: durante horas a vida de Jommy esteve presa por um fio, mas esse frágil fio era também o suporte de toda a vida inteligente da Terra, porque Jommy era a única esperança que restava aosSlans, aos Humanos e aos Slans sem fibrilas, empenhados numa tríplice luta sem tréguas. Se a ciência do seu pai caísse em poder daqueles implacáveis Slans, que diferiam dos verdadeiros por não terem capacidades telepáticas, a raça humana seria destruída e com ela a raça dos Slans verdadeiros à qual Jommy Cross pertencia. Embora tivesse dominado a mulher Slan, continuava em perigo, porque uma esquadra de poderosas astronaves seguia em sua perseguição. Mas a superior inteligência de Cross indicava-lhe o caminho da salvação.
Decorrem anos. Cross empenha-se no seu sobre-humano trabalho de interpretar os dados científicos que recebera como herança.
No Palácio do Ditador do Mundo, Katleen está novamente ameaçada de morte. O fanático John Petty, que jurara matá-la, convence o Ditador a entregá-la à "protecção da sua polícia secreta. Katleen sabe bem o que a espera, e decide fugir para um dos antigos esconderijos dos Slan.
Seis anos tinham passado desde a fuga de Jommy Cross na Nave Slan. Era agora um Slan adulto, na posse de todas as faculdades das sua raça e dispondo do poder quase ilimitado que a aplicação integral da energia atómica lhe conferia. O seu carro, embora vulgar de aparência, era invulnerável em relação às armas que o Mundo conhecia. Só uma incógnita continuava a barrar-lhe o caminho: onde se esconderiam os Slans verdadeiros? Anos e anos de buscas incessantes e nem sequer conseguira encontrar um outro ser da sua raça! De súbito, porém, descobre que a polícia anda no encalço de uma rapariga Slan! Tem que a encontrar! Quem sabe se estará ali o elo de ligação? Jommy percorre velozmente as estradas silenciosas dos arredores da cidade, indiferente ao perigo, no seu carro inexpugnável, e de súbito sente no cérebro o inconfundível toque de uma outra comunicação telepática proveniente de outro Slan. Finalmente! Chegara o momento. Num convívio de breves horas, Katleen Layton e Jommy Cross já sentem, recíprocamente, um profundo amor. Mas a vingança implacável de John Petty não os poupa: Katleen é ferozmente abatida à sua vista.
Jommy Cross sentiu naquele momento que a sua vida só podia ter um objectivo: acabar com aquela terrível luta. A bordo da sua nave, arrisca-se a ir a Marte, onde os Slans sem fibrilas se estão a preparar para atacarem a Terra e destruir a Humanidade. Esperava lá encontrar os verdadeiros Slans, os da sua raça, escondidos entre os humanos. Mas as suas esperanças foram iludidas e Jommy está em perigo de ser descoberto... o que seria, sem dúvida, o fim. No entanto, Johana Hillory, a mulher que tentara matá-lo a bordo da nave Slan de que ele se apoderara, resolve ajudá-lo, já convencida de que era Jommy quem tinha razão e que aquela luta racial, em que três facções andavam empenhadas, não tinha qualquer sentido, porque afinal os Slans tinham resultado da evolução com os humanos. E Jommy regressa à Terra. Vai procurar decifrar o mistério no único sítio em que ainda não tinha penetrado: o Palácio do Ditador do Mundo. Atravessar a rede de fortificações que protegiam o Palácio foi a maior proeza de toda a vida de Jommy. Balas chovem à sua volta, como granizo. A entrada secreta está, porém, próxima e Jommy mergulha de um salto no escuro poço que o conduzirá ao subterrâneo secreto. De repente fica aprisionado entre duas paredes de aço. Sente-se a subir, lenta mas inexorávelmente. Caíra na teia da monstruosa aranha que dominava o mundo dos homens? As trevas que o rodeavam desfazem-se bruscamente e Pier Gray, o Ditador estava à sua frente... E, por inacreditável que parecesse, o mistério ia desvendar-se e a felicidade esperava-o, quando a julgara para sempre perdida!

nº 24 - A Tentação Cósmica


Autor: Roger Sorez (o nome do autor na capa tem uma gralha)
Título original: La Tentacion Cosmique
1ª Edição: 1954
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: A. Maldonado Domingues

Súmula - Foi apresentada no livro nº23 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

René Surral, um cientista francês de grande valor, empregado no Centro Nacional de Investigações, descobre que a acção dos raios cósmicos tem sobre os homens efeitos de fantásticas potencialidades, ao mesmo tempo que originam uma doença desconhecida, que resulta da acumulação da água pesada no sangue.
O cérebro de René Surral, activado pelos raios cósmicos, tem poderes sobre-humanos. Pode deslocar objectos à distância, pelo poder da sua vontade., ler o pensamento alheio, e até prever, em certa medida, acontecimentos futuros. O jovem cientista, deslumbrado pelas novas possibilidades que a sua descoberta lhe deparou, só pensa em libertar-se das mesquinas condições materiais em que tem vivido. A roleta, o baccarat, eis os meios de que se serve em primeiro lugar para conseguir o dinheiro que ambiciona possuir, para dar largas às suas libertinagens. Vai a Monte Carlo, acompanhado pelo próprio director do Centro de Investigações e ambos trazem de lá uma pequena fortuna. As mulheres estão doravante ao seu alcance, porque todas, segundo se crê, estão à venda no fantástico mercado da dissolução dos costumes da alta sociedade, onde os seus êxitos financeiros lhe deram ingresso.
Torna suas as mulheres dos que o rodeiam, e serve-se delas, sem escrúpulos, para atingir os seus fins. Reina como senhor absoluto sobra as alfurjas de Montmartre. Pouco a pouco, assenhoreia-se do controlo do contrabando de estupefacientes. Já dispõe de tantos fundos que pode montar um laboratório privativo. Assim, poder-se-á entregar, sem receios, às suas investigações secretas. Fabrica afrodisíacos irradiados com raios cósmicos, que vende a peso de ouro e ao mesmo tempo investiga novos campos da ciência que o conduzem a novas e sensacionais descobertas, resultantes da aplicação dos raios cósmicos: diamantes artificiais, um gás pacificante e muitas outras maravilhas. A doença mina-o, mas não perde a coragem. Os raios cósmicos que a tinham provocado, deram-lhe também o caminho da cura. Cada vez dispõe de mais dinheiro... e cada vez os seus costumes são mais desregrados e a sua amoralidade mais completa. Transforma em amantes todas as suas ajudantes de laboratório Até que uma delas, Lise Gercor, o põe no seu lugar.
Lise consegue, também, absorver raios cósmicos. Utiliza porém o seu poder, de uma forma pura e de acordo com a moral, o que lhe permitiu adquirir dotes superiores aos do próprio Surral. 
O desprezo de Lise, transforma pouco a pouco o espírito de Surral. mas, por fim, ela afasta-se, fugindo para destino desconhecido. René Surral acaba por compreender a miséria moral que tem sido a sua vida. Agora as mulheres que o rodeiam só o enojam, com os seus torpes vícios e ambição ilimitada. Volta a encontrar Lise, mas a sua recusa em unir-se-lhe pelo casamento é mais inabalável que nunca, pois não quer aproveitar-se da fortuna que resultou do crime e do vício, levados ao último grau. Ela seria a vida, a verdadeira vida, mas continua sempre inacessível aos seus mais caros desejos.
A inveja dos poderosos lança René Surral na cadeia. Só com a ajuda de Lise Gercor poderá vencer aquela inesperada crise, libertar-se da malhas que a Justiça teceu à sua volta. E Lise presta-s a auxiliá-lo. Passam-se cenas de uma fantástica comicidade entre Surral e o técnico designado pela acusação. O julgamento está para breve. A sentença só pode ser a morte. Mas René Surral já não se interessa pela vida. O que a ela podia prendê-lo está fora do seu alcance. Só morrendo e renascendo puro, poderia fazer-se aceitar por aquela que consubstancia todos os seus desejos e que seria a chave da única felicidade que poderia acalentar os seus dias, caso pudesse escapar daquela terrível situação em que a sua louca sede de prazer o lançara.
Morrer e ressuscitar... talvez assim Lise o aceitasse. E a ideia começou a germinar-lhe no espírito. Claro que não poderia destruir a sua vida, no verdadeiro sentido da palavra. Nem toda a sua ciência, nem o poder tremendo dos raios cósmicos, permitiriam transpôr o seu espírito para outro invólucro material. Não era essa a ideia base de René Surral... Mas precisava de encontrar um equivalente. Era preciso matar o René Surral que tinha malbaratado de tal forma a vida e aproveitado com delícia todos os prazeres que as mulheres, o jogo, o vício e a incrível falta de senso moral da alta sociedade em que tanto desejara entrar, lhe haviam proporcionado. Que morresse, pois, René Surral... ressuscitando em alguém que pudesse desposar Lise.
E assim desapareceu para o Mundo uma das maiores esperanças da ciência. Teria renascido para a felicidade?

nº 25 - O Reino das Mulheres


Autor: Jerry Sohl
Título original: The Haploids
1ª Edição: 1953
 Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: Mário Henrique Leiria


Súmula - foi apresentada no livro nº 24 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Quando Travis viu chegar ao hospital o velho que gritava, nem sequer teve a mais pequena ideia de que aquilo era o primeiro sinal da ofensiva das Haploides.
Depois, foi a epidemia. As suas vítimas aumentavam sem cessar e o flagelo estendia-se rápida e misteriosamente, sem se saber a sua origem. Mas só os homens eram atingidos. As mulheres ficavam incólumes. E, facto curioso, sempre que um novo foco de infecção era assinalado, havia quem afirmasse ter visto nas proximidades uma rapariga loura, de olhar estranho.
Pouco depois a rádio e a televisão deixam de funcionar. As emissoras calam-se e o caos estende-se. Grupos de mulheres armadas circulam cada vez com mais frequência. 
Como podem as mulheres estabelecer o seu domínio sobre a Terra, fazendo desaparecer os homens pouco a pouco? Muito simplesmente: a partenogénese coloca-as ao abrigo de certas radiações mortais para o homem, cujos cromossomas não têm as mesmas propriedades. Então esses seres espantosos, as Haplóides, lançam-se à conquista do mundo.
Tornar-se-ão as mulheres os senhores dum planeta onde os homens nada mais serão do que escravos assexuados?
Partindo do enigmático desenho deixado pelo velho moribundo - um círculo com uma cruz na base e tendo escrito no interior "23 X" -, Travis lança-se na luta pela sobrevivência do homem e da liberdade.

nº 26 - A Idade do Ouro


Autor: Arthur C. Clarke
Título original: Childhood' s End
1ª Edição: 1953
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: Carlos Vieira


Súmula - foi apresentada no livro nº 25 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Arthur C. Clarke combateu na defesa da Inglaterra como operador de radar. Este facto influenciou grandemente a sua carreira e deu ao seu modo de pensar uma atitude científica. Terminada a guerra, formou-se em Física e em Matemática na King's School de Londres, da qual foi assistente durante dois anos e co-editor científico da revista da mesma escola. Isto, em conjunto com um grande interesse desde a infância pela ciência aplicada e a literatura de ficção científica, permitem-lhe hoje ser considerado uma autoridade no campo da ciência, como técnico de astrofísica (pois também é astrónomo amador) e de astronáutica.
O seu primeiro livro no campo técnico Interplanetary Flight (Voo Interplanetário), apesar de não ser uma obra de divulgação, teve tal êxito entre os iniciados - que escreveu a seguir outro livro The Exploration of Space (A Exploração do Espaço), destinado aos leigos, que ainda teve maior sucesso.
Arthur C. Clarke é, além de bacharel em Física e Matemática, membro da Real Sociedade Astronómica, tendo sido também presidente da Sociedade Interplanetária Britânica de 1946 a 1947 e de 1950 a 1953.
 Depois de falarmos do Autor, resta-nos falar do presente livro. O livro situa-se no Futuro - e por: "no  Futuro" - deveriam começar todos os livros de ficção-científica, tal como começavam os livros da nossa infância por: "era uma vez...". No Futuro - dizíamos - começará este livro que não comporta os desvairamentos de tantos outros que consideram a ficção-científica, não como uma literatura honesta, mas sim um meio rápido e seguro (por lisonjear o gosto romanesco do público) de ganhar dinheiro.
Arthur C. Clarke é um escritor que tenta resolver com poesia e honestidade inexcedível o Futuro da raça humana, como também nos faz lembrar como somos pequenos perante o Universo. Quando o Homem se preparava para ir até às estrelas, um Intruso poderoso toma posse da resolução dos problemas que o Homem ia deixar em branco, na sua ânsia de novidade. As estrelas são, entretanto, esquecidas na felicidade material que esse Intruso espalha em torno de si; e, no entanto, o espírito não morre assoberbado pelo materialismo. Os idealistas continuam a procurar, pelos meios que têm ao alcance, uma ponte para a realização total do Homem.
Um jovem astrónomo, apropria-se acidentalmente de um segredo dos Intrusos por meios pouco ortodoxos, e resolve explorá-lo na insatisfação antiga por não poder ir às estrelas. Então descobre porque é que "as estrelas não são para os homens..." E volta ao princípio, numa compreensão da verdade que finalmente lhe dá a certeza e a plenitude de não ter vivido em vão. 
 Este livro é definitivo dentro da ficção científica. O seu estilo é perfeito e as suas ideias desenrolam-se com a lógica de que só um Clarke é capaz. Não há herói no livro, a não ser os próprios factos; e a fé no destino dos homens, que ele mostra, só uma sólida formação humana a pode dar.

nº 27 - O Planeta 54


Autor: Albert e Jean Crémieux
Título original: Chute Libre
1ª Edição: 1954
 Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº26 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Um meteoro cai subitamente no jardim de Frederic Boisson, pacato cidadão francês vivendo sossegadamente numa pequena vila de do Puy-de-Dôme, mas que, durante os agitados tempos da guerra, fora o célebre BG 48, decifrador de códigos secretos.
De investigação em investigação e com o auxílio do seu excitado amigo Pierre N... e da pequena Martine, sua sobrinha, Frederic Boisson averigua que o estranho aerólito é afinal... uma nave interplanetária. E é quando uma "pequena máquina de falar" salta súbitamente de dentro da nave, que os três ouvem a inacreditável história:
"Do alto da sua poderosa civilização matemática, os homens de 54 observam a vida nos outros mundos. A Terra, a pequena e mesquinha Terra, desperta-lhes uma curiosidade relativa e analítica. Para uma melhor observação, resolver recolher algumas amostras, a fim de lhes estudar as reacções e uma possível adaptação ao seu planeta. ".
É essa tarefa entregue a Teddy Karre, Descobridor Efectivo da "Guarda", ao serviço da "Navegação Universal", e são-lhe destinadas cinco "amostras", que ele estuda atentamente com o telescópio auditivo, com o luminógrafo, com o pensascópio, com o grafiso, com o multicardiograma, com o micro-alma, com o micro-tubo e com o colorógrafo. São elas o sr. Vaillon, poeta, o dr. Mugnier, médico, o dr. Barroyer, advogado, o sr. Moroto, comerciante, e o general Berthon. A estas personagens, junta-se mais tarde, e por circunstâncias imprevistas, um sexto: o sr. Malborough, o gato.
E os acontecimentos precipitam-se: Teddy Karre vem a  Koesn in Art (classificação de Paris no "Compêndio Universal" do planeta 54) e recolhe os seus convidados: as bagagens tornam-se um problema. O general pretende levar o cavalo, necessário, segundo ele "para passar revista às guarnições"; o dr. Barroyer transporta quarenta enormes livros que, afirma, são imprescindíveis em qualquer parte, pois uns dizem que "sim", outros dizem que "não" e outros não dizem "sim" nem "não"; o dr. Mugnier contenta-se com um estetoscópio, um bloco de receitas, um caderno de notas e quinze frascos do "Célebre Depurativo do doutor Mugnier"; o sr. Moroto, comerciante atarefado, transporta vários livros de cheques e tês malas de "amostras" dos Armazéns Moroto; mais modesto que todos os outros, o sr. Vaillon, o poeta, leva duas camisas, um cachecol, três livros, uma enorme gravata e o seu gato Malbourough.
A viagem fez-se sem acidentes, excepto a desintegração total do sr. Moroto, rápidamente integrado pelo dr. Mugnier e o namoro constante que o general e o poeta fazem a Suc May, a maravilhosa "Hospedeira de Bordo". 
Chegados à Guarda, capital de 54, começam as verdadeiras atribulações. Como resolverá o Sr. Moroto os seus problemas de comerciante num mundo onde o dinheiro, a compra e a venda não existem? Que fazer, por exemplo, "da sola de cortiça Moroto, a mais rápida, a mais leve, a única que flutua?" ou do "protector para solas Moroto, em aço blindado, o mais garantido porque o mais duro, e o mais duro porque o mais puro?".
As situações difíceis, complicadas, incompreensíveis repetem-se. As visitas à Fábrica de Música, ao Compêndio Geral, ao Conservatório da Moeda, etc, são tantas outras surpresas. E as descobertas inesperadas dos terrestres deixam por vezes confundidos os habitantes da Guarda; assim, depois de profundas pesquisas na Fábrica de Perfumes, o general consegue obter, por meio das mais complicadas misturas, um excelente "bagaço" que o sr. Moroto se propõe imediatamente registar sob o nome de "Ormotorina - Delícias".
Todas as estranhas aventuras possíveis e impossíveis se passam na Guarda com os cinco terrestres - seis, se nos quiseremos lembrar do sr. Malborough que, no dizer do seu dono, é personagem importante na caça ao rato, ao pássaro e até á perna de carneiro assado.
O planeta 54 é talvez o primeiro livro de ficção-científica onde o senso de humor, a finura do espírito latino nos aparecem. Sem deixar de ser um verdadeiro livro - e um dos melhores - do género, leva-nos no entanto um pouco mais além e abre-nos uma nova porta da ficção-científica. Quando do seu aparecimento em França, fez furor e originou sérias controversas nos meios especializados. E o seu próprio e inesperado fim, duro e violento, deixa-nos a sensação que, deste género novo da literatura muito há ainda a esperar. Desde o início até ao mergulho final em queda livre, as mais desencontradas reacções de humor, poesia, imaginação e realidade - nada mais real que os próprios personagens do livro - entram constantemente em choque... e harmonizam-se para realizar uma obra-prima da ficção-científica.

nº 28 - Futuro do Mundo


Autor: Isaac Asimov
Título original: Peeble in the Sky
1ª Edição: 1950
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: A. Maldonado Rodrigues

Súmula - foi apresentada no livro nº27 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Dois minutos antes de desaparecer para sempre da superfície da Terra, Joseph Schwartz, alfaiate de sessenta anos de idade, passeava pelas agradáveis ruas dos arredores de Chicago, recitando Browning. Ergueu um pé para passar por cima de uma boneca de trapos abandonada no meio da rua. Ainda não tinha posto o pé no chão quando a coisa aconteceu...
O Instituto de Pesquisas Nucleares de Chicago encontrava-se em plena actividade. O dr. Smith nunca soube quem tinha sido atingido pelos raios radioactivos resultantes de uma explosão sem importância acontecida no seu laboratório.
Para Joseph Schwartz o acontecimento deu-se entre dois passos sucessivos. Tinha levantado o pé direito para evitar a boneca de trapos. Por uns momentos, sentiu-se aturdido como se, durante um ínfimo espaço de tempo, um turbilhão o tivesse envolvido. Quando tornou a abrir os olhos, encontrava-se sentado na relva, no mesmo sítio onde, momentos antes, caminhava sobre o cimento. Onde se encontrava? Que lhe tinha acontecido?
Assim se viu Joseph Schwartz atirado para milhões de anos no futuro, para um mundo novo em que a Terra era apenas um planeta secundário do grande Império Galáctico, governada por um Conselho de Antigos e com uma pequena população. Quase toda a sua superfície era radioactiva, o que a tornava um planeta terrivelmente perigoso para os restantes habitantes da Galáxia. Devido a esse facto, tinha sido colocada no ostracismo dos povos do Império e o próprio Governador Imperial vivia isolado no Everest, receando o contacto com os terrestres.
Sem saber como, Joseph Schwartz viu-se envolvido nas lutas que se desenrolavam na superfície da Terra. A própria "lei dos sessenta", que não permitia a existência a ninguém com mais de sessenta anos para evitar uma super-população que o planeta não podia sustentar, o obrigou a tomar contacto com vários meios de defesa por ele ignorados. E uma estranha qualidade, um sexto sentido que lentamente nele se ia desenvolvendo, colocou-o em situação de se envolver nas intrigas que entre o governo da Terra, racista, rancoroso e vingativo, e o governo galáctico, universalista e tolerante, se desenrolavam a caminho de um fim violento.
Foi quando Balkis, secretário dos Antigos e membro da Fraternidade, tentou pôr em prática o seu plano de destruição do Império como meio de colocar a Terra à cabeça desse Império - que seria então um um império de morte, dor e ruínas - que Joseph Schwarz interveio. Joseph Schwartz, um homem anacrónico, com milhões de anos de idade, um homem deslocado num mundo desconhecido, um alfaiate do século XX vindo de uma época já esquecida nesse futuro distante, põe o seu estranho poder ao serviço da justiça, para que um Universo seja salvo do aniquilamento. E assim, quando a nuvem de ódio cego foi dominada e os seus instigadores desmascarados viu-se que Sanloo tinha sido destruída... mas os homens continuavam a viver, a existir nos restantes planetas da Galáxia, a caminhar para um futuro ainda melhor e mais distante...

nº 29 - Loucura no Universo


Autor: Fredric Brown
Título original: What Mad Universe
1ª Edição: 1951
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº28 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Fredric Brown é hoje um dos mais conhecidos nomes da literatura de ficção nos Estados Unidos. Tornou-se famoso tanto pela sua prodigiosa, digamos mesmo desenfreada, imaginação como pela forma muito peculiar do seu sentido de humor, um humor capaz de tirar o sossego ao leitor que aprecie a boa chinela de lã e a lareira bem quentinha.
Tem abordado uma série de géneros literários e em nenhum deles é medíocre - romance policial, ficção-científica, teatro radiofónico, etc. Tudo tem servido a sua diabólica imaginação, apoiada por uma sólida cultura literária e científica e por uma crítica aguda e compreensiva dos problemas humanos.
Eis um divertido fragmento da autobiografia de Fredric Brown:
"Vivo actualmente em Taos, no Novo México. Quando não escrevo, distraio-me pintando aguarelas com um considerável entusiasmo e deixando tudo o que me rodeia incrívelmente sujo. Gabo-me também de ser o melhor tocador de flauta da terra, talvez por ser eu, em Taos, o único a tocar tal instrumento.Vivo na histórica casa do governador Brent e escrevo os meus romances na mesma sala onde este primeiro governador do Novo México foi assassinado, em 1848. É um ambiente ideal para um escritor de mistério, não acham? Espero que a minha obra beneficie bastante de tal ambiente...".
Livros do Brasil apresentaram já Fredric Brown como escritor policial na "Colecção Vampiro". Apresentam-no agora como autor de ficção-científica com o seu mais famoso romance do género, Loucura no Universo, uma cerrada e bem humorada crítica aos maus romances da especialidade, aos "space operas" e, simultâneamente, uma subtil análise de certas psicoses que no universo proposto por Brown ou no nosso, estão a levar o homem a desenfreadas perseguições. Loucura no Universo é já hoje considerado como um clássico da ficção-científica, e Livros do Brasil honra-se em apresentá-lo ao público português.

A primeira tentativa para enviar um foguetão à Lua resultou num fracasso. Em consequência, sem dúvida, de um defeito de construção, o foguetão tornou a cair na Terra, matando doze pessoas...
Keith Winton estava tranquilamente sentado no jardim. Súbitamente, houve um relâmpago e um choque! Quando Keith voltou a si, um pouco aturdido, a  paisagem tinha mudado. Havia ali uma casa que dantes não existia. Dirigiu-se para a cidade mais próxima. Os jornais eram subtilmente diferentes e o preço era em créditos, não em dólares ou em cêntimos. "Não pode ser, estou a sonhar!", pensou Keith. E, no entanto, livrou-se por um triz de ser morto como espião, ao pagar uma bebida. Que se passaria com o dinheiro? De volta a Nova Iorque, ficou absolutamente aturdido. As pessoas eram as mesmas, os lugares e as ruas idênticas, mas, apesar disso, tudo tinha mudado: ninguém nas ruas durante a noite, bandos de criminosos que assassinavam e roubavam ao abrigo da "ocultação total!".
Winton começou a perder a cabeça, quando soube que, nesse ano de 1954, a Terra estava em guerra com os habitantes do remoto Arcturus, a milhares de anos-luz de distância. Que mundo era aquele? Que se passava? Que significava a existência simultânea do velho Ford e da astronave? E os "Lunares", monstros vermelhos e, não obstante, pacíficos habitantes da Lua? Porquê habitantes da Lua? De confusão em confusão, de mistério em mistério, Keith vê-se obrigado a ser herói, a refugiar-se entre os exércitos siderais, combatendo nos confins da Galáxia para resolver o seu problema por meio... de uma nova explosão.

Um livro excepcional, de um grande autor.

nº 30 - Gerações do Amanhã

  
Autor: Robert Heinlein
Título original: Beyond This Horizon
1ª Edição: 1942
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: L. de Almeida Campos

Súmula - foi apresentada no livro nº 29 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Tinham encontrado a solução de todos os seus problemas: já não existiam pobres; os doentes, os cegos, os estropiados nada mais eram do que recordações; todas as velhas coisas de guerra tinham sido esquecidas. Nunca o Homem tinha gozado de tal liberdade. Deviam ser todos muito, muito felizes...

Depois da guerra atómica de 1970 e da guerra genética que terminada pela destruição do Império do Grande Khan, o Homem tinha conseguido eliminar totalmente a destruição em massa. O aperfeiçoamento biológico quase total da raça tinha, no entanto, mantido, como necessidade fundamental, o espírito combativo. E a liberdade de acção de que o homem gozava, permitia-lhe servir-se dessa liberdade para exteriorizar a sua necessidade de luta. Sim, de facto uma liberdade completa, até mesmo a de se abaterem pública e mútuamente. O duelo era permitido e até, frequentemente, aconselhável. Apenas aqueles que usavam a "braçadeira de paz" estavam livres de se verem de repente abatidos... mas esses eram olhados com um certo desprezo.
Nesse mundo de homens genéticamente perfeitos, Hamilton Felix não era feliz. A sua carta cromossomática era esplêndida; devia portanto ser pai. Bastava para isso que depositasse alguns milhões de gâmetas no Banco Genético, para ajudar a realizar o "bebé óptimo". Mas Hamilton Felix não desejava ter um herdeiro. Não lhe parecia valer a pena...
E, no entanto, ainda havia descontentes. O Clube dos Sobreviventes propunha-se subverter a ordem estabelecida, acabar com a selecção genética, dar ao Homem a possibilidade de ser infeliz e ser doente... e também a de ser homem. Hamilton Felix entrou para o clube. Mas valeria a pena destruir o trabalho de séculos? Valeria a pena voltar para trás, à procura do paraíso perdido em que o homem nascia de uma mulher, em que tinha constipações e dores de dentes, em que morria de variadíssimas doenças e em que tinha o pleno direito de não concordar com a existência?
Dessa experiência de Hamilton Felix e do seu encontro com Johg Darlington Smith, homem primitivo de 1926 (que fora encontrado congelado, por uma expedição científica) resulta a solução da vida do próprio Hamilton Felix e também a certeza de que um mundo perfeito nem sempre é o melhor.

nº 31 - Xadrez Cósmico


Autor: A. E. Van Vogt
Título original: The Worl of Null-A
1ª Edição: 1948
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: T. Araújo

Súmula - foi apresentada no livro nº 30 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

O não-aristotelismo era então não já uma filosofia, mas uma política. A Máquina escolhia, sem se enganar, aqueles que haviam de governar, no dia em que se realizavam os Grandes Jogos. Gilbert Grosseyn dirigiu-se também à cidade, para participar, como todos os cidadãos, no Jogo da Máquina. Mas não o pôde fazer; ele não era Gilbert Grosseyn, segundo o detector de mentiras afirmava. Nesse caso, quem era ele? Todas as suas recordações estavam certas e condiziam com a vida de um tal Gilbert Grosseyn que diziam não existir. Expulso de toda a parte, por suspeito, Gilbert viu-se envolvido na própria política da conquista do poder. Temido, sem saber porquê, foi perseguido e abatido ocmo um cão raivoso. Por que razão não morreu? Em vez disso, encontrou-se em Vénuns, possuidor do mesmo corpo que tivera, sem sinal do ataque sofrido. A luta desencadeou-se e Gilbert, sempre ignorando a verdade a seu respeito, nela teve de intervir pela própria contingência da sua ignorância. O poder do homem e o poder da máquina estavam em choque; Gilbert sabia-o. Mas por que fora ele o escolhido para intervir na luta, ele que nem sequer sabia o seu verdadeiro nome?
Segunda vez abatido, segunda vez se encontrou em Vénuns. Era a imortalidade, dádiva recebida de lugar ignoto, que nada lhe explicava, nem mesmo o facto de a possuir.
Mas os homens queriam recuperar o seu poder perdido, e um ditador apareceu mais uma vez. A Máquina, atarracada na sua própria infabilidade, distorceu a verdade, falseando as suas próprias ordens. Assim, o equilíbrio perfeito dado pela escolha infalível que da máquina surgia, foi alterado para uma situação instável onde Gilbert, sempre tentando conhecer a própria origem, era o peão de um jogo jogado para além do entendimento. Mas a sua curiosidade, a sua ânsia de conhecer a própria existência, iria ter a sua recompensa...
...e, quando tudo já parecia perdido, quando a própria Máquina pediu auxílio a um homem que tudo ignorava, Gilbert encontrou enfim, para logo o perder, o Jogador de Xadrez Cósmico, o possuidor do segredo da imortalidade e do segredo da própria existência de Grosseyn, aquele que, através da distância, conhecera os segredos do Universo e do Tempo...

nº 32 - Robinsons do Cosmos


Autor: Francis Carsac
Título original: Les Robinsons du Cosmos
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Cândido Costa Pinto 
(esta é a última capa de Cândido Costa Pinto na Colecção, pelo que incluo no final um texto sobre ele, como homenagem).
Tradução: Mário Henrique Leiria

 
Súmula - foi apresentada no livro nº31 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Não farei aqui a história do cataclismo nem a da conquista de Tellus. Tudo isso pode ser encontrado, num estudo detalhado, nas obras do meu irmão. Desejo simplesmente contar a história da minha própria vida. Todos vós, que descendem de mim e dos meus companheiros e vivem neste mundo que é vosso por direito de nascimento, gostarão talvez de conhecer as impressões e as lutas de um homem, nascido num outro mundo e que para aqui foi transportado por um fenómeno sem precedentes e ainda mal explicado, e que quase desesperou, antes de compreender que magnífica aventura se lhe oferecia.
Para que escrever este livro? Poucos de entre vós, sem dúvida, o lerão. Já conhecem o essencial. Assim, é sobretudo para as épocas futuras que escrevo. Lembro-me que nessa Terra que vos é desconhecida e que jaz em qualquer ignorado canto do Espaço, a curiosidade dos historiadores se agarrava aos testemunhos dos homens dos tempos passados. Quando quinhentos ou seiscentos anos tiverem decorrido, este livro terá o interesse de ser a descrição de uma testemunha ocular do Grande Início.
Na época em que começa  a minha história, não era eu o velho curvado e um pouco tonto que hoje sou. Tinha então vinte e três anos e, depois disso, já passaram sessenta! Sessenta anos que deslizaram como rápida onda. Sei que estou a decair: os meus movimentos estão longe de ter a precisão de outrora, canso-me rápidamente e não ligo importância a muitas coisas, salvo aos meus filhos e aos meus netos e também um pouco à geologia e a aquecer-me ao Sol - ou antes, aos Sóis, visto que há dois que nos iluminam. Assim, trato de ditar aos meu neto Pierre - pois as mãos tremem-me demais para escrever - a história magnífica e única de um destino humano. Auxilio-me, para isso, com o diário que durante toda a minha vida escrevi e que destruirei, uma vez a minha tarefa acabada. Tudo o que tem importância, será dito aqui. Para o resto, não estou para entregar à curiosidade, por vezes um pouco sádica, dos historiadores, aquilo que foram as minhas humildes alegrias ou penas.
Enquanto isto, vejo pela janela o trigo ao vento, e parece-me por um momento ter voltado à minha Terra natal, até ao momento em que noto que as árvores têm duas sombras...

Com este prólogo inicia Jean Bournat o seu livro, espantosa história de um punhado de homens lançados num mundo desconhecido por um inexplicável cataclismo. As suas espantosas descobertas, o seu encontro com outros seres pensantes, habitantes desse estranho mundo baptizado Tellus, as suas lutas e progressivas explorações de um novo universo, tornam Robinsons do Cosmos um dos mais atraentes livros de ficção-científica publicados nesta colecção.


Nota sobre Cândido Costa Pinto (1911-1977):

Entre o início dos anos 20 e o início dos anos 70, Cândido Costa Pinto desenvolveu uma obra imensa explorando, com notável virtuosismo, diferentes suportes, meios e linguagens da pintura à publicidade, da caricatura à arte mural.
Nestas linhas interessa-nos recordá-lo como um dos mais importantes designers gráficos portugueses entre as décadas de 30 e 50. Nascido na Figueira da Foz, publicou a sua primeira caricatura num jornal regional, em 1923, com doze anos de idade. A tuberculose que o atacou aos dezoito anos obrigou-o a viver, durante mais de dez anos, entre sanatórios, tendo sido salvo, nas suas palavras, pela “magia da arte”, curado ao que consta pelos benefícios de um colete de zinco e cobre, revestido de símbolos gráficos de todas as religiões do mundo, adquirido a um refugiado polaco.
Entre 1941-1949 trabalhou para a Companhia Portuguesa de Higiene como designer gráfico, publicitário e director dos serviços de tipografia da companhia, destacando-se pela utilização frequente de suportes pobres (platex, contraplacado, cartão) na produção das suas obras. Em 1949 começa a colaborar com os CTT (ligação que durará até 1972) renovando a linguagem gráfica da arte postal portuguesa e educando uma nova geração de artístas (Abel Manta, José Pedro Roque Martins Barata, Sebastião Rodrigues) que se lhe seguirão. De igual modo, a Costa Pinto se deve uma importante acção da evolução gráfica ao nível editorial (magníficas as capas dos livros das colecções Vampiro e Argonauta) e do cartaz, sendo a par de Victor Palla e Fred Kradolfer um dos maiores impulsionadores da renovação gráfica portuguesa dos anos 40 e 50.
Investigador e teórico, alguns dos seus textos são exemplos excelentes de uma consistente reflexão crítica sobre a função da arte, do design e da comunicação (leia-se o actual “Sabe anunciar bem?” Diário Popular, 2 de Setembro de 1945 ou o fundamental “Surrealismo, arte e política” escrito no Brasil em 1969). Lúcido e empenhado politicamente, no catálogo da exposição de 1951 no SNI escrevia que “se o pintor tem fundamentalmente dever de pintar bem, acompanhar de perto os problemas gerais da sua geração é também da sua obrigação.”
Esquecido durante a década de 1980, a Fundação Calouste Gulbenkian dedicou-lhe uma importante exposição retrospectiva em 1995. Porém, nos últimos dez anos, Costa Pinto, “um homem complicado” (como a si próprio se retratou) e um artista gráfico notável voltou a cair num desconhecimento tão incompreensível quanto injusto.

Fonte:

http://reactor-reactor.blogspot.pt/2008/07/cndido-costa-pinto-1911-1977-entre-o.html

nº 33 - Fahrenheit 451


Autor: Ray Bradbury
Título original: Fahrenheit 451

1ª Edição: 1953
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Lima de Freitas
(iniciam-se nesta obra as capas de Lima de Freitas)
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº32 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Fahrenheit 451 - a temperatura a que um livro se inflama e consome...

O mundo está organizado e a felicidade é obrigatória. Todos possuem paredes com imagens animadas, robots domésticos, casas climatizadas e ignífugas. Os bombeiros, guardas da ordem social, nada mais têm que uma função: queimar os livros, fonte de todos os perigos e descontentamentos. Para quê livros, num mundo em que todos são felizes, para quê ler quando as paredes da sala passam o dia, ininterruptamente, a dar espectáculos a três dimensões, coloridos, devertidíssimos... para quê ler, quando basta introduzir o micro-rádio na orelha para a música, os anúncios, os discursos nos acompanharem por toda a parte...
Mas, ao encontrar Clarisse, uma estranha e misteriosa rapariga, o bombeiro Montag sente nascer em si bizarros pensamentos. Faz perguntas a si mesmo, quer saber onde estão as verdadeiras riquezas da vida. Enfim, rouba livros em vez de os queimar e começa a ler. Todas as desgraças em potência se vão abater sobre ele. O mundo da felicidade desmorona-se e o absurdo de uma existência demasiado perfeita é-lhe patenteado. Depressa vê a sua própria casa  a arder, queimada por ele mesmo, a sua mulher partir sem o olhar. Depressa se torna um assassino e um perseguido, um fora da lei fugindo, através da cidade, de um cão-polícia mecânico e infalível.

É então que encontra aqueles que ainda conservam em si o conhecimento e a sabedoria... Mas a guerra, a guerra que ninguém espera porque ninguém quer ver para além da sua felicidade em série, rebenta, explode num inesperado que tudo destrói.
E Montag segue o caminho do futuro, com aqueles que, de olhos bem abertos, se propõem, um dia, "a construir a maior pá mecânica da História, cavar o maior túmulo de todos os tempos, e enterrar a guerra"...

Esta obra foi adaptada para o Cinema em 1966, por François Truffaut:

 

nº 34 - Guerra no Tempo


Autor: Clifford D. Simak
Título original: Time and Again
1ª Edição: 1951
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Carlos Vieira


Súmula - foi apresentada no livro nº33 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Quando Asher Sutton voltou à Terra, vinte anos depois, já os seus amigos o tinham esquecido. Ele próprio quase se esquecera de que era um homem. Até o seu chefe directo o perseguiu, fazendo tudo para evitar que ele revelasse e difundisse o conhecimento que tinha do destino, a sua capacidade de penetrar no futuro. Uma intriga se tece em torno dele, na qual participam o director da Corporação Galáctica do ano 6300 e o director da Repartição de Investigações Galácticas. Para os humanos terá de ser o domínio das galáxias!
Nesse tempo, a Humanidade - isto é, os seres pensantes ou afins - compunha-se, por uma parte, de humanos e andróides e, por outra, de inúmeras outras variedades, inclusive os autómatos. Para os andróides, Asher Sutton era como que um Deus, no que partilhavam a adoração por ele de todos os seres vivos, É que as doutrinas que Sutton se propunha ensinar davam a todos os seres os mesmos direitos. Por isso, na luta que se desenha sem tréguas, misteriosa, em múltiplos planos e zonas de vida, os andróides protegiam ciosamente Asher Sutton. 
Mas Sutton não era já ele próprio um ser humano: era um super-homem. Os seus amigos cisnienses, seres estranhíssimos da constelação do Cisne, haviam-no com efeito dotado de poderes extra-terrenos, que lhe conferiam a mais formidável capacidade de acção e previsão.
A guerra era inevitável entre humanos e andróides, estes últimos sonhando sempre com a igualdade prometida pelo grande Asher Sutton. Para evitar-se que o egoísmo dos homens transformasse o património espiritual da galáxia um tesouro  apenas reservado aos humanos, impunha-se o domínio perfeito da 4ª dimensão: o tempo!
E as peripécias sucedem-se... Sutton é o herói para quem apelam os andróides. Os homens de Trevor, o director omnipotente da Corporação Galáctica, movem-lhe uma perseguição sem tréguas, que culmina com o seu assassínio. Mas, quem possui o domínio da 4ª dimensão - do tempo! - pode escapar à morte, e pode executar os seus próprios assassinos! E assim procede Sutton: a arma no tempo, um terrível emboscada em que os apanha  e aniquila.
Lutas terriveis, perseguições no passado, no presente, no futuro, pela terra e pelos espaços infinitos, eis o quadro imenso em que se desenrola o drama extraordinário em que se vê envolvido Asher Sutton, o libertador da vida, libertador das galáxias, do universo inteiro.

nº 35 - O Homem Demolido


Autor: Alfred Bester
Título original: The Demolished Man
1ª Edição: 1951
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Carlos Vieira


Súmula - foi apresentada no livro nº34 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

O Homem Demolido é a história de um homem contra o Universo, uma história empolgante do mundo futuro: a luta de um homem para se livrar de uma Polícia Interplanetária, cujos agentes, dotados do poder de ler o pensamento, tornavam impossível escapar à justiça.
No ano de 2301, Ben Reich, proprietário da mais poderosa organização comercial do sistema solar, atreve-se a assassinar um homem, convencido de que assim conseguirá salvar-se da ruína.
Espera-o um combate sem tréguas para ocultar dos terriveis senhores do Universo o seu crime. Esses senhores são uma estranha gente - os Telepatas - e é entre eles que Reich depara com o seu mais formidável contendor: Lincoln Powell. Powell é um chefe, e está apaixonado por uma rapariga que Reich prejudicou gravemente. Quem é essa rapariga? Precisamente a filha do homem que ele matou. Powell está profundamente convencido da culpabilidade de Reich, e inteiramente decidido a caçá-lo para salvar a ordem futura do Universo!
Powell faz todos os esforços para levar o assassino a desmascarar-se, numa sucessão de emocionantes e extraordinárias peripécias, cada qual mais surpreendente e imprevista...
...Até que, submetendo-se a uma última provação, a de ligar-se directamente a Reich, Powell o leva, por métodos puramente psicológicos, que constituem a grande surpresa da obra, a admitir a sua derrota, a conhecer-se culpado e a submeter-se... a uma terrível DEMOLIÇÃO.
Eis um dos mais absorventes romances de ficção-científica jamais escritos. É uma caçada fantástica, em pleno século XXIV, na qual é descrita a prodigiosa vida do futuro e a natureza superior de um punhado de homens e mulheres, detentores de um poder mágico que os torna guardiões do Universo. Uma obra que os leitores de ficção-científica recordarão como dos melhores que leram, completamente rendidos à sua acção vertiginosa, aterradora, magnífica.

Prefácio: (esta obra tem um pequeno prefácio, serão sempre colocados os prefácios das obras no blog, desde que existentes).

No Universo sem fim nada há que seja novo nem diferente. O que poderá parecer excepcional à minúscula mente do homem, pode ser inevitável para o infinito olhar de Deus. Esse estranho segundo numa vida, esse acontecimento extraordinário, essa fantástica coincidência de ambiente, de oportunidade, de encontro... tudo isso pode ser reproduzido muitas e muitas vezes sobre o planeta de um Sol cuja galáxia gira sobre si mesma uma vez em duzentos milhões de anos e que já girou nove vezes...
Tem havido mundos e culturas inúmeras, alimentando, cada uma delas, a ilusão de que é única no espaço e no tempo. Tem havido homens sem conta que sofrem dessa mesma megalomania; homens que se imaginam a si mesmo únicos, insubstituíveis, irreproduzíveis. E há-de haver mais, muitos mais... um infinito número deles. Esta é a história desse tempo e desse homem... o Homem Demolido.

nº 36 - Os Corsários do Espaço


Autor: Paul French - (Pseudónimo de Isaac Asimov) - O nome do pseudónimo tem todavia uma gralha no nome, que na capa corresponde ao nome da personagem do livro.
Título original: Lucky Starr and the Pirates of the Asteroids
1ª Edição: 1954
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº35 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

Quinze minutos antes da hora H, o Atlas estava pronto a partir e as linhas elegantes do navio do espaço brilhavam na luz que, vinda da Terra, inundava a Lua. Pois era de facto da Lua que o Atlas se ia lançar no espaço, da Lua, colónia terrestre...
 Os membros do Conselho das Ciências Hector Conway e Augustus Henree, acreditavam firmemente que não havia ninguém a bordo; apenas a máquina devia registar as actividades dos Corsários do Espaço, que tentavam apropriar-se do Sistema Solar. Mas o jovem Lucky Starr não concedia à ciência uma confiança completa, e tinha-se introduzido clandestinamente na astronave, a fim de verificar por si mesmo o que se estava a passar.
Assim começou para Lucky Starr uma grande, uma misteriosa e perigosíssima aventura. Auxiliado frequentemente pelo seu amigo Bigman, o inacreditável refilão marciano de um metro e sessenta centímetros de altura, Lucky introduz-se na organização dos corsários e mergulha na complicada trama das conspirações de Sirius contra a Terra. Os corsários estão perfeitamente organizados, de uma maneira que o faz suspeitar da existência de um único e poderoso chefe. Mas quem será esse "Grande Patrão", de que uma única vez ouviu falar?
E conseguirá Lucky evitar que a Terra se envolva numa longa e sangrenta guerra com Sirius, guerra essa de onde poderá sair completamente aniquilada?
Este curioso romance de ficção-científica, no estido do que na América classificam como space-opera, conserva o leitor interessado até à última página, até à solução inesperada. O seu autor é Paul French, pseudónimo de um grande romancista de ficção científica também já conhecido nesta colecção: Isaac Asimov, escritor de múltiplas qualidades e de uma inesgotável imaginação. Com este romance, pretendemos apresentar aos leitores desta colecção uma nova faceta do conhecido romancista.

nº 37 - As Cavernas de Aço


Autor: Isaac Asimov
Título original: The Caves of Steel
1ª Edição: 1954
Publicado na Colecção Argonauta em 1956
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria


Súmula - foi apresentada no livro nº36 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

As "cavernas de aço" são enormes cidades sob cúpula onde os seis biliões de habitantes da Terra levam uma existência de térmites, sem nunca verem as enormes planícies desertas do exterior nem o espaço e as suas estrelas. E, no entanto, os homens tinham, outrora, conquistado cinquenta planetas! Os descendentes desses arrojados pioneiros tinham criado uma civilização prodigiosa, graças aos seus robots. Mas eram poucos, muito poucos...

Um grupo de "Homens do Espaço" veio, pois, estabelecer-se na Terra. Instalados na sua cidade isolada de Spacetown, pouco contacto têm com a humanidade terrestre. No entanto, exercem sobre ela uma espécie de domínio benévolo. A sua ideia, é introduzir os robots na vida das "cavernas de aço" para perturbar o sistema económico e provocar, assim, uma insatisfação que leve de novo os homens a abandonar a Terra, em procura de novos mundos.
Esse plano parece não resultar. Por reacção, numerosos são aqueles que desejam uma vida mais primitiva, aquela de antes das "cavernas de aço". Assim, quando um homem influente do Espaço é assassinado, em estranhas circunstâncias - provávelmente por um desses "Medievalistas" - o caso torna-se grave.
O detective Elijah Baley é encarregado do inquérito. Deve aceitar a assistência - exigida pelos homens do Espaço - de um dos seus robots mais eficientes, o humanóide R. Daneel Olivaw. Se não conseguir descobrir o assassino, arrisca-se a perder o seu lugar de C-5 na organização quase militarizada das "cavernas de aço". E é provável que, então, os robots não tardem em eliminar os detectives humanos!... No decurso de palpitantes acontecimentos, os motivos subtis dos homens do Espaço e os temores e esperanças do "Medievalistas" desvendam-se pouco a pouco. E o próprio detective se torna o suspeito nº 1...
Não se trata, neste espantoso romance, talvez o melhor de Isaac Asimov, apenas da solução engenhosa de um enigma policial - únicamente possível num futuro distante - mas também de uma imagem poderosa e inquietante desse futuro: o choque de duas concepções sociais dramáticamente opostas...