nº 11 - O Homem Que Vendeu a Lua

Autor: Robert Heinlein
Título original: The Man Who Sold the Moon
1ª Edição: 1950
Publicado na Colecção Argonauta em 1954
Capa: Cândido Costa Pinto (mais uma vez não é referida na edição o nome do autor da capa, mas como anteriormente deve ter sido por lapso, já na obra nº 13 volta a ser referido o nome de Cândido Costa Pinto)
Tradução: José Correia Ribeiro 

Súmula - foi apresentada no livro nº10 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Robert Heinlein - que também usa os nomes de Anson Mac Donald, Caleb Saunders, John Riverside, Lyle Monroe e Simon York - é uma das figuras mais curiosas da moderna literatura norte-americana. Nascido na cidade de Butler, no Estado do Missouri, em 1907, recebeu a sua primeira educação escolar no colégios públicos de Kansas City. Porém, facto invulgar que muito contribuiu para o desenvolvimento da sua personalidade, aprendeu a jogar o xadrez muito antes de ter aprendido a ler. E é o que tenciona continuar a fazer "quando ficar cego" - segundo ele próprio afirma, numa manifestação pessimista do que o futuro pode reservar-lhe para os seus órgãos visuais, nos quais, pelo menos, aparentemente, não tem grande confiança.
Inicialmente, Heinlein era um apaixonado pelas estrelas. Quis ser astrónomo. Todavia a vida pregou-lhe uma daquelas "partidas" que quase todos nós conhecemos e Robert Heinlein acabou por ir parar à Academia Naval dos Estados Unidos.
Prestou serviço na Marinha de Guerra norte-americana durante mais de dez anos. Mas, um dia adoeceu com gravidade. Levado a uma junta médica, passaram-no à reforma. Nesta situação, experimentou diversas profissões - mineiro, agente de compra e venda de propriedades, político e esporádicamente, estudante de Física e Matemáticas. Por último, mais ou menos ocasionalmente, escreveu uma novela de ficção científica, a que pôs o titulo de "Life-Line" (Linha da Vida). Vendeu-a à revista "Astounding Science Fiction", que a publicou em 1939. Entusiasmado com este resultado, fez uma nova tentativa literária, que foi igualmente bem sucedida e, asim, descobriu, de acordo com as suas próprias palavras, "uma maneira agradável de viver sem trabalhar".
De 1939 a 1942, Heinlein escreveu numerosas novelas sob os seus vários nomes e pseudónimos. A entrada dos Estados Uniddos na Segunda Guerra Mundial interrompeu temporáriamente a sua carreira literária.. Os anos de guerra passou-os na Estação Experimental da Marinha de Guerra de Filadélfia, ocupado em trabalhos de engenharia aeronáutica.
Com o fim do conflito, Robert Heinlein voltou à literatura de ficção, como se não tivesse havido qualquer interrupção na sua carreira. em rápida sucessão, vendeu contos, novelas e romances de ficção científica ao "Gollier's", ao "Saturday Evening Post", ao "Argosy" e a todas as outras publicações da especialidade. Depois, as suas obras tiveram a honra de passar a ser incluídas em todas as antologias de ficção científica, elaboradas pelos mais categorizados críticos do seu país. Seguiram-se traduções em diversas línguas e reedições na escala dos milhões de exemplares.
Pois é uma obra deste autor que a  "Colecção Argonauta" apresenta aos seus fiéis leitores no seu próximo volume. Conforme haverá ocasião de verificar, trata-se de uma obra arrojada e revolucionária. Mas, outra coisa não é de esperar de um escritor de faculdades tão brilhantes e de preparação intelectual tão ecléctica. Com o próximo volume da "Colecção Argonauta" o leitor adquire um passaporte para o Mundo de Amanhã, um bilhete para o incrível e fascinante mundo do futuro - um mundo onde a energia do Sol se transforma em força motriz, onde os automóveis e os comboios desaparecem para dar lugar a uma rede nacional de estradas rolantes, onde os homens anseiam pela conquista de novos mundos... e hão-de atingir as estrelas.
E tudo isto encontrará, numa maravilhosa e extraordinária antecipação, em... "O Homem que Vendeu a Lua".

Nota: um números antigos que me foi mais difícil de encontrar. O Robert A. Heinlein é um dos meus autores de obras da Colecção Argonauta preferidos, tal como é também Clifford D. Simak.

nº 12 - Os Humanóides Atacam

  
Autor: Bryan Berry (o nome do autor no livro tem uma gralha)
Título original: From What Far Star
1ª Edição: 1953
Publicado na Colecção Argonauta em 1954
Capa: Cândido Costa Pinto (mais uma vez não é referida na edição o nome do autor da capa, mas como anteriormente deve ter sido por lapso, já na obra nº 13 volta a ser referido o nome de Cândido Costa Pinto)
Tradução: Fernando de Castro Ferro

Súmula - foi apresentada no livro nº11 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Quando Harry Sellars, um membro da Polícia de Segurança, suspeitou pela primeira vez de um dos cientistas do Centro de Desenvolvimento de Naves Interplanetárias, não imaginava que acabaria por tomar um lugar preponderante na maior batalha que os exércitos reunidos, em especial as Forças Aéreas, da Terra, poderiam jamais travar.
De começo, quando viu um homem atravessar uma parede sólida, pensou que enlouquecera. mas as suas investigações perspicazes depressa provaram que o que vira não fora uma visão nem o efeito tardio de uma operação cirúrgica ao cérebro que sofrera algum tempo antes. Não havia dúvida, descobriu ele depois, que "qualquer coisa" atravessara aquela e outras paredes e essa "qualquer coisa" não era, não podia ser, um ser humano.
Por uma série de circunstâncias extraordinárias Harry Sellars, a quem já haviam tentado assassinar, encontrou-se sózinho, sem outro auxílio que os seus próprios meios, a tentar desvendar o mais fantástico e estranho mistério que lhes fora dado conhecer. As aventuras de Sellars, enquanto tentava encontrar a pista e descobrir as razões da presença de um ser de um outro mundo na Terra, são, na verdade, emocionantes e formam a base deste romance de ficção científica.
O autor, Bryan Berry, é bem conhecido nos meios literários ingleses, sendo já considerado, embora muito novo, com um dos mestres da ficção científica da Inglaterra, e, neste romance, não deixa a sua fama por mãos alheias, apresentando-se pela primeira vez ao público português no seu melhor estilo e com uma história dinãmica, emocionante e repleta de episódios que, estamos certos, prenderão a atenção do leitor da primeira à última página.

nº 13 - O Cérebro de Donovan


Autor: Curt Siodmak
Título original: Donovan's Brain
1ª Edição: 1942
Publicado na Colecção Argonauta em 1954
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: José Correia Ribeiro 

Súmula - foi apresentada no livro nº12 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

A ficção científica tem, como qualquer outro género literário, diferentes fórmulas e géneros. Por ora, a "Colecção Argonauta" publicou, quase exclusivamente, volumes em que se aborda como tema de acção as viagens interplanetárias, a vida em outros mundos ainda não explorados pelo Homem e nos quais ainda só se penetrou pela fantasia e imaginação, associadas aso modernos conhecimentos da ciência.
O próximo volume desta colecção, porém, foge totalmente ao assunto clássico das explorações siderais. Terá mais ou igual interesse aos anteriormente publicados? Não sabemos. Os leitores serão os únicos juízes de tal opinião.
Para nós, "O Cérebro de Donovan" é um dos livros mais absorventes e espantosos dos últimos anos, pois aliando a "ficção-científica" e o "policial dedutivo" , "agarra" o leitor desde as primeiras páginas, sem grandes especulações de carácter profundo para os leigos, e, num galope apaixonante de acontecimentos, fá-lo viver o relato, dia a dia, de um médico que, tendo dominado inicialmente as ondas psíquicas do cérebro de um indivíduo morto, é por sua vez subjugado por esse mesmo cérebro sem corpo, ao ponto de perder totalmente o livre arbítrio.
Na opinião da exigente crítica do "New Yorker", "O Cérebro de Donovan", de Curt Siodmak, é uma obra prima de terror, como raramente se consegue transmitir no campo da literatura".
De facto, basta transcrever uma página a acaso deste extraordinário romance, para se aquilatar o grau de emotividade contido em cada linha do livro, o qual ainda por cima e para colocar o leitor mais dentro do ambiente é escrito na primeira pessoa do singular e na forma de diário.
Sujeito às forças tangíveis do Cérebro, que alimentou e acarinhou como um filho, o Dr. Patrick Cory - o protagonista de tão inesperada aventura - escreve no relatório das suas experiências estas palavras de desespero:

 "È preciso que alguém acredite em mim e me socorra! Estou a escrever à pressa... enquanto o cérebro repousa. É preciso que alguém me ajude! É preciso que alguém leia o que estou a escrever e acredite em mim! Um homem aparentemente morto ouve e vê. O corpo sou eu, Patrick Cory, mas o cérebro que me orienta pertence a outra pessoa... Até agora fui capaz de resistir. Mas a partir deste momento perdi completamente o domínio... Um pensamento terrível não me larga! A minha mulher é bonita e aos seus olhos... Donovan sou eu! O cérebro pretende ter relações íntimas com ela. Eu serei uma simples testemunha ocular... traído pelo meu próprio corpo! Grito por socorro, mas ninguém me ouve! Estarei louco? Socorro! Socorro!"

Por todos os motivos, recomendamos o nosso próximo volume aos que já conhecem os livros de ficção-científica, mas dedicamo-lo muito mais especialmente àqueles que nunca leram livros deste género. Temos a certeza de que se tornarão adeptos fervorosos da mais moderna modalidade de romance, depois de lerem.

nº 14 - Indómito Planeta



Autor: Roy Sheldon (um dos mais de vinte pseudónimos do autor E.C. Tubb)
Título original: The Metal Eater
1ª Edição: 1954
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: Fernando de Castro Ferro

Súmula - foi apresentada no livro nº13 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Era o último planeta que faltava ao homem conquistar... Chamaram-lhe Vendor. Mas, embora fosse rico em precioso minério de Urillium, nenhum homem pudera jamais lançar mão desta formidável riqueza que ali estava ao seu dispôr... Porque, na verdade, Vendor era inconquistável, não podia ser dominado... Os homens tentaram - uma vez, duas vezes, várias vezes... em vão. As vozes afastavam-nos sempre, ameaçando enlouquecê-los. Uma força qualquer, estranha, intangível, mantinha-os à distãncia, impedindo-os de alcançar aquele prémio tentador e cintilante...
Até que um brilhante cientista do planeta Deneb IV conseguiu aperfeiçoar um dispositivo de isolamento e interferência que permitia ao seu navio atravessar a barreira. Consumira nessa tarefa vinte anos de vida e toda a sua fortuna, até ao último tostão, mas, finalmente, a viagem para Vendor ia começar... Era uma viagem de jogador... de aventureiro... Ele sabia que ia ao encontro do perigo, e que só duas alternativas o enfrentavam: ou a glória e a riqueza ilimitada... ou a mais dolorosa e horrível das mortes!...
Mas a jornada para Vendor trouxe-lhe outros percalços que nem ele nem a sua tripulação podiam prever, e, antes de chegar ao termo da aventura, foi involuntáriamente libertada uma força que poderia ter varrido e aniquilado toda a vida humana do Universo - a indestrutível e aterrorizante força interior daquele "Indómito Planeta".

nº 15 - O Mundo em Perigo


Autor: E.C. Tubb
Título original. World at Bay
1ª Edição: 1954
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: Fernando de Castro Ferro

Súmula - foi apresentada no livro nº14 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

A Inglaterra está à beira da ruína e da fome devido ao novo sistema por zonas que proibia toda e qualquer troca de alimentos e de matérias primas. A Inglaterra esgotara as reservas do seu solo e subsolo. O carvão acabara, o petróleo não podia entrar no país e faltava, portanto, o combustível  para alimentar as fábricas, os hospitais, os transportes. O país só podia ser salvo se dispusesse de novo de combustivel, de energia eléctrica. A Liga da Paz, uma organização criada para salvaguardar a paz do mundo, proibira todas as experiências atómicas que pudessem ameaçar essa paz e, por conseguinte, os cientistas ingleses nem para esse lado se podiam voltar para obterem a tão necessária corrente eléctrica, Mas dois cientistas decidiram ignorar essa medida e, secretamente, construiram uma máquina que haveria de fornecer ilimitada energia por meio da desintegração atómica. Esta experiência resultou numa catástrofe, espalhando uma onda de morte, um fogo atómico, por toda a Escócia. Este fogo, impossível de extinguir, alastrou rápidamente, ameaçando todo o mundo, pois se alcançasse o mar, contaminando a água, representaria uma desintegração de energia atómica que nada, mesmo nada, poderia deter.
Num mundo atormentado por desconfianças e guerra, a ciência emprega então todos os seus recursos apra combater este novo inimigo, tentando desesperadamente deter o fogo atómico que avançava inevitávelmente para a destruição de todo um planeta e uma raça.
Este romance de E. C. Tubb, um dos primeiros escritores do género de Inglaterra, é a história do terror humano, de ambição e sacrifício, ante o perigo da aniquilação total... a história emocionante e dinâmicamente narrada de "O Mundo em Perigo".

nº 16 - Sentinelas do Universo


Autor: Eric Frank Russell (o nome do autor na capa tem uma gralha)
Título original. Sentinels From Space
1ª Edição: 1953
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: Eng. Fernando Moutinho

Súmula - foi apresentada no livro nº15 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta"

"Uma enorme borboleta, de olhos grandes e brilhantes, como uma libélula nocturna esvoaça gloriosa e suavemente através da noite eterna…”

Esta visão misteriosa e intrigante palpita por sobre as páginas desta novela. Uma ideia profunda, a custo entrevista e meio sentida, oculta-se no fundo do romance enquanto o leitor avança ao longo da história. E a revelação final perturbá-lo-á – de uma maneira deliciosa. David Raven não é, evidentemente, nenhum herói comum – e Leina, essa mulher estranhamente bela, também não é uma heroína vulgar. Os dois, juntos, formam uma equipa, e partilham um “tremendo” segredo. Dotados de poderes, que os comuns mortais mal sonham, os dois tomaram voluntariamente sobre si a tarefa de “guardar” a Humanidade… 
São eles as Sentinelas. 
Lado a lado, observam o Céu com o corpo reclinado, mas alerta, de caras voltadas para as estrelas. Lá longe, muito acima deles, no mais profundo do oceano do espaço, eles sentem palpitar o coração da Via Láctea, que se estende pelo Universo como um delicado e fino véu, através do zenite. E, entre os milhares de milhares de mundos, eles procuram um significativo cintilar no escuro. As estrelas brilhantes olham-nos, lá de cima, mas o vácuo que as envolve é negro e sem fundo, amargamente sem fundo. E na escuridão algures, andam os navios pretos dos Denebs.
Eric Frank Russell conquistou merecidamente a reputação de ser um dos melhores escritores de Ficção Científica da actualidade. Notável de imaginação e de subtil e sensível gosto literário, vai provocar, com certeza, uma vaga de interessantes especulações.

nº 17 - Regresso à Pré-História


Autor: J. Leslie Mitchell
Título original. Three Go Back
1ª Edição: 1932
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: Fernando de Castro Ferro

Súmula - foi apresentada no livro nº16 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

A literatura de "Ficção-Científica" dedica-se geralmente a temas do Futuro e é, por isso mesmo, frequentemente apelidada "literatura de antecipação". Existem, porém, muitos autores do género que, além de olharem para o futuro, procuram assuntos para os seus romances no passado distante. A "Colecção Argonauta" apresenta assim aos seus leitores uma obra inspirada nos tempos da Pré-História, um romance em que dois  homens e uma rapariga do nosso tempo se encontram inesperadamente no Passado, um Passado que os seus espíritos cultos e civilizados não podiam aceitar.
"A Nuvem de Magalhães" - uma digna homenagem ao nosso Fernão de Magalhães - era a mais moderna nave aérea que cruzava os oceanos do espaço. Ao atravessar o Atlântico numa das suas viagens foi, porém, vítima de terríveis condições atmosféricas que o obrigaram a sair da sua rota e, devido a qualquer fantástica deturpação das leis do tempo e do espaço, os seus potentes motores levaram-na para lá das fronteiras da sua época: para a Pré-História. O comandante e a maioria dos passageiros nunca vieram a ter conhecimento do que sucedera, visto que, indo embater numa alta montanha não sinalizada nos mapas, "A Nuvem de Magalhães" foi despedaçar-se irremediávelmente nos penhascos de um continente que já não devia existir. Apenas três passageiros - uma escritora, um famoso fabricante de armamentos e um médico - conseguem escapar com vida para pouco depois a arriscar mil vezes em face de fantástico monstros da Pré-História e mais tarde ao depararem-se com uma raça de seres humanos, a quem se juntam e a quem tentam dar alguns conhecimentos que os auxiliem a sobreviver ás terríveis condições daquele mundo. É, pois, um romance repleto de acção e de interesse, devido às especulações do autor sobre aquela era e sobre as origens do Homem - não faltando um encontro - e mesmo uma luta terrivel pela vida - com os famosos Homens de Neanderthal.
Estamos certos de que os nossos leitores lerão com o mais vivo interesse este enesperado "Regresso à Pré-História" como valiosa sequência às habituais digressões pelo Futuro que lhes temos vindo a oferecer.

nº 18 - O Homem Ilustrado


Autor: Ray Bradbury
Título original: The Ilustrated Man
1ª Edição: 1951
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto 
Tradução: Eurico da Costa

Súmula - foi apresentada no livro nº17 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Depois de "O Mundo Marciano", que foi recebido com tanto agrado pelo nosso público, a "Colecção Argonauta" orgulha-se de apresentar o segundo livro famoso do mais cotado escritor de Ficção Científica da América do Norte: Ray Bradbury.
Ray Bradbury é um prosador poeta, ou um poeta prosador. Todas as suas obras rescendem a uma filosofia muito de admirar no género de literatura que escolheu, onde se espraia em considerações sobre a sabedoria do Universo, o segredo das pontes perdidas, dos mares azuis, dos sóis-rubros, dos cometas, das constelações, das galáxias, que se alongam até ao Infinito, dos homens perante o futuro e as incógnitas traçadas pela cibernética.
Mas, dê-se antes de mais nada a palavra ao próprio autor que, no prólogo da sua obra, nos apresenta magistralmente o seu infeliz protagonista:

Foi por uma tarde quente de princípios de Setembro que encontrei, pela primeira vez, o Homem Ilustrado. Percorria a última etapa de uma viagem a pé, de quinze dias, pelo Wisconsin. Ao cair da noite, parei para comer alguma carne de porco fria, com feijões e um biscoito. Preparava-me para me estender a ler quando o Homem Ilustrado surgiu no alto da colina e ficou um momento imóvel, a silhueta recortada contra o céu.
Ignorava nesse momento, que ele estava Ilustrado. Reparei, unicamente, que era alto, que outrora fora bem musculado, mas, agora, por qualquer razão, tinha tendência para engordar. Lembro-me que possuía uns braços longos e umas mãos grossas, mas o rosto, no alto do corpo maciço, era como o de uma criança.
Pareceu-me pressentir a minha presença, pois não me olhou na altura em que pronunciou as primeiras palavras:
- Sabe onde posso arranjar trabalho?
- Lamento, mas não sei – disse eu.
- Ainda não conseguium emprego durável nestes últimos quarenta anos.
Fazia calor. No entanto o colarinho da sua camisa de lã estava abotoado e as mangas fechadas em redor dos grossos punhos. O suor escorria-lhe pelo rosto, mas não abria a camisa.
- Bem – disse ele finalmente – este sítio é tão bom como qualquer outro para passar a noite. 
- Importa-se que lhe faça companhia?
- Tenho ainda alguma comida que gostaria de repartir consigo – ofereci eu.
Sentou-se pesadamente, resmungando.
- Vai arrepender-se de me pedir para ficar. Toda a gente se arrepende. É por causa disso que não páro. Estamos em princípios de Setembro, a melhor época para divertimentos. Ganharia montões de ouro numa feira de qualquer pequena cidade. Mas aqui estou, sem nenhum contrato.
Descalçou um enorme sapato e examinou-o de perto.
- Geralmente, aguento-me num emprego dez dias. Depois, acontece sempre a mesma coisa e despedem-me. Nesta altura, em nenhuma feira da América me queriam tocar nem mesmo com a ponta de uma vara.
- Mas o que é que se passa consigo?
Como resposta, desabotoou lentamente o apertado colarinho. Com os olhos cerrados, abriu a camisa e, com a ponta dos dedos, tacteou o peito.
- É curioso – observou ele – não se podem sentir, mas a verdade é que estão cá. Tenho sempre a esperança de que um dia desaparecerão. Durante horas seguidas caminho ao Sol, sob o mais escaldante calor, queimo-me, na esperança que o suor as faça desaparecer, que o Sol as derreta; mas à noite ainda cá estão.
Voltando ligeiramente a cabeça na minha direcção, mostrou-me o peito.
- Ainda cá estão. As Ilustrações.
- Uma outra razão porque eu conservo o colarinho abotoado são as crianças – disse ele, abrindo os olhos. “Perseguem-me pelos caminhos, pelos campos. Querem ver as imagens, e todavia, ninguém a não ser elas, tem curiosidade nisso”.
Despiu a camisa e torceu-a. Estava coberto de imagens, desde o anel tatuado, à volta do pescoço, até à cintura.
- E isto continua – prosseguiu ele, adivinhando o meu pensamento. “Sou inteiramente Ilustrado. Veja!”.
Abriu a mão. Na palma havia uma rosa; tinha acabado de ser colhida e nas delicadas pétalas via-se ainda orvalho cristalino. Estendi o dedo para a tocar, mas era uma imagem!
Quanto ao resto do seu corpo… Não poderei explicar como fiquei ali com os olhos esgazeados. Era um turbilhão de astronaves, fontes e gentes, com tão entrelaçados pormenores e cores que se podiam ouvir os murmúrios e as vozes abafadas das multidões que habitavam aquele corpo. Quando estremecia, as pequenas bocas animavam-se, os minúsculos olhos verdes ou doirados moviam-se, as pequenas e rosadas mãos agitavam-se. Havia prados amarelos, rios azuis, montanhas, estrelas, sóis e planetas, dispersos numa Via Láctea que lhe descia pelo peito. As figuras estavam dispersas, em grupos de vinte ou trinta, nos braços, nas espáduas, no dorso, nos flancos, nos punhos, no plexo solar. Havia-as, também, numa floresta de pêlos, escondidas entre uma constelação de sardas, espiando do fundo das cavernosas axilas, os olhos faíscando como diamantes. Cada grupo parecia ter uma actividade própria; cada um era constituído por uma galeria diferente de figuras.
- São belas! – exclamei.
Como descrevê-las? Se Greco, no auge do talento, tivesse pintado miniaturas não maiores que a mão, com as suas cores sulforosas, com a sua morfologia especial, a anatomia alongada, talvez tivesse aproveitado o corpo deste homem para a sua obra. As cores brilhantes em três dimensões. Aí, reunidas como numa parede, recortavam-se as cenas mais extraordinárias do Universo. Este homem era um museu ambulante. Não era o trabalho tricromado de um tatuador de feira, de hálito avinhado; era a obra-prima inspirada, vibrante, límpida e bela de um génio.
- Oh, sim! - Disse o Homem Ilustrado, sou tão orgulhoso das minhas Ilustrações que até gostaria de lhes lançar fogo. Já tentei o esmeril, o ácido, a navalha...
O Sol escondia-se. A Lua estava já alta, a Oriente.
- Porque, veja - continuou o Homem Ilustrado - estas Ilustrações predizem o futuro.
Olhei-o em silêncio.
- Durante as horas do dia, ainda vá - prosseguiu ele; posso arranjar trabalho por um dia. Mas à noite, elas movem-se. As imagens ganham vida própria.
Creio que sorri.
- Desde quando está Ilustrado?
- Em 1900, tinha eu vinte anos, trabalhava numa feira e parti uma perna. O acidente imobilizou-me. Tinha que arranjar trabalho para me manter. Então decidi fazer-me tatuar.
- Mas quem o tatuou? O que aconteceu ao artista?
- Ela voltou para o futuro... É exactamente isso que quero dizer. Uma velha mulher, numa casinha algures no Wisconsin, em algum sítio não longe daqui. Uma velha e pequena feiticeira que tinha o ar de ter mil anos em certos momentos, e vinte no instante imediato. Mas afirmava que se podia deslocar no Tempo. Ri-me. Mas, já não o faço agora!
- Como a  encontrou?
Relatou-me, então, a história. Tinha visto na margem de uma estrada, uma tabuleta pintada: "Ilustrações sobre a pele!" Ilustrações, e não tatuagens! Foi no decorrer de uma noite que as agulhas mágicas da mulher o morderam como vespas, o picaram como abelhas, o sugaram como sanguessugas. Chegada a manhã, tinha o aspecto de um homem que tivesse passado sob uma prensa polícroma, muito liso, multicolor, cintilante.
- Procurei-a todos os Verões durante cinquenta anos - terminou ele estendendo os braços. "Quando encontrar a feiticeira, matá-la-ei!"
O Sol desaparecera. As primeiras estrelas brilhavam no firmamento e a Lua iluminava os campos de trigo e os prados. As imagens do Homem Ilustrado brilhavam como carvões, na penumbra, como rubis e esmeraldas, com as cores das telas de Van Gogh, de Klee e os corpos alongados de Greco.
Quando as imagens se movem, as pessoas mandam-me embora. Ninguém gosta de as ver, tanto mais que nas minhas Ilustrações se passam coisas espantosas. Cada uma delas é uma históriazinha. Se as observar, elas contar-lhe-ão, em poucos minutos, uma história. Em três horas, verá desenrolar-se uma vintena de histórias sobre o meu corpo. Poderá ouvir vozes, aperceber pensamentos. Tudo aí está, basta que olhe. Mas há, sobretudo, um certo local.
Mostrou-me o dorso.
- Está a ver? Não há um único desenho regular na espádua direita. Está tudo misturado.
- Realmente, assim é!..
- Sempre que estou muito tempo com alguém, esta zona cobre-se de sombras, depois aparece isso. Se estou com uma mulher, a sua imagem surge ao fim de uma hora no meu dorso, e ela vê aí retratada toda a sua vida: como vai viver, como morrerá, como terá o rosto aos sessenta anos. E se é um homem, a imagem surge no meu dorso ao fim do mesmo tempo. Pode ver-se caído de uma falésia ou esmagado por um comboio. Então, mandam-me de novo embora.
Enquanto falava, percorria as mãos pelas Ilustrações, como para ajeitar as molduras, limpar-lhes o pó; gesto de conhecedor, de amador de arte. Estava agora estendido ao comprido, sob o luar. A noite estava quente, sufocante, até, sem uma aragem. Tínhamos tirado as camisas.
- E nunca mais encontrou essa mulher?
- Nunca mais!
- Acredita que ela veio do futuro?
- Se assim não fosse, como poderia conhecer as histórias que pintou no meu corpo?
Cerrou os olhos, fatigado. A sua voz tornou-se menos distinta. 
- Por vezes, durante a noite, sinto-as moverem-se como formigas sobre o corpo. Sei, então, o que têm a fazer. Nunca as olho. Tento, somente, ter algum repouso, porque durmo pouco. Não as olhe também, previno-o. Volte-se para o outro lado para dormir.
Deitei-me a alguma distância. O homem não me parecia capaz de violência e as imagens eram muito belas. Se não fosse isso ter-me-ia ido embora, acabando com a conversa. Mas as Ilustrações...
 Deixei os olhos percorrê-las. Podia ouvir o Homem Ilustrado respirar, banhado pelo luar. Ao longe, os grilos trilavam suavemente nas ravinas. Deitei-me de lado para observar as imagens. Decorreu talvez uma meia-hora. Não poderia dizer se o Homem Ilustrado dormia, mas de repente ouvi-o dizer num murmúrio:
 - Estão a mover-se, não é verdade?
 Esperei um momento. Depois murmurei:
 - Sim, movem-se.
 As imagens animavam-se, cada uma por sua vez, durante um ou dois minutos. Ali, sob a Lua, com pequenos pensamentos, que vibravam e vozes distantes como as do mar, vi desenrolar-se cada um daqueles pequenos dramas. Uma hora, duas horas, até quando? Será difícil dizê-lo. Sei somente que ali fiquei, fascinado, sem me mover, sob as estrelas que rodavam no céu.
Dezoito Ilustrações. Dezoito histórias. Contei-as uma a uma. 
Fixei os olhos numa cena: uma grande casa com duas figuras no interior. Vi o ovvo de abutres num céu tórrido de leões. E ouvi vozes. 
A primeira imagem estremeceu e animou-se.

E assim principia a maravilhosa e extraordinária aventura de O Homem Ilustrado, cujo corpo marcado por sacrílega operação, nos faz desfilar diante dos olhos dezoito histórias assombrosas, que se interligam, condicionadas no espaço material de um livro. Tal como o Universo, essas dezoito histórias poder-se-iam expandir pelo Infinito, desenvolverem-se sobre si próprias... mas, esse trabalho competirá à imaginação do leitor depois de ter lido, até ao fim.  

Contos publicados na obra: 

  1 - A Selva
  2 - Caleidoscópio 
  3 - O Encontro
  4 - A Auto-Estrada
  5 - O Homem
  6 - A Chuva
  7 - O Homem do Espaço
  8 - As Bolas de Fogo
  9 - A Derradeira Noite
10 - Os Banidos
11 - Sem Tempo, no Espaço
12 - A Raposa e a Floresta
13 - O Visitante
14 - A Betoneira
15 - Autómatos Sociedade Anónima
16 - A Cidade
17 - A Hora H
18 - O Foguete

nº 19 - Os Caminhos do Espaço


Autor: Charles Eric Maine
Título original: Space Ways
1ª Edição: 1953
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução de: A. Maldonado Domingues

Súmula - foi apresentada no livro nº18 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":


Conway, um agente do Departamento de Segurança de Washington estava satisfeito com o serviço que desempenhava na grande capital americana. Era um homem da cidade, como ele próprio dizia. Já contava no seu activo uma boa quantidade de transferências e sentia que tinha, por fim, direito a gozar os prazeres da civilização e a companhia da encantadora Vera Hartman. Mas o destino estava contra ele. Teria que trocar a cidade pelo deserto; os prazeres de uma existência amena, pelo inferno da vida no Nevada do Sul, onde os pioneiros do espaço estavam a construir o primeiro satélite artificial da nossa velha Terra.
O empreendimento era importante e de uma natureza altamente secreta, visto que o primeiro país a dispôr de um satélite artificial, dominaria potencialmente toda a Terra. Porém, o Dr. Klein, Director do campo experimental de foguetões, nãos e adaptava às exigências da Segurança. Essa iria ser a missão de Conway. Além disso convinha afastá-lo de Washington. Porquê?... Mistério. A razão só a sabia quem estava no segredo dos deuses. A vida em Nevada era monótona. O deserto actuava duma forma perigosa sobre os seres humanos. O foguetão satélite tomava forma, peça por peça, equipamento sobre equipamento. O cientista electrónico, George Hills, inventara uma série de aparelhos que permitiriam dirigir o foguetão e conhecer a sua posição no espaço. O seu espírito de observação, que lhe permitia descobrir os mais recônditos segredos da Electrónica era, porém, completamente cego perante os complexos meandros da alma humana. A jovem e bela Marion Hills, sua esposa, tecia sob os sseus olhos uma teia amorosa com o técnico de estruturas, Colby, amigo e colega do marido. E mais uma vez se prova que as paixões humanas são potencialmente mais perigosas que os mais potentes explosivos. Conway andava preocupado com aquela situação, que podia resultar na perda de um dos melhores técnicos de que dispunha o Governo. Klein, porém, não atendia os seus avisos. O próprio Hills reagira violentamente quando ele lhe chamara a atenção para o comportamento da mulher. Helen, a secretária de Conway avisara-o de que os dois pombinhos pretendiam fugir. Ele não podia permitir tal coisa, visto que Colby era um importante cientista do Governo.
O foguetão foi finalmente lançado, num inferno de fogo e fumo. A Terra tinha, por fim, um satélite artificial. O empreendimento não fora, porém, um sucesso completo: para desespero do Dr. Klein o aparelho não atingira a órbita prevista, e uma parte do equipamento de Radar avariara-se. Para complicar as coisas, o parzinho amoroso desapareceu na noite da largada. Hills, o marido de Marion, pareceu com um olho negro cuja proveniência não queria explicar. Conway é chamado a Washington. O F.B.I. mete-se no assunto e um dos seus agentes volta com Conway para Nevada. Hills é acusado de ter assassinado a esposa e o amante dela, escondendo os cadáveres a bordo do foguetão. Pela primeira vez na história do crime, um assassino esconde dois cadáveres a bordo de um foguetão que ficará para todo o sempre no espaço interplanetário. O julgamento de Hills tem uma repercussão mundial. O Dr. Klein prova matemáticamente que o desvio da órbita calculada para o foguetão correspondia á substituição de certas peças de equipamento pelos cadáveres. A condenação de Hills é quase certa. No dia em que a sentença deve ser lida, todo o mundo está debruçado sobre os aparelhos de telefonia e de televisão. A expectativa é tremenda. Hills parece irremediávelmente perdido, tanto mais que nem sequer se defende. No último momenot porém, faz uma proposta sensacional ao juiz. Visto que o acusam de ter escondido os cadáveres no foguetâo, ele iria buscá-lo ao espaço interplanetário para provar que estava inocente. A incrível audácia de uma tal iniciativa, num momento em que a construção de foguetôes interplanetários estava na infância, era fantástica.  O Dr. Klein, porém, não se deixou convencer, e afirmava, obstinadamente, que Hills tinha intenção de sabotar o segundo foguetão e regressaria à Terra sem trazer o outro, mas transformado em herói: o primeiro homem que viajara no espaço interplanetário!
Alguns meses depois, Hills partia para a sua formidável aventura. O mundo vibrava de ansiedade. Em Nevada a expectativa atingira o clímax. Hills subiu para o foguetão, metido no rudimentar escafandro do espaço. O barulho dos motores de jacto atroou os ares. A grande agulha de aço tremia de potência, pronta para o grande salto no infinito e na Torre de Controlo o telefone tocava... Klein proibira que atendessem porque o mais importante era o lançamento do foguetão. Mas o telefone tocava... Tocava... Insistente e interminávelmente, enquanto os apocalípticos pilares de fogo empurravam para o espaço mais uma máquina construída pelos homens. E o som daquelas campaínhas era a voz do destino, que chegara muito tarde...

nº 20 - A Sexta Coluna


Autor: Robert Heinlein
Título original: Sixth Column
1ª Edição: 1941
Publicado na Colecção Argonauta em 1955
Capa: Cândido Costa Pinto 

Tradução de: Manuel de Sepúlveda

Súmula - foi apresentada no livro nº19 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":


Súbitamente, uma vaga amarela invade os Estados Unidos: os Panasiático que dominam todas as forças militares mercê de um avanço prodigiosamente rápido. A sólida defesa dos Estados Unidos (ou que era considerada como tal) afunda-se rápidamente, sem que tenha tempo de recorrer às suas poderosas armas, que os Panasiáticos conhecem perfeitamente.
Um homem (major Ardmore) surge na "Cidadela" - o reduto em que um grupo de cientistas orientados por Ledbetter trabalha no sentido de dar aos Estados Unidos uma arma inigualável - para lhes dar a notícia do desastre e transmitir as últimas ordens do governo de Washington antes de se afundar: "continuar a lutar". Mas a "Cidadela" deixara de ser a assembleia de sábios que fora. Ledbetter tinha morrido quando procedia à experiência de um aparelho. Com ele, e sob os efeitos da poderosa máquina, tinham perecido centenas de homens.
E Ardmore encontra-se perante a inesperada situação: em vez de um grande e escolhido grupo de sábios, meia dúzia de homens, dos quais só três são sábios; em vez de uma máquina poderosa e concluída - ou em vias de conclusão - um engenho de efeitos incontrolávelmente poderosos, mas que ninguém sabe controlar. Como cumprir, pois, as últimas ordens que Washington pudera dar: "continuar a lutar?"
Mas em Ardmore personifica-se o indomável espírito de luta da América e das suas ordens nasce uma alma nova, que afasta os sobreviventes do desânimo inicial. Sabido que os Panasiáticos apenas concedem aos americanos a liberdade religiosa, tendo eliminado todos os vestígios de cultura e educação tipicamente americanos, ao mesmo tempo que eliminam todo o espírito de revolta pelos massacres a que procedem, quando surge qualquer protesto, funda-se uma nova religião. Religião que, abandonada a Casa-Mãe, alastra por todo o território dos Estados Unidos. Religião que tem como mais poderoso auxiliar a máquina de Ledbetter (que Calhoun e Wilker tinham conseguido ultimar e que passara a designar-se o "Ledbetter") e que consegue a protecção oficial dos Panasiáticos. Religião que entre os seus sacerdotes e os seus fiéis forma uma poderosa rede de espionagem: A Sexta Coluna. Rede de espionagem que penetra pelas mínimas frinchas do sistema de ocupação e que consegue penetrar no palácio imperial. E alcançado o palácio, abre-se uma nova perspectiva para a luta.
A Sexta Coluna encontrou soluções inesperadas para o combate e a ordem de Washington pôde continuar viva. E o "Ledbetter" e a audácia, o engenho, criam o inesperado, o fantásticamente real em que se move toda a população de uma grande potência.
E são estes valores que fazem do livro de Robert Heinlein uma leitura apaixonante e instrutiva, onde se ligam os valores científicos aos valores humanos, em que o fantástico imbrica com o real.