nº 476 - Os Tambores dos Dragões



Autor: Anne McCaffrey
Título original: Dragondrums
1ª Edição: 1979
Publicado na Colecção Argonauta em 1997
Capa: A. Pedro
Tradução: Eduardo Saló

Súmula - Foi apresentada no livro nº475 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O mundo de Pern em que os descendentes dos colonos terrestres conseguiram sobreviver à ameaça de uma estranha forma de vida graças a uma simbiose com animais inteligentes, semelhantes aos dragões míticos e regressaram a uma sociedade medieval, é o tema que tem alimentado a longa série do Planeta dos Dragões, de Anne McCaffrey, um dos maiores sucessos de ficção-científica. Os seus consecutivos volumes têm sido publicados na Colecção Argonauta e a eles se junta agora Os Tambores dos Dragões, a história de Piemur, o jovem que sonhava com os dragões de fogo e que depois de a mudança de voz ter posto fim à sua bela carreira de cantor se tornara num aprendiz de tambor. Quando o seu mundo é de novo ameaçado pelo inimigo alienígena, Piemur vê-se encarregado de uma missão perigosa: a de partir para as terras do Sul, com um pequeno lagarto de fogo, para convencer os rebeldes ali exilados a tomar parte na luta contra a terrível ameaça.Assim principia este novo romance de Anne McCaffrey:  

O rufar surdo dos grandes tambores em resposta a uma mensagem do leste acordou Piemur. Nos seus cinco Turnos no Salão de Ofícios do Harpista, nunca se habituara àquele ruído que fazia vibrar os ossos. Enquanto se voltava, ensonado, reflectia que, se os tambores rufassem todas as alvoradas, ou na mesma sequência, se acostumaria o suficiente para não o acordar. No entanto, duvidava. Tinha, naturalmente, o sono leve, talento que adquirira quando era pastor e precisava de manter os ouvidos atentos aos alarmes nocturnos entre os animais corredores. A facilidade redundara com frequência em vantagem, porque os outros aprendizes do seu dormitório não podiam atacar com a vingança em mente. E era acordado com frequência por visitantes discretos transportados em dragões para se avistarem com o Harpista-Chefe de Pern, ou pelas chegadas e partidas do próprio Chefe Robinton, pois tratava-se indiscutivelmente de um dos homens mais importantes daquele universo, quase tão influente como F'lar e Lessa, Chefes do Ninho de Benden. Além disso, ocasionalmente, nas noites quentes de Verão, quando os estores do salão principal ficavam levantados e os chefes e os assalariados supunham todos os aprendizes a dormir, ouvia conversas fascinantes e desinibidas que pairavam na atmosfera. Uma criatura pequena como ele tinha de se manter à frente de todos os outros, e o facto de escutar com frequência indicava-lhe como devia proceder.  
Enquanto tentava dormir mais um pouco na alvorada cinzenta, a sequência do rufar ecoava-lhe no espírito. A mensagem provinha do harpista do Baluarte de Ista, pois captara o sinal identificativo. Mas não tinha a certeza do resto - qualquer coisa referente a um navio. Talvez devesse aprender os batimentos das mensagens rufadas. Em todo o caso, não surgiam com grande frequência, agora que cada vez mais pessoas possuíam pequenos lagartos de fogo para as fazer chegar aos vários pontos de Pern.
Perguntava-se quando lhe iria parar às mãos um ovo de lagarto de fogo. Menolly prometera oferecer-lhe um, quando a sua rainha, Beldade, acasalasse. Era, sem dúvida, uma ideia atraente, admitia ele, realisticamente consciente de que ela talvez não pudesse distribuir os ovos como desejasse. O Chefe Robinton decerto os quereria destinar da maneira mais vantajosa para o Salão do Harpista. E Piemur não o podia desapontar. Em todo o caso, um dia teria o seu lagarto de fogo. Uma rainha ou, pelo menos, um bronzeado. 
Uniu as mãos atrás da cabeça, enquanto ponderava a deliciosa perspectiva. Como ajudara Menolly a alimentar os seus nove, familiarizara-se um pouco com os hábitos, mais do que algumas pessoas que tinham lagartos de fogo, as mesmas que há Turnos proclamavam que a posse de semelhantes criatura correspondia ao sonho de todos os rapazes. Isto, pelo menos, até que F'nor, cavaleiro do castanho Canth, impressionara uma pequena rainha numa praia do continente austral. Depois, Menolly, a meio caminho de Pern, salvara os ovos de um lagarto de fogo de se perderem durante as marés invulgarmente grandes daquele Turno. Agora, toda a gente queria um lagarto de fogo, e ele admitiu que deviam ser minúsculos primos dos enormes dragões de Pern.  

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