nº 13 - O Cérebro de Donovan


Autor: Curt Siodmak
Título original: Donovan's Brain
1ª Edição: 1942
Publicado na Colecção Argonauta em 1954
Capa: Cândido Costa Pinto
Tradução: José Correia Ribeiro 

Súmula - foi apresentada no livro nº12 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

A ficção científica tem, como qualquer outro género literário, diferentes fórmulas e géneros. Por ora, a "Colecção Argonauta" publicou, quase exclusivamente, volumes em que se aborda como tema de acção as viagens interplanetárias, a vida em outros mundos ainda não explorados pelo Homem e nos quais ainda só se penetrou pela fantasia e imaginação, associadas aso modernos conhecimentos da ciência.
O próximo volume desta colecção, porém, foge totalmente ao assunto clássico das explorações siderais. Terá mais ou igual interesse aos anteriormente publicados? Não sabemos. Os leitores serão os únicos juízes de tal opinião.
Para nós, "O Cérebro de Donovan" é um dos livros mais absorventes e espantosos dos últimos anos, pois aliando a "ficção-científica" e o "policial dedutivo" , "agarra" o leitor desde as primeiras páginas, sem grandes especulações de carácter profundo para os leigos, e, num galope apaixonante de acontecimentos, fá-lo viver o relato, dia a dia, de um médico que, tendo dominado inicialmente as ondas psíquicas do cérebro de um indivíduo morto, é por sua vez subjugado por esse mesmo cérebro sem corpo, ao ponto de perder totalmente o livre arbítrio.
Na opinião da exigente crítica do "New Yorker", "O Cérebro de Donovan", de Curt Siodmak, é uma obra prima de terror, como raramente se consegue transmitir no campo da literatura".
De facto, basta transcrever uma página a acaso deste extraordinário romance, para se aquilatar o grau de emotividade contido em cada linha do livro, o qual ainda por cima e para colocar o leitor mais dentro do ambiente é escrito na primeira pessoa do singular e na forma de diário.
Sujeito às forças tangíveis do Cérebro, que alimentou e acarinhou como um filho, o Dr. Patrick Cory - o protagonista de tão inesperada aventura - escreve no relatório das suas experiências estas palavras de desespero:

 "È preciso que alguém acredite em mim e me socorra! Estou a escrever à pressa... enquanto o cérebro repousa. É preciso que alguém me ajude! É preciso que alguém leia o que estou a escrever e acredite em mim! Um homem aparentemente morto ouve e vê. O corpo sou eu, Patrick Cory, mas o cérebro que me orienta pertence a outra pessoa... Até agora fui capaz de resistir. Mas a partir deste momento perdi completamente o domínio... Um pensamento terrível não me larga! A minha mulher é bonita e aos seus olhos... Donovan sou eu! O cérebro pretende ter relações íntimas com ela. Eu serei uma simples testemunha ocular... traído pelo meu próprio corpo! Grito por socorro, mas ninguém me ouve! Estarei louco? Socorro! Socorro!"

Por todos os motivos, recomendamos o nosso próximo volume aos que já conhecem os livros de ficção-científica, mas dedicamo-lo muito mais especialmente àqueles que nunca leram livros deste género. Temos a certeza de que se tornarão adeptos fervorosos da mais moderna modalidade de romance, depois de lerem.

1 comentário:

  1. O primeiro livro que li da colecção e talvez um dos melhores, uma obra-prima já adaptada ao cinema com o nome de "O Cérebro Assassino"

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