nº 230 - Passaporte para o Eterno




Autor: J.G. Ballard
Título original: Passport to Eternety
1ª Edição: 1963
Publicado na Colecção Argonauta em 1976
Capa: Manuel Dias

Tradução: Maria Emília Ferros Moura


Súmula - Foi apresentada no livro nº229 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":  

Forbis passara o dia inteiro a tentar subir ao 100º andar. Acocorado junto da pequena escada, por detrás do elevador, fitava abatido a porta de metal giratória que dava para o telhado, tentando tomar a iniciativa fosse de que maneira fosse. Havia onze degraus estreitos, o terraço vazio do telhado, as altas grades servindo de barreira ao suicídio e o céu aberto. De três em três minutos passava um avião de passageiros, lançando uma sombra momentânea sobre os degraus; os jactos abafavam momentâneamente o pânico que o dominava e de cada vez fazia nova tentativa para alcançar a porta.
Onze degraus. Contara-os milhares de vezes, há horas, desde que entrara pela primeira vez no edifício às dez horas daquela manhã e subira de elevador até ao 95º andar. Subira os restantes quatro andares a pé - que não passavam de simulações, escritórios sem janelas e sem utilização, destinados meramente a conferir ao edifício a totalidade numérica correspondente a um século - e depois esperara sem fazer o mínimo ruído junto às últimas escadas, escutando os elevadores que subiam e desciam e tentando acalmar-se. Como habitualmente, porém, a pulsação tinha-se-lhe acelerado e dois ou três minutos depois passara a cento e vinte por minuto. Sempre que se erguia e estendia a mão para o corrimão, algo lhe apanhava os centros nervosos, o cérebro ressoava-lhe e ficava colado ao chão como se fosse de chumbo.

Eis o início de um livro sensacional de J.C. Ballard, Passaporte para o Eterno, o próximo volume da Colecção Argonauta.
Ballard, um dos génios da ficção-científica, é um autor bem conhecido dos leitores portugueses e que bem dispensa apresentações. Mas o seu romance Passaporte para o Eterno, ultrapassa toda a expectativa e situa-se entre aquelas obras realmente magnas que fundamentam o prestígio de um escritor e de um género literário.
Passaporte para o Eterno, é um dos textos mais dramáticos que até agora se escreveram sobre os dramas de um futuro que mais e mais se nos afigura estranho, incontrolado e carregado de ameaças.

Nota: a edição lamentavelmente não possui um índice. Os contos apresentados são os seguintes:

1 - O Homem do 99º Andar
2 - Treze Para Centauros
3 - A Gravação
4 - As Torres de Vigia
5 - Uma Questão de Reingresso
6 - Escape
7 - Os Mil Sonhos de Stellavista
8 - A Prisão de Areia
9 - Passaporte para a Eternidade

Chamo a atenção para o conto intitulado Escape, que acho muitissimo perturbador e absolutamente extraordinário.

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