nº 379 - O Gato que Atravessa as Paredes 1



Autor: Robert A. Heinlein
Título original: The Cat Who Walks Through Walls
1ª Edição: 1985
Publicado na Colecção Argonauta em 1989
Capa: A. Pedro
Tradução: Clarisse Tavares 

Súmula - Foi apresentada no livro nº378 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Robert Heinlein, um dos mais celebrizados autores de obras de Ficção-Científica, bem conhecido dos leitores da Colecção Argonauta, e mundialmente apreciado, deu-nos, com o romance O Gato Que Atravessa as Paredes, em dois volumes, uma obra-prima dos domínios da imaginação e da organização da intriga. Espectacular, ousadíssimo e impregnado de verdadeiro suspense, O Gato Que Atravessa as Paredes é já um clássico da Ficção-Científica e um título que se torna imprescindível na Colecção Argonauta. Eis as páginas iniciais do primeiro volume de O Gato Que Atravessa as Paredes, o próximo lançamento da Colecção Argonauta:

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Precisamos de si para matar um homem.
O estranho olhou-me nervosamente. Eu achava que um restaurante cheio não era o lugar indicado para semelhante conversa, uma vez que o ruído permitia apenas uma privacidade limitada.
Abanei a cabeça: - Não sou um assassino. Matar é mais um passatempo para mim. Já jantou?
- Não vim aqui para jantar. Deixe-me só...
- Ora, vá lá... Eu insisto - ele tinha-me irritado, ao interromper-me a noite com uma senhora encantadora; eu estava a pagar-lhe na mesma moeda. Não se devia encorajar a má educação; deve-se retaliar, educadamente, mas com firmeza.
Esse senhora, Gwen Novak, tinha manifestado o desejo de empoar o nariz e havia abandonado a mesa, após o que Herr Desconhecido se tinha materializado e sentado à minha frente, sem ter sido convidado. Estava mesmo para lhe dizer para se ir embora, quando ele mencionou um nome: Walter Evans. 
Não existe nenhum Walter Evans.
Pelo contrário, esse nome é, ou deverá ser, uma mensagem de uma de seis pessoas, cinco homens e uma mulher, um código, para me lembrar de uma dívida. É concebível que a prestação devida pudesse ser paga com a morte de um homem - possível, mas no entanto, improvável. 
Mas o que não era concebível era que eu matasse alguém por ordem de um estranho, apenas porque ele invocara aquele nome.
Conquanto me sentisse na obrigação de o ouvir, não tencionava deixá-lo estragar a minha noite. Já que estava sentado à minha mesa, podia muito bem comportar-se como um convidado. -Se não desejar um jantar completo, pode pedir o menu das ceias. O "lapin ragout" na tosta é muito capaz de ser rato em vez de coelho, mas este chefe consegue fazê-lo saber a ambrósia. 
- Mas eu não quero...
- Por favor - olhei em volta, e vislumbrei o empregado -, Morris!...
Morris apareceu por trás de mim, de repente.
Três doses de "lapin ragout", por favor, Morris, e peça a Hans que nos escolha um vinho branco seco.
- Sim senhor, Dr. Ames.
- Não comece a servir antes de a senhora chegar, por favor.
- Com certeza.
Esperei que o empregado se afastasse: 
- A minha convidada deve estar a chegar. Tem, pois, um breve espaço de tempo para me explicar em particular. Por favor comece por me dizer o seu nome.
- O meu nome não é importante. Eu...
- Vamos lá! O seu nome, por favor.
- Disseram-me para referir apenas Walter Evans. 
- Tudo certo. Mas o seu nome não é Walter Evans, e eu não negoceio com um homem que não me diz o seu nome. Diga-me quem é, e é melhor que traga um cartão de identificação que condiga com as duas palavras.
- Mas... Coronel, é muito mais urgente explicar-lhe quem deve morrer, e porque é o senhor quem o deve matar! Tem de admitir isso!
- Eu não tenho de admitir nada. O seu nome! E o seu cartão de identificação. E por favor, não me chame coronel; eu sou o Dr. Ames - tive de levantar a voz, para não ser afogado pelos tambores. O show dessa noite ia começar. As luzes baixaram, e um clarão iluminou o mestre-de-cerimónias. 
Está bem, está bem! - o meu inesperado interlocutor levou a mão ao bolso, e tirou uma carteira. - Mas Tolliver tem de morrer no domingo ao meio-dia, ou estaremos todos mortos! 
Ele abriu a carteira para me mostrar a sua identificação. Uma pequena mancha escura alastrou sobre o peitilho da camisa branca. Olhou-a, surpreendido, e depois disse, brandamente: - Lamento muito - e inclinou-se para a frente. Parecia querer acrescentar algo mais, mas o sangue começou a sair-lhe em golfadas da boca.
Levantei-me imediatamente e pus-me do seu lado direito. Quase tão depressa como eu, Morris encostou-se do lado esquerdo. Talvez Morris estivesse a tentar ajudá-lo; eu não - era tarde de mais... 

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Nota: o retorno à saga de Lazarus Long, em mais uma grande obra de Robert A. Heinlein. Recomendadíssimo. Nota-se no entanto o pouco cuidado no entanto da nota editorial acerca da obra, ao não referirem que se trata da continuação da saga de Lazarus. Igualmente há erros no texto e nos nomes, que eu emendei. Como já referi, penso que os textos das sinopses na maior parte das vezes, infelizmente, preocupam-se mais em escrever apressadamente elogios sonantes para potenciar as vendas, muitas vezes sem ter porventura lido sequer as obras, do que em escrever algo realmente sobre elas, com conteúdo interessante - como por exemplo neste caso referir que esta obra faz parte da saga iniciada em Os Filhos de Matusalém (nº137) e prosseguida em A História do Futuro (nº243; 244; 245 da Colecção Argonauta).

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