nº 532 - Estrelas Semeadas



Autor: James Blish
Título original: The Seedling Stars
1ª Edição: 1957
Publicado na Colecção Argonauta em Dezembro de 2001
Capa: António Pedro
Tradução: Elsa T. S. Vieira
Revisão: Dália Moniz 

Súmula - foi apresentada no livro nº531 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

Os homens adaptados encontraram Sweeney a meio da grande ravina que proporcionava o único acesso à sua colónia à beira do penhasco, a partir do planalto no H de Howe. Sweeney não os reconheceu; não coincidiam com nenhuma das fotografias que memorizara, mas aceitaram prontamente a sua história. E não fora preciso fingir exaustão - a gravidade de Ganimedes era normal para ele, mas fora uma longa caminhada e uma subida ainda mais longa.
No entanto, ficou surpreendido por descobrir que a apreciara. Pela primeira vez em toda a sua vida caminhara sem guardas, quer humanos quer mecânicos, num mundo onde se sentia fisicamente em casa; um mundo sem paredes, um mundo onde estava essencialmente sozinho. O ar era rico e agradável, os ventos sopravam de onde lhes apetecia soprar, a temperatura na ravina era consideravelmente inferior à que era admissível na cúpula da Lua, e havia céu a toda a sua volta, tingido de azul e salpicado de estrelas que piscavam de vez em quando. 
Teria de ser cauteloso. Seria demasiado fácil aceitar Ganimedes como um lar. Fora prevenido quanto a isso mas, por alguma razão, não se apercebera que o perigo não seria apenas real, mas também... tentador. 
Os jovens que o encontraram conduziram-no rapidamente o resto do caminho, até à colónia. Tinham sido indiferentes como anónimos. Rullman era diferente. O ar de descrença e estupefacção no rosto do cientista, quando Sweeney foi introduzido no seu escritório de tecto alto e paredes de rocha, era tão profundo que chegava a ser assustador.
- O que é isto?! - exclamou.
- Encontrámo-lo a subir a ravina. Pensámos que se tinha perdido, mas ele diz que pertence ao voo original. 
- Impossível - disse Rullman. - Completamente impossível - e depois silenciou-se, estudando o recém-chegado dos pés à cabeça. A expressão de choque suavizou-se apenas ligeiramente.
O longo escrutínio deu a Sweeney tempo para o observar também. Rullman parecia mais velho do que nas fotografias, mas isso era natural; quanto muito, parecia um pouco menos marcado pela idade do que Sweeney antecipara. Era magro, parcialmente calvo, de ombros curvados, mas a curva confortável abaixo da cintura que as fotografias mostravam quase tinha desaparecido. Era evidente que viver em Ganimedes o endurecera um pouco. As fotografias não tinham preparado Sweeney para os olhos do homem: eram tão velados e perturbadores como os de um mocho.
- É melhor dizer-me quem é - disse Rullman, por fim. - E como aqui chegou. Não é um de nós, isso é evidente.
- Chamo-me Donald Leverault Sweeney - disse Sweeney. - Talvez não seja um de vós, mas a minha mãe disse-me que sim. Cheguei aqui na nave dela. Ela disse que vocês me receberiam. 
Rullman abanou a cabeça. 
- Isso também é impossível. Desculpe, Mr. Sweeney, mas provavelmente não faz a mais pequena ideia da bomba que é. Sendo assim, deve ser filho de Shirley Leverault... mas como é que chegou até aqui? Como é que sobreviveu todo este tempo? Quem o manteve vivo, quem cuidou de si, depois de termos deixado a Lua? E, acima de tudo, com que é fugiu aos polícias Portuários? Sabíamos que as Autoridades Portuárias da Terra tinham encontrado o nosso laboratório na Lua, mesmo antes de o abandonarmos. Mal posso acreditar sequer que você existe.
No entanto, a expressão de incredulidade total do cientista estava a suavizar-se a olhos vistos. Estava já, calculou Sweeney, a começar a acreditar. Inevitavelmente: ali estava Sweeney perante ele, a respirar o ar de Ganimedes, a suportar facilmente a gravidade de Ganimedes, com o pó de Ganimedes na sua pele fria, um facto entre factos indiscutíveis. 
- Os polícias Portuários encontraram a cúpula grande, sim - disse Sweeney. - Mas nunca chegaram a encontrar a pequena, a fábrica de pilotos. O papá rebentou com o túnel entre ambas antes de eles aterrarem. Morreu no desmoronamento. Claro, quando isso aconteceu eu ainda era apenas uma célula num frasco. 
Compreendo - disse Rullman pensativamente. - Apanhámos uma explosão nos instrumentos da nave antes de levantarmos. Mas pensámos que eram os atacantes Portuários a começar a bombardear, embora isso fosse inesperado. Então também destruíram o laboratório grande, afinal de contas?
- Não - disse Sweeney. Certamente qeu Rullman devia saber disso; as comunicações por rádio entre a Terra e a Lua deviam ser detectáveis aqui, pelo menos ocasionalmente. - Ainda havia algumas linhas de intercomunicação para lá; a minha mãe costumava passar muito tempo a ouvir o que se estava a passar. E eu também, depois de termos idade suficiente para compreender. Foi assim que soubemos que a colónia de Ganimedes também tinha sido destruída.

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