nº 313 - Os Senhores do Vórtice



Autor: E.E."Doc" Smith
Título original: The Vortex Blaster
1ª Edição: 1960
Publicado na Colecção Argonauta em 1983
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº312 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Os Senhores do Vórtice - no original The Vortex Blaster e mais tarde Masters of The Vortex, é considerado por alguns como o último volume da célebre série dos Portadores da Lente (Lensman) de E.E. "Doc" Smith, cujos volumes anteriores já foram publicados na Colecção Argonauta (Triplanetária, nº 259; O Planeta Secreto, nº 265; Patrulha Galáctica, nº 270; Heróis Galácticos, nº 275; A Lei do Espaço, nº 288 e Os Filhos do Cosmos, nº 302). Outros, todavia, discordam dessa inclusão, porque as figuras principais são outras, sem ligação com as anteriores.
Mas o estilo é o mesmo - um estilo ímpar, que maravilhou aqueles que, nos anos 30, ainda antes do começo da exploração do espaço cósmico, sonhavam com maravilhas. Ainda que "Doc" Smith tivesse escrito esta última obra muito mais tarde, já nos anos 50, e a tivesse dedicado a Robert A. Heinlein.
Quanto ao resto, bastará dizer que a Patrulha Galáctica continua presente. Boskone desapareceu, mas o mal persiste. A luta contra o mal tem de continuar e é a vez de Storm Cloude, o "génio da nucleónica" - como diz "Doc" Smith -, intervir com a sua nave Vortex Blaster, perseguindo e destruindo os vórtices, os turbilhões de "fogo nuclear" que surgem não se sabe de onde e, em número incontável, ameaçam os planetas por toda a Galáxia.
Eis o começo deste volume:

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Dispositivos de segurança que não protegem.
Navios "inafundáveis" que, antes dos dias da propulsão Bergenholm e da energia atómica e cósmica, se afundavam nas águas da Terra.
Mais particularmente, dispositivos de segurança que, ainda que protegessem contra um agente de destruição, atraíam como ímanes outros e ainda piores. Tais como o cabo armado dentro das paredes de uma casa de madeira, Protegia os condutores eléctricos contra os curto-circuitos acidentais externos, mas, se inequadamente ligados à terra, podiam atrair, e de vez em quando atraíam, as estupendas forças do raio. Então a armadura de aço explodia em incandescência dentro das paredes e a partir daí a existência da casa era medida em minutos.
Especificamente, quatro pára-raios. Os pára-raios protegiam a casa de plástico, vidro e cromados de Neal Cloud. Estavam devidamente ligados à terra, com cabos de cobre e prata do tamanho do indicador de um homem grande, porque Neal Cloud, doutor em Nucleónica, conhecia os relâmpagos e não estava disposto a correr riscos com a segurança da mulher e dos filhos.
Não sabia, nem sequer suspeitava, que sob certas condições de potencial atmosférico e de tensões electromagnéticas do solo, o seu sistema perfeitamente instalado e perfeitamente desenhado se poderia tornar num superpoderoso atractor de vórtices de desintegração atómica.
Por isso Neal Cloud, especialista em Nucleónica, estava agora sentado à sua secretária numa apatia tensa e vazia. O seu rosto estava meio cinzento, meio amarelado, as mãos com os tendões salientes agarravam rigidamente os braços da cadeira. Os olhos, duros e sem vida, olhavam o vazio, para além do pequeno retrato tridimensional de tudo quanto lhe dera razão de viver.
Porque a sua protecção contra os relâmpagos se tinha tornado num atractor de vórtices no mesmo momento em que um estúpido qualquer tentara eliminar um vórtice atómico "à solta". O estúpido morrera, evidentemente - como quase sempre acontecia - e o vórtice, em vez de ser destruído, foi simplesmente dividido em vários vórtices novos, muito depressa. Um desses elementos de energia furiosa e indominável, lembrando uma mão cheia de substância arrancada às profundezas de um sol, correra para a terra através da nova casa de Neal Cloud.
A casa não ardeu: explodiu. Nada de ela, dentro dela ou perto dela teve qualquer possibilidade de escapar, porque dentro de uma fracção de segundo o lugar onde ela estivera era uma cratera de lava fervilhante, ardente, uma cratera que enchera a atmosfera com vapores venenosos, que enchera todo o espaço em redor com radiações letais.
Cosmicamente, tudo aquilo fora infinitesimal. Desde que os homens tinham aprendido a usar a energia atómica que os vórtices desintegradores estavam a escapar-se ao seu domínio. Acidentes desses tinham acontecido e continuariam a acontecer. Mais do que um mundo, talvez, tinham sido ou podiam ser consumidos até ao último grama por esses vórtices desenfreados. E depois? Que importavam alguns grãos de areia a um reactor com oito mil quilómetros de comprimento, cento e sessenta de largura e dezasseis de profundidade?
Mesmo para o grão de areia chamado "Terra", ou como se dizia agora: "Sol Três", ou "Tellus do Sol", ou simplesmente "Tellus" - a questão era desprezível. Um homem morrera, mas ao morrer acrescentara uma página negativa ao espesso volume de resultados negativos já reunidos.

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