nº 287 - Os Visitantes 2
























Autor: Clifford D. Simak
Título original: The Visitors
1ª Edição: 1979
Publicado na Colecção Argonauta em 1981
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº286 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
"Alguns tumultos eclodiram em grandes cidades em que a situação social e económica era tal que qualquer coisa era uma desculpa para surgirem desordens. Durante os tumultos houve pilhagens e fogos postos. Algumas pessoas ficaram feridas, outras morreram. Em algumas universidades, os estudantes fizeram manifestações bem-humoradas, e vários grupos se lhes juntaram para favorecer as suas causas mais queridas, mas nenhuma das manifestações teve muito significado. Os fanáticos religiosos e os fanáticos que não eram religiosos discursaram nas esquinas, nos parques, nas igrejas e em salões. Em certas áreas, o entusiasmo em relação aos cultos subiu largamente. Os articulistas dos jornais e os comentadores da TV apresentaram cem pontos de vista diferentes, poucos dos quais, sob qualquer espécie de escrutínio objectivo, teriam um mínimo de senso.
As histórias cresciam - sempre de qualquer coisa que acontecera em qualquer outra parte, o índice da estupidez aumentando com a distância - e lendas em embrião começaram a formar-se.
O fenómeno do ser levado lá acima foi ouvido com uma frequência cada vez maior, os relatos a surgirem de todas as partes da nação e a serem logo agarrados e explorados pelos cultos que, do mesmo modo, tinham surgido em todos os cantos da nação. Várias pessoas afirmavam terem sido levadas lá acima sem nunca explicarem bem como aquilo acontecera; diziam ter sido introduzidas nos corpos dos visitantes e que, depois de terem sido levadas lá acima, tinham tido a visão de muitas coisas maravilhosas ou recebido mensagens (também de muitas espécies diferentes) com o encargo de as transmitirem aos outros habitantes da Terra. Os membros dos cultos, e muitos outros, deram vários graus de crença a esses relatos das pessoas de serem levadas lá acima, enquanto um grande número escarnecia deles. Foi recordado que nos primeiros dias das aparições de OVNIS, ou de supostas aparições, muita gente afirmara ter tido contacto directo com os tripulantes dos discos voadores.
Mas qualquer que fosse a forma por que esses relatos, e outras histórias lendárias, tivessem surgido ou se houvessem espalhado, a populaça tornou-se consciente de um facto que não podia ser negado. A Terra fora invadida por criaturas vindas do espaço, e não acontecera nenhuma das coisas que os escritores de ficção-científica, através de longos anos de trabalho, tinham previsto."
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Eis um trecho do segundo e último volume de "Os Visitantes", a mais moderna e uma das melhores obras de Clifford D. Simak:

O Dr. Albert Barr disse a Jerry Conklin: - Miss Foster telefonou-me a dizer que queria falar comigo, mas não me disse precisamente porquê. Indicou-me que tinha algo que ver com os visitantes. - Voltou-se para Kathy: - Afirmou-me que isto não é uma entrevista para o seu jornal. 
Kathy respondeu: - Não é uma entrevista e não fui específica porque penso que Jerry lhe dirá tudo quanto aconteceu.
Jerry interveio: - Tenho estado preocupado com a coisa, desde que ela aconteceu.
- Por favor diga-me o que aconteceu - propôs Barr. - Comece pelo princípio.
Manteve-se atrás da secretária, olhando as duas visitas com uma expressão interrogadora. Era um homem de cabelos cor de areia, muito mais jovem do que Kathy esperara que fosse e com o arcabouço de um jogador de futebol. Através da janela aberta do gabinete vinham os ruídos do fim da tarde na área da Universidade, a gargalhada estridente de uma jovem, os estudantes a gritarem uns com os outros, o roncar de um carro que acabava de arrancar e o uivo dos pneus sobre o piso quando ele partiu, disparado. Pontos dourados de luz salpicavam as janelas quando o sol-poente brilhava através de uma árvore coberta de belas cores outonais.
- Deve ter lido notícias sobre o carro que foi esmagado quando o primeiro visitante desceu em Lone Pike - disse Jerry. 
- Teria sido o seu carro? - perguntou Barr.
- Podia ter sido. Na verdade, foi. Tinha-o estacionado no extremo da ponte para ir pescar um pouco. Tinham-me dito que havia grandes trutas arco-íris na lagoa por baixo da ponte. 
Barry não interrompeu Jerry enquanto ele contava a sua história. Um par de vezes pareceu quase pronto a fazer perguntas, mas não as fez.
Quando Jerry acabou, o exobiologista perguntou: - Há várias coisas que queria discutir consigo, mas primeiro diga-me porque veio aqui falar comigo. Que quer de mim?
Jerry respondeu: - Há duas coisas. Essa coisa do "lar": o visitante pensou no "lar" ou fez-me pensar no lar. Tenho meditado muito nisso e parece-me que não faz sentido algum. Estou convencido de que me induziu o pensamento que eu tive de um lar. E o pensamento foi bem real, não uma breve impressão, mas algo que continuou. Como se o visitante, ou quem quer que estivesse dentro do visitante, quisesse que eu pensasse no lar, ou na terra onde nasci, e me pressionasse para que pensasses nisso. 
- Está a tentar dizer que houve telepatia?
- Não sei o que houve. Se "telepatia" quer dizer que a criatura falou comigo ou tentou falar comigo, esse não foi o caso. Tentei falar com ela, o que podia ter sido um disparate, mas que vistas as circunstâncias pode ter sido muito natural. Estava ali, encerrado num lugar que eu não compreendia, e procurava uma informação, qualquer espécie de informação que pudesse explicar o que estava a acontecer. Portanto tentei falar com a criatura, estabelecer qualquer espécie de contacto, obter algumas respostas. Provavelmente estava bem consciente de que seria impossível estabelecer contacto, mas...
- Considera-se de algum modo telepata?
- Não. Tanto quanto saiba, não tenho qualquer capacidade telepática. A verdade é que nunca pensei em tal coisa. Estou convencido de que não sou um telepata.
- No entanto a criatura falou consigo. Ou você está convencido de que ela falou consigo.
- Não foi o que eu disse, Dr. Barr. Em momento algum pensei que o visitante estivesse a falar comigo. Não houve comunicação consciente, não se formaram palavras no meu espírito, nem imagens, nada disso. Houve apenas essa sensação de "lar", ou da terra onde nasci. Uma sensação poderosa.
- Está convencido de que essa sensação veio da criatura?

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