nº 248 - Apocalipse 2000



Autor: Guy Snyder
Título original: Testament XXI
1ª Edição: 1973
Publicado na Colecção Argonauta em 1978
Capa: Manuel Dias
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - Foi apresentada no livro nº247 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Quando o astronauta Williams voltou - depois do mais longo voo até então realizado no espaço - descobriu que a grande civilização que deixara na Terra desaparecera, destruída pelo caos que ela própria criara. Mas na região que outrora fora o Michigan, havia agora uma República, que o acolheu como um herói.
Só que a "República" era um reino, formado por uma cidade subterrânea governada por um monarca fraco e por uma classe sacerdotal sedenta de poder. O Dia do Juízo Final - nuclear - ocorrera havia já cem anos, e chegara o momento das "cartas na mesa".

Houve uma batalha.
Uma orgia.
Mas não uma grande orgia.
Havia blindados e carros porta-mísseis: alguns homens sem blindados, com fatos anti-radiação e equipamento portátil.
O rei repousava contra o flanco de um carro de batalha que fora atingido directamente por um míssil. O blindado tinha o número 572 e o rei não tinha capacete, porque o seu fato fora rasgado de alto a baixo.
O rei estava ali. Metade dele.

Eis o tema de Apocalipse 2000, uma obra invulgar devida a Guy Snider, um dos mais admirados nomes da nova vaga de autores da ficção-científica. E é com "ingredientes" clássicos, desde os chamados adereços, tais como os fatos espaciais, etc, aos sentimentos - desencadeados e experimentados dentro do quadro, não menos clássico, da afectividade humana - que o genial autor nos mobiliza, na nossa atenção e na nossa imaginação, para uma aventura que realmente força e ultrapassa os limites do nosso actual tempo-espaço, para nos projectar na infinidade, na vertigem dos possíveis.

Introdução:

Um dia virá o Apocalipse - do Céu cairá o Inferno nuclear. Que virá depois?
Eis um tema que não é inteiramente novo na ficção-científica, mas é talvez aquele que os autores deste género menos procuram. Talvez porque é aquele que mais temem que possa tornar-se em realidade.
Importa dizer que ninguém, até hoje, enfrentou esse tema maldito como o fez Guy Snyder, em Testament XXI, agora apresentado na versão portuguesa sob o título de Apocalipse 2000. Ninguém tentara descrever a vida possível, depois do Dia do Juízo Final - nuclear - através dos olhos e do cérebro dum homem quase do nosso tempo: um astronauta regressado à Terra depois de uma viagem de longos e longos anos no Espaço. O choque das civilizações - a mágoa enorme pela Humanidade perdida - são descritas por Snyder de uma maneira que o eleva de um só golpe ao mais alto nível dos modernos autores. Além de que o seu estilo é dos mais invulgares - tão bom como de monstros sagrados, como Thomas M. Disch, Mark Geston ou Harlan Ellison. Apocalipse 2000 é uma bofetada no convencionalismo - e é um exercício invulgar, em matéria de estilo.

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