nº 522 - Uma Coisa do Outro Mundo



Autor: Murray Leinster
Título original: Out of this World
1ª Edição: 1958
Publicado na Colecção Argonauta em Fevereiro de 2001
Capa: António Pedro
Tradução: Elsa T. S. Vieira
Revisão: Dália Moniz

Súmula - foi apresentada no livro nº521 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

De um dia para o outro, em vários pontos do território dos Estados Unidos da América, começam a ocorrer estranhos acontecimentos, pequenas catástrofes localizadas às quais, a princípio, ninguém parece prestar muita atenção. 
Um único homem, o físico David Murfree, apercebe-se dos riscos implícitos em todos esses episódios aparentemente desgarrados, do padrão sinistro que pouco a pouco se desprende da sua análise conjunta. Reúne a família e parte, numa expedição qeu é uma aventura quase desesperada, em busca das raízes do mal que assola o seu país.
Então, já perto da região montanhosa das Great Smokies, encontra Bud Gregory, um mecânico de automóveis quase analfabeto, que se revela um génio da física...  

Já na segunda-feira, Bud Gregory ficou sentado, num ócio magnificente, em frente ao barracão onde funcionava a sua oficina de reparação automóvel, na aldeia de Brandon, à beira das Great Smokies. 
Nesse dia, algo impalpável e invisível desceu sobre Cincinnati e as pessoas começaram a acorrer aos hospitais; o seu sangue estava a sofrer alterações que faziam os médicos levar as mãos à cabeça. 
Na terça-feira, Bud Gregory pensou em trabalhar um pouco nos quatro automóveis que aguardavam na oficina para serem reparados, mas não lhe apeteceu trabalhar e foi, em vez disso, pescar...
Nesse dia, os contadores Geiser no Gabinete de Padrões em Washington enlouqueceram todos ao mesmo tempo, tornando impossível a aferição dos derivados das pilhas atómicas que produziam explosivos nucleares para a defesa nacional. 
Na quarta-feira, Bud Gregory trabalhou com relutância durante meia-hora. Bocejando, foi para casa dormir uma sesta.
Nesse dia, quarenta cabeças de gado, numa colina da Virgínia Ocidental, deitaram-se e morreram; e descobriu-se que um ribeiro de trutas na Geórgia estava cheio de peixes mortos. Quatro doentes com cancro internados num lar para pacientes incuráveis em Frankfort, Kentucky, sofreram subitamente uma melhoria impossível. Saíram do hospital três semanas mais tarde e regressaram ao trabalho.
Na quinta-feira, foi Bud Gregory...
Foi assim que as coisas se passaram ao princípio. Bud Gregory não parecia ter ligação nenhuma com qualquer das séries de acontecimentos invulgares. Os acontecimentos em si mesmos eram simplesmente absurdos - como, por exemplo, o facto de toda a folhagem numa área com quinze quilómetros de terreno montanhoso, na Pensilvânia, se ter tornado levemente arroxeada de um dia para o outro, e depois ter murchado, transformando-se numa polpa putrefacta.
Três dias mais tarde, não havia uma única folha verde ou uma lâmina de relva viva numa superfície de aproximadamente oitenta quilómetros quadrados. Isso não parecia ter qualquer ligação racional com Bud Gregory, tal como qualquer outro dos acontecimentos. Mas a ligação estava lá. 
Parecia não haver qualquer explicação racional, porque a resposta que ocorria à mente de muitas pessoas, ao princípio, levantava mistérios maiores que os acontecimentos que pretendia explicar. Se a causa era a radioactividade, qual a sua origem? Era aí que toda a gente ficava sem resposta.
Foi o Dr. David Murfree, do Gabinete de Padrões, o primeiro a juntar os vários artigos numa soma plausível. Não incluía um mecânico de automóveis de província, claro - não havia dados para isso - mas mesmo assim o seu palpite era bastante sólido.
Murfree era um físico, não um médico, e o seu ordenado no Gabinete era de cinco mil e duzentos dólares por ano, com a apropriada categoria profissional de funcionário público. Ele juntou os vários acontecimentos isolados, e eram convincentes. Mas a resposta era, aparentemente, impossível. Não conseguiu convencer nenhum dos seus superiores a concordar com ele quanto à necessidade de acção. E ele achava que a necessidade era realmente grande. Portanto, tirou um certo número de dias de licença que tinha acumulados, levantou quinhentos dólares do banco, e partiu no seu velho e usado carro para investigar às suas próprias custas. 
Guardados no carro iam certos artigos de equipamento do Gabinete que ele não tinha qualquer direito de ter pedido emprestados, e que lhe custariam quase um ano de ordenado se lhes acontecesse qualquer coisa. 
Foi até uma zona seca e árida da Pensilvânia e efectuou determinados testes. Foi até Cincinnati e fez mais testes. Foi ao local da Virgínia Ocidental onde o gado tinha morrido, fez perguntas pela zona, e alguns testes esquisitos a outras vacas e bezerros doentes. Depois voltou para Washington o mais rapidamente que o seu velho carro lhe permitia.
Murfree foi primeiro a casa e disse à mulher que fizesse as malas. Explicou-lhe concisa e precisamente o que se passava e ela fitou-o com dúvida e receio. Foi ao Gabinete de Padrões - ainda estava, tecnicamente de licença - e mostrou os resultados dos seus testes a alguns dos homens que trabalhavam com ele. 
Ainda não se conseguia usar os contadores Geiger no Gabinete, mas um dos amigos de Murfree ia a caminho de Nova Iorque, para usar os aparelhos na Universidade de Colúmbia que não tinham enlouquecido. Murfree convenceu-o a levar as amostras que tinha recolhido.
Depois foi ter com um amigo que, por acaso, era meteorologista - e obteve más notícias que confirmavam as suas suspeitas. Os mapas meteorológicos relativos ao período que cobria os fenómenos inexplicados, disse-lhe exactamente como era provável a sua conjectura, e onde devia ser procurada a causa primária dos testes.
Depois David Murfree enfiou a mulher e a filha no carro, levantou o resto do dinheiro que tinha no banco, e dirigiu-se às Great Smokies.
Era uma acção estritamente lógica. Leucemia epidémica em Cincinnati, contadores arruinados em Washington; gado morto na Virgínia Ocidental; trutas mortas na Geórgia; a súbita cura do cancro dos pacientes em Frankfort, Kentucky - e uma zona de quinze quilómetros de vegetação morta na Pensilvânia.
Se Murfree tivesse conseguido que alguém com autoridade o ouvisse, as medidas a tomar teriam sido mais rápidas e muito mais drásticas. Mas ninguém o ouvia, portanto teve que agir por conta própria.

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