nº 200 - As Máquinas da Destruição


    
Autor: Fred Saberhagen
Título original: Berserker
1ª Edição: 1967
Publicado na Colecção Argonauta em 1974
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº199 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":  

Ninguém sabia de onde tinham vindo as Máquinas da Destruição. Mas todos sabiam para que elas haviam vindo.
Eram assassinos mecânicos. O seu cérebro era um computador programado para destruir todas as formas de vida.
E as Máquinas da Destruição não eram lógicas. Actuavam segundo a desintegração acidental dos átomos, que podia escolher qualquer meio de destruição, entre uma variedade infinita.
Planetas e planetas tinham sido atacados, martelados, esmagados, tornados em nuvens de vapor e poeira.
Só uma espécie de ser podia bater as Máquinas da Destruição. Uma espécie cuja história inteira fora passada a conceber armas cada vez mais poderosas. Uma espécie condicionada a sacrificar as suas vidas pelo título de "Herói".
Uma espécie chamada "Homem".
Eis o tema simultâneamente absorvente e deslumbrante da obra de Fred Saberhagen que, pelo seu excepcional valor, foi escolhida para constituir o duocentésimo volume da Colecção Argonauta.

Introdução

É este o número 200 da Colecção Argonauta. Por isso, o volume que o constitui foi cuidadosamente seleccionado. O seu autor não é conhecido do público português. Mas o seu estilo é dos mais belos alguma vez surgidos na ficção-científica. Fred Saberhagen não se limita a descrever mundos diferentes, situações diferentes, humanidades diferentes, em tempos afastados tão longe de nós, no futuro, que excedem a própria imaginação. Fred Saberhagen é mais do que isso: é alguém que escreve para recordar e enaltecer as virtudes essenciais do Homem - as virtudes que o mundo de hoje parece ir perdendo e esquecendo. Mesmo que As Máquinas da Destruição não fossem um prodígio, pelo seu tema - a luta do Homem contra a Máquina, mas uma Máquina inteligente, diabólicamente inteligente, concebida para extinguir todas as formas de vida -, a obra seria bem digna de constituir o 200º volume da Colecção Argonauta, porque reconcilia o Homem com os seus valores naturais.

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Eu, Terceiro Historiador dos Carmpan, por gratidão aos descendentes da Terra pela defesa do meu mundo, aqui assento para eles a minha visão fragmentária da sua grande guerra contra o nosso inimigo comum.
A visão foi formada pedaço a pedaço através dos meus contactos no passado e no presente com os espíritos dos homens e das máquinas. Nesses espíritos estranhos para mim, apercebo-me muitas vezes do que não posso compreender, ainda que veja que é verdade. E assim assentei na verdade os actos e as palavras dos homens descendentes da Terra, grande e pequenos ou vulgares, as palavras e até os pensamentos secretos dos vossos heróis e dos vossos traidores.
Olhando para o passado, vi como no vigésimo século do vosso calendário cristão os vossos antepassados da Terra construiram pela primeira vez os radiodetectores capazes de sondarem as profundezas do espaço interstelar. No dia em que os murmúrios das nossas vozes alienígenas foram detectados pela primeira vez, atravessando os enormes intervalos, o universo das estrelas tornou-se real a todas as nações da Terra e a todas as suas tribos.
Tomaram consciência do mundo real que os rodeava - um universo estranho e imenso para além do pensamento, possivelmente hostil, rodeando todos os homens da Terra e tornando-os pequeninos e iguais.  Tal como os selvagens ilhéus ses tornam conscientes dos  grandes poderes existentes no seu oceano e para além dele, as vossas nações começaram - de mau humor, com desconfiança, quase contra sua vontade - a pôr de parte as suas diferenças umas com as outras.
No mesmo século os homens da velha Terra deram os seus primeiros passos nos céus. Estudaram as nossas vozes estranhas sempre que as podiam ouvir. E, quando os homens da velha Terra começaram a viajar mais depressa que a luz, seguiram as nossas naves para nos desconbrirem.
A vossa espécie e a minha, estudaram-se uma à outra com ciência ardente e com grande cuidado e cortesia. Nós, os Carmpan, e os nossos amigos mais antigos somos mais passivos do que vós. Vivemos em ambientes diferentes e os nossos principais pensamentos têm orientações diferentes. Não constituímos uma ameaça para a Terra. Cuidámos de que os homens da Terra não se sentissem incomodados com a nossa presença: física e mentalmente, tiveram de vir ao nosso encontro. Cultivámos todas as qualidades necessárias para manter a paz. Afinal, para o dia impensável que havia de vir - para o dia em que desejámos ser amantes da guerra!
Vocês, da Terra, encontraram planetas desabitados, onde podiam desenvolver-se ao calor de sóis muito semelhantes ao vosso. Em grandes e pequenas colónias, espalharam-se através de uma parte de um dos braços da nossa galáxia, que tão lentamente vai girando sobre si própria. Aos vossos colonos e pioneiros, a galáxia começou a parecer um lugar amigável, rico de mundos maduros para a vossa ocupação pacífica.
A imensidade estranha que vos rodeava pareceu não ser de modo algum hostil. As ameaças imaginárias recuaram para além de horizontes de silêncio e vastidão. E assim, mais uma vez, vocês permitiram-se a luxúria do conflito perigoso, levando consigo a ameaça da violência suicida.
Nenhuma lei susceptível de ser imposta existia entre os planetas. Em cada uma das vossas colónias disseminadas, dirigentes individuais manobravam com vista ao poder pessoal, distraindo o seu povo com perigos reais ou imaginados, criados por outros homens descendentes da Terra.
Toda a exploração subsequente foi demorada, nos mesmos dias em que as novas e inexplicáveis vozes da rádio foram pela  primeira vez ouvidas, vindas do além das vossas fronteiras, as estranhas vozes que depressa se tornariam terriveis e que conversavam apenas em matemáticas. A Terra e as colónias da Terra estavam todas divididas entre si pela suspeita, e no medo mútuo treinavam-se e armavam-se rápidamente para a guerra.
Nesse momento, a propensão para a violência que por várias vezes quase vos destruíra, provou ser o meio da sobrevivência. Para nós, os guardiães Carmpan, os retirados videntes e sondadores de espíritos, parecera que fora vossa condição suportar o peso esmagador da gurra durante toda a vossa história, sabendo que ele seria por fim necessário, que esta hora surgiria súbitamente quando nada menso terrível poderia servir a ela.
Quando a hora surgiu e o nosso inimigo apareceu sem aviso, vocês estavam prontos, com armadas de batalha, grandes como enxames. Vocês estavam dispersos e escondidos em dúzias e dúzias de planetas e fortemente armados. Porque o estavam, é que agora alguns de vós e de nós se encontram agora vivos.
Nem toda a nossa psicologia Carmpan, nem a nossa lógica, visão e subtileza, nos poderiam ter valido de alguma coisa. Os hábitos da paz e da tolerância seriam inúteis, porque o nosso inimigo não estava vivo.
No entanto, que foi que esse mecanismo nos trouxe?

Nota: existem muitas pessoas que pensam que o nº 200 da Colecção Argonauta é um livro intitulado Estação de Trânsito, do Clifford Simak. Não é. Esse é o nº 200 da Colecção Vampiro, uma edição comemorativa mista, que traz a Estação de Trânsito de um lado e do outro lado mas em orientação inversa, O Caso da Vela Torcida, de Stanley Gardner. A Estação de Trânsito, foi publicada numa edição limitada e rara com o nº 130-A, na Colecção Argonauta. Não aparece sequer nas listas oficiais dos Livros do Brasil e poucas pessoas sabem que existe sequer. A sua história pode ser consultada neste blog, bastando para isso aceder ao número respectivo através do índice.

Colecção Argonauta do nº151 ao nº200:

 

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