nº 40 - O Síndico


Autor: C. M. Kornbluth
Título original: The Síndic
1ª Edição: 1953
Publicado na Colecção Argonauta em 1957
Capa: Lima de Freitas
Tradução: H. dos Santos Carvalho

Súmula - foi apresentada no livro nº39 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

O Síndico, estranha personagem quase mística, organizara uma espécie de gigantesca liga protectora que incluía a zona dos que tinham sido outrora os Estados a Este do rio Mississipi.
Nunca a humanidade vivera tão bem, ou pelo menos assim parecia. O dinheiro era abundante, e a felicidade uma coisa real. As inibições morais tinham desaparecido ao mesmo tempo que os cavalos; a maior parte das raparigas eram facilmente abordáveis, e o desporto nacional, o pólo, jogava-se em "jeeps" com metralhadoras de calibre 50 para impelir a bola de aço.
O desesperado, corrupto e velho Governo Norte Americano, completamente desligado da Nação, tinha-se encaminhado literalmente para o mar, mas fazia ocasionais incursões de pirataria no continente, partindo das suas bases nas ilhas costeiras da arruinada e selvagem Europa.
A Oeste do Mississipi ficava o Território Mob, o território da populaça e dos motins, e apesar dos tratados e frequentes encontros oficiais, os governantes de Mob invejavam, temiam e odiavam a abundância e a felicidade de vida sob o governo do Síndico.
Gordo, feliz e hedonístico, o Síndico não estava preparado para encarar as realidades de um sério choque com o velho e desacreditado Governo, e só quando a vaga de crimes, sabotagens e atentados estalou em New York se decidiu, mas já tardiamente talvez, a entrar em acção.
O jovem Charles Orsino, famoso jogador de pólo motorizado e rebento de uma das famílias mais cotadas, aceitou então voluntáriamente, parte por idealismo, parte para matar o tédio, uma perigosa missão de espionagem.
Aqui começa uma das mais fantásticas aventuras que envolve ondas cerebrais, feitiçaria e morte vindas de uma conspiração que engloba membros de um rito Druida esquecido no tempo e trazido de novo à actualidade.
Eis um romance apaixonante e engenhoso do autor dessa obra-prima mundial que se chama Takeoff, que provocou uma verdadeira onda de polémicas entre os mais abalizados críticos de ficção-científica em todo o mundo. As mais desencontradas opiniões chocaram-se, mas todas elogiosass. Romance de aventuras, romance psicológico, uma obra na qual as mais penetrantes faculdades de observação são postas ao serviço da mais fecunda imaginação, ainda hoje discutido, Takeoff éf uma obra que se impõe em todas as bibliotecas de "boa" ficção-cientifica.
O Síndico, próximo livro a editar pela Colecção Argonauta, participa de todas as qualidades de Takeoff, e pode ser considerado, se bem que menos conhecido do público que este, tão empolgante, senão mais.
A imaginação de C. M. Kornbluth apraz-se a imaginar um mundo onde a Europa, completamente arruinada, nada mais serve que de base militar ao Governo dos Estados Unidos, governo fantoche, paradoxal, sem raízes no próprio país, e o seu livro mostra-nos os extremos a que pode chegar um governo que se afasta deliberadamente do seu povo, ficando assim a sua função reduzida a incursões de pirataria e destruição do próprio país que deveria representar.
Por outro lado, o governo do Síndico proporciona à população do leste do Mississipi condições de vida material sem igual. Claro que a Cultura, sob todas as suas formas, passou a plano secundário, mas isso que importância tem, num pais onde todos têm a barriga cheia, e todas as raparigas podem sonhar?!...
E há ainda o Território Mob...
E um culto pré-histórico ressuscitado...
No meio de tudo isto, Charles Orsino, nomeado agente especial do Síndico para uma misisão ainda mais especial, tenta impedir a catástrofe a que levaria o mundo, como sempre tem levado, uma guerra à escala universal.
Há ficção-científica e ficção-científica. A certa e a errada. A crível e a incrível. A "científica" e a que de "científica" nada mais tem que metado do nome, e de "ficção" muito pouco também.
Lugares comuns estafadíssimos, coitadinhos, que já não conseguem chegar ao fim do livro sem estar com três palmos de língua de fora. O "rapaz", super-herói com muitos músculos, capaz de inventar em 30 segundos a super-máquina que salvará a humanidade em geral da destruição pelos "piratas", e a ele próprio de uma situação difícil em que a sua vida está por um cabelo. E a "rapariga", pura, ingénua, valente, presa fácil no entanto de indivíduos sem escrúpulos ou de monstros vindos de outro planeta, de outro sistema, ou de outra galáxia sem se saber como, o que de resto não interessa nada à questão. Esta é a chamada ficção-científica das histórias aos quadradinhos, para miúdos, e miúdos que sejam atrasados mentais, claro. Evidentemente que não é esta a ficção-científica que o leitor prefere; se assim fosse, não estaria agora a ler este resumo, que também não o é.
O leitor prefere, é claro, a verdadeira F.C. É por isso que após nomes como Ray Bradbury, Isaac Asimov, Heinlein, Russell, e tantos outros, a Colecção Argonauta lhe vem agora oferecer mais um livro escrito por um "nome" da F.C. Fiel ao princípio que impôs a si própria, a Colecção Argonauta procura trazer ao público português os escritores já consagrados, que, pela sua seriedade científica, as suas qualidades profissionais, a sua imaginação, se impuseram há muito ao leitor estrangeiro.
Com a publicação de "O Síndico", dá-se a conhecer em Portugal mais um grande nome, o de C.M. Kornbluth, que não deixará de receber o mesmo caloroso acolhimento que recebeu em todos os países onde foi publicado. Se o leitor é apreciador de boa ficção-científica, não deve deixar de ler "O Síndico" e terá uma surpresa. O que se possa dizer sobre este livro nada faz prever do que realmente ele é. 
As peripécias sucedem-se num ritmo tão rápido que empolga o leitor até à última página, prendendo-lhe a atenção, dominando-o, subjugando-o já pelo estilo, já pelo assunto. Imagine-se o leitor num mundo onde os mais adiantados progressos técnicos, tais como a iluminação pública atómica vão de par com uma religião que exige sacrifícios de animais uma vez por mês e sacrifícios humanos duas vezes por ano, e terá uma pálida ideia do mundo onde C.M. Kornbluth o transportará.
A Colecção Argonauta orgulha-se pois, a justo título, de apresentar pela primeira vez em Portugal o nome de C.M. Kornbluth, encimando uma obra de extraordinário interesse e emoção. "O Síndico", a tal personagem de espírito prátio, que só se preocupa com o bem estar dos seus filiados, receberá sem dúvida a melhor recepção por parte do público.

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