nº 516 - A Conquista da Imortalidade



Autor: Robert Sheckley
Título original: Immortallity Delivered
1ª Edição: 1958
Publicado na Colecção Argonauta em 2000
Capa: António Pedro
Tradução: Alexandra Santos Tavares 

Súmula - foi apresentada no livro nº515 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
  
Quando Thomas Blaine despertou, estendido sobre uma cama branca no meio de um quarto imaculadamente branco, ouviu alguém dizer: "Está outra vez vivo". Então perguntaram-lhe qual era o seu nome, idade e estado civil. Claro, tudo aquilo parecia razoavelmente normal. Mas que diabo quereriam eles dizer com as referências ao "trauma da morte"?
Foi então que uma jovem se aproximou da sua cama, acompanhada por dois homens que traziam consigo toda uma parafernália de instrumentos, e lhe perguntou se ele se lembrava do acidente. E só nessa altura ele se começou a recordar.  
Lembrou-se da estrada solitária, e da hora tardia da noite. Viajava a oitenta quilómetros por hora. Lembrou-se de como o outro carro se aproximara e de como os faróis o tinham encadeado. E, santos deuses! - lembrou-se... de ter morrido!
Ora ali estava ele, a ser interrogado por uma jovem bem bonita, munida, via agora, de um microfone. Os homens em seu redor manejavam o que lhe parecia ser uma espécie de equipamento de gravação, registando todas as suas reacções às perguntas que lhe faziam e às suas próprias descobertas. Finalmente, a rapariga disse: "Olhe com atenção para o seu corpo, Mr. Blaine. Tem aqui um espelho. Olhe para o seu rosto." 
Blaine olhou e estremeceu com se estivesse febril. Passou uns dedos incertos pelo rosto e gritou: "Esta não é a minha cara! O que é que fizeram à minha cara? O que é que fizeram ao meu corpo e à minha cara?"
Foi assim que Thomas Blaine contactou pela primeira vez com o ano de 2110, altura em que a ciência descobrira a técnica para transferir a consciência de um corpo para outro.

Nota: um grande lapso dos Livros do Brasil, relativamente a este livro. Não consigo compreender falhas destas, sinceramente. Este livro já tinha sido publicado com o nº 424! Dessa vez colocaram o título correcto: Immortality, Inc, e foi traduzido por António Porto!

Este nº516 é o mesmo livro, publicado com o nº424, e que agora aparece erradamente com o título  "Immortality Delivered" (quero acreditar que foi outro "lapso"), e traduzido agora por Alexandra Santos Tavares! Em termos editoriais, isto é a meu ver incompreensível. Custa a crer que não tivessem uma lista com os autores e as obras já publicadas!

Também é curioso notar as diferenças nítidas entre as duas traduções, que alteram por vezes o sentido da informação. É por estas razões que, quem pode, prefere normalmente ler as obras no original. Vejam os primeiros dois parágrafos dos respectivos dois livros, para se aperceberem das diferenças entre as traduções. É notória sobretudo a diferença de sentido entre as palavras "eminente" e "arrojada", que não possuem de todo significados semelhantes!

Tradução de António Porto
Posteriormente, Thomas Blaine reflectiu na maneira como morrera e desejou que tivesse sido de forma mais interessante. Porque é que a sua morte não podia ter ocorrido enquanto estava a combater um tufão, a enfrentar o ataque de um tigre, ou a escalar uma montanha varrida pelo vento? Porque é que tinha de ter sido tão insípida, corriqueira e vulgar?
Mas uma morte iminente, compreendeu, não teria estado de acordo consigo. Estava indubitavelmente destinado a morrer de uma maneira rápida, vulgar, suja e indolor, como morrera. E toda a sua vida devia ter-se passado na construção dessa maneira de morrer... uma vaga indicação da infância, uma razoável promessa nos seus tempos de escola, uma implacável certeza com a idade de trinta e dois anos.

Tradução de Alexandra Santos Tavares
Mais tarde, Thomas Blaine pensou na forma da sua morte e desejou que tivesse sido mais interessante. Porque não ocorrera ela enquanto estivesse a batalhar contra um ciclone, a enfrentar o ataque de um tigre, ou a escalar uma montanha fustigada pelo vento?
Mas uma morte arrojada, apercebeu-se ele, seria algo deslocado para ele. Sem dúvida que estava escrito que teria de morrer na forma rápida, comum, confusa, e indolor que ocorrera. E toda a sua vida devia ter formado e moldado aquela morte aos trinta e dois anos.

Estes lapsos são muito difíceis de compreender. O mais curioso é que um facto semelhante a este já tinha anteriormente ocorrido, com os números 402 e 433! Podem ver aqui: O Dia do Juízo Final e... a Páscoa Negra

O meu muito obrigado ao Marcos, que detectou este problema e fez o favor de reportar, contribuindo assim para enriquecer este espaço de informação e partilha relativamente à Colecção Argonauta.

3 comentários:

  1. Esse número 516 é a mesma tradução do número 424? Refere-se ao mesmo livro?

    Marcos Carvalho do Brasil. Parabéns pelo Site.

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  2. Viva Marcos!

    Muito grato por ter reportado o problema, tem toda a razão! É o mesmo livro! Escrevi o texto acima depois de ir buscar os dois livros e os ter comparado!

    Obrigado também pela simpatia relativamente ao site. Fico contente que tenha gostado, e continue aparecendo!

    Abraço

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  3. É realmente injustificável esta atitude e falta de profissionalismo da editora. De facto em Portugal temos um grave problema de traduções mal feitas, eu sou apreciador de ficção científica, ciência no geral e de história militar e em qualquer uma das áreas temos traduções que deixam muito a desejar (quando não são mesmo ridiculas), farto-me de escrever para as editoras a reclamar, pois muitas vezes nem as revisões são feitas. Embora tambem prefire ler na lingua original inglesa (quando é esse o caso) gosto de comprar os livros que se publicam em Portugal desses assuntos e por isso é facil verificar a (falta de) qualidade da tradução.
    Já agora deixo aqui a passagem citada em cima no inglês original, e acho curioso como na segunda tradução (de Alexandra Santos Tavares) se omitiu tanto do texto, e estamos a falar apenas de 2 parágrafos...

    Afterwards, Thomas Blaine thought about the manner of his dying and wished it had been more interesting. Why couldn't his death have come while he was battling a typhoon, meeting a tiger's charge, or climbing a windswept mountain? Why had his death been so tame, so commonplace, so ordinary?
    But an enterprising death, he realized, would have been out of character for him. Undoubtedly he was meant to die in just the quick, common, messy, painless way he did. And all his life must have gone into the forming and shaping of that death — a vague indication in childhood, a fair promise in his college years, an implacable certainty at the age of thirty-two.

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