nº 538 - Uma Nova Esperança em Pern 2



Autor: Anne McCaffrey
Título original: Dreaming in Smoke
1ª Edição: 1991
Publicado na Colecção Argonauta em Outubro de 2002
Capa: António Pedro
Tradução: Alexandra Rolão Tavares
Revisão: Dália Moniz 

Súmula - foi apresentada no livro nº537 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O dia estava inadequadamente belo quando o Mestre Harpista, envolto num manto com o azul dos Harpistas, foi sepultado nas aprazíveis águas azuis-esverdeadas do seu amado Baluarte da Enseada. O Mestre Idarolan tinha enviado o seu navio mais rápido e tinha vindo num dragão para o comandar ele próprio. O Mestre Alemi, com a sua corveta do Rio do Paraíso, e os pequenos "caiques" que pescavam na Baía do Mónaco, reuniram-se para receber as muitas pessoas que iriam escoltar o Mestre Robinton até ao seu local de repouso. 
Todos os Weyrs de Pern pairavam no céu e enquanto os lagartos-de-fogo circulavam tristemente em volta deles, o navio partiu do Baluarte da Enseada. Os Senhores Proprietários e os Mestres de Ofícios enchiam as cobertas entre os harpistas de todos os níveis.
Sebell e Menolly cantavam todas as canções que tinham tornado o Mestre Harpista tão amado por toda a gente, e Menolly recordou o dia em que ela tinha cantado na despedida do seu pai, Petiron, o dia que tinha dado início à maior alteração da sua vida.
E à medida que o navio se dirigia para a Corrente, os grupos de golfinhos lideravam o caminho, a deslizarem, mergulharem e a planarem, emergindo por entre as ondas do navio. 
Quando o seu corpo foi depositado no mar, os dragões fizeram soar uma última nota pelo Mestre Harpista Robinton.
Jaxom, no céu com Ruth, observou a ondulação a expandir-se e a misturar-se com as ondas. Após uma noite angustiada, tinha conseguido suplantar o seu desgosto em relação ao Mestre Robinton e a sua ideia aleatória de que Ruth e ele tinham podido ou deviam ter evitado aquela morte pacífica. 
Mas não tinha conseguido ainda suplantar o golpe amargo de perder o Svidia. Jaxom sentia que tinha sido abandonado precisamente quando tinha uma dolorosa necessidade de sabedoria e do apoio do Svidia. Não tinha ele feito tudo aquilo que o Svidia desejara? Colocar-se a si próprio e a Ruth em perigo para realizar o raio das prioridades da ingrata máquina?
"Compreendo o teu desgosto, Jaxom" - disse calmamente Ruth, cujo olhar, como o de qualquer outro dragão, observava a cena abaixo de si enquanto os barcos mudavam de rota para regressarem ao Baluarte da Enseada. - "Porque albergas tanta raiva e ressentimento?"
- Ele deixou-nos, e sem o Mestre Robinton, precisamos dele mais do que nunca.
- "Nós não; tu. Mas essa é uma forma errada de pensar nas coisas. O Svidia deixou todas as informações de que necessitas, e apenas tens que ir buscá-las para resolveres os problemas agora."  
Pela primeira vez na sua longa amizade, Jaxom ficou ressentido com as palavras de Ruth.
- "Provavelmente" - disse Ruth jocosamente - "não sabes que eu tenho razão. Acho que o Svidia estava tão cansado como o Harpista, tendo tido de espera todas aquelas longas Voltas para terminar as suas tarefas e manter a fé nos seus criadores."
Embora Jaxom estivesse a tentar resistir àquela ideia, as palavras da última mensagem do Svidia ecoaram na sua mente. Como Robinton tinha apreciado o Svidia! Teria o Svidia terminado a sua existência antes ou depois do Mestre Robinton ter fechado os olhos?
Sem dúvida que se o Svidia se tivesse apercebido do estado de Robinton, teria pedido ajuda. Aquela opções tinham ocupado toda a gente no dia anterior. Mas todos tinham estado de acordo com D'ram em que o Svidia tinha alcançado aquelas antigas prioridades - com grande honra. 
"Então, dá ao Svidia a honra que lhe é devida, Jaxom. A raiva e o ressentimento estão a ofuscar a tua mente e o teu coração."
Jaxom suspirou, e aceitou a repreensão suave do seu dragão branco. 
- Não tenho estado a pensar como devia, pois não?
- "Pensa no que fizemos juntos, tu e eu, para mostrarmos ao Svidia que podíamos fazê-lo. Fizemos o impossível porque eu sabia onde e quando o fazer. Ainda bem que rachaste o meu ovo naquele Dia de Eclosão, Jaxom, ou onde estaria Pern agora?"
Jaxom desatou a rir-se, provocado pela adulação maliciosa do seu dragão. Mas a lógica desse seu dragão tinha-o feito sair da depressão. 
- E que haja uma altura para cada objectivo sob os céus! - gritou para o ar que os envolvia. O que Ruth dizia era verdade: apenas ele, Jaxom, Senhor do Baluarte de Ruatha, e Ruth, o dragão branco, podiam ter feito o que tinha de ser feito para libertar Pern para sempre dos Fios, servindo o seu mundo como apenas um dragão e o seu cavaleiro podiam, unidos na mente e no coração na realização de um objectivo.
Jaxom e Ruth regressaram então ao Baluarte da Enseada, prontos para examinar o legado de conhecimento que o Svidia lhes tinha deixado.  

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