nº 288 - A Lei do Espaço



Autor: E.E."Doc" Smith
Título original: Second Stage Lensmen
1ª Edição: 1953
Publicado na Colecção Argonauta em 1981
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº287 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

A Lei do Espaço - Second Stage Lensmen no título original - é mais um dos clássicos de E.E."Doc" Smith, integrado na série iniciada com Triplanetária - mais uma história da Patrulha Galáctica e de Kim Kinnison, e das sua luta contra o estranho e maldoso mundo de Boskone. 
Destruída a base dos piratas do espaço, aniquilados os seus chefes, seria de esperar que Boskone desaparecesse para sempre. Mas não. Misteriosamente, novas e poderosas bases boskonianas surgem através da galáxia, e o corpo de élite dos Portadores são forçados a enfrentar a verdade: cérebros ainda mais poderosos que os seus, operando a partir de um planeta desconhecido, estão a desencadear uma guerra final pela supremacia do espaço - e estão a caminho da vitória! 
Perante tal situação, só há uma coisa a fazer. Kim Kinnison resolve infiltrar-se no círculo interno de Boskone, tornando-se um boskoniano em cada gesto, pensamento e feito. Sobe a pouco na hierarquia da terrível organização alienígena até aos mais altos escalões - até ser aquele que dá as ordens que podem destruir a sua própria civilização! Eis um trecho da extraordinária aventura:

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- Pára, jovem! - rugiu a voz de Mentor, o Arisiano, nas profundezas do cérebro do Portador.
O jovem parou convulsivamente, quase a meio de um passo, e ao ver os olhos dele, hirtos e absortos, a enfermeira MacNougall empalideceu.
- Isto não é somente o pensamento sujo e disperso de que foste culpado com muita frequência nos últimos tempos - prosseguiu a profunda e ressoante voz silenciosa. - É simplesmente ausência de pensamentos. Por vezes, Kinnison de Tellus, quase perdemos as esperanças em ti. Pensa, jovem, pensa! É da claridade do teu pensamento e da realidade da tua percepção que depende todo o futuro da tua Patrulha e da tua Civilização, muito mais agora quem em qualquer momento passado.
- Que entende por "pensar"? - retorquiu Kinnison. O seu espírito era um torvelinho de surpresas, estupefacção e incredulidade.
Durante alguns instantes, porque Mentor não respondeu, o espírito do Portador Cinzento correu da incredulidade para a apreensão e daí para a rebelião.
- Ó Kim - exclamou Clarissa. Tinha as mãos dele entre as dela e compreendera todos os seus pensamentos. - Ó Kim! Eles não nos podem fazer isso!
- Afirmo que não podem! - rugiu Kinnison. - Pelos dentes de tungsténio de Klono, não o farei! Temos direito à felicidade, tu e eu, e nós...
- Nós o quê? - perguntou ela, calmamente. Sabia o que tinham a enfrentar, e como era uma mulher de alma forte, tinha mais facilidade em enfrentar a situação que ele. - Estás a precipitar-te, Kim e eu também estava.
- Suponho que sim, - admitiu ele, tristemente. - Porque é que, pelos nove infernos de Vaeria, eu tinha de me tornar num Portador? Porque não permaneci...
- Porque tu és tu - interveio a jovem, suavemente. - Kimball Kinnison, o homem que adoro. Não podes fazer outra coisa. E creio que a Companheira de um Portador também não pode ser cobarde. Isto não durará eternamente, Kim. Há apenas que esperar um pouco mais.
Olhos agora de um cinzento de aço fitaram do alto outros olhos, castanhos salpicados de ouro. - Concordas, Cis? Concordas?
- Não te desvies do teu dever, Portador Cinzento. Até que completes a tua missão, estarei aqui. Ou em qualquer outra parte, Kim. À tua espera.
O jovem abanou a cabeça e suspirou fundo. As mãos separaram-se. Kimball Kinnison, Portador autónomo, enfrentou o seu problema.
Começou a pensar realmente, a pensar com todo o poder do seu prodigioso cérebro. E ao pensar, compreendeu o que quisera dizer o Arisiano. Ele, Kinnison, cometera um erro tremendo na campanha boskoniana. Sabia que o Mentor, embora silencioso, estava em relação mental com ele, e friamente, amargamente, e quando pensou em tudo, até à sua conclusão lógica, soube o que viria depois. E viu:
- Ah, percebeste por fim uma parte da verdade. Viste que o teu pensamento superficial e confuso conduziu a um prejuízo quase irreparável. É certo que em espécimes tão jovens de uma espécie tão jovem, a emoção tem o seu lugar e a sua função, mas afirmo-te com toda a solenidade que o teu tempo de repouso emocional ainda não chegou. Pensa, jovem... PENSA!
O velho Arisiano cortou a ligação telepática.
Sem uma palavra, a enfermaria e o Portador voltaram para o quarto de onde tinham saído pouco antes. O almirante Haynes e o marechal-cirurgião Lacy ainda estavam sentados no sofá, organizando rosadas conspirações relacionadas com o casamento que tinham arquitectado tão subtilmente.
- Esqueceu alguma coisa, MacDougall? - perguntou amavelmente Lacy. Só então os dois homens notaram a expressão dos jovens.
- Que aconteceu? Fala, Kim! - ordenou Haynes.
- Muita coisa, chefe - respondeu calmamente Kinnison. - Mentor deteve-nos antes de chegarmos ao elevador. Disse-me que tinha metido os pés pelas mãos na questão boskoniana. Em vez de estar tudo resolvido, o meu erro levou-nos de volta ao princípio.
- Mentor!
- Disse-te isso!
- Voltámos atrás!
Os dois velhos oficiais estavam completamente confundidos. Os Arisianos nunca saíam das suas conchas. Além disso, eles tinham arquitectado tão cuidadosamente aquele romance, e agora ele desfizera-se em fumo. Só depois se aperceberam que acontecera mais alguma coisa. Toda a campanha boskoniana se desfizera igualmente em fumo.
O almirante Haynes, um mestre da táctica, reviu no seu espírito todas as fases da luta, sem encontrar nela uma falha.
- Mas não houve erro algum! - protestou ele em voz alta. - Onde é que eles pensam que nos enganámos?
- Não nos enganámos - eu é que me enganei- respondeu Kinnison, sem rodeios. - Quadno apanhámos Bominger - o gordo chefe dos Zwilniks de Radelix, como se lembram - vim a saber que Boskone joga sempre com uma carta na mão e outra na manga. Possuem observadores independentes em todos os postos que consideram importantes. Pensei que aprendera a ter esse facto em conta. Pelo menos, descobrimos que Boskone tinha linhas de comunicação que ultrapassavam os seus directores regionais e eram desconhecidas por estes, como aconteceu com Pellin de Bronseca. Portanto mudei a minha táctica e não julguei necessário considerar se Crownshield de Tressília III era ou não posto de parte do mesmo modo. Quando me dirigi de Jalte, no seu grupo de estrelas, até ao próprio Boskone, em Jarvenon, esqueci-me completamente disso. A possibilidade nem sequer me ocorreu. Foi aí que errei.
- Continuo a não compreender! - protestou Haynes. - Boskone era o principal.
- Sim? - perguntou Kinnison. - Era o que eu pensava - mas prove-o.

Introdução:

A Lei do Espaço (Second Stage Lensman) é o quinto volume da célebre série Lensman, de E.E."Doc" Smith - uma das mais famosas, entre os grandes clássicos de ficção-científica.
A Lei do Espaço constitui uma sequência directa de Heróis Galácticos, publicado na Colecção Argonauta com o nº275. Todos os outros volumes da série foram publicados na mesma colecção e pela ordem elaborada pelo autor: Triplanetária (nº259); O Planeta Secreto (nº265); Patrulha Galáctica (nº270). Nesses volumes se encontra a história da luta da Terra (ou Tellus), e mais tarde de toda a Civilização Galáctica, contra Boskone, o império do mal, cujas origens se escondem no espaço intergaláctico, e que, como a legendária Hidra, parece ter sete cabeças, capazes de renascerem mesmo depois de decepadas.
E assim, quando o Portador Cinzento, Kimball Kinnison, julgava ter destruido definitivamente o poder de Boskone, na ciclópica batalha de Jarvenon... 

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