nº 67 - O Homem Que Vinha do Passado



Autor: Theodore Sturgeon
Título original: Venus Plus X
1ª Edição: 1960
Publicado na Colecção Argonauta em 1962
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Mário Henrique Leiria

Súmula - foi apresentada no livro nº66 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta:

O homem que vinha do passado é uma das mais brilhantes obras de ficção-científica que se têm publicado e o seu autor, Theodore Sturgeon, um importantíssimo ficcionista dos nossos dias, que ultrapassa a especificidade do género "ficção-científica". É no encontro destas duas coordenadas que reúnem um grande escritor com o vigor e a quase ilimitada liberdade de um género literário como é este, que se situa, como síntese, este livro a um tempo arrebatador de estranheza, inquietante, extraordinariamente rico e por vezes alucinante.
Que é O homem que vinha do passado? É a história - possível - dum homem nú, do deslocado, do "estrangeiro" no tempo, na sociedade, quase em si mesmo. A história de Charlie Johns que grita, angustiado, o seu próprio nome, a certeza incerta da sua própria personalidade num mundo diferente, vertiginosamente diverso, em que desperta.
Charlie Johns desperta, transido, gritando para si próprio eu sou Charlie Johns! Eu sou Charlie Johns! O ambiente, o mundo, não respondem a este grito. Será ele Charlie Johns? Pode a sua personalidade existir só por si, objectivamente, sem a necessária correlação exterior? Interrogação desesperada que leva Charlie Johns a duvidar de si mesmo, contraste entre a subjectividade do seu próprio "eu" e a negativa feroz que lhe impõe o mundo que o cerca.
Charlie Johns inicia então o esforço de adaptação, de compreensão atónita desse mundo ou dessa época estranhíssima, simultâneamente humaníssima e desumana para as coordenadas do seu pensamento retrógrado, não porque o mundo tenha necessidade da sua adaptação, mas porque ele, para subsistir como tal, necessita do que lhe é exterior. 
Raras vezes esta luta fatal entre o homem e o que o nega foi posta com tanto brilhantismo. As implicações filosóficas que o romance apresenta ao leitor não o aborrecem antes o despertam a um ponto de absorção tal, que será difícil interromper em qualquer ocasião a leitura desta obra.
Porque, com um simbolismo todo novo, Theodore Sturgeon não faz mais do que colocar a questão quotidiana do homem de hoje. Cada qual vive um círculo restrito, e, uma vez arrastado para fora dele, a desorientação, a incerteza, a solidão e o medo fazem-no duvidar de si mesmo. Essa também a situação de Charlie Johns, ao despertar num mundo de estranhas invenções, de edifícios estranhos e gente impessoal e diferente, seres que se assemelhavam aos homens mas que não eram homens... nem tão-pouco mulheres, seres de linguagem estranha limitando toda a comunicação que pudesse estabelecer-se entre Charlie Johns e "eles".
A lucidez era algo a que ele podia agarrar-se e, com essa lucidez, a certeza de que era ele próprio. Porém, como o desesperado, quando descobre o que lhe aconteceu, Charlie Johns sacrifica a lucidez em favor de algo mais concreto: a afirmação incessante, momento a momento repetida, da sua identidade.
Alguma coisa havia também que o atraía naquele mundo: coisas que consubstanciavam ideiais, mas para que não estava preparado: a nova raça, os Ledom, tinham criado um mundo que desconhecia a guerra e o medo, um mundo em que os indivíduos eram livres de amar, criar, inventar... Um Paraíso obsessivo, de pesadelo, em que os dois extremos se tocavam, um Paraíso total.
Eu sou Charlie Johns! - gritava Charlie Johns...  
Não sabia, porém, a que ponto se enganava...
É este romance brilhante, assustador e absorvente, vigoroso e compreensivo, em que Theodore Sturgeon atinge as alturas dum George Orwell e acorda remisniscências do Admirável Mundo Novo, de Huxley, que a Colecção Argonauta agora apresenta aos leitores de ficção-científica e recomenda ao público admirador dos romances de extraordinária lucidez e equivalente capacidade de realização literária.
O homem que vinha do passado é um romance que ultrapassa os limites desta colecção e se situa em plano de grande destaque, no meio das mais importantes obras de ficção-científica publicadas em Portugal desde há anos.

3 comentários:

  1. Parabens, Fui leitos por mtos anos desta coleção em biblioteca q existe na escola q estudei. Em campinas/ Sp.
    marcelo
    eng.m.fernandes@uol.com.br
    quem quizer me vender algum destes livros tenho interese.

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  2. Viva, grato pela simpatia. A Colecção é realmente extraordinária, e qualquer admirador de literatura ligada à ficção-científica fácilmente fica um fiel seguidor.

    Não sei se no Brasil é fácil arranjar os livros usados, em Portugal há várias lojas (alfarrabistas) a vender, se pesquisar no google (por exemplo "alfarrabistas lisboa" facilmente encontrará muitos contactos. Depois é falar com os responsáveis e ver em quanto ficam os portes.

    Também há sites de usados, como o leilões/coisas, que têm muitas dezenas de livros. É questão de falar com as pessoas que estão a vender e acertar o melhor modo de pagamento e envio. Deixo o link:

    http://www.coisas.com/categories.php?option=keywords_cat_search&keywords_cat_search=argonauta&parent_id=877&form_basic_search=

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  3. Eu conhecia esse livro apenas pelo título "Vênus Mais X" (edição lançada pela antiga editora brasileira Hemus). Interessante notar que vários títulos da coleção Argonauta também tiveram adaptações editoriais.

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