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nº 455 - Tempos Duros 1



Autor: C.J. Cherryh
Título original: Heavy Time
1ª Edição: 1991
Publicado na Colecção Argonauta em 1995
Capa: A. Pedro
Tradução: Clarisse Tavares

Súmula - Foi apresentada no livro nº454 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Não são muitas as mulheres que escrevem obras de ficção-científica, mas as que o fazem situam-se no plano mais alto. Tal é o caso de C. J. Cherryh, já laureada com o prestigiado Prémio Hugo.
Tempos Duros - cujo 1º volume é agora publicado - é a versão portuguesa do célebre Heavy Time, em que o leitor assiste à odisseia de dois mineiros (Morris Bird e Ben Pollard), a partir do momento em que encontram uma nave perdida.
A história começa assim:

Era um local solitário, aquela remota profundidade da "Cintura", um local onde, quando as coisas corriam mal, não tinham mesmo remédio. E o mais solitário de todos os sons era aquele "bip" fino e lento que anunciava uma nave em apuros (...) Em relação aquele sinal de nave em perigo, não era difícil imaginar os números pessoais de Ben. Ben estava a fazer a si mesmo as mesmas perguntas que ele fazia no fundo da sua alma amargurada: a que distância estaria? Quem estaria em perigo? Estariam vivos? E... Qual a lei dos salvados?

nº 456 - Tempos Duros 2



Autor: C.J. Cherryh
Título original: Heavy Time
1ª Edição: 1991
Publicado na Colecção Argonauta em 1995
Capa: A. Pedro
Tradução: Clarisse Tavares

Súmula - Foi apresentada no livro nº455 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Dekker acordou, abrindo os olhos na escuridão, mas com a "g" a prendê-lo bem à cama. Mas não estava no hospital. Não lhe cheirava a hospital. Não lhe soava a hospital. Soava-lhe a nível principal, antes de terem partido. O seu coração começou a bater cada vez com mais força, totalmente descontrolado. Talvez nada fosse real. Talvez nada daquilo de que se lembrava fosse real.
- Cory! - gritou. - Cory! - E ficou à espera de que ela lhe respondesse, algures na escuridão: - Sim. O que é que queres?
Mas não houve som algum, excepto o de um qualquer movimento na parede, do outro lado da cama. 
Ficou imóvel, então, com uma das mãos sobre o cobertor por cima do peito. Sentia o tecido. Não tinha o fato estimulante vestido. Não tinha coisa alguma vestida por baixo do lençol e do cobertor. Ficou estendido, imóvel, tentando reunir as peças, que lhe pareciam em tão grande número. R1. Sol. Marte. O abalroamento. O hospital. O Buraco. Toda a sua vida estava em pedaços e ele não sabia em qual deles deveria pegar primeiro.

Assim principia o segundo,e último, volume da obra Tempos Duros, uma das mais representativas da sua célebre autora, um dos valores mais seguros da moderna ficção-científica. Assiste-se ao regresso ao mundo dos Mercadores e à vida dos mineiros da Cintura dos Asteróides, escravizados pela Mãe, o poderoso monopólio que sustenta a guerra entre a Terra e as suas colónias no espaço. É a partir do momento em que dois desses mineiros encontram a nave desgovernada de Paul Dekker  - que perdera a memória e é acusado de negligência - que se avolumam as suspeitas de que não se tenha tratado, na verdade, de um acidente. Começam então a delinear-se os contornos de um segredo tenebroso que, a confirmar-se, poderá alterar o destino de todos os mundos...

nº 494 - Os Cavalos da Noite 1



Autor: C.J. Cherryh
Título original: Cloud´s Rider
1ª Edição: 1996
Publicado na Colecção Argonauta em 1998
Capa: A. Pedro
Tradução: Alexandra Tavares

Súmula - Foi apresentada no livro nº493 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Versão portuguesa do original Cloud's Rider, este novo romance de C.J. Cherryh vem confirmar todos os méritos de uma autora, aliás já consagrada por duas vezes, com o prestigiadissimo Hugo Award.
Em Os Cavalos da Noite - cuja primeira parte agora se publica - o leitor vai conhecer a história de uma colónia humana há muito esquecida num planeta longínquo, cuja vida selvagem é telepática e projecta imagens que enlouquecem os homens.
A única defesa consiste em viver em povoações isoladas, protegidas pelos cavalos da noite, como Cloud, montado pelo jovem Danny Fisher.

nº 495 - Os Cavalos da Noite 2



Autor: C.J. Cherryh
Título original: Cloud´s Rider
1ª Edição: 1996
Publicado na Colecção Argonauta em 1998
Capa: A. Pedro
Tradução: Alexandra Tavares

Súmula - Foi apresentada no livro nº494 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

No cimo das montanhas, o jovem Danny Fisher e o seu cavalo Nuvem (Cloud), ficaram presos devido aos nevões de Inverno. A tensão cresce nos limites da sua pequena cidade. Uma jovem jaz em estado de coma, enlouquecida pela sua tentativa de contactar com um manhoso cavalo da noite.
As pessoas ambiciosas da cidade querem atacar uma cidade que foi abandonada pelos seus cavalos da noite. E um predador invisível começa a inquietar os cidadãos.
Separados das terras baixas pelas tempestades de Inverno, Danny e os poucos cavaleiros que restam terão de enfrentar sozinhos aquela ameaça invisível...
Neste volume, termina o inolvidável romance Os Cavalos da Noite.

nº 523 - A Porta da Montanha do Fogo



Autor: C.J. Cherryh
Título original: The Morgaine Saga Omnibus - The Gate of Ivrel
1ª Edição: 1976
Publicado na Colecção Argonauta em Março de 2001
Capa: António Pedro
Tradução: Alexandra Santos Tavares
Revisão: Dália Moniz

Súmula - foi apresentada no livro nº522 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

As portas eram relíquias de outras épocas. O Comissariado da Ciência da União admitia que outrora elas tinham servido de ligação, através da galáxia, a uma série de civilizações - que, por sua vez, haviam formado um império, regido por um povo desapiedado, conhecido como o povo dos ghal.  
Quem é então a viajante misteriosa, esguia e altiva como o mais nobre dos homens, pálida e elegante, que percorre os mundos, acompanhada apenas pelo fiel Vânya, o guerreiro solitário que jurou servi-la? Será ela capaz de chegar à Montanha do Fogo, à terrível Ivrel, e de aí fechar a última das portas? 
A Porta da Montanha do Fogo dá início à trilogia de A Saga de Morgana, uma obra prima da ficção-científica e da literatura de fantasia, que a Livros do Brasil se orgulha de apresentar aos leitores portugueses. 
Ao cair do crepúsculo, chegaram novamente a uma floresta de pinheiros. As nuvens acinzentadas iam encobrindo a lua com uma frequência cada vez maior, à medida que a noite se tornava mais profunda, mas eles continuavam o seu caminho, receosos de novas tempestades, receosos pelos cavalos, porque restava pouca aveia nos alforges das selas, e pretendiam avançar o mais depressa possível, na esperança de alcançar o terreno mais baixo antes que o Inverno se apoderasse dos desfiladeiros. O claro luar mostrava-lhes o caminho.
Mas por fim as nuvens adensaram-se e o caminho tornou-se difícil, com as árvores muito próximas e a obscurecer o céu com as suas sombras eriçadas. Uma árvore caída, junto ao caminho, prometia-lhes, pelo menos, um local mais seco para repousar a lenha para a fogueira. Pararam e Vanye partiu pequenos ramos e amontoou-os na forma devida para fazer uma boa fogueira com a lenha húmida.
Vanye não chegou a ver como o fogo nasceu: voltou as costas para ir buscar mais lenha e, quando regressou, já a anterior tinha começado a arder, com uma minúscula língua de fogo entre os ramos húmidos. Fazia muito fumo, por a madeira estar molhada, mas resistiu, com a ajuda de Morgaine, inclinada sobre o fogo, para o encorajar, e dele, a dispor cuidadosamente mais lenha em volta. 
- Há um certo perigo nisto - comunicou a Morgaine, fitando-a por cima da fogueira incipiente. - Poderão andar homens por aqui e verem as chamas ou sentirem o cheiro a fumo, e nestas florestas os homens não são amistosos. Não me agrada ter de defrontar o que isto possa atrair, de modo que é melhor manter a fogueira pequena e não durante a noite.
Ela abriu a mão e, à fraca luz, mostrou-lhe uma coisa negra e brilhante, estranha e assustadora. Aquilo causou-lhe repugnância; não conseguia determinar porquê, mas sabia que não podia ser feito por mãos normais, e dava um aspecto desagradável e horrível à pequena mão branca.
- Isto basta para assaltantes e feras - disse ela. - E espero que sejais suficientemente hábil com a espada e o arco. Caso contrário os "llinin" não sobrevivem muito tempo.
Ele assentiu silenciosamente com a cabeça.
- Ide buscar as nossas coisas - pediu ela. 
Ele obedeceu, limpando a neve da grande árvore e pousando sobre ela tudo o que poderia ser danificado pela humidade. Morgaine começou a fazer uma refeição para ambos com a carne quase congelada, enquanto ele preparava uma parte da aveia restante para os pobres cavalos. Eles empurravam-no com o focinho, chamando lamentosamente a sua atenção, porque queriam mais; mas endureceu o seu coração, desgostoso e sem apetite para a boa carne que eles tinham para comer. Kurshin como era, não conseguia comer quando faltava comida aos seus animais. Um homem podia ser avaliado pelos seus cavalos e pelo estado em que estes se encontravam, e se fosse aveia o que eles estavam a comer, tê-la-ia cedido de boa vontade aos seus animais e passado fome.
Foi instalar-se sombriamente junto da fogueira, massajando a mão rígida que o frio afectava.
- Temos que, seja com for, sair desta atitude - disse. Tem que ser amanhã, mesmo que isso nos obrigue a tomar um caminho mais perigoso. Só temos aveia para mais um dia. Estes cavalos não podem suportar todo este esforço e passar fome. Acabaremos por os matar se continuarmos assim.
Ela acenou silenciosamente com a cabeça.
- O caminho é curto - disse.
- Senhora, eu não conheço este caminho e já percorri a pista de Morija à fronteira de Koris até Erd por diversas vezes.
- É um caminho que eu conheci - disse ela, erguendo o olhar para o céu encoberto pelas nuvens, com os negros cumes dos pinheiros recortados contra a lua velada. - Nessa altura as árvores não eram tão altas.
Ele fez um gesto contra o mal, impensada e instintivamente. Receou que pudesse irritá-la. Em vez disso, Morgaine olhou rapidamente para o chão, como se quisesse evitar uma resposta.
- Onde vamos? - Inquiriu ele. - Procuramos alguma coisa?
Não - disse ela. - Eu sei onde se encontra.
- Senhora - insistiu ele, porque lhe pareceu que ela estava prestes a mergulhar num dos seus silêncios. Fez uma vénia, respeitosamente. - Senhora, para onde? Para onde vamos nós?
- Para Ivrel. - E quando, receoso, ele abriu a boca para protestar que era loucura. - Ainda não vos disse que serviço pretendo de vós. 
- Não - concordou ele. - Ainda não.
É isto, "illin". Matar Thiye, o senhor Hjemur e destruir a cidadela se eu morrer.