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nº 207 - A Máquina de Governar



Autor: Philip K. Dick
Título original: Vulcan's Hammer
1ª Edição: 1960
Publicado na Colecção Argonauta em 1974

Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - foi apresentada no livro nº206 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":  

Em A Máquina de Governar, Philip K. Dick, o famoso escritor de ficção-científica, apresenta-nos o estranho mudo futuro em que uma poderosa organização governamental se vê ameaçada pelos aspectos mais atávicos das populações submetidas.
Obra básica das modernas tendências da literatura de antecipação, A Máquina de Governar, concebida nos limites do fantástico, cria um universo em que a angústia, o desespero e o terror incontroláveis dominam uma intriga verdadeiramente clássica.
Técnicamente perfeito e altamente organizado, o Poder é, não obstante, contestado por uma massa amorfa de populações cuja miséria e primitivismo não fazem supôr que sejam capazes de reacções que ultrapassem os instintos... No entanto, Arthur Pitt, o agente massacrado em Alabama, é vitimado por algo de muito mais poderoso do que o ódio incontrolável das populações. Efectivamente, entre os assassinos actua, em silêncio, uma organização eficaz e inteligente, conhecedora de todas as novas técnicas e suficientemente apta para lhes fazer frente. Quais serão os seus objectivos? Quem "assassinou" Arthur Pitt? Como reagirão o Governo e os seus agentes? Que terríveis sucessos foram planeados pelos chefes de uma nova mística que dirige a revolta das populações? Até quando poderá sobreviver uma sociedade só aparentemente estável? Quais são os verdadeiros frutos da desconfiança e da suspeita, mesmo quando esta se manifesta no seio de uma organização estatal altamente desenvolvida?
É indispensável ler A Máquina de Governar para obtermos as respostas certas a problemas que são, afinal, do nosso tempo.

nº 300 - O Mistério de Valis 1



Autor: Philip K. Dick
Título original: Valis
1ª Edição: 1981
Publicado na Colecção Argonauta em 1982
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 


Súmula - Foi apresentada no livro nº299 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

De Philip K. Dick, diz John Brunner que é "o mais consistentemente brilhante autor de ficção-científica no mundo". Para Normam Spinrad, "ele produziu o conjunto de obras mais importante entre todos os escritores de ficção-científica". E para Michael Mordock, "Dick está calmamente a produzir ficção séria numa forma popular; não pode haver louvor maior".
O Mistério de Valis (versão portuguesa de Valis), é uma obra muitíssimo séria, ainda que pareça simplesmente louca. Mas a loucura - a loucura da espécie humana - será algo tão simples como se pensa?
Por razões técnicas, O Mistério de Valis será dividido em dois volumes.
Eis o início do primeiro volume de O Mistério de Valis

O colapso nervoso de Horselover Fat começou no dia em que recebeu o telefonema de Glória perguntando se ele tinha alguns Nembutales. Ele perguntou para que os queria ela e ela respondeu que pensava em matar-se. Estava a telefonar a toda a gente que conhecia. Agora já tinha cinquenta, mas precisava de mais trinta ou quarenta para estar certa que não falhava.
Horselover concluiu imediatamente que era a maneira de ela pedir auxílio. Fat sofria há anos da ilusão de que podia ajudar pessoas. O seu psiquiatra dissera-lhe uma vez que ficaria bem se fizesse duas coisas: largar a droga (o que ele não fizera) e deixar de tentar ajudar as pessoas (ele continuava a tentar ajudar pessoas). 
Na verdade, ele não tinha Nembutales. Não tinha quaisquer pílulas para dormir. Tomava excitantes. Portanto dar a Glória pílulas para dormir com as quais ela se pudesse matar, estava para além dos seus poderes. De qualquer modo, ele não o teria feito se o pudesse fazer.
- Tenho dez - respondeu ele. Porque se lhe dissesse a verdade, ela desligaria.
- Então vou no carro a tua casa - respondeu Glória numa voz calma, racional, a mesma voz com que pedira as pílulas.
Então ele compreendeu que ela não estava a pedir auxílio. Estava a tentar morrer. Estava completamente doida. Se estivesse sã de espírito compreenderia que era necessário ocultar a sua intenção, pois que daquela maneira ela o tornaria culpado de cumplicidade. Porque, para ele concordar, necessitaria de a querer morta. Não havia motivo algum para ele, ou qualquer outra pessoa, desejar isso. Glória era gentil e civilizada, mas deixara-se cair um pouco no ácido. Era óbvio que o ácido, desde a última vez que ele tivera notícias dela seis meses atrás, destruíra o seu espírito.
- Que tens feito? - perguntou Fat.
- Tenho estado no Hospital do Monte Sião em São Francisco. Tentei suicidar-me e a minha mãe internou-me. Deram-me alta a semana passada.
- Estás curada? perguntou Fat.
- Sim - respondeu ela.
Foi então que Fat começou a ficar maluco. Então ele ainda não sabia disso, mas fora arrastado para um jogo psicológico inaudito. Não havia maneira de fugir a ele. Glória Knudson tinha-o destruído, a ele, o seu amigo, juntamente com o cérebro dela. Provavelmente ela destruíra também seis ou sete outras pessoas, todos amigos que a adoravam, até ali, com semelhantes conversas telefónicas. Sem dúvida que destruíra também a mãe e o pai. Fat ouvira no seu tom racional a harpa do niilismo, o toque do vácuo. Não estava a lidar com uma pessoa; tinha uma coisa de reflexo de arco no outro extremo da linha telefónica.
O que ele não sabia é que por vezes enlouquecer é uma resposta adequada à realidade. Ouvir a racionalidade de Glória ao pedir a morte era inalar o contágio. Era uma armadilha chinesa para os dedos, onde com quanto mais força se puxa, mais apertada a armadilha se torna. 
- Onde estás agora? - perguntou ele.
- Modesto. em casa de meus pais.
Como ele vivia no condado de Marin, ela teria de conduzir durante algumas horas. Poucas razões o teriam levado a fazer tal viagem. Aquilo era outra demonstração de loucura; três horas de viagem de ida e outro tanto de volta para dez Nembutales. Porque não estoirar com o carro? Glória nem sequer permitia que o seu irracional actuasse racionalmente. Obrigado, Tim Leary, pensou Fat. A ti e à tua promoção de alegria da expansão da consciência através da droga.

Introdução:

A introdução reproduz na íntegra o texto da súmula. 

Nota: este volume é o último da série com as capas prateadas. A partir do nº 301, as capas passam a ser azuis. 

Colecção Argonauta do nº251 ao noº300

 

nº 301 - O Mistério de Valis 2



Autor: Philip K. Dick
Título original: Valis
1ª Edição: 1981
Publicado na Colecção Argonauta em 1982
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº300 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

VALIS (O Mistério de Valis na versão portuguesa), não parece uma obra de ficção-científica. É algo sem paralelo no tema, no estilo - algo surpreendente mesmo para quem sabe que Philip K. Dick é um autor muito especial, brilhante como poucos - e que brinca como poucos com as palavras, com as ideias e com as normas.
O Mistério de Valis poderá não parecer uma obra de ficção-científica - repete-se. Apesar das alusões a "feixes de informação", a "pessoas com três olhos", a seres "vindos de Sirius", etc. Mas é mesmo ficção-científica - e da mais surpreendente. Como ficará demonstrado na segunda parte, de que damos desde já alguns excertos.

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A "Ode" de Wordsworth tem por subtítulo "Insinuações da Imortalidade das Recordações da Infância". No caso de Fat, as "insinuações de imortalidade" baseavam-se nas recordações da vida futura.
Além disso, Fat não era capaz de escrever poesia que valesse um chavo, apesar os seus melhores esforços. Adorava a "Ode" de Wordsworth, e desejava escrever algo igual. Nunca o conseguiu.
De qualquer modo, os pensamentos de Fat tinham-se virado para viajar. Esses pensamentos tinham adquirido uma natureza específica; um dia ele dirigiu-se ao Wide-World Travel Bureau (agência de Santa Ana) e conferenciou com a senhora que estava atrás do balcão, a senhora e o seu terminal de computador.
- Sim, podemos pô-lo a bordo de um barco vagaroso em direcção à China - informou a senhora, muito contente.
- E num avião rápido?
- Vai à China por razões médicas? - perguntou a senhora.
Fat ficou muito surpreendido com a pergunta.
- Muitas pessoas dos países ocidentais estão a voar para a China para receberem cuidados médicos - explicou a senhora. - Até da Suécia, segundo pude saber. Os custos médicos na China são excepcionalmente baixos... mas talvez já saiba disso. Sabia disso? As grandes operações custam aproximadamente trinta dólares em alguns casos. - A senhora remexe os panfletos, sorrindo-se.
- Creio que sim - respondeu Fat.
- Depois pode deduzir isso na sua taxa de rendimento - disse a senhora. - Verá como o podemos ajudar, aqui na Wide-World Travel.
A ironia deste assunto secundário impressionou fortemente Fat - que ele, que procurava o quinto Salvador, pudesse descontar a sua busca na sua taxa de rendimentos estatal e federal. Essa noite, quando Kevin apareceu ele falou-lhe nisso, esperando que Kevin ficasse amargamente surpreendido.

Introdução:

A introdução repete na íntegra o texto da súmula.

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Nota: começa aqui a série de capas azuis da Colecção Argonauta, para mim as menos bonitas.

nº 309 - Depois da Bomba



Autor: Philip K. Dick
Título original: Dr. Bloodmoney or How We Get Along After the Bomb
1ª Edição: 1965
Publicado na Colecção Argonauta em 1983
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº308 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Philip K. Dick vai voltar à Colecção Argonauta. Seguindo-se ao sucesso de O Mistério de Valis (nº 300 e nº 301) e de O Deus da Fúria (nº 305), ter-se-á a versão portuguesa de Dr. Bloodmoney or How We Get Along After the Bomb.
O título na nossa língua diz tudo: Depois da Bomba. Que acontecerá depois do holocausto nuclear? Que acontecerá às pessoas e aos animais da Terra? Será o fim do mundo... ou continuará tudo, mas de uma maneira diferente?

Nota do Tradutor:

Depois da Bomba é a versão em língua portuguesa de Dr. Bloodmoney or How We Get Along After the Bomb, uma das obras mais célebres de Philip K. Dick. Importa notar que ela foi escrita em 1965 e que as previsões feitas pelo autor para o mundo que surgiria dezasseis anos depois não correspondem inteiramente ao que aconteceu. Seria fácil eliminar essa anomalia, alterando as datas, mas o talento de Philip K. Dick está acima de tais pormenores. E de resto o que não aconteceu em 191 pode vir a acontecer em 1991, ou em 2001 - ainda que seja melhor que jamais aconteça.  

nº 316 - O Homem Duplo



Autor: Philip K. Dick
Título original: A Scanner Darkly
1ª Edição: 1977
Publicado na Colecção Argonauta em 1983
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº315 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Como será o mundo em 1994? Até que ponto o consumo da droga afectará os homens e a sua sociedade? Este o tema de A Scanner Darkly, uma das obras mais notáveis, se não a mais notável, de Philip K. Dick, cuja versão portuguesa sob o título O Homem Duplo constituirá o próximo volume da Colecção Argonauta.
E porquê O Homem Duplo? Porque o protagonista, Bob Arctor, tem uma dupla identidade, a sua, de passador de droga, e a de um tal John, que de vez em quando usa algo a que ele chama o confusor e que o faz aparecer como algo semelhante a um súbito raio de luz, dando-lhe uma identidade, a de um tal Fred que é um informador da polícia. Até que Fred recebe ordem para vigiar por meios electrónicos um tal Bob Arctor... 
Para o leitor menos prevenido, O Homem Duplo poderá parecer, mais do que uma novela de ficção-científica, uma apologia da droga. Não é. O facto de Philip K. Dick contar a sua história tal como ela seria engendrada pelo cérebro de um drogado deve ser olhado como um exemplo da inigualável profundidade psicológica dos seus derradeiros trabalhos, antes do seu falecimento em Março de 1982 - e é bom notar que o autor não se socorreu apenas da imaginação, mas também de trabalhos científicos sobre a dualidade do cérebro humano, trabalhos esses que são parcialmente reproduzidos.

Introdução:

Tal como algumas das derradeiras obras de Philip K. Dick, A Scanner Darkly, ora apresentado sob o título de O Homem Duplo na versão portuguesa, poderá ser tido como uma apologia da droga. Mas uma conclusão dessas será muito errada. Os objectivos de Philip K. Dick foram muito mais profundos e muito mais sérios, como o provam as referências que o autor fez, a trabalhos científicos de primeiro plano, como The Other Side of the Brain: An Appositional Mind, do Dr. Joseph E. Bogen, publicado no Bulletin of the Los Angeles Neurological Societies, vol.34, nº3, Julho de 1969, e The Split Brain in Man, de Michael S. Gazzaniga, Scientific American, Agosto de 1967.
E quem, mesmo assim, tiver alguma dúvida, que veja a Nota do Autor, no final. 

Nota do Autor:

Esta novela tratou de pessoas que foram punidas demasiadamente pelo que fizeram. Queriam passar uns bons momentos, mas eram como crianças brincando na rua; podiam ver que de vez em quando uma delas era morta - atropelada, aleijada, destruída - mas continuavam a brincar, de qualquer maneira. Na realidade éramos todos muito felizes durante algum tempo, sentados sem trabalhar e só a trampear e a brincar, mas foi um tempo terrivelmente breve e depois o castigo foi além de tudo quanto se podia crer; mesmo quando se podia vê-lo, não se acreditava nele. Por exemplo enquanto estava a escrever isto, soube a pessoa na qual a personagem Jerry Fabin fora baseada se suicidara. O meu amigo que me serviu de modelo para Ernie Luckman morreu antes que começasse a novela. Eu era como o resto deles, tentando brincar em vez de crescer, e fui punido. Estou na lista seguinte, que é a daqueles a quem esta novela é dedicada, e o que aconteceu a cada um. 
O abuso das drogas não é uma doença, é uma decisão, como a de se colocar em frente de um carro em movimento. Não se deve chamar a isso uma doença, mas sim um erro de julgamento. Quando um grupo de pessoas começa a fazê-lo, é um erro social, um estilo de vida. Neste estilo particular de vida a divisa é: "sê feliz porque amanhã estás a morrer". Mas o morrer começa quase imediatamente e a felicidade é uma memória. É, portanto, só uma aceleração, uma intensificação da existência humana vulgar. Não difere do nosso estilo de vida, é apenas mais rápido.Decorre em dias, semanas ou meses, em vez de anos - "Peguem no vosso dinheiro e deixem o crédito sumir-se", como Villon disse em 1460. Mas é um erro se o dinheiro é um tostão e o crédito uma vida inteira.
Não há moral nesta novela; não é burguesa; não diz que fizeram mal em divertir-se quando deviam trabalhar, diz somente quais as consequências. No drama grego estavam a começar, como sociedade, a descobrir a ciência, o que significa a lei causal. Aqui, nesta novela, é Nemesis, não o destino, porque qualquer de nós podia ter decidido deixar de brincar na rua, mas, como narro da mais profunda parte da minha vida e do meu coração, uma terrível Nemesis para aqueles que continuaram a brincar. Eu próprio, não sou uma personagem desta novela; sou a novela. Segundo penso, era assim a nossa nação inteira nesse tempo. A novela é sobre mais algumas pessoas do que as que conheci pessoalmente. De algumas lemos todos nos jornais. Foi isso, esse ficar com os nossos amigos e trampear enquanto fazíamos gravações, a má decisão da década, dos anos sessenta, tanto dentro como fora da sociedade estabelecida. E a natureza caiu sobre nós. Fomos forçados a parar por coisas terriveis.

Se houve nisso qualquer "pecado" foi o dessa gente querer continuar a ter para sempre um bom momento, e fomos punidos por isso, mas, como disse, sinto que a punição foi excessiva, e prefiro pensar nela somente de uma maneira grega, ou moralmente neutra, como simples ciência, como um efeito determinista e imparcial de causa e efeito... Amava-os a todos. Aqui está a lista daqueles a quem dediquei o meu amor:

A Gaylene - morta
A Ray - morto
A Francy - psicose permanente
A Kathy - lesão cerebral permanente
A Jim - morto
A Val - lesões cerebrais maciças, permanentes
A Nancy - psicose permanente
A Joanne - lesões cerebrais permanentes
A Maren - morta
A Nick - morto
A Terry - morto
A Dennis - morto
A Phil - lesões pancreáticas permanentes
A Sue - lesões vasculares permanentes
A Jerri - psicose permanente e lesões vasculares

... etc, etc.
"In Memorian". Este foram os companheiros que eu tive; não havia melhores. Permaneceram no meu espírito e o inimigo nunca será esquecido. O "inimigo" foi o seu erro no jogo. Deixem que brinquem todos de novo, de qualquer outro modo, e que sejam felizes.

Philip K. Dick morreu aos 53 anos de idade, em 3 de Março de 1982. Como tantos dos seus amigos e pelas mesmas razões, ainda que pensasse ter fugido a tempo. (Nota do Tradutor).

Nota: em 2006, Richard Linklater realizou o filme A Scaneer Darkly, entre outros com os actores Keanu Reeves, Winona Ryder, Robert Downey Jr. e Woody Harrelson.


nº 328 - A Invasão Divina



Autor: Philip K. Dick
Título original: The Divine Invasion
1ª Edição: 1980
Publicado na Colecção Argonauta em 1984
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº327 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Philip K. Dick é um dos autores mais apreciados entre aqueles que têm tido as suas obras incluídas na Colecção Argonauta. Dele disse Ursula K. Le Guin, comparando-o a José Luís Borges:
"O facto de que Dick nos fala é a realidade e a loucura, o tempo e a morte, o pecado e a salvação - e escapou à maior parte dos críticos. Ninguém nota que temos o nosso próprio Borges, e tivemo-lo trinta anos."
The Divine Invasion, uma das últimas obras de Philip K. Dick e uma das mais discutidas, tem um enredo dos mais surpreendentes que é possível conceber. Num planeta solitário no sistema estelar CY30-Cy30B vive Herb Asher, um homem egoísta e indiferente, que um dia se vê perante uma mulher que está a morrer e encontra um viajente chamado Elias. A mulher, Rybys, está grávida - tem o Filho de Deus no ventre. E Elias é o Profeta Elias, que anuncia a Herb que deverá voltar à Terra com Rybys, apresentando-se como marido e mulher, porque o nascimento da criança anunciará o Armagedão, a batalha final, em que as potências do mal serão enfrentadas e derrotadas, e a Terra será salva.
Mas ao chegarem à Terra surge um acidente. Rybys morre, Emmanuel, o Filho de Deus, nasce com o cérebro lesionado.
O que depois acontece, só a imaginação de Philip K. Dick poderia ter concebido.

Nota: para mim esta é uma das obras mais bonitas e bem conseguidas do Phillip K.(Kindred) Dick. Aborda a ficção científica e a Religião, tendo por pano de fundo sobretudo os afectos humanos. É uma obra de uma grande profundidade, lindíssima e também bastante triste.

nº 336 - O Homem Mais Importante do Mundo



Autor: Philip K. Dick
Título original: Time Out of Joints
1ª Edição: 1959
Publicado na Colecção Argonauta em 1985
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº335 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O Homem Mais Importante do Mundo, é a versão portuguesa de Time Out of Joint, de Philip K. Dick. É, pois, uma obra célebre de um autor célebre.
Ragle Gumm tem uma vida calma, fácil. Mora em casa de uns parentes e arranja o bastante para se manter, solucionando problemas e enigmas em jornais... ganhando sempre. No fundo, é um mandrião... mas um mandrião feliz. 
Então, subitamente, começam a acontecer-lhe coisas... Uma barraca de refrigerantes desaparece em frente dos seus olhos, enquanto um pedaço de papel dizendo "Barraca de Refrigerantes" flutua no ar na sua direcção. No velho receptor de cristal de galena do sobrinho, ouvem-se mensagens dirigidas a ele... e numa velha revista, encontra referências a coisas que ele sabe nunca terem existido - tais como uma artista supostamente famosa, chamada Marilyn Monroe!
Estaria Ragle Gumm a endoidecer? Ou seria o Universo que estava louco? 

nº 342 - A Arma Impossível



Autor: Philip K.Dick
Título original: The Zap Gun
1ª Edição: 1965
Publicado na Colecção Argonauta em 1985
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - Foi apresentada no livro nº341 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Philip K. Dick é um dos autores preferidos dos leitores da Colecção Argonauta, pela profundidade das suas obras que atinge o mistério, o simbolismo. Mas Philip K.Dick foi também um humorista de primeira classe, à sua maneira, com um humor que constitui uma crítica inteligente e pertinente a muitos dos aspectos da nossa sociedade. Um exemplo dessa faceta menos conhecida de Dick, mas não menos importante, é The Zap Gun, uma história que decorre num futuro relativamente próximo - no ano 2004 - e que tem por base a corrida aos armamentos. Proibidas as armas atómicas, acordado o banimento de muitas armas convencionais, nem por isso a corrida aos armamentos pára - os fabricantes, os militares, os políticos, não estão dispostos a deter-se. A corrida já não se faz no sentido de procurar armas cada vez mais poderosas, mas sim cada vez mais inesperadas - armas diferentes. É a imaginação que conta (e quem pode ser mais imaginativo do que Philip K.Dick?). Daí, a formação de verdadeiros ciclos, como os da moda - o o advento das modas de armamentos, com os seus grandes desenhadores, semelhantes aos grandes costureiros.
Fantasia a mais? Não tanto como isso - a moda, nos armamentos, já existe, só que nem todos dão por isso... Mas Philip K.Dick foi mais além: os desenhadores de modas de armamentos, ou designers, se assim se preferir, apresentam ideias que lhes surgem em transe. Essas ideias, serão deles? 
Eis como se inicia The Zap Gun  - A Arma Impossível, na versão portuguesa:

- Mr. Lars, senhor. Receio que tenha só um momento para falar aos seus expectadores. Desculpe. - começou ele a dizer, mas o entrevistador autonómico da TV, de câmara na mão, cortou-lhe as palavras. O sorriso de metal da criatura luzia confiante.
-  Sente um transe a aproximar-se, senhor? - inquiriu, esperançado, o entrevistador autonómico, como se isso pudesse acontecer, perante uma das lentes alternadas "multifax" da câmara portátil.
Lars Pólvora Seca suspirou. De onde se encontrava, na pista dos peões, podia ver o seu gabinete em Nova Iorque. Vê-lo, mas não alcançá-lo. Demasiadas pessoas - os tansos! - estavam interessadas nele, e não no seu trabalho. E o trabalho, de resto, era o que interessava. 
Fatigado, disse.
- O factor tempo. Não compreendem? Num mundo de modas de armamento...
- Sim, sabemos que está a receber algo de espectacular - interpôs o entrevistador autonómico, pegando no fio da conversa, sem mesmo dar atenção ao significado que Lars lhe dera. - Quatro transes em uma semana! E está quase tudo pronto! Correcto, Mr. Lars?
A maquineta autonómica era idiota. Pacientemente, Lars tentou levá-la a compreender as coisas. Não se importava de dirigir-se à multidão de tansos, na maior parte senhoras, que viam o show do princípio da manhã - "Lucky Bergman Saúda-vos" - ou o que quer que lhe chamavam. Deus sabia que "ele" não sabia. Não tinha tempo, no seu dia de trabalho, para diversões estúpidas como aquela.
- Olhe - acrescentou, desta vez suavemente, como se o entrevistador autonómico estivesse realmente vivo e não fosse uma criatura consciente, arbitrariamente dotada, produzida pela engenhosidade da tecnologia do Desbloco do ano 2004. Engenhosidade perdida naquela direcção, pensou Lars... ainda que talvez não fosse uma abominação tão grande, como a do seu próprio campo. Uma reflexão desagradável.
Expulsou isso do seu espírito e observou: - Nas modas de armamento, uma novidade deve surgir num determinado momento. Amanhã, na próxima semana ou no mês seguinte, é demasiado tarde.
- Diga-nos o que é - insistiu o entrevistador, e ficou à espera, como avidez de isco, da resposta desejada. Como podia alguém, inclusive Mr. Lars, de Nova Iorque e Paris, despontar todos os milhões de espectadores através do Desbloco, numa dúzia de países? Abandoná-los, seria servir os interesses do Epieste - era, pelo menos, o que entrevistador autonómico desejava dar a entender. Mas estava a falhar. 
Lars respondeu:
- Francamente, não é nada que vos diga respeito. - E avançou, para lá do pequeno grupo de peões que se tinham reunido para ficar de boca aberta: afastou-se da luminosidade quente da exposição mediática imediata, perante a observação pública, direito à pista de subida de "Mr. Lars, Incorporated", o edifício de um só andar, colocado, como por intenção, entre os altos prédios de escritórios cujo tamanho, só por si, indicava a natureza essencial da sua função.
O tamanho físico, reflectiu Lars, quando alcançou o átrio exterior, público, de "Mr. Lars, Incorporated", era um critério falso. Nem mesmo o entrevistador autonómico estava a ser iludido por isso; era Lars Pólvora Seca que ele desejava expor à sua assistência, e não as entidades industriais que tinha facilmente ao seu alcance. No entanto, muitas das entidades teriam ficado deliciadas ao verem os seus peritos em "aq-prop" - aquisição-propaganda - trovejando aos ouvidos atentos dos espectadores.
As portas de "Mr. Lars, Incorporated" fecharam-se, sintonizadas, como estavam, ao seu padrão cefálico. Ele separou-se, assim, da multidão de boca aberta cuja atenção fora estimulada por profissionais. Por si próprios, os tansos teriam sido razoáveis quanto àquilo, isto é, teriam sido apáticos.
- Mr. Lars.
- Sim, Miss Bedouin. - Lars parou. 
- Bem sei. O departamento de desenho pensa que o esboço 285 não tem pés nem cabeça. - A isso estava ele resignado...

Introdução

Quando nos videojogos - sejam de computador, sejam os das máquinas de arcada - os alienígenas surgem de todos os lados para serem abatidos um a um, a arma que os destrói de uma maneira quase mágica é algo mais do que um simples laser, é algo que excede até a imaginação dos criadores da "Guerra das Estrelas", nos filmes e na realidade. É uma arma impossivelmente destruidora, uma arma que num simples e rápido movimento - zap - tudo elimina. The Zap Gun é uma das obras mais controversas de Phillip K.Dick. Uma obra que se passa num tempo futuro muito diferente dos que são de norma na ficção-científica - um futuro em que o mundo continua dividido em dois blocos... na aparência. Porque depois da assinatura dos Protocolos que evitaram o holocausto nuclear, os governantes acordaram numa farsa que lhes permite manter a sua autoridade, o seu prestígio, e as principais estruturas. Em vez de falarem de paz, falam de guerra, como nunca. O Leste, para que os seus espiões continuassem a ser temidos, tomou a designação de Espieste - mas é uma organização privada, a KACH, que assegura a troca de informações com o Oesbloco, dirigido a partir de uma imensa fortaleza subterrânea - a Festung, que em Washington substituíu o velho Pentágono. Uns e outros - Espieste e Oesbloco - dispõem de "especialistas de modas de armas" que - caindo em transe - apresentam esboços de coisas estranhas, que se dizem ser mortíferas, cada vez mais mortíferas, e que são também cada vez mais loucas, mas susceptíveis de serem "semeadas" - disfarçadas como coisas vulgares, seguindo a norma dos Protocolos, de tornar os canhões em arados. Os homens comuns, os "papalvos", sentem-se muito felizes por isso, supõem-se defendidos como nunca, e orgulham-se de, através dos seus representantes - os concomandos -, tomarem parte no comando das operações de "sementeira de armas", sugerindo disfarces para elas. Mas os membros da classe dominante, os entendidos - os entes -, sabem que tudo isso é uma farsa. Até que...

nº 387 - A Máquina Preservadora - 1



Autor: Philip K. Dick
Título original: The Preserving Machine
1ª Edição: 1969
Publicado na Colecção Argonauta em 1989
Capa: A. Pedro
Tradução: Raul de Sousa Machado

Súmula - Foi apresentada no livro nº386 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
John Brunner, Anthony Boucher ou Harlan Ellison, especialistas de renome mundial e reconhecidos críticos de ficção-científica, são unânimes em considerar Philip K. Dick com um dos maiores escritores nos domínios da antecipação e da imaginação quase fantástica. Harlan Ellison foi ao ponto de considerar Philip K. Dick com o Pirandello, o Beckett ou o Pinter da ficção-científica e, dentro desta, numa tendência negra.
É nos contos, nas suas celebérrimas novelettes, que Philip K. Dick se nos apresenta no seu melhor, nos domínios inesgotáveis da especulação, da exuberância e da extravagância. A acção é quase sempre desesperada, melodramática, reflectindo aspectos salientes da sociedade actual nas suas projecções no futuro. Boucher admite que uma das maiores qualidades de Philip K. Dick é a capacidade de descrever, num cerrado simbolismo, os pesadelos que mais nos perseguem no nosso dia-a-dia. 
A Máquina Preservadora (título de um dos mais famosos contos de Philip K. Dick), é uma obra soberba e magnífica. Os contos reunidos e seleccionados pelo próprio autor, numa antologia que recebeu o aplauso de toda a grande crítica norte-americana, baliza-se em 1953 - ano em que publicou o conto que dá o título à obra - e 1956. Nesses três anos, fundamentais para o prestígio do escritor, a América e depois o resto do mundo viram surgir, com crescente espanto, um contista como há muitos anos outro não aparecera. Os seus textos, rápidos, nervosos, repletos de humor negro e de especulação satírica, colocam o leitor perante uma óptica mágica, uma caixa de surpresas de onde, linha a linha, sai um mundo estranho, complexo e crítico do nosso mundo.   

Índice dos contos:

A Máquina Preservadora - pág. 5

O Jogo de Guerra - pág. 18 

E Se Benny Não Existisse? - pág. 43

Roog - pág. 74

Veterano de Guerra - pág. 81

O Melhor Lugar de Reserva - pág. 147

E Lá ao Fundo Vivem os Wubs - pág. 174

Recordações por Atacado - pág. 186 

nº 390 - A Máquina Preservadora 2



Autor: Philip K. Dick
Título original: The Preserving Machine
1ª Edição: 1969
Publicado na Colecção Argonauta em 1990
Capa: A. Pedro
Tradução: Raul de Sousa Machado

Súmula - Foi apresentada no livro nº389 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
O segundo volume de A Máquina Preservadora, de Philip K. Dick, cria um ambiente obsessivo e quase paranóico, quer através de intrigas habilmente delineadas, numa sucessão premeditada de momentos terríficos, quer pela expressão de pormenores e sub-enredos, de pretextos e extravagâncias melodramáticas que empolgam o leitor. As suas personagens lembram as figuras diáfanas dos pesadelos, e se há uma ficção-científica negra, podemos ajustar o qualificativo a Philip K. Dick como um dos mais merecidos representantes. As descrições gelam o sangue, as preversidades sugeridas por vultos e sombras, os medos inculcados por seres e mecanismos arrepiantes, a tensão, o horror, as formas que mergulham em ondas de energia pura e os objectos intemporais que parecem flutuar num horizonte irreal contrastam com a quase congelada realidade dos objectos simples, dos insectos, dos corpos, das árvores, criando um mundo que tão depressa oscila entre um cenário fantástico como derrapa na inacção de uma figuração parada, para de novo se encher de potência e fulgor.

Índice dos Contos:

Mercado Cativo - pág. 5

Esta Triste Guerra - pág. 31

O Síndroma da Fuga - pág. 63

Os Rastejadores - pág. 97

Oh, É Tão Bom Ser um Blobel! - pág. 109

O Que Os Mortos Têm Para Nos Dizer - pág. 136

Paguem ao Impressor - pág. 215

nº 427 - O Homem do Castelo Alto 1


Autor: Philip K. Dick
Título original: The Man in the High Castle
1ª Edição: 1962
Publicado na Colecção Argonauta em 1993
Capa: A. Pedro
Tradução: António Porto

Súmula - Foi apresentada no livro nº426 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
O homem do Castelo Alto é Hawthorne Abendsen, um escritor que vive num mundo em que a Alemanha de Hitler e o Japão ganharam a Segunda Guerra Mundial e em que a América do Norte foi dividida em três faixas: a leste ocupada pelos nazis, a oeste pelos japoneses, constituindo a central um estado tampão, neutro.
Abendsen escreve, assim, uma obra subversiva, na qual a História surge invertida: a Alemanha e o Japão foram os vencedores. Mas, afinal, onde está a verdade? Quem é quem? Os americanos nazificam-se ou japonizam-se, os alemães americanizam-se. 
Os profundos pensamentos que este romance suscita colocam-no ao nível das maiores obras-primas da ficção-científica, como Dune, de Frank Herbert, Um Estranho numa Terra Estranha, de Robert A. Heinlein, A Idade do Ouro, de Arthur C. Clarke, Mais que Humano, de Theodore Sturgeon, ou Um Cântico para Leibowitz, de Walter M. Miller, Jr.  

nº 428 - O Homem do Castelo Alto 2



Autor: Philip K. Dick
Título original: The Man in the High Castle
1ª Edição: 1962
Publicado na Colecção Argonauta em 1993
Capa: A. Pedro
Tradução: António Porto

Súmula - Foi apresentada no livro nº427 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

No universo paralelo imaginado magistralmente por Philip K. Dick, as forças nazis ganharam a Segunda Guerra Mundial, ficando os Estados Unidos da América divididos em três faixas. Na parte ocidental, dominada pelos japoneses, estes coleccionam antiguidades ianques mas nunca deixam de consultar o oráculo Yi-King, um método de investigação importado do Extremo Oriente.
Consta, porém, que um certo autor de ficção-científica chamado Hawthorne Abdensen, que vive no Castelo Alto, anda a escrever um livro subversivo, no qual as forças militares dos Aliados é que venceram a Guerra.
Contudo, mesmo sob este novo prisma, a verdade continua duvidosa, pois os Americanos nazificam-se ou japonizam-se e os Alemães e os Japoneses americanizam-se.
Distinguido com o Prémio Hugo (1963), este romance desperta profundos pensamentos que o colocam ao nível das maiores obras-primas da literatura de ficção-científica, e reserva, na sua espantosa conclusão, uma enorme surpresa aos seus leitores.

nº 436 - O Tempo dos Simulacros



Autor: Philip K. Dick
Título original: The Simulacra
1ª Edição: 1964
Publicado na Colecção Argonauta em 1993
Capa: A. Pedro
Tradução: António Porto

Súmula - Foi apresentada no livro nº435 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Philip K. Dick é o que hoje se chama um "objecto de culto", um autor cujas obras são cuidadosamente coleccionadas, lidas e relidas, em busca de revelações, umas vezes herméticas, outras distantes, outras, ainda, imediatas. Uma das suas obras mais célebres é justamente The Simulacra, de que agora se edita a versão portuguesa com o título O Tempo dos Simulacros.
Nela surge uma visão alucinante do já bem próximo século XXI. É um tempo em que uma mulher eternamente bela pode ser eternamente Presidente dos Estados Unidos. É também um tempo em que no mundo só resta um psiquiatra, em que há viagens temporais, em que existem pianistas psicocinéticos e, sobretudo, inúmeras mensagens publicitárias vivas, que é preciso abater a tiro.  
Mas tratar-se-á, afinal, de uma fábula ou de uma antecipação que, no século XXI, será tão admirada como hoje são as de Júlio Verne? 

nº 441 - Os Jogadores de Titã



Autor: Philip K. Dick
Título original: The Game-Players of Titan
1ª Edição: 1963
Publicado na Colecção Argonauta em 1994
Capa: A. Pedro
Tradução: António Porto

Súmula - Foi apresentada no livro nº440 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

O próximo volume desta Colecção, é uma das grandes obras assinadas por Philip K. Dick, sem dúvida um dos mais controversos e amados autores de ficção-científica. 
Desta vez, o leitor vai travar conhecimento com as criaturas de Titã, uma lua de Saturno que é a mais misteriosa do Sistema Solar. 
Essas criaturas podiam passar por humanas ou inumanas, conforme lhes apetecesse. Assim, como a guerra que haviam travado com os terrestres parecia eternizar-se, propuseram ao que restava da Humanidade a substituição das armas por uma complexa competição na qual os ardis se sucederiam até ao infinito. 
Isto parecia melhor do que a luta armada, não fossem os jogadores de Titã tão traiçoeiros na paz como na guerra e se não estivesse em causa a sobrevivência do próprio Mundo!