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nº 110 - Estrelas Inimigas



Autor: Poul Anderson
Título original: The Enemy Stars
1ª Edição: 1959
Publicado na Colecção Argonauta em 1966
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº109 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Com a edição deste romance de Poul Anderson, tem a Colecção Argonauta o prazer de incluir pela primeira vez, entre os autores que dela fazem parte, um dos mais prestigiosos escritores de FC dos nossos dias.
Poul Anderson, autor norte-americano, dá-nos no presente romance uma obra de vigor empolgante, através de um entrecho de caracteristicas invulgares. Poul Anderson, com efeito, afirma-se no sector da FC com a plena originalidade de uma imaginação viva e exuberante, que prefere seguir o seu próprio caminho a trilhar as rotas já desbravadas pelos seus antecessores. 
Estrelas Inimigas é uma obra que marca uma data e que vem comprovar o imenso talento de Poul Anderson, um autor que, através deste romance, entra na Colecção Argonauta, enfileirando ao lado dos melhores escritores do género. 

nº 126 - O Planeta dos Homens Alados



Autor: Poul Anderson
Título original: War of the Wing-Men
1ª Edição: 1958
Publicado na Colecção Argonauta em 1967
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº125 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Romance fascinante, audacioso e movimentado, O Planeta dos Homens Alados, de Poul Anderson, é uma obra prodigiosa de imaginação. Admirávelmente concebido, o enredo deste romance encontra-se centrado numa conflagração mortífera entre o Povo dos Ares e o Povo das Águas, no meio da qual um punhado de criaturas procura sobreviver.
Ao longo de toda a obra, mantém-se intacto o clima de emoção que Poul Anderson criou desde o início, empolgando a atenção do leitor até à última página.
O Planeta dos Homens Alados, obra excelente no seu género, tem sido um best-seller nos países em que se encontra publicado.

nº 144 - Homens Sem Mundo



Autor: Poul Anderson
Título original: No World of Their Own
1ª Edição: 1955
Publicado na Colecção Argonauta em 1969
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº143 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

Cumpriram as ordens, alcançaram as estrelas e regressaram à Terra com um visitante - uma estranha criatura nascida nas estrelas que eles pensavam vir a ser objecto de grande curiosidade. Não suspeitavam que nela havia alguma coisa capaz de pôr todo o planeta em chamas.
E o mundo a que regressaram não era o seu. Era um mundo estranho, em que os homens estavam divididos em senhores e escravos, em que todos os dias eram iguais aos anteriores e aos futuros - só diferindo nomal, na intriga, na cobiça.
Eis, nas suas linhas gerais, o tema da obra de Poul Anderson - um dos maiores nomes da ficção-científica actual, mestre na descrição de civilizações e criaturas de outros planetas. Nem umas nem outras tão estranhas, porém, como as da Terra, daqui a cinco mil anos...
Romance emocionante, dele extractamos algumas das suas páginas, através das quais nos introduz no âmago da sua narrativa: 

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A nave saíu como um relâmpago do ultravoo e ficou suspensa nas trevas onde ardiam as estrelas. Durante um momento fez-se silêncio, e então ouviu-se: 
- Onde está o Sol?
Edward Langley fez girar a sua cadeira de piloto. Na cabina havia uma calma estranha. Só ouvia o murmúrio dos ventiladores e o bater do seu coração. O suor corria-lhe pelas costelas; o ar estava quente. 
- N... não sei - disse ele por fim. As palavras pareceram duras e vazias. Havia visores no painel de comando que lhe davam uma imagem do céu inteiro. Via Andrómeda e a Cruz do Sul, e a grande nebulosa de Orion, mas no sítio onde esperava que o esplendor surgisse só se encontrava o vazio absoluto. 
A ausência de peso sentiu-se como uma queda infinda.
- Estamos na região procurada, sem dúvida - disse ele um minuto depois. - As constelações são as mesmas, mais ou menos. Mas... - a sua voz como que morreu.
Quatro pares de olhos fitaram os visores esfomeadamente. Por fim, Matsumoto falou:
- Vejam Leo - está lá a mais brilhante das estrelas visíveis.
Observaram o esplendor dourado.
- É verdade, tem a cor devida - disse Blaustein. - Mas está tremendamente afastada.
Depois de outra pausa, resmungou de impaciência e debruçou-se sobre o espectrosctópio. Apontou-o cuidadosamente para a estrela, introduziu nele uma fotografia do espectro solar e carregou num botão, na unidade de comparação. A luz vermelha não se acendeu.
- Identidade absoluta, até nas riscas Fraunhofer - afirmou ele. - A mesma intensidade em cada risca, apenas com alguns quanta de diferença. Ou é o Sol, ou um gémeo dele.
- Mas a que distância está? - murmurou Matsumoto.
Blaustein ligou o analisador fotoeléctrico, leu um mostrador e passou uma régua de cálculo através dos dedos: 
- Cerca de um terço de anos-luz. Não está muito longe.
- O diabo é que não está - resmungou Matsumoto.
- Devíamos ter surgido a uma unidade astronómica (a distância média da Terra ao Sol). Não me digam que esse maldito motor falhou mais uma vez.
- Parece, não parece? - murmurou Langley. As suas mãos aproximaram-se dos comandos. - Dou mais um salto em direcção a ele?
- Não - respondeu Matsumoto. - Se o nosso erro de posição é tão mau, mais um salto colocar-nos-á dentro do próprio Sol.
- O que será o mesmo que aparecer no Inferno, ou no Texas - disse Langley. Sorriu-se, ainda que sentisse na garganta uma amargura interior. - Muito bem, rapazes, o melhor será irem à proa e arranjarem esta ratoeira. Quanto mais depressa descobrirem o que está errado, mais depressa poderemos chegar a casa.
Moveram a cabeça, num gesto de concordância, desapertaram o cinto e saíram da sala de pilotagem. Langley suspirou.
- Não podemos fazer outra coisa senão esperar. Saris! - disse ele. 
O Holatiano não respondeu. Nunca falava sem necessidade. O seu corpo enorme, coberto de pêlo, estava imóvel no leito de aceleração que haviam improvisado para ele, mas os olhos permaneciam atentos. Despreendia-se dele um ligeiro odor, que nada tinha de desagradável. Lembrava a relva aquecida pelo Sol, num largo horizonte. Parecia fora do seu lugar naquele estreito caixão de metal; pertencia ao céu aberto, às águas correntes.
Os pensamentos de Langley espraiaram-se: "um terço de anos-luz. Não é demasiado. Voltarei para junto de ti, Peggy, nem que tenha de percorrer todo o caminho de rastos."
Depois de ligar o comando automático da nave, na improvável previsão do encontro cmo um meteoróide, Langley libertou-se da cadeira e disse:
- Não devem demorar muito tempo. Já fizeram daquilo uma ciência, tantas vezes desmantelaram aquele monte de sucata. Entretanto, quer jogar um pouco de xadrez?
Saris Hronna e Robert Matsumoto eram os adeptos do xadrez, a bordo do Explorer, e era estranho vê-los a jogar: um homem cujos antepassados haviam trocado o Japão pela América e uma criatura de um planeta distante de mil anos-luz, apanhados pela rede de um persa morto há muitos e muitos séculos. Mais do que o enorme vazio atravessara, masi do que os sóis e planetas que via girar nas trevas, aquelo dava a Langley uma sensação de imensidade e da omnipotência do Tempo.
- Não, obrigado. - As presas brilhavam, brancas, enquanto a boca e a garganta formavam uma linguagem para a qual não haviam sido criadas. - Prefiro este novo e surpreendente acontecimento considerar.
Langley encolheu os ombros. Ao fim de semanas de vida em comum, ainda não se conseguira habitual aquele ser de Holat - o animal feroz que farejava os caminhos da floresta, ali sentado com olhos sonhadores, horas e horas, e a cabeça cheia de uma filosofia incompreensível. Mas já não se sentia perturbado.
- Muito bem, filho - disse ele. - Então vou pôr em ordem o diário de bordo. Empurrou a parede com um pé e abriu a porta. Atravessou um corredor estreito. No fim, fez uso das suas mãos experientes, girou em volta de um pilar, entrou num pequeno compartimento e dobrou as pernas em volta de uma cadeira presa  a uma secretária. 
O diário de bordo estava aberto, preso pelo magnetismo das suas ferragens. Com uma preguiça que era a melhor arma contra a sua furiosa impaciência, começou a folheá-lo.

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Introdução:

Poul Anderson nasceu em Bristol, na Pensilvânia, e licenciou-se em Física na Universidade de Minnesota. Escrevia por divertimento e publicou algumas histórias, ainda quando estudante. Depois, como lhe fosse difícil obter um emprego adequado, continuou a escrever. Até que, com sua surpresa, verificou que não era um cientista, mas sim um escritor nato.
A ficção-científica não é o único género literário a que Poul Anderson se dedica. As suas obras realistas e históricas são também bem conhecidas. Mas a habilidade e a elegância com que descreve a vida no futuro - num futuro quase sempre muito longínquo - em muitos povoados por criaturas não humanas, é absolutamente incomparável. Nenhum autor do género é capaz como ele, de expresar em todos os seus pormenores mentalidades e civilizações que não têm qualquer ponto de contacto com aquelas que conhecemos, sem abandonar a lógica mais pura e sem recorrer a artifícios dúbios ou excessivamente imaginosos.
Por isso se compreende que muitas das suas obras tenham sido traduzidas nas mais diversas línguas e que algumas delas figurem na Colecção Argonauta (nº110 - Estrelas Inimigas; nº126 - O Planeta dos Homens Alados). Em Homens sem Mundo, Poul Anderson leva-nos porém ainda mais longe. Porque a civilização estranha que descreve é a da própria Terra. Num futoro que, felizmente, estará bem longe de nós. 

nº 146 - Depois do Fim do Mundo



Autor: Poul Anderson
Título original: After Doomsday
1ª Edição: 1962
Publicado na Colecção Argonauta em 1969
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº145 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Carl Donnan, engenheiro espacial, era um homem de acção que fazia muito bem o seu trabalho, e pouco mais o preocupava além disso - até que, ao voltar de uma longa viagem através da Galáxia, a sua nave encontrou a Terra destruída, transformada numa bola de cinza e lavas, oceanos em ebulição e ventos horríveis.
Daí em diante, duas ambições o dominaram:
- Descobrir quais haviam sido as criaturas que haviam assassinado a Terra.
- Procurar outra nave interstelar com mulheres a bordo.
Foi então que a Galáxia soube quanto podia ser terrível e obstinada uma simples meia dúzia de homens. Até à grande Batalha de Brandobar, que mudou os destinos do universo e que os poetas cantaram durante milénios.

nº 186 - O Planeta Neutral



Autor: Poul Anderson
Título original: Mayday Orbit
1ª Edição: 1961
Publicado na Colecção Argonauta em 1972
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - foi apresentada no livro nº185 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Deste extraordinário romance de FC, Planeta Neutral, de Poul Anderson, damos aos leitores o seguinte excerto:

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Vista durante a aproximação, contra o negrume de cristal e as estrelas amontoadas em constelações estranhas, Altai era bela. Uma boa metade de ambos os hemisférios, estava coberta de gelos. Os campos de neve mostravam-se rosados, à luz do sol, enquanto o gelo parecia furta-cores, ora azul, ora verde. A cintura tropical de estepe e tundra, tinha tons que iam do bronce ao ouro velho, salpicados por rios de prata. A três raios planetários, no espaço, havia um anel duplo, de arco-íris subtil que rodeava o equador. E mais atrás, duas luas estavam suspensas como moedas de cobre, entre as estrelas.
O Comandante Sir Dominic Flandry, agente de campanha do Corpo de Informações Navais do Império Terrestre, afastou com relutância os seus olhos daquela cena para observar de novo a ponte da nave. - Já vi de onde veio o nome - notou ele. Na linguagem dos primeiros colonizadores humanos daquele planeta, que ele aprendera electrónicamente por intermédio de um mercador de Betelgeuse, Altai significava Dourado.- Mas Krasma é um nome que se adequa ao seu sol. Não é vermelho, pelo menos aos olhos humanos. Nem sequer tão vermelho quanto o vosso sol. Parece-me mais amarelo-alaranjado.
O rosto de Zalat, que comandava a velha nave mercante, contorceu-se  numa careta que na sua raça equivalia a um encolher de ombros. Era moderadamente humanóide, ainda que tivesse metade da altura de um homem, forte, sem um pêlo no corpo, coberto por uma túnica de rede metálica.
- Zuponho que é uma queztão de contrazte, como diz.
- Zalat falava com um sotaque desnecessáriamente forte, como se quisesse mostrar que a independência do Sistema de Betelgeuse - Estado-tampão entre os Impérios hostis da Terra e de Merseia - não o obrigava a contribuir para a cultura interstelar.
Flandry teria preferido praticar o seu altaiano, tanto mais que o vocabulário de Zalat era tão pequeno que ele tinha de limitar a conversação às coisas simples. Mas conteve-se. Como único passageiro de outra raça, com necessidades dietéticas especiais, dependia da boa vontade do capitão. Além de que pretendia que as criaturas de Betelgeuse o tomassem tal como era. Oficialmente, a sua missão era apenas a de restabelecer os contactos entre Altai e o resto da humanidade. A missão era tão pouco importante que a Terra nem sequer lhe dera uma das suas naves, encarregando-se de conseguir passagem da melhor maneira que pudesse. Portanto, ele tinha que suportar a tagarelice de Zalat.
- No fim de tudo - prosseguiu o capitão -, Altai foi colonizado pela primeira vez há maiz de zetecentoz anoz terreztrez; no inízio daz viagenz pelo ezpazo, pelo que vocêz dizem. Então, Krama deve ter parezido terrivelmente frio e vermelho, depoiz  do Zol.
Flandry voltou a olhar para as estrelas: eram mais do que ele podia contar, masi do que ele podia imaginar. Uns bons quatro milhões, incluídos naquela vaga esfera que era o Império Terrestre, constituíam uma porção insignificante de um braço espiral daquela galáxia vulgar. Mesmo que se adicionassem os impérios não-humanos, os sóis soberanos como a Betelgeuse, e os relatos dos poucos exploradores que tinnam ido até muito longe nos tempos, a parte do universo que o homem conhecia era terrivelmente pequena. E sempre seria.
- Quantas vezes vem aqui? - perguntou ele, principalmente para afastar o silêncio.
- Maiz ou menoz uma em cada ano terreztre - respondeu Zalat. - No entanto, há outroz mercadorez nezta rota, além de mim. Trabalho em pelez, mas Altai também produz pedraz preziozas, minérioz, couroz, várioz produtoz orgânicoz e até carne zeca, muito apreziada por nóz. Portanto, já zempre um ou duaz navez de Betelgeuse em Ulan Baligh.
- Ficará por lá muito tempo?
- Ezpero que não. É um lugar aborrezido para um não-humano. Criaram uma caza de divertimentoz para nóz, maz az perturbazões que vão por lá, a daza daz pelez e o tráfico daz caravanaz têm zido muito prejudicadoz. Da última vez tive que ezperar um mêz para conzeguir uma carga completa. Dezta vez, pode zer pior.  
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nº 324 - Espião Interstelar


Autor: Poul Anderson
Título original: Ensign Flandry
1ª Edição: 1966
Publicado na Colecção Argonauta em 1984
Capa: A. Pedro
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - Foi apresentada no livro nº323 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Espião Interstelar é a versão portuguesa de Ensign Flandry, uma das curiosas obras que Poul Anderson escreveu em torno da figura lendária do jovem Dominic Flandry, aspirante do Corpo Naval Imperial e agente secreto da Terra, sempre envolvido nas mais extraordinárias aventuras, apesar dos seus dezanove anos. Agora o problema está nos peles verdes de Mersela - os belicosos e inteligentes répteis que sonham em destruir a Terra. Tudo começa em Starkad, um pequeno planeta na terra-de-ninguém, que durante séculos serviu de palco à guerra entre dois partidos. Subitamente Mersela surge a apoiar um deles... e naturalmente a Terra passa a apoiar o outro. E a escalada começa. Mas que interesse terá Mersela em arriscar-se a uma guerra com a Terra, por causa de um planeta tão pobre?
Eis como se inicia a maravilhosa aventura:

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Fim do dia, na Terra...
Sua Majestade Imperial, o Alto Imperador Georgios Manuel Krishna Murasaki, o quarto da dinastia Wang, Supremo Guardião da Paz, Grande Director do Conselho Estelar, Comandante-Chefe, Árbitro Final, reconhecido com supremo em muitos mundos e chefe honorário de mais organizações do que algum homem poderia recordar, festejava um aniversário. Em planetas tão distantes que, a olho nú, não era possível ver os seus sóis entre os que cintilavam sobre a Oceânia, homens tornados escuros e coriáceos, ou gordos e fatigados, por estranhos climas, ergueram copos numa saudação. As ondas de luz que transportavam os seus votos deviam vir a esbater-se no seu túmulo.
A Terra em si, foi menos solene. Exceptuando a corte, que ainda se sentia obrigada a seguir a luz do dia, à volta do globo, para assistir a uma cerimónia esgotante após outra, o Aniversário era simplesmente um pretexto para um carnaval. Enquanto o seu aerocarro zumbia sobre as grandes águas que entravam na penumbra, o Sr. Markus Hauksberg via o Leste a arder com a luminosidade do céu, nascida de multicoloridas cortinas móveis, em que os fogos de artifício explodiam como meteoritos. Naquela noite, enquanto o planeta girava, o seu lado da noite estava tão radiante como se quisesse ofuscar os próprios metrocentos vistos da Lua. Se ligasse o seu "vid", para quase todas as estações, poderia ver multidões tumultuosas, a encher as casas de prazer, entre as torres festivamente decoradas.
A sua dama quebrou o silêncio com um murmúrio que o assustou:
- Gostaria de ter estado aqui, cem anos antes.
- O quê? - Por vezes ela ainda o surpreendia.
- O Aniversário ainda significava alguma coisa.
- Bem... sim. Concordo. - Hauksberg lançou o seu espírito para trás na História. Ela tinha razão. Os pais levavam os "filhos" para fora, quando o crepúsculo fazia terminar as paradas e as festas; apontavam para as primeiras estrelas a despontar e diziam:
- Olha para longe. Aquelas são nossas. Cremos que há cerca de quatro milhões sob o domínio imperial. Por certo que cem mil nos conhecem no dia a dia, nos obedecem, pagam tributo, e recebem paz e riqueza recíproca, em troca. Os nossos antecessores fizeram isso. A fé mantém-se.
Hauksberg encolheu os ombros. Não se podia evitar que as últimas gerações ignorassem a ingenuidade. A seu tempo deviam compreender, até aos ossos, que aquela migalhinha de galáxia tinha mais de cem milhões de sóis; que ainda nem sequer explorámos por completo um braço da espiral, e que não parece que alguma vez o consigamos; que não precisamos de telescópios para ver gigantes como Betelgeuse e Polaris, que não nos pertencem. Partindo daí, tudo o mais é fácil. Toda a gente sabe que o Império foi ganho e é mantido pela força bruta, que o governo central é corrupto, que na fronteira tudo é brutal e que a última organização com um alto moral, a Armada, vive para a guerra, para a opressão e para o anti-intelectualismo. Portanto divirtam-se, aliviem a vossa consciência com um pouco de desprezo discreto, e nunca, nunca façam figura de parvos tomando o Império a sério.
Pode ser que eu mude tudo, pensou Hauksberg.
Alicia interrompeu.
- Podíamos pelo menos ir a uma festa decente! Mas não, resolveste levar-nos à do Príncipe Real. Estás à espera que ele compartilhe contigo um dos seus meninos bonitos?
- Hauksberg tentou acalmar as coisas com uma careta:
- Ora, ora, meu amor, estás a cometer uma injustiça. Sabes que eu ainda persigo mulheres. De preferência mulheres bonitas como tu.

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nº 364 - A Hora da Inteligência



Autor: Poul Anderson
Título original: Brain Wave
1ª Edição: 1954
Publicado na Colecção Argonauta em 1987
Capa: A. Pedro
Tradução: Raul Sousa Machado

Súmula - Foi apresentada no livro nº363 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Sabe-se que nem toda a capacidade do cérebro é utilizada, mesmo pelos mais inteligentes dos homens. Provavelmente, o mesmo acontece com os animais...
Suponha-se que isso era consequência do facto de a Terra estar no interior de um campo de forças que retardava a propagação da luz e do mesmo modo afectava os processos electromagnéticos e electroquímicos. 
Suponha-se também que um dia a Terra saía desse campo de forças e que de um momento para o outro a inteligência de todos os homens e todos os animais... triplicava!
Seria isso um benefício?
Aparentemente, sim.
Mas a inteligência não daria sentimentos humanos aos animais.
E nem todos os homens se tornariam igualmente inteligentes. Seriam mais inteligentes. Uns mais, muito mais do que os outros - a uma distância nunca vista.
Acima de tudo, no dia em que super-inteligência humana permitisse encontrar soluções para todos os problemas, em que ocupariam os homens o seu tempo?
Nota: uma das obras que mais me maravilhou na Colecção Argonauta. Um acidente natural faz com que a inteligência aumente desmesuradamente nos homens e até nos animais. Gostei imenso desta obra, que reli várias vezes.

nº 410 - Essas Estrelas São Nossas



Autor: Poul Anderson
Título original: We Claim These Stars!
1ª Edição: 1959
Publicado na Colecção Argonauta em 1991
Capa: A. Pedro
Tradução: Samuel Soares 

Súmula - Foi apresentada no livro nº409 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

No amor e na guerra tudo deve ser leal. Com a galáxia dividida entre duas confederações implacáveis, assim devia ser. Mas como montar uma armadilha a um telepata de capacidades espantosas e capturá-lo?
O alvo era um estranho génio de um mundo não marcado nos mapas. Um génio que era o braço direito do Estado-Maior do inimigo, e que não só sabia o que se passava nas mentes de todos quantos estavam próximos dele, como podia ler nos pensamentos distantes. Esse era o problema que Sir Dominic Flandry, capitão dos Serviços de Informação Terrestres, tinha de resolver.
Para tornar as coisas piores ainda, o telepata em questão estava igualmente interessado em pôr Flandry fora de acção. E a sorte de muitos planetas dependia de qual dos dois triunfasse.
Esse o tema de Essas Estrelas São Nossas, versão portuguesa de We Claim These Stars, uma das mais interessantes obras de um dos mais importantes autores de ficção-científica: Poul Anderson.

nº 487 - Crónicas do Fim do Mundo



Autor: Poul Anderson
Título original: The Horn of Time
1ª Edição: 1968
Publicado na Colecção Argonauta em 1998
Capa: A. Pedro
Tradução: A. Maldonado Domingues 

Súmula - Foi apresentada no livro nº486 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

No dia em que os homens matarem o seu próprio mundo, quando este não for mais do que um deserto de cinzas, poderão eles fugir para os céus, lutar contra planetas hostis, subjugar a sua própria natureza à necessidade de sobreviver num cosmos que lhes é estranho? Não será a própria natureza humana o pior inimigo do homem?
Eis o tema de Crónicas do Fim do Mundo, a versão portuguesa de The Horns of Time, uma obra de Poul Anderson, um dos grandes mestres da ficção-científica, em que é explorado o futuro numa narrativa empolgante que parte da Terra para as mais longínquas galáxias e que antevê o destino final da Humanidade.
Nesta colecção, foram já incluídas algumas das obras mais representativas de Poul Anderson.

Nota: a Colecção Argonauta não menciona o facto, mas esta obra é uma colectânea de contos. Segue-se abaixo o índice dos mesmos: 

A Trombeta do Tempo - O Caçador - (pág. 5) 

Um Homem pelas Minhas Feridas - (pág. 26) 

Os Mais Altos - (pág. 50)  

O Homem que Chegou Cedo - (pág. 84) 

Marius - (pág. 116) 

Progresso - (pág. 133) 

nº 513 - O Planeta das Virgens



Autor: Poul Anderson
Título original: Virgin Planet
1ª Edição: 1992
Publicado na Colecção Argonauta em 2000
Capa: António Pedro
Tradução: Alexandra Santos Tavares 

Súmula - foi apresentada no livro nº512 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Num futuro ainda remoto, quando as forças terrestres tiverem colonizado inúmeros planetas de vários sistemas solares muito distantes do nosso, uma frágil aliança dos mundos civilizados manterá um sistema de patrulhamento e vigilância, para evitar as formas mais gravosas de criminalidade. Trata-se do serviço de coordenação, sediado no planeta Nerthus, a cerca de um milhar de anos-luz do nosso próprio sistema solar.
É pois a partir de Nerthus que o jovem Davis Bertram inicia uma aventura solitária para tentar descobrir, no Delta Cabeça de Lobo, um novo mundo desabitado ou primitivo. Mas Bertram alimenta outra esperança secreta: três séculos atrás, um transporte de mulheres que viajava para uma área já colonizada caíra no planeta Atlantis, cuja localização exacta não era conhecida por ninguém. Iria Bertram descobrir um planeta só habitado por mulheres?
E contra todas as espectativas é isso mesmo que lhe sucede. Mas então Bertram tem várias surpresas: mas abandona a sua nave, é capturado por uma mulher guerreira, depois as habitantes do planeta consideram-no um monstro e, finalmente descobre que elas não têm nenhuma ideia do que seja na realidade um homem. 

Nota do Autor

Os leitores de ficção-científica estão interessados em ciência, e é uma pena conseguirem tão pouca. Com algumas poucas excepções honrosas, os escritores têm a propensão geral de criar ou impossibilidades tais ou variações menores sobre a Terra e a civilização ocidental que já conhecemos. Até aqui, e tanto quando sei, apenas Hal Clement conseguiu na realidade realizar os seus cálculos, e a sua Missão de Gravidade é por isso um exercício de lógica fascinante. A história actual não tem pretensões de tal estatura intelectual, mas existem alguns detalhes de fundo que não puderam ser incluídos na narrativa e podem ter algum interesse. 
Um conto é considerado fantástico apenas se partir de um pressuposto contrário aos factos. No caso presente, apresentei o postulado - que pode até ser verdade, tanto quanto se sabe - de que a relatividade dá apenas uma imagem parcial da estrutura do universo, e que algum dia novas descobertas possam ser feitas que nos forcem a modificar a nossa teoria física.
Resumindo, penso que a viagem mais rápida do que a luz é possível. Isto não quer dizer que acabe a aceleração simples; essa ideia foi excluída tanto teórica como experimentalmente. Mas apesar de a velocidade de grupo de uma sequência de onda de partículas ser limitada pela luz, a velocidade de fase não é. Segundo essa teoria, nesta "história do futuro", a invenção de um aparelho para lidar com as funções psi descontínuas, permite que uma nave espacial adquira uma pseudo-velocidade (não uma verdadeira velocidade no sentido mecânico) limitada apenas pela frequência dos osciladores do motor.  
Na base desta física postulada, parece-me razoável supor que o controlo da gravidade, tanto para gerar um campo interno e um mecanismo de propulsão para a viagem sub-luz, seja possível, e que um fenómeno como o "vórtice da trepidação" possa na realidade existir. Nenhuma destas suposições é necessária para o enredo, mas contribuiu para ele. 
Tudo o resto se encontra estritamente no interior da ciência actual. Uma arma de raios poderia ser construída hoje, embora fosse uma enorme máquina desajeitada. (A arma da história depende de um dieléctrico quase perfeito, algo em que os laboratórios Bell estão agora a trabalhar.) O ajustamento electrónico de um padrão emocional é prenunciado por técnicas terapêuticas como as dos electrochoques e medicamentos tranquilizantes. Os nossos computadores actuais e autómatos são robôs embriónicos. A partogenése foi já experimentada em mamíferos, e não existe qualquer motivo conhecido para que uma pesquisa nesse campo não se possa aplicar ao ser humano. 
Com a viagem interestelar, existem certas consequências sociais lógicas. Os homens irão emigrar para novos mundos por um motivo ou outro; nesta história, não existe qualquer motivo económico para deixar a Terra, mas existe uma migração psicológica análoga a toda a migração de liberais europeus para a América depois de mil oitocentos e quarenta e oito, em que a maioria dos homens não encontra a cultura mecanizada e altamente intelectualizada habitual na Terra.
A guerra interestelar e o governo interestelar são ambos improváveis: o espaço é demasiado grande, e um planeta inteiro, demasiado auto-suficiente. Mas uma aliança entre os mundos civilizados (a União) e uma patrulha conjunta para protecção dos indivíduos e das sociedades mais atrasadas de formas de exploração maiores (o Serviço de Coordenação) virão a ser provavelmente organizados. Outras características da minha civilização futura, com a linguagem Básica e o panteísmo filosófico do Cosmos - nenhuma delas irá substituir todas as suas correspondentes antigas - são necessariamente um trabalho de cálculo; apenas podemos ter uma certeza, a de que o futuro irá ser diferente do presente. Na realidade, uma história passada daqui a alguns séculos deverá ser assim pensada como uma tradução, não meramente de linguagem mas de personalidades e conceitos que correspondem apenas aproximadamente ao que conhecemos. 
Com as novas tecnologias, a viagem interestelar irá produzir mais problemas do que resolvê-los. Destes, é claro, a cartografia não será o último. Não que alguém mentalmente são se vá preocupar com os mapas tridimensionais da Galáxia; um catálogo de dados astronómicos dá muito mais jeito. Mas a Galáxia é de tal forma enorme que numerar cada estrela individualmente iria ser um sistema demasiado inepto e demasiado propenso ao erro.
Imaginei, em vez disso, que as regiões maiores fossem consideradas de forma mais ou menos arbitrária, e que fossem nomeadas as constelações, tal como aparecem em algum planeta base dentro de cada região. Assim sendo, todas as outras estrelas da região podem ser relacionadas com este sistema de constelações da forma habitual da astronomia do século XX. 
Desta forma, o Manual do Piloto irá catalogar estes planetas base, ou melhor, as suas estrelas, e cada uma dessas entradas fará referência a toda uma região. Naturalmente, as estrelas maiores, como por exemplo Canopus, visíveis através de diversas regiões, terão uma designação diferente em cada um deles, mas esta é uma simples questão de remissão recíproca.
O planeta do género da Terra que é Nerthus é uma dessas bases. Está a cerca de mil anos-luz do Sol na direcção de Argus. A Cabeça de Lobo é uma constelação conspícua nos seus céus. A designação correcta dos sóis duplos de Atlantis, traduzidos do Básico para o latim que usamos hoje, é, assim (Ar293) Delta Capitis Lupi. Como é usado na astronomia do século XX, o "Delta" indica que esta estrela é a quarta mais brilhante em Capitis Lupi como é vista de Nerthus. 
Os membros de um sistema de uma estrela dupla giram em volta do seu centro comum de gravidade. Na prática, a estrela mais maciça é escolhida como sendo a central e chamada "A", e a sua companheira, "B".  (É claro que  geralmente se lhes dão nomes mais populares.) Os planetas de uma estrela são numerados do interior para o exterior, I, II, III, etc., e o mesmo se aplica aos satélites de qualquer planeta.
(Não pretendi dizer que quase todas as estrelas - de População I, pelo menos - possuem planetas. Isto foi estabelecido como um facto e mil novecentos e cinquenta e nove.)
Os nomes dos corpos celestes no interior de um dado sistema, com oposição aos números, são geralmente escolhidos para se enquadrarem num padrão coerente. Os vulcões e o hemisfério exterior aquoso do nosso mundo sugeriu-me o nome de Atlantis; os motivos míticos cretenses e gregos seguiram-se logicamente aos outros corpos, uma vez que a Atlantis da lenda pode bem ser uma reminiscência do Império de Minos.
Delta Capitis Lupi A (mais tarde chamada Daedalus) é do tipo "AO", uma estrela quente azulada, com a massa de quatro Sóis e a luminosidade de oitenta e um Sóis (tirado do diagrama da massa-luminosidade). A sua companheira "B" (Icarus) é do tipo "GO", quase idêntico ao Sol. Se considerarmos "A" como sendo o centro, o que podemos legitimamente fazer, então "B" gira em volta de "A" a uma distância média e noventa e oito Unidades Astronómicas, com um período de quatrocentos e oitenta e cinco anos. Devido à proximidade de "B", "A" possui uma luminosidade aparente 0,0085 vezes maior do que o Sol visto da Terra. Isto é comparável ao Sol a onze Unidades Astronómicas, bastante depois de Saturno, mas o diâmetro angular de "A" para "B" é muito menor. Olhando à vista desarmada para "B", "A" pouco mais é do qeu uma estrela super-brilhante. 
"A" tem três planetas próprios, nenhum deles habitável para o homem. "B" possui dois, dos quais Minos é o primeiro. Para além disso, devido aos efeitos gravitacionais estelares, existem apenas asteróides. 
Minos está a uma distância média de "B" de uma Unidade Astronómica. Por esse motivo, recebe quase em média a mesma quantidade de calor e luz que a Terra. No entanto, a atracção gravitacional de "A" alongou a sua órbita em direcção a si própria, de forma que o eclipse tem uma excentricidade de 0,2. Daqui resultam as estações de Atlantis, com o Inverno a chegar quando Minos se encontra mais afastada de "B" e mais  próxima de "A", e no Verão, as condições são invertidas. 
Minos é do tipo geral de sessenta e um Cygnus C, o planeta extra-solar descoberto por Strand em mil novecentos e quarenta e cinco. A sua massa é cinco mil vezes a da Terra, o seu diâmetro equatorial de cinquenta e um mil e duzentos quilómetros, e o seu período de rotação tem cerca de dez horas. Tal como todos os planetas gigantes, possui uma atmosfera densa, composta na sua maior parte por hidrogénio. 
Possui também dezoito satélites. A maior parte deles é de tal forma pequena e afastada que se torna insignificante, mas os inferiores são visíveis de Atlantis, que é o terceiro planeta satélite do tamanho da Terra de Minos.
Na tabela que se segue, a coluna 1 dá-nos o diâmetro equatorial de cada um dos primeiros cinco satélites, em quilómetros. (A sua densidade é mais ou menos a mesma da Terra, 5,5 g/cc.); na coluna 2, estão descritos os raios orbitais médios em volta de Minos, em quilómetros; na coluna 3, o período de cada órbita em horas. A coluna 4 exibe o diâmetro angular como é visto de Atlantis numa aproximação, em graus de arco. (Para se poder fazer uma comparação, a Lua vista da Terra tem cerca de 0,5 graus de través); na coluna 5, temos o tempo entre as oposições sucessivas a Atlantis, em horas. Por fim, na coluna 6, estão exibidos os respectivos nomes.

  Lua 123 4 56
  I - 162161,0002,45 Ponto 3,1 Aegeus
 II - 3218 272,0005,20,9 9,05 Ariadne
III - 12,502483,00012,2 Atlantis
IV - 4793 720,00022,2 0,7 26,9 Theseus
 V - 16101,920,000 97,00,07 114,0 Pirithous

Todas estas órbitas são eclipses de pouca excentricidade, aproximadamente no plano equatorial de Minos, embora ligeiramente inclinadas em relação umas às outras. 
O arrastamento do planeta maior deu a estes satélites um período de translação igual ao da rotação, de modo que voltam sempre a mesma face à sua primária. Pelo mesmo motivo, este hemisfério interior é arqueado na direcção de Minos e existe pouca inclinação axial, embora haja uma precessão considerável.
No caso específico de Atlantis, esta deformação permanente concentrou a maior parte da terra no hemisfério interior e produziu o continente principal, no qual onde a acção se desenrola, extremamente montanhoso. (Mais tarde, este continente foi denominado Labirinto.)
O hemisfério interior de Atlantis tem um céu espectacular. Minos exibe um diâmetro angular de cerca de sete gruas, e tendo um albedo de quarenta e cinco por cento, é brilhantemente luminoso, o equivalente na fase total a cerca de mil e duzentas fases cheias da Lua. Para além disso, Ariadne e Theseus dão cada um deles diversas vezes tanta luz como a Lua. Aegeus e Ariadne nunca se põem, mas são vistos a moverem-se através de Minos de oeste para leste, e depois novamente por trás de Minos na direcção oposta. Como nos é demonstrado na coluna cinco, para um observador acostumado à lua da Terra, aqueles satélites pareceriam quase colidir. Aegeus é visto inteiro no seu percurso através do céu em 3,1 horas e a atravessar um ciclo completo de fases em cerca de trinta horas; o percurso aparente tem cerca de dezoito graus de través. Este satélite, no entanto, apenas surge como uma estrela pequena e rápida de brilho flutuante. Ariadne completa o seu percurso aparente, cerca de trinta e dois graus de largura, em 9,05 horas e um ciclo de fases em cerca de sessenta e três horas e meia ou cerca de cinco dias de Atlantis. Devido à sua inclinação orbital, todos os satélites se encontram geralmente "acima" ou "abaixo" de Minos quando passam por ele. Uma visão ocasional é a de uma Ariadne cheia a transitar por um Minos cheio à meia-noite e tornando-se de uma coloração acobreada quando entra no cone de sombra de Atlantis. O satélite exterior maior, Theseus, nasce e põe-se de forma habitual, movimentando-se um pouco mais lentamente do que a Lua, e completa um ciclo de fases em cerca de cento e trinta e cinco horas, ou onze dias de Atlantis. 
O hemisfério exterior nunca vê Minos, somente os satélites interiores que nascem e se põem lentamente no céu apenas perto do limite hemisférico, e vê menos de Theseus.
O sistema Ariadne-Atlantis-Theseus começa um novo ciclo de movimentos a cerca de cada trezentas e cinquenta horas.
Durante cerca de metade do Inverno do ano de Minos, que tem a mesma duração do da Terra, a estrela companheira "A" ilumina Atlantis após "B" se ter posto. No Verão, as duas estrelas parecem aproximar-se gradualmente uma da outra, até que, a meio do Verão, "A" é ocultada por "B".
O hemisfério interior de Atlantis vê o eclipse total de "B" todos os dias, quando Minos se encontra entre ele e a estrela. A altura precisa depende da longitude; é quase ao meio-dia, no local desta história. Uma duração teórica deste eclipse será de cerca de onze minutos, na realidade talvez um pouco menos, devido ao efeito refringente da atmosfera de Minos. "A" é eclipsado algures durante o dia no Verão e algures durante a noite no Inverno. Existem também eclipses ocasionais de qualquer uma das estrelas causados pelos outros satélites.
Ariadne e Theseus produzem fortes efeitos de maré nos oceanos de Atlantis, sendo as primeiras marés altas iguais às da Terra, e as segundas marés quase seis vezes maiores. Para além disso, existe a atracção mais ou menos influente de Minos e os efeitos variantes e mais fracos de "B" e dos satélites mais pequenos. Isto dá origem a oceanos turbulentos, com padrões de ondas fantasticamente complicados, de fluxo e refluxo. As margens mais baixas são transformadas em pântanos salgados, e as mais elevadas são fustigadas por ondas violentas. Os orifícios causados pela maré são bastante comuns ao longo das saliências irregulares continentais dos rochedos. Só os mares interiores é que se aproximam das condições terrestres. 
As mesmas forças gravitacionais tornam o diastrofismo de Atlantis mais rápido do que o da Terra. O satélite possui extensas regiões vulcânicas e muitas zonas são sísmicas. A libertação do dióxido de carbono através dos vulcões nos períodos tectónicos, seguida do seu consumo igualmente rápido na rocha exposta de montanhas recentes, faz com que a história geológica dependa de alterações climáticas súbitas. Devido à atracção maior de Coriolis, as tempestades ciclónicas em Atlantis são mais frequentes e mais violentas do que as da Terra. 
Nesta altura da história, no entanto, existe um clima ameno interglaciar e a vida, cuja bioquímica é bastante terrestre - como seria de esperar num planeta tão parecido com a Terra - está florescente. Não existem calotas polares, mas as montanhas mais altas retêm alguns glaciares e as terras altas têm neve durante o Inverno. 
Poderia parecer inevitável que os mamíferos se desenvolvessem sob tais condições alteráveis, mas nada existe de inevitável na evolução. O progresso da vida em Atlantis foi, na realidade, retardado pelas condições climatéricas inseguras e pela geologia cataclísmica, que tendia a matar todas as novas formas terrestres antes que se estabelecessem. Apenas as aves estão equipadas para escapar a alterações mais súbitas e poderosas do que qualquer outra coisa que a Terra tenha conhecido - e os geólogos do século XX começam a acreditar que as revoluções climatéricas do nosso próprio planeta se deram mais rapidamente do que se pensou anteriormente. Sempre que as condições se tornavam novamente favoráveis, as aves de Atlantis explodiam numa nova multiplicidade de espécies, incluindo tipos gigantes que não voavam.
Na realidade, existem alguns poucos mamíferos primitivos em Atlantis; no hemisfério exterior, onde a grande superfície de água torna o clima um pouco mais estável. Mas eles ainda não chegaram à secção interior, e os seres humanos proscritos, incapacitados de navegar para longe naqueles mares traiçoeiros, nunca os viram.
E é esta a base científica da história.  O leitor é convidado a fazer os seus próprios cálculos, baseando-se nos meus dados fictícios, e a desafiar-me, se pensar que me enganei em qualquer parte. Essa é uma das coisas que torna a ficção-científica divertida.

nº 520 - Os Caminhos das Estrelas



Autor: Poul Anderson
Título original: Star Ways
1ª Edição: 1956
Publicado na Colecção Argonauta em Dezembro 2000
Capa: António Pedro
Tradução: Alexandra Santos Tavares 

Súmula - foi apresentada no livro nº519 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

Os Caminhos das Estrelas é a história de um futuro ainda longínquo, onde, como sempre, as descobertas da humanidade só fazem com que os homens se apercebam de como é enorme o espaço à sua volta e tão pequeno o domínio que verdadeiramente conhecem e controlam. Onde, embora a tecnologia tenha atingido um estado de perfeição nunca antes sonhado, os homens e as mulheres continuam, tal como os seus antepassados, a experimentar os sentimentos básicos do medo, da esperança, do amor e do ódio.
São três as personagens em torno das quais se desenvolve o enredo deste romance apaixonante.
Em primeiro lugar, Joachim, comandante de uma das naves galácticas dos Nómadas, a Peregrine, e líder do clã do mesmo nome - um clã formado pela tripulação da nave e pelas suas famílias. Sem vínculo que os ligue seja a que mundo for, os Nómadas passam a maior parte das suas vidas a bordo daquelas grandes naves, e são um povo semelhante aos ciganos, que há muito tempo atrás, trilharam os caminhos da Terra, ou aos Vikings que assolaram os seus mares, um povo diferente de todas as restantes sociedades humanas conhecidas.
Uma vez por ano, os comandantes das naves Nómadas costumam reunir-se num planeta secreto, para discutir e definir as regras e os acordos em que se baseia a existência do seu povo. E nesse ano, Joachim tem uma verdadeira bomba para comunicar aos companheiros. Cinco das suas naves desapareceram, numa zona do espaço que era suposta estar desabitada. E isso não podia ser um acidente.
Em segundo lugar, Trevelyan Micah, do serviço de coordenação terrestre, o núcleo central da civilização galáctica, uma vasta federação de planetas. Para Micah, os Nómadas não eram mais do que uma influência irresponsável e indisciplinadora que tinha de ser posta na ordem. De todos os pontos da galáxia, chegavam informações aos sobrecarregados computadores, já bem ultrapassados relativamente às necessidades de tratamento de dados. Mas agora uma nova directiva fora transmitida a Micah; acima de tudo era preciso investigar as causas do desaparecimento de um certo número de plantas e de animais em vários planetas onde essas formas de vida não poderiam ter surgido por si próprias; e contactar os Nómadas que tinham perdido algumas naves nessa mesma zona.
Finalmente Sean, membro do clã dos Peregrine, um jovem muito amargurado pela perda da sua mulher, que não suportara a dureza da vida Nómada. Um jovem que, no encontro anual dos comandantes das naves Nómada, encontrará a estranha e bela Llaloa, que, ou não era bem humana, ou era um pouco mais do que humana.
Assim começa esta aventura, que os há-de levar a descobrir aquilo que, quer Trevelyan Micah, quer Joachim, já suspeitavam; uma forma de vida desconhecida, inteligente, até então insuspeitada, avança deliberadamente para a galáxia e vai entrar em rota de colisão com a civilização humana.