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nº 180 - A Terra dos Sonhos Felizes



Autor: John Brunner
Título original: The Dreaming Earth 
1ª Edição: 1963
Publicado na Colecção Argonauta em 1972
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca 

Súmula - foi apresentada no livro nº179 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta": 

Não o futuro distante, mas sim aquele que talvez encontremos ainda nas nossas vidas - aquele que os nossos filhos, muito provávelmente, irão conhecer. Um futuro em que a Terra será pior do que o Inferno. Sobrepovoada e esfomeada. Coberta de cidades com milhões e milhões de habitantes, e de vilas maiores que as cidades de hoje.
Nessa Terra - que pode estar muito próxima de nós - não pode haver alegria de viver. Mas há quem distribua sonhos felizes. Sonhos que talvez sejam reais. Porque aqueles que os têm, despertam num mundo onde o arco-íris tem oito cores, e onde o ar não é poluído e onde o único ruído que se ouve é o canto das aves - um canto diferente de todos os que tinham até então ouvido.
E esse mundo, que podia ser o do homem, mas não é, é um mundo de beleza, de paz, de felicidade. A Terra dos Sonhos Felizes. A Terra da Verdadeira Alegria.

nº 202 - O Mundo dos Homens Perfeitos



Autor: John Brunner
Título original: Entry to Elsewhen
1ª Edição: 1972
Publicado na Colecção Argonauta em 1974
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Maria Emília Ferros Moura

Súmula - foi apresentada no livro nº201 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":  

Um admirável romance de ficção-científica, que vai marcar um ponto alto na Colecção Argonauta e de que damos em seguida um pequeno excerto:

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Antes de conseguir aceitar a realidade, Cecil Clifford olhou longamente o rosto estragado, em que ainda se discerniam restos da antiga beleza e o cabelo escuro espalhado na almofada. Os olhos encheram-se-lhe súbitamente de lágrimas, que reteve encolerizado. As lágrimas de nada valiam ante a presença da morte.
Finalmente, fez sinal à enfermeira para que cobrisse com o lençol o rosto que outrora amara, e ela obedeceu. Voltou-se de costas e começou a reunir os instrumentos cirúrgicos: reparou que a assistente o fitava com um olhar interrogativo, mas compreensivo. Sentiu a necessidade de explicar.
- Era... era a mulher de um dos meus melhores amigos - disse, num tom de voz áspero que provocou um aceno de compreensão na enfermeira que, no entanto, se absteve de qualquer expressão de pena, o que ele intimamente lhe agradeceu. Todo o desgosto que sentia era qualquer coisa de muito seu.
E o que matara Leila Kent, fora uma doença que estava a vitimar a população.
- Se me passar a certidão de óbito, ainda a assino antes de ir para casa - concluiu depois de uma pequena pausa.
Lançou um último olhar sobre o corpo imóvel, depois do que avançou em passos rápidos atè à cama do doente seguinte. Só nesta enfermaria, havia sessenta camas separadas por pequenos biombos desdobráveis e desde a primeira à última, todos os doentes eram vítimas da Peste.
- Só lhe falta o 47, doutor - ouviu a enfermeira dizer nas suas costas, e por um breve instante quase acreditou que ela lhe queria realmente dizer que apenas faltavam examinar mais quarenta e sete doentes. Talvez ainda fosse assim um dia...
Mas na realidade, ela estava a referir-se ao Número 47, Buehl, o astronauta, ainda fraco mas já convalescente, embora tivesse passado dez dias em tratamento, dado que o diagnóstico só ao fim desse período identificara a doença. O bacilo da Peste atravessava uma fase de camuflagem e o doente apenas apresentava sintomas de gripe. Até que... a explosão se deu!
Clifford interrogou-se amargamente se todas as drogas e antibióticos que dera a Buehl teriam produzido efeito. Assim acontecera aparentemente, pois a verdade é que aparentava melhoras. Tentara no entanto o mesmo tratamento com Leila Kent... e ela morrera.
Afastou decididamente o pensamento, mas a realidade dos factos mantinha-se: algumas vezes a Peste era mortal em cada um dos dez doentes, independentemente da terapêutica aplicada pelos médicos e outras vezes assistia-se a uma cura milagrosa em questão de dias, ocasionada por um tratamento algures malogrado.
Era simplesmente de loucura!
Mas o homem deitado na cama 47 tentava esboçar um sorriso e teve de lhe corresponder a fim de lhe inspirar confiança. 
- Bom! - exclamou. - Como se sente?
- Podia perfeitamente dar-me alta - disse por entre dentes o astronauta, fechando a revista técnica que estava a ler e correndo o fecho éclair do casaco, - Sinto-me capaz de voltar imediatamente aos voos espaciais.
- Essa decisão pertence-me e não a si - contrapôs Clifford com pretensa severidade e preparando-se para o auscultar com o broncoscópio. Buehl submeteu-se com um bocejo à lâmpada minúscula e ao tubo do aparelho.
Um rápido exame foi o suficiente para que Clifford se apercebesse de que o doente tinha realmente razão. Não necessitava de consultar o gráfico do dia anterior referente à garganta inflamada para compreender que tudo voltara repentinamente à normalidade. Os tecidos que há vinte e quatro horas se apresentavam inchados e de um vermelho vivo, estavam agora de um rosado tom saudável. Desligou o broncoscópio e confirmou as conclusões a que chegara com o estetoscópio. Os brônquios alterados de Buehl, que lhe tinham provocado uma respiração de doente a morrer de pneumonia, não acusavam praticamente qualquer sinal de anomalia.
Maldito bastardo! Porquê ele? Porque não...
Mais uma vez, Clifford varreu decididamente do espírito os pensamentos que o assaltavam. Ainda tinha de fazer mais alguns exames, antes de se poder pronunciar. Até esse momento, todos os que conseguiam escapar tinham ficado permanentemente imunes  - alguns voluntários corajosos tinham demonstrado esse facto - mas mesmo assim, com um micróbio daqueles, mutável, imprevisível...
- O braço, por favor - pediu, pegando no hemómetro. Buehl levantou a manga e deixou-se examinar. O mecanismo entrou em funcionamento e os números tornaram-se visíveis no mostrador: a contagem de sangue e a utilização de oxigénio eram normais. Buehl soltou uma risada ao ver-lhe a expressão.
- Está a tentar provar que não tenho razão, doutor?
- A sua recuperação é realmente inegável - retorquiu Clifford num tom subitamente ríspido. - Mas um de cada dez dos nossos doentes morre, seja qual for o tratamento aplicado e queremos descobrir o que fez com que você escapasse e eles não!
- Ouvi realmente falar nisso - disse Buehl com um aceno de súbita compreensão. - E há muita gente com a Peste, não há? Devem estar a lutar com uma tremenda falta de espaço, para se verem obrigados a juntar homens e mulheres assim na mesma enfermaria - continuou, indicando a ampla divisão e os biombos. - Quer provavelmente testar o meu sangue e verificar qualquer anticorpo que fez o milagre?
- Sim, é isso que faremos - concluíu Clifford um pouco envergonhado pela forma como falara e disfarçando a reacção mediante cuidados excessivos com a esterilização do aparelho que acabara de utilizar. - Temos portanto um bom motivo para não o mandar imediatamente de volta para Marte.
Servindo-se do EEG portátil, aplicou os terminais de sucção a algumas partes do crânio de Buehl, que tinham sido rapadas, embora de forma a permitir que o cabelo de tom castanho as disfarçasse.
- Mantenha os olhos fechados, por favor - pediu, examinando as indicações que apareceram no mostrador verde e iluminado do aparelho. - Abra, feche... Muito bem. Mantenha-os fechados e pense em qualquer coisa complicada.
- Estive a ler um artigo escrito por um indivíduo de Princeton. Propõe-se tornar as naves espaciais obsoletas. Utiliza uma matemática complicadíssima.
- Serve perfeitamente - respondeu Clifford com ar ausente e concentrando-se nos elementos fornecidos pla leitura do aparelho.
Meio minuto bastou para lhe comprovar que a capacidade intelectual de Buehl estava a funcionar em pleno.
- Pode descontrair-se - disse, retirando os terminais. - Nunca esperei que ficasse contente com a ideia de um cemitério de naves espaciais - acrescentou secamente.
- Não se trata de ficar ou não contente. O problema está em que considero o indivíduo capaz de construir um transportador espacial. 
- Mas pensei que já tinham provado que isso era impossível - exclamou Clifford erguendo os olhos, admirado.
- A velha teoria de estudarem a estrutura molecular de qualquer coisa e de se servirem de ondas transportadoras está definitivamente posta de parte. Mas este Professor Weissman está a abordar o assunto de um ângulo completamente diverso. Fala em conseguir a sobreposição de espaços diferentes. Diz que qualquer objecto introduzido num dos espaços apareceria também no outro. Trata-se de uma macroaplicação do princípio das probabilidades. Acha que era capaz de me arranjar um computador? Gostava de testar o raciocínio matemático que ele faz.
Clifford pestanejou. Sabia perfeitamente que para se ser astronauta, se era obrigado a ter conhecimentos excelentes de Matemática, mas de acordo com a sua ficha, Buehl não passava de um técnico mediano e a sua ideia de corrigir a teoria de um professor do Instituto de Altos Estudos parecia improvável.
- Acha-se realmente capaz de o fazer? - perguntou, sem se conseguir dominar.
- Refere-se às minhas condições físicas? Claro que sim... Não, não era isso o que queria dizer, pois não? - acrescentou, com uma tentativa de sorriso. - É o resultado de se ter a aparência de um homem saudável em vez da palidez do intelectual. Sim, doutor, sou capaz. Quando é preciso, domino a mecânica celeste. Já me aconteceu isso uma vez, quando a caminho de Marte o computador da nossa nave ficou avariado devido a um corpo astral estranho.
- Está bem. Verei o que posso fazer - respondeu Clifford com um sinal de assentimento que era igualmente de admiração. - Não sei quais as possibilidades de lhe pôr à disposição o nosso computador principal - os nossos funcionários dos serviços estatísticos protestam com a falta de material disponível -, mas acha qe uma calculadora portátil lhe serviria?
- Seria melhor que nada - respondeu Buehl.
- Não se importa de se encarregar da satisfação deste pedido? - Perguntou Clifford à enfermeira. - E já o pode transferir para um quarto de convalescentes. Está a reagir muito bem.
A cama dele pode ser cedida a um outro doente, continuou a pensar. O Buehl tem razão. Estamos sobrecarregados. A Peste está a devorar o país como um fogo na floresta...
Era o seu último doente daquele dia e nunca se sentira tão contente por ver o dia de trabalho terminado. Desde as seis da manhã que estava ao serviço e já passava nesse momento das quatro da tarde. Nas dez breves horas que tinham decorrido, assinara nove certidões de óbito - todas devido à Peste.
Saíu da enfermaria com ar fatigado e tirou a máscara e a bata que seriam inutilizadas. Depois passou cinco minutos no duche a esfregar-se com sabonete antigermes e retirou as roupas do radiador de ultravioletas, onde tinham ficado desde manhã. Seguira todos os princípios de desinfecção prescritos, que no entanto estavam a falhar cada vez mais desde que a Peste começara.
Quando entrou no escritório reservado aos cirurgiões, já aí encontrou o seu substituto da noite, o que se preparava para ir tomar duche. Deu-lhe uma breve panorâmica dos casos mais graves e falaram sobre assuntos variado até à chegada da enfermeira, que trazia os documentos.
Sem ligar ao problema tempo, leu-os um a um cuidadosamente, mais pela força do hábito do que por esperar encontrar alguns erros. Assinou e voltou a devolvê-los.
- Está lá fora um polícia à sua espera, doutor - informou a enfermeira num tom de voz hesitante quando lhes pegou. - Diz que quer falar consigo pessoalmente.
- Que diabo quererá?- explodiu Clifford.
- Não me disse. Mas insiste em que se trata de um assunto importante.
- Diabos o levem... Bom, acho que é melhor mandá-lo entrar. 
Recostou-se na cadeira e cerrou os olhos. Quando os voltou a abrir, viu recortado na ombreira da porta a figura de um homem alto e elegante com o uniforme de inspector e um olhar preocupado que Clifford reconheceu: vira aquela expressão no seu próprio rosto quase diariamente durante aquelas últimas semanas.
- Sei que está muito ocupado, doutor... começou a dizer o recém-chegado, mas Clifford não o deixou terminar a frase.
- Não tem importância. Sente-se. Em que lhe posso ser útil?
- Obrigado. Bom, chamo-me Thackeray, Inspector Thackeray e trabalho no Departamento dos Desaparecidos na Yard. Espero que me possa prestar algumas infomações relativamente ao que pretendo.
- Estou demasiadamente cansado para enigmas - suspirou Clifford.
- Claro. Desculpe. Bom, a verdade é que foi o médico que prestou assistência num dos primeiros casos de Peste, não é verdade? Não sei qual a designação oficial que dão a esta doença.
- Ainda ninguém teve tempo de a baptizar. Peste é um nome tão bom como outro qualquer .
- O caso a que me refiro - continuou Thackeray com um sinal de assentimento - é o de um homem não identificado que chegou a Londres de comboio vindo de Maidenhead. Moreno, bastante forte e entre cinquenta e sessenta anos. Sabe de quem se trata?
- Sim, recordo-me. Estava inconsciente quando o comboio chegou à última estação e não voltou a falar antes de morrer. Tivemos vários casos semelhantes. Julgo que o nosso pessoal da Secretaria lhes fornece todas as informações, ou não?
- Sim, de facto - retorquiu Thackeray um tanto mal humorado. - É esse o nosso problema. Quando diz que houve vários casos semelhantes, está a menosprezar um pouco os factos. Houve mais de cem pessoas na cidade de Londres até este momento que ou pediram boleia e morreram nos carros que as transportavam, ou não conseguiram sequer sair dos comboios e autocarros e estavam já em coma quando as tentaram transportar.
- Centenas? É realmente um número elevado. Mas o que posso fazer pessoalmente?

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nº 205 - Os Dramaturgos de Yan



Autor: John Brunner
Título original: The Dramaturges of Yan
1ª Edição: 1971
Publicado na Colecção Argonauta em 1974

Capa: Lima de Freitas

Tradução: Eurico da Fonseca
 
Súmula - foi apresentada no livro nº204 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":  

Com um dos seus romances mais emocionantes, John Brunner figura mais uma vez na Colecção Argonauta. Acção, imaginação, sentido de surpresa, tudo se adiciona neste livro para criar uma atmosfera envolvente e sedutora. John Brunner é, seguramente, um dos mais notáveis cultores deste género entre todos difícil. Ele consegue reuniram conjunto de qualidades que o impõem aos olhos do leitor e da crítica.
Os Dramaturgos de Yan, um dos romances mais originais de John Brunner, vai receber certamente uma franca consagração do nosso público. Ler este romance é indispensável e urgente.

nº 221 - Eclipse Total



Autor: John Brunner
Título original: Total Eclipse
1ª Edição: 1974
Publicado na Colecção Argonauta em 1975
Capa: Lima de Freitas
Tradução: Eurico da Fonseca 


Súmula - Foi apresentada no livro nº220 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

No ano de 2020, uma expedição internacional, em Sigma Draconis, dezanove anos-luz da Terra, descobre os vestígios de uma sociedade muito avançada, construtora de uma obra espectacular - o maior telescópio imaginável, cavado e polido numa cratera lunar natural.
Expedições sucessivas concluem que essa cultura misteriosa se desenvolveu e desapareceu misteriosamente depois de ter durado apenas três mil anos. Então, em 2028, outra missão chega ao planeta, com um único objectivo - descobrir a razão pela qual aquela civilização, tão adiantada, desapareceu subitamente. E essa missão tem uma esperança: a de que a descoberta do enigma permita evitar que a mesma coisa venha a acontecer na Terra. 
Eis o tema de Eclipse Total, de John Brunner, o volume seguinte da Colecção Argonauta - uma obra comparável a 2001 - Odisseia no Espaço. Que aconteceu em Sigma Draconis: um vírus fatal, uma guerra, uma religião brutal ou uma mutação que destruíu uma civilização inteira? Em que medida isso se pode reflectir no futuro do Homem? 

Introdução:

De John Brunner, apenas se poderá dizer que é um autor de excepção, um dos mais versáteis e incisivos autores de ficção-científica. E da ficção-científica, apenas se poderá dizer que, contra o que geralmente se crê, não é um género literário alienante. Pelo contrário, foi sempre um veículo de crítica. E da crítica mais mordente. Desde os filósofos gregos a Kepler, desde Cirano a Tsiolkovsky, desde H.G. Wells a Campbell e desde Heinlein a Brunner e a tantos outros autores modernos, a ficção-científica tem sido sempre veículo de utopias como de análises das mais profundas, de todos os aspectos da vida humana. No futuro, dir-se-á. Mas que é o futuro senão a projecção do presente - a exposição das tendências do mundo em que hoje vivemos. A exposição crua de tudo quanto, tanto quando seja possível prever, será bom - ou será mau?
Eclipse Total é um exemplo da tremenda importância da ficção-científica como instrumento de análise. Para se fazer uma ideia - apenas uma pequena ideia - dos pontos de vista expostos na obra de Brunner, bastará apenas citar um pequeno trecho: 

Houvera a possibilidade - apenas uma possibilidade remota - de um país construir e utilizar uma pequena nave interestelar; talvez com quatro tripulantes e um equipamento mínimo. Isso também teria estado dentro das posses de uma confederação, como a Comunidade Económica Europeia, ou do principal elemento de uma aliança económica mais ou menos livre - como o Japão.
Mas teria sido muito e muito pouco popular fazer isso. Os cidadãos das nações menos favorecidas - faladoras e até vociferantes - de há muito afirmavam que o caminho para uma pirâmide de feitos gloriosos era construído ao acaso, sobre uma base de cascalho humano. O olhar de águia de um satélite de mil milhões de dólares podia fitar o corpo do trabalhador que extraíra o minério para ele, com um salário de fome - e morrera. 

Nota: um dos livros que mais gosto me deu ler na Colecção Argonauta e que reli várias vezes. Uma grande surpresa e uma obra fantástica.

nº 235 - O Erro do Tempo


Autor: John Brunner
Título original: The Wrong End of Time
1ª Edição: 1971
Publicado na Colecção Argonauta em 1977
Capa: Manuel Dias
Tradução: Maria Emília Ferros Moura

Súmula - Foi apresentada no livro nº234 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
  
O próximo volume da Colecção Argonauta é um romance de John Brunner, o que significa um bom romance. Brunner é aliás, um escritor bem conhecido dos nossos leitores. Dele se publicaram, na Colecção Argonauta, os excelentes textos de A Terra dos Sonhos Felizes (nº180), O Mundo dos Homens Perfeitos (nº202), Os Dramaturgos de Yan (nº205) e Eclipse Total (nº221). O seu prestígio como prosador e como ficcionista está de facto há muito perfeitamente estabelecido e é, no momento, um dos grandes representantes das modernas tendências da ficção-científica.
O Erro do Tempo, sendo embora uma obra de pura fantasia e de pura antecipação, não deixa de encerrar um profundo valor de meditação e de bom senso, ensaiando previsões que o futuro poderá um dia justificar, senão realizar. É, assim, um romance de duplo valor, tanto pela forma como foi concebido - ombreando com as ficções mais célebres - como pelas intenções que o caracterizam, impondo-se a todos leitores, mesmo aos mais cépticos ou aos que só procuram, na ficção-científica, um meio de evasão ao quotidiano. O Erro do Tempo poderá ser, não obstante, o quotidiano de um futuro que se aproxima de nós a passos acelerados e que encerra, nas suas ambiguidades, possibilidades e mistérios, as mais diversas hipóteses.
Os leitores de O Erro do Tempo vão encarar um texto profundamente sério, aberto a diversas leituras e fruto de variadas intenções. A especulação ambígua que permite é - para lá do campo onde se limita a intriga - uma das suas mais notáveis qualidades. Qualidades que se espera venham a ser devidamente apreciadas e justamente distinguidas.  

nº 240 - Os Permutadores de Mundos




Autor: John Brunner
Título original: The World Swappers
1ª Edição: 1959
Publicado na Colecção Argonauta em 1977
Capa: Manuel Dias
Tradução: Eurico da Fonseca

Súmula - Foi apresentada no livro nº239 da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":
Um dia, quando os homens dominarem verdadeiramente a imensidão do espaço cósmico, poderão espalhar-se por mil mundos. Mas que acontecerá se, depois disso - e somente depois disso - surgirem provas da existência de outra espécie inteligente na galáxia, ocupada também na busca de novos mundos para colonizar?
Ir-se-á assistir a uma guerra galáctica, tal como noutro tempo se assistiu a guerras mundiais, resultantes dos conflitos dos interesses (e das ideias) dos povos da Terra? Muitos e muitos têm sido os livros de ficção científica baseados nas descrições de conflitos à escala cósmica, em que os humanos e outras criaturas - por norma horrorosas e cruéis - lutam com armas terríveis.
Não foi esse o caminho seguido por John Brunner na sua obra Os Permutadores de Mundos - (The World Swappers), no título original. Brunner - um autor conhecido dos leitores da Colecção Argonauta, premiado com o  Prémio Hugo - preferiu uma solução menos espectacular, mas mais lógica. Considerando que uma guerra entre os humanos e os outros poderia levar à destruição de ambas as civilizações e, muito possívelmente, de ambas as espécies, haverá que evitar a guerra, a todo o custo. Mas como vencer o desconhecimento mútuo, a desconfiança e, principalmente, a ambição daqueles que, no fim de tudo desejariam a guerra para através dela conquistarem o poder sobre todo o Universo e todos os seres nele existentes? 

nº 419 - Há Mais Coisas no Céu


Autor: John Brunner
Título original: More Things in Heaven
1ª Edição: 1973
Publicado na Colecção Argonauta em 1992
Capa: A. Pedro
Tradução: António Porto

Súmula - Foi apresentada no livro nº4178da Colecção, com a indicação de "Ler nas páginas seguintes a súmula do próximo volume da Colecção Argonauta":

"Há mais coisas maravilhosas no Céu e na Terra do que o Homem poderá alguma vez sonhar" - escreveu William Shakespeare, e julgamos saber hoje o quanto isso é verdade. O que não sabemos é quanto nos falta ainda descobrir.
Foi o que pensou David Drummond quando um dia, em Quito, disse ao seu amigo Henri: "Acabo de ver Leon... aqui mesmo, nesta cidade!"
"Deve ter sido outra pessoa, David!"
"Fomos criados juntos! Como é que eu me podia enganar?"
"Como é que ele podia estar aqui? Lembra-te de que Leon está a bordo da Starventure, e a Starventure está a atravessar a órbita de Júpiter neste momento."
Mas outros membros da tripulação da nave começaram a ser vistos na Terra, ainda que ao mesmo tempo estivessem na órbita de Júpiter! E David Drummond teve de mudar de ideias sobre o que era admissível e o que não era. Até porque entretanto, estranhas e inexplicáveis aparições surgiram nos céus...